"A Garçonete Que Enfrentou Chefe da Máfia" Capítulo 1 — A Garçonete Que Enfrentou Dante Montenegro
Naquela sexta-feira, o Bixiga parecia mais barulhento do que de costume.
Do lado de fora da Cantina Bellavista, carros disputavam espaço nas ruas estreitas, garçons atravessavam calçadas com pressa e o cheiro de molho de tomate, alho e pão recém-assado se misturava ao ar quente de São Paulo.
Lá dentro, Isabela Moretti equilibrava três pratos em um braço enquanto desviava de uma criança correndo entre as mesas.
Aos vinte e sete anos, ela já tinha aprendido que trabalhar em restaurante exigia mais do que memória e equilíbrio.
Exigia paciência.
Muita paciência.
"Isabela, mesa oito quer outra água com gás!"
"Já vou!"
"Isabela, esqueceram o parmesão da doze!"
"Estou levando!"
"Isabela!"
Ela fechou os olhos por meio segundo.
"Eu só tenho duas mãos, Rogério."
Da porta da cozinha, o chef Rogério Bellini levantou as duas dele.
"Então use mais rápido."
Isabela mostrou a língua quando ele virou de costas.
Camila, a recepcionista, viu e segurou o riso.
"Ainda vão te mandar embora."
"Prometem isso faz dois anos."
Isabela deixou uma cesta de pães sobre uma mesa e ajeitou o avental preto na cintura.
A Cantina Bellavista não era luxuosa, mas tinha fama.
Fotografias antigas do Bixiga cobriam as paredes, garrafas de vinho ocupavam estantes de madeira escura e uma música italiana baixa tocava perto do balcão.
Era o tipo de lugar onde famílias comemoravam aniversários e empresários marcavam jantares discretos.
Isabela conhecia quase todos os clientes habituais.
Sabia quem não gostava de cebola.
Quem sempre pedia a mesma mesa.
Quem deixava boa gorjeta.
E quem tratava garçom como se fosse invisível.
Naquela noite, porém, ninguém estava preparado para o homem que atravessou a porta às nove e dezessete.
Camila parou de sorrir.
O casal perto da entrada interrompeu uma discussão.
Até Rogério apareceu na abertura da cozinha, secando as mãos no avental.
Isabela percebeu primeiro o silêncio.
Não foi repentino.
Foi como se alguém tivesse abaixado o volume do restaurante aos poucos.
Uma mesa depois da outra.
Uma conversa depois da outra.
Ela olhou para a entrada.
Três homens haviam acabado de chegar.
Todos usavam ternos escuros perfeitamente ajustados.
O da esquerda era alto, largo, com uma cicatriz discreta próxima à sobrancelha.
O da direita mantinha uma das mãos perto do paletó e observava o salão inteiro como se procurasse saídas.
Mas nenhum deles era o motivo daquele silêncio.
Era o homem no centro.
Dante Montenegro.
Isabela nunca o tinha visto pessoalmente.
Mesmo assim, reconheceu imediatamente.
Todo mundo em São Paulo conhecia o sobrenome Montenegro.
Oficialmente, Dante era presidente do Grupo Montenegro, um conglomerado de logística, importação, imóveis e segurança privada.
Extraoficialmente, havia histórias.
Histórias que ninguém contava alto.
Empresários que deviam dinheiro e desapareceram do mercado.
Concorrentes que vendiam empresas de uma hora para outra.
Homens que mudavam de calçada quando um carro preto do grupo estacionava na porta.
Camila se aproximou de Isabela sem tirar os olhos deles.
"Não olha demais."
"Eu só estou olhando."
"Esse é Dante Montenegro."
"Eu sei."
Camila virou o rosto.
"Então sabe que não é uma boa ideia ficar encarando."
Isabela desviou os olhos.
Dante não tinha aparência de alguém que precisasse levantar a voz para ser obedecido.
Cabelo preto penteado para trás.
Rosto sério.
O maxilar firme.
Nenhuma joia exagerada.
Nenhum sorriso.
Apenas uma presença estranha que parecia ocupar espaço demais, mesmo quando ele não fazia nada.
Camila respirou fundo e caminhou até eles.
"Boa noite. Sejam bem-vindos à Cantina Bellavista."
Dante apenas assentiu.
Ela os conduziu até a área reservada no fundo do salão.
Paulo era o responsável por aquela seção.
Ou deveria ser.
Cinco minutos depois, Rogério surgiu da cozinha com o rosto vermelho.
"Cadê o Paulo?"
Isabela apontou para o corredor.
"Não sei. Estava aqui agora."
Rogério desapareceu.
Voltou ainda mais irritado.
"Foi embora."
"O quê?"
"Pegou a mochila e saiu pela porta dos fundos."
Camila empalideceu.
Isabela entendeu imediatamente.
"Por causa do Montenegro?"
"Não importa por causa de quem." Rogério apontou para o salão reservado. "Você vai assumir."
Isabela riu sem humor.
"Eu?"
"Você."
"Rogério, eu já tenho sete mesas."
"Agora tem oito."
"Arruma outra pessoa."
"Todo mundo está fingindo que não me ouviu."
Isabela olhou ao redor.
Nenhum garçom encarou os olhos dela.
"Covardes."
"Vai logo."
Ela pegou o bloco de pedidos.
"Se eu desaparecer, avisa minha mãe."
"Sua mãe mora em Campinas."
"Melhor. Dá tempo de você fugir também."
Rogério fez o sinal da cruz.
Isabela respirou fundo e entrou na área reservada.
Dante ocupava o centro de um sofá de couro curvo.
Bruno Azevedo, o homem da cicatriz, estava à esquerda com um copo de uísque na mão.
O outro segurança permanecia à direita, rígido demais para parecer um convidado.
Isabela se aproximou com um sorriso profissional.
"Boa noite, senhores. Meu nome é Isabela. Vou cuidar da mesa de vocês."
Dante ergueu os olhos.
Foi a primeira vez que o olhar dele encontrou diretamente o dela.
Isabela sentiu um desconforto imediato.
Não porque ele fosse bonito.
Embora fosse.
Mas porque Dante não parecia olhar para as pessoas.
Parecia analisá-las.
"Você está atrasada."
A frase veio calma.
Sem grito.
Sem pressa.
Isabela piscou.
"Desculpe?"
"Estamos sentados há três minutos."
Bruno baixou o copo.
Isabela apertou o bloco entre os dedos.
"O garçom responsável pela mesa precisou sair."
"Não perguntei pelo garçom."
Dante se recostou.
"Perguntei por que fui deixado esperando."
Ela manteve o sorriso.
"Como eu disse, houve um imprevisto."
"Imprevistos são desculpas que pessoas despreparadas usam quando alguma coisa dá errado."
Isabela sentiu o rosto esquentar.
Bruno olhou discretamente para Dante.
O segurança à direita continuou imóvel.
"Entendo."
"Entende?"
"Entendo que o senhor está esperando há três minutos."
Bruno mordeu a parte interna da bochecha.
Isabela percebeu.
Dante também.
"Isso foi ironia?"
"Foi informação."
Os olhos de Dante se estreitaram.
Isabela deveria ter parado ali.
Sabia disso.
Precisava do emprego.
Tinha aluguel para pagar.
Contas.
Uma mãe que ainda acreditava que ela guardava dinheiro todos os meses.
Mas havia alguma coisa na maneira como Dante falava que fazia cada frase parecer uma ordem.
"Quero o melhor vinho da casa."
"Tem alguma preferência?"
"Se eu tivesse, teria dito."
Isabela anotou com força demais.
"Claro."
"Também quero jantar."
Ela respirou pelo nariz.
"O senhor gostaria de ver o cardápio?"
Dante ergueu uma sobrancelha.
"Você sempre faz tantas perguntas?"
Foi naquele momento que alguma coisa dentro dela cedeu.
Talvez tivesse sido o turno de nove horas.
Talvez o salto machucando.
Talvez Paulo ter fugido e deixado tudo para ela.
Ou talvez Isabela simplesmente tivesse chegado ao limite de aceitar homens poderosos confundindo dinheiro com licença para humilhar quem trabalhava para eles.
Ela fechou o bloco.
Dante percebeu.
"Algum problema?"
Isabela olhou diretamente para ele.
Então disse, com absoluta calma:
"Talvez, se você tratasse as pessoas como seres humanos em vez de empregados, fosse melhor atendido."
O silêncio foi imediato.
Bruno parou com o copo no meio do caminho.
O segurança à direita moveu a mão para dentro do paletó.
Camila, observando de longe, perdeu a cor.
Isabela ouviu até o som dos talheres vindo do salão principal.
Dante não se mexeu.
Durante alguns segundos, ficou apenas encarando-a.
Havia algo diferente em seus olhos.
Não raiva.
Surpresa.
"Você fala italiano."
A mãe de Isabela era neta de italianos e passara a infância inteira ensinando palavras e frases à filha.
Isabela nunca imaginou que aquilo pudesse virar problema.
"Falo."
Dante inclinou a cabeça.
"E costuma usar isso para insultar clientes?"
"Somente os que merecem."
Bruno tossiu para esconder uma risada.
Dante lançou um olhar para ele.
Bruno voltou a ficar sério.
Então Dante tornou a encarar Isabela.
"Você sabe quem eu sou?"
Ela sentiu o coração bater mais rápido.
Sabia.
É claro que sabia.
Mas recuar agora seria pior.
"Sei o suficiente."
O segurança à direita respirou fundo.
Dante apoiou os braços sobre a mesa.
"Pessoas que sabem quem eu sou geralmente escolhem melhor as palavras."
"Talvez estejam com medo."
"E você não está?"
Isabela ficou em silêncio.
Estava.
O coração dizia isso.
As mãos também.
Mas ela ergueu o queixo.
"Medo não melhora atendimento."
Pela primeira vez naquela noite, Dante sorriu.
Não foi um sorriso gentil.
Também não foi largo.
Foi pequeno.
Quase imperceptível.
E, justamente por isso, deixou Isabela ainda mais nervosa.
"Qual é o seu sobrenome?"
Ela hesitou.
"Moretti."
"Isabela Moretti."
A maneira como ele repetiu seu nome fez parecer que estava guardando a informação.
"Sim."
"Há quanto tempo trabalha aqui?"
"Isso faz parte do pedido?"
Bruno baixou o rosto.
Desta vez, não conseguiu esconder o sorriso.
Dante observou Isabela por alguns segundos.
Então empurrou o cardápio para o lado sem sequer abri-lo.
"Não."
Ela esperou.
"Então vamos voltar ao jantar."
"Boa ideia."
"O que você recomenda?"
Isabela quase perguntou se ele finalmente pretendia ouvir uma funcionária.
Decidiu não abusar da sorte.
"O ossobuco da casa."
"É bom?"
"Se não fosse, eu não recomendaria."
Dante apoiou dois dedos sobre a mesa.
"Traga alguma coisa que valha o meu tempo, Isabela."
Ela sustentou o olhar dele por mais um instante.
Depois se virou.
Só percebeu que estava tremendo quando atravessou a porta da cozinha.
Camila veio atrás.
"Você enlouqueceu?"
Isabela apoiou as duas mãos sobre a bancada de inox.
"Possivelmente."
"Você sabe com quem falou daquele jeito?"
"Sei."
"Ele poderia acabar com este restaurante."
"Então espero que goste do ossobuco."
Camila ficou olhando para ela como se não acreditasse no que estava ouvindo.
Do outro lado da parede, Dante ainda permanecia sentado.
Bruno terminou o uísque.
"Ela tem coragem."
Dante não respondeu imediatamente.
Seus olhos continuavam na porta por onde Isabela tinha desaparecido.
Então tirou o celular do bolso.
"Descubra tudo sobre Isabela Moretti."
Bruno perdeu o sorriso.
"Tudo?"
Dante olhou para o cardápio fechado.
"Tudo."
Bruno guardou o copo.
"Algum motivo especial?"
Dante se recostou novamente.
Por alguns segundos, lembrou-se dos olhos de Isabela.
Ela estava com medo.
Ele tinha visto.
Mas mesmo assim não abaixara a cabeça.
"Quero saber por que uma garçonete do Bixiga olha para mim como se eu fosse apenas um homem mal-educado."
Bruno assentiu.
Dante tornou a olhar para a porta da cozinha.
E dessa vez, quando falou, já não havia qualquer traço de humor em sua voz.
"Antes de ela terminar o turno."
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 9 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4