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"A Garçonete Que Enfrentou Chefe da Máfia" Capítulo 2 — Ele Comprou o Restaurante

正文开头

O ossobuco chegou à mesa vinte e seis minutos depois.

Isabela colocou o prato diante de Dante sem dizer nada.

O aroma de vinho branco, ervas e açafrão subiu entre os dois.

Dante olhou primeiro para a comida.

Depois para ela.

"Foi você quem escolheu?"

"Foi."

"Corajosa."

Isabela cruzou as mãos à frente do avental.

"É o melhor prato da casa."

"Eu não estava falando da comida."

Ela sustentou o olhar dele.

Dante cortou um pedaço da carne devagar.

Provou.

Bruno observava em silêncio.

O outro homem continuava atento ao salão.

Por alguns segundos, Dante não disse nada.

Isabela odiou perceber que estava esperando pela reação dele.

"Está bom?"

Ele limpou a boca com o guardanapo.

"Excelente."

"Então eu posso voltar ao trabalho."

"Não."

Isabela parou.

"Não?"

"Quero que fique."

"Para quê?"

"Para conversar."

Ela quase riu.

"Eu tenho outras mesas."

"Alguém cobre."

"Não funciona assim."

Dante apoiou o garfo.

"Quase tudo funciona de um jeito quando a pessoa certa pede."

Isabela sentiu a irritação voltar.

"Isso é exatamente o tipo de coisa que faz o senhor parecer insuportável."

Bruno desviou os olhos.

Dante não se ofendeu.

Pelo contrário.

Pareceu interessado.

"Você fala assim com todos os clientes?"

"Não."

"Então sou especial."

"Infelizmente."

Dante soltou uma risada curta.

Era a primeira vez que Isabela ouvia aquele som vindo dele.

E, por algum motivo, aquilo a deixou mais desconfortável do que a frieza anterior.

Ele voltou a comer.

"Há quanto tempo trabalha aqui?"

"Dois anos."

"Gosta?"

"Do emprego?"

"Do lugar."

Isabela olhou para o salão.

Para as paredes antigas.

Para Rogério brigando com alguém na cozinha.

Para Camila atendendo uma família na entrada.

"É cansativo."

"Não foi o que perguntei."

Ela respirou.

"Gosto."

Dante assentiu.

"Então vai sentir falta."

Isabela franziu a testa.

"Falta de quê?"

"Da Cantina Bellavista."

Ela ficou imóvel.

"O que isso quer dizer?"

Dante bebeu um pouco do vinho.

"Quer dizer que este restaurante vai mudar de dono."

O peito de Isabela apertou.

"Como assim?"

"O proprietário tem uma dívida."

"Com quem?"

Dante não respondeu imediatamente.

Não precisava.

Isabela entendeu.

"Com você."

"Com uma empresa ligada ao Grupo Montenegro."

"É a mesma coisa."

"Juridicamente, não."

"Para quem perde o restaurante, deve ser."

Dante manteve a expressão calma.

"Ele teve tempo suficiente para pagar."

"Então o senhor vai tomar o lugar?"

"Vou comprar."

"Comprar com uma dívida apontada para a cabeça dele não parece exatamente uma negociação."

Bruno olhou para Isabela.

Dante continuou sereno.

"Você sempre transforma tudo em julgamento moral?"

"Quando alguém ameaça meu emprego, sim."

"Ninguém ameaçou seu emprego."

"Se o restaurante vai mudar de dono, todo mundo está ameaçado."

"Os funcionários competentes ficam."

Isabela cruzou os braços.

"E quem decide quem é competente?"

"Eu."

"Que conveniente."

Dante cortou outro pedaço do ossobuco.

"Você está preocupada com os outros."

"Claro que estou."

"Mesmo depois de todos terem deixado você assumir esta mesa sozinha?"

Ela abriu a boca.

正文1

Fechou de novo.

Dante tinha percebido.

Isabela odiou isso.

"Isso não significa que eu queira ver ninguém desempregado."

"Interessante."

"O quê?"

"Lealdade."

Dante tomou outro gole.

"É mais rara do que parece."

Isabela puxou o ar.

"Quando isso acontece?"

"Na próxima semana."

Ela ficou pálida.

"Tão rápido?"

"Negócios costumam ser rápidos quando ninguém tem poder para impedir."

"Isso também era para soar ameaçador?"

"Foi apenas uma informação."

Ela reconheceu a frase.

Ele também.

Os dois se encararam.

Bruno baixou a cabeça, escondendo um sorriso.

Isabela apontou discretamente para o prato.

"Termine o jantar."

"Você está me dispensando?"

"Estou trabalhando."

Dante se recostou.

"Vai continuar trabalhando."

Ela esperou.

Ele terminou o vinho.

"Mas talvez não aqui."

Isabela sentiu um arrepio.

"Não gosto de enigmas."

"Vai entender em breve."

"Prefiro entender agora."

Dante ergueu os olhos.

"Nem tudo acontece no seu tempo, Isabela."

Ela se inclinou levemente.

"Nem no seu."

O sorriso dele apareceu de novo.

Pequeno.

Perigoso.

"Veremos."

Três dias depois, Rogério mandou mensagem para todos os funcionários antes das oito da manhã.

Reunião obrigatória.

Cantina fechada até o meio-dia.

Isabela chegou às nove e encontrou doze pessoas reunidas no salão vazio.

Ninguém falava alto.

Rogério estava em pé perto do balcão.

Parecia ter envelhecido anos em poucas horas.

Camila segurava um copo de café sem beber.

Paulo não tinha voltado desde a noite de Dante.

"Alguma coisa aconteceu?" Isabela perguntou.

Rogério respirou fundo.

"A cantina foi vendida."

O salão inteiro começou a murmurar.

"Para quem?"

"Quando?"

"Vai fechar?"

Rogério levantou a mão.

"Calma."

Ninguém ficou calmo.

Isabela já sabia a resposta.

Mesmo assim, sentiu o estômago apertar.

"O novo controle passa oficialmente para o Grupo Bellavista Participações."

Camila olhou para Isabela.

As duas entenderam.

Rogério continuou.

"Sim. É ligado ao Grupo Montenegro."

Um funcionário xingou baixo.

Outro perguntou sobre rescisão.

Rogério pegou uma folha.

"Não vai haver demissão em massa."

O salão silenciou.

"A maioria continua."

Alguns respiraram aliviados.

Isabela não.

Rogério evitava olhar para ela.

"Algumas funções vão mudar."

"Que funções?" Camila perguntou.

Rogério apertou a folha.

"Isabela."

Ela levantou o rosto.

"Você foi transferida."

O silêncio voltou.

"Transferida para onde?"

Rogério limpou a garganta.

"Serviço privado."

Isabela sentiu o sangue esfriar.

"Privado de quem?"

Rogério não respondeu.

Não precisava.

"Não."

"Isabela..."

"Eu não aceitei."

"Eu sei."

"Então acabou."

Ela pegou a bolsa.

"Eu continuo aqui."

Rogério balançou a cabeça.

"Não é tão simples."

"É simples, sim."

Ele abaixou a voz.

"Seu salário triplica."

Isabela parou.

Camila arregalou os olhos.

"Triplica?"

Rogério assentiu.

"Plano de saúde completo. Auxílio-moradia. Transporte. Seguro."

Isabela encarou a folha.

"E onde eu trabalharia?"

Rogério finalmente respondeu.

"Na residência do senhor Dante Montenegro."

O salão explodiu em cochichos.

Camila levou a mão à boca.

Isabela ficou imóvel.

Depois riu.

Uma risada seca.

Sem humor.

"Isso é uma piada."

"Ninguém aqui está rindo."

"Eu não vou."

"Então vai precisar falar com a administração."

"Ótimo."

Rogério entregou um envelope preto.

正文2

"Endereço."

Isabela arrancou da mão dele.

Duas horas depois, ela estava na Faria Lima.

O prédio do Grupo Montenegro parecia ter sido feito para intimidar.

Vidro escuro.

Pedra preta.

Seguranças de terno na entrada.

Recepção silenciosa.

Isabela atravessou tudo com raiva suficiente para esquecer o medo.

"Quero falar com quem fez minha transferência."

A recepcionista digitou alguma coisa.

"Seu nome?"

"Isabela Moretti."

A mulher olhou para a tela.

E imediatamente ficou mais formal.

"Décimo quinto andar."

Isabela percebeu.

Seu nome já era esperado.

No andar superior, outra mulher a recebeu.

Elegante.

Cabelo preso.

Terno bege.

Nenhum sorriso.

"Senhorita Moretti."

"Quero cancelar a transferência."

"Não é uma transferência comum."

"Ótimo. Então cancele mais rápido."

A mulher abriu uma pasta.

"Seu novo contrato oferece remuneração três vezes maior, benefícios integrais e moradia durante os dias de serviço."

"Eu não pedi nada disso."

"Entendo."

"Não parece."

"A senhora está recusando antes mesmo de conhecer as condições."

"Estou recusando trabalhar na casa de um homem que compra o restaurante onde eu trabalho e depois decide onde eu devo ir."

A mulher fechou a pasta.

"Foi o próprio senhor Montenegro quem pediu você."

A frase caiu como pedra.

Isabela ficou em silêncio.

Então perguntou:

"Por quê?"

"Isso você precisa perguntar a ele."

"Ele está aqui?"

"Não."

"Então minha resposta continua sendo não."

A mulher empurrou um envelope pela mesa.

"Seu turno começa hoje, às dezoito horas."

Isabela não tocou.

"Eu acabei de dizer que não vou."

"Pode dizer isso diretamente ao senhor Montenegro."

"Ele acha que tudo se resolve assim?"

"Na experiência que eu tenho, quase sempre."

Isabela pegou o envelope com força.

"Ele vai ouvir a minha resposta."

Às seis e cinco da tarde, um carro de aplicativo parou diante de um portão alto em Jardim Europa.

Isabela desceu.

Ficou olhando.

A mansão parecia um hotel particular.

Linhas modernas.

Vidros enormes.

Jardim impecável.

Dois seguranças verificaram seu nome.

O portão abriu.

Isabela caminhou pela entrada principal sentindo cada passo mais pesado.

Uma mulher de cinquenta e poucos anos a recebeu.

"Senhorita Moretti?"

"Sim."

"Sou Teresa Almeida."

Ela abriu a porta.

"Entre."

Isabela entrou.

O interior era ainda mais silencioso do que o prédio da Faria Lima.

Mármore claro.

Obras de arte.

Escada curva.

Nada parecia tocado.

Nada parecia vivido.

"Ele está aqui?"

Teresa entendeu imediatamente quem.

"Na sala."

Isabela seguiu sozinha.

Dante estava perto da janela.

Sem gravata.

Camisa escura.

Uma garrafa de vinho aberta sobre a mesa.

Ele se virou.

"Você veio."

"Vim dizer não."

Dante não pareceu surpreso.

"Quer beber alguma coisa?"

"Não."

"Tem certeza?"

"Absoluta."

Ele serviu duas taças mesmo assim.

Isabela perdeu a paciência.

"Por quê?"

Dante ergueu os olhos.

"Por quê o quê?"

"Por que eu?"

Ele colocou a garrafa na mesa.

"Porque eu pedi."

"Isso não é resposta."

"É a resposta mais direta."

"Você comprou o restaurante."

"Sim."

"Depois mandou me tirar de lá."

"Sim."

"Mandou preparar contrato."

正文3

"Sim."

"Sem falar comigo."

Dante se aproximou.

"Você teria aceitado?"

"Não."

"Então eu economizei tempo."

Isabela soltou uma risada incrédula.

"Você é impossível."

"Já me disseram coisa pior."

"Todo mundo faz o que você quer?"

"Quase todo mundo."

"Eu não."

"Eu percebi."

A resposta saiu diferente.

Mais baixa.

Dante parou diante dela.

"É justamente esse o problema."

Isabela franziu a testa.

"Problema?"

"Quando as pessoas olham para mim, vejo sempre a mesma coisa."

Ele contou nos dedos.

"Medo."

Outro dedo.

"Interesse."

Mais um.

"Dinheiro."

Dante abaixou a mão.

"Às vezes poder."

Isabela ficou quieta.

"Naquela noite, você me olhou e viu outra coisa."

"O quê?"

"Um homem mal-educado."

Ela quase sorriu.

"Porque foi exatamente o que você foi."

"Eu sei."

A sinceridade inesperada a pegou desprevenida.

Dante entregou uma taça.

Desta vez, Isabela aceitou.

Não bebeu.

Apenas segurou.

"Você não abaixou a cabeça."

Ele a observava com intensidade.

"Não tentou me agradar."

Mais um passo.

"Não tentou conseguir nada."

Isabela sentiu o coração acelerar.

"Isso ainda não explica por que eu estou aqui."

Dante olhou para a taça na mão dela.

"Talvez eu queira descobrir quanto tempo você consegue continuar sendo assim perto de mim."

Isabela endureceu.

"Eu não sou um experimento."

"Eu sei."

"Nem um brinquedo."

"Também sei."

"Então pare de decidir minha vida."

Dante ficou em silêncio.

Pela primeira vez, pareceu considerar de verdade o que ela dizia.

Depois pegou a própria taça.

"Você pode ir embora."

Isabela piscou.

"O quê?"

"Agora."

Ela não esperava.

Dante apontou para a porta.

"Se quiser sair, saia."

Isabela não se mexeu.

"Você não vai impedir?"

"Não."

"Não vai mandar alguém atrás de mim?"

"Não esta noite."

Ela estreitou os olhos.

"Isso deveria me tranquilizar?"

"Não."

Dante bebeu um gole.

Isabela olhou para a porta.

Depois para ele.

"Então por que parece que você já sabe que eu não vou embora?"

Dante sorriu.

Não havia vitória no sorriso.

Havia certeza.

"Porque você veio até aqui para me enfrentar pessoalmente."

Ele estendeu a mão e tocou levemente a borda da taça dela.

"Se quisesse apenas fugir, teria feito isso antes de entrar."

Isabela sentiu o peito apertar.

"Você acha que me conhece."

"Não."

Dante se aproximou o suficiente para baixar a voz.

"Mas pretendo."

Ela respirou fundo.

"Isso ainda pode acabar muito mal."

"Provavelmente."

"Para mim."

"Para nós dois."

Dante ergueu a taça.

"Isso é o começo de alguma coisa da qual nenhum de nós vai conseguir sair."

Isabela não brindou.

Ficou apenas olhando para ele.

Então ouviu passos no corredor.

Teresa surgiu na porta.

"Senhor Montenegro."

Dante virou o rosto.

"O que foi?"

Teresa hesitou.

"Os convidados de amanhã confirmaram presença."

Isabela olhou de um para o outro.

Dante voltou os olhos para ela.

Dessa vez, havia algo novo em sua expressão.

Algo que Isabela não conseguiu interpretar.

"Ótimo."

Ele colocou a taça sobre a mesa.

"Então preparem Isabela."

Ela franziu a testa.

"Preparar para quê?"

Dante sustentou seu olhar.

"Para conhecer as pessoas que vão decidir se você pode continuar viva perto de mim."

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