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"Roubaram Minha Filha, Colocaram Outra em Seu Lugar e Acharam Que Eu Nunca Descobriria" Capítulo 6

正文开头

Sofia dormiu agarrada à camisa de Serena.

Mesmo depois de fechar os olhos, não soltou o tecido.

Serena ficou sentada ao lado da cama por quase uma hora, sem se mexer.

Não queria acordá-la.

Não queria que a filha abrisse os olhos e descobrisse que estava sozinha outra vez.

Dante havia conseguido uma casa discreta em Petrópolis, registrada em nome de uma empresa que não tinha nenhuma ligação visível com os Alencastro.

Era simples comparada à mansão da família.

E, pela primeira vez em muito tempo, Serena se sentia mais segura ali do que em casa.

Sofia se mexeu no colchão.

"Mamãe?"

"Estou aqui."

A menina abriu os olhos só um pouco.

"Você vai embora?"

"Não."

"Promete?"

Serena segurou sua mão.

"Prometo."

Sofia fechou os olhos novamente.

Mas continuou segurando a camisa da mãe.

Serena olhou para aqueles dedos pequenos.

Três meses.

Durante três meses, alguém permitira que sua filha acreditasse que havia sido abandonada.

A raiva voltou.

Mais fria agora.

Mais organizada.

Naquela manhã, Dante encontrou Serena na cozinha.

Ela ainda usava a mesma roupa da noite anterior.

"Você não dormiu."

"Ela acordou quatro vezes."

"Pesadelos?"

Serena assentiu.

Dante serviu café.

"Thiago está verificando quem teve acesso à mansão nos últimos seis meses."

Serena aceitou a xícara.

"E Augusto?"

"Continua em São Paulo."

"Ele sabe que encontramos Sofia?"

"Ainda não temos sinal disso."

Serena deu um sorriso sem humor.

"Então temos pouco tempo."

Dante concordou.

"Precisamos entender por que fizeram isso."

Serena olhou pela janela.

"Eu já sei por quê."

Ele franziu a testa.

"Como?"

"Porque não mataram Sofia."

Dante ficou em silêncio.

Serena continuou.

"Se quisessem apenas me destruir, podiam ter feito a polícia encontrar um corpo."

A mão dela apertou a xícara.

"Mas mantiveram Sofia viva."

"Então precisavam dela."

"Ou precisavam do nome dela."

Dante apoiou a mão na bancada.

"Herança?"

Serena ergueu os olhos.

"É o que eu vou descobrir."

Pouco depois, Sofia acordou.

Estava mais quieta.

Serena não fez perguntas imediatamente.

Preparou pão com manteiga, leite morno e cortou uma banana do jeito que a filha gostava.

Sofia observou.

"Você lembra."

Serena sentiu o peito apertar.

"Eu lembro de tudo."

A menina começou a comer.

Depois de alguns minutos, Serena sentou-se ao lado dela.

"Meu amor, eu preciso te perguntar uma coisa."

Sofia parou.

"Sobre aquela noite?"

"Só se você quiser falar."

A menina olhou para Dante.

Ele estava perto da porta.

Serena percebeu.

"Ele pode sair."

Sofia balançou a cabeça.

"Pode ficar."

Dante se sentou mais longe.

Serena segurou a mão da filha.

"O que aconteceu quando Marta te levou?"

Sofia pensou.

"Ela disse que a gente ia ver você."

Serena ficou imóvel.

"Ver a mim?"

"Ela falou que você tinha passado mal."

A raiva veio como uma onda.

Mas Serena não deixou aparecer.

"E depois?"

"Eu entrei no carro."

"Era o carro dela?"

Sofia balançou a cabeça.

"Era preto."

"Quem dirigia?"

"Um homem."

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"Você conhecia?"

"Não."

Serena respirou fundo.

"E Marta ficou com você?"

"Sim."

"Ela estava assustada?"

Sofia franziu a testa.

"Estava chorando."

Dante e Serena trocaram um olhar.

"Ela falou alguma coisa?"

"Que era para eu ficar calma."

Sofia apertou os dedos da mãe.

"Depois o tio Augusto apareceu."

Serena sentiu o coração acelerar.

"Onde?"

"Num lugar com árvores."

"Uma casa?"

"Acho que sim."

"Ele falou com você?"

Sofia assentiu.

"Disse que era uma brincadeira."

Serena sentiu náusea.

"Que brincadeira?"

Sofia abaixou a cabeça.

"Que eu precisava fingir que estava viajando."

Dante endureceu a expressão.

"E depois?"

"Depois ele disse que você ia ficar bem."

A voz de Sofia ficou mais baixa.

"Mas eu sabia que era mentira."

Serena puxou a filha para perto.

"Você fez tudo certo."

"Eu chorei."

"Você podia chorar."

"E gritei."

"Podia gritar também."

Sofia levantou os olhos.

"Você não ficou brava?"

"Com você?"

Serena beijou sua testa.

"Nunca."

A menina respirou melhor.

Depois de alguns segundos, perguntou:

"A outra menina ainda está na nossa casa?"

Serena congelou.

Dante também.

"Que outra menina?"

Sofia olhou para a mãe.

"A menina que parecia comigo."

O silêncio caiu.

Serena sentiu o corpo inteiro arrepiar.

"Você viu ela?"

Sofia assentiu.

"Quando?"

"Naquela casa."

"Antes de você ir para Dona Célia?"

"Sim."

Serena segurou os ombros da filha.

"Ela falou com você?"

"Não."

"O tio Augusto estava com ela?"

"Não lembro."

"Marta estava?"

Sofia assentiu.

"Eles mandaram você ficar longe dela?"

"Sim."

Serena fechou os olhos.

Então era isso.

Não improvisaram depois.

A substituição fora planejada.

A criança que ocupava sua casa já fazia parte da operação antes mesmo de Sofia desaparecer.

Quando Sofia voltou a dormir, Serena foi até a sala.

Thiago tinha acabado de chegar com uma pasta.

"Encontrei uma coisa."

Serena se virou.

"O quê?"

"Alteração societária."

Dante pegou a pasta.

"Da Alencastro?"

"Não exatamente."

Thiago entregou alguns documentos.

"Daniel mudou o testamento oito meses antes de morrer."

Serena ficou paralisada.

"Meu marido?"

"Sim."

"Como você conseguiu isso?"

"Beatriz Nogueira arquivou uma cópia autenticada fora da estrutura principal do grupo."

Serena reconheceu o nome.

Beatriz era a chefe jurídica da Alencastro.

Sempre fora discreta.

E Daniel confiava nela.

"O que mudou?"

Thiago apontou para uma cláusula.

Serena começou a ler.

Parou no meio.

Voltou.

Leu de novo.

Dante observava seu rosto.

"O que diz?"

Serena engoliu em seco.

"Quando Sofia completar dezoito anos, ela recebe as ações de Daniel."

Dante franziu a testa.

"Quantas?"

"Doze por cento."

Thiago assobiou baixo.

"Isso muda tudo."

Mudava mesmo.

Doze por cento não era apenas dinheiro.

Dentro da estrutura acionária da Alencastro, era poder.

Poder suficiente para alterar votações.

Poder suficiente para impedir Augusto de controlar o grupo sozinho.

Serena sentiu a peça se encaixar.

"Ele não podia matar Sofia."

Dante olhou para ela.

"Porque as ações teriam outro destino."

Serena continuou, cada vez mais rápida.

"Se Sofia morresse antes de atingir a maioridade, a participação voltaria para um fundo administrado por três conselheiros."

正文2

Thiago entendeu.

"Mas se Sofia continuasse viva..."

"Ela herdaria."

Dante completou.

"E Augusto poderia controlar uma Sofia criada para obedecer."

Serena ficou em silêncio.

A verdade era monstruosa.

Mas fazia sentido.

Tudo fazia sentido.

A menina substituta.

O DNA manipulado.

A tentativa de convencê-la de que estava louca.

O interesse de Augusto em sua capacidade mental.

Não era apenas sobre uma criança.

Era sobre quem controlaria o império Alencastro dali a doze anos.

Serena riu uma vez.

Amargo.

"Ele não precisava da minha filha."

Os olhos dela se encheram de raiva.

"Precisava de uma Sofia que pudesse controlar."

Dante não disse nada.

Serena fechou a pasta.

"Agora eu sei o motivo."

Thiago observou.

"E isso ajuda."

"Ajuda muito."

Serena ergueu o rosto.

"Porque homem poderoso com motivo deixa rastros."

Dante olhou para ela com algo próximo de admiração.

"Você mudou."

Serena virou.

"Como assim?"

"No meu escritório, você estava tentando provar que não estava louca."

Ele se aproximou um pouco.

"Agora está montando um caso."

Serena ficou em silêncio.

"Eu não quero só minha filha de volta."

A voz dela saiu firme.

"Quero destruir tudo o que eles usaram para fazer isso."

Dante assentiu devagar.

"Então faça direito."

"Você vai me ajudar?"

"Já estou ajudando."

Serena quase sorriu.

Naquela noite, Sofia finalmente dormiu sem acordar.

Serena saiu para a varanda.

Dante estava ali.

Segurava dois copos de água.

Entregou um a ela.

"Nada mais forte."

"Por quê?"

"Porque você precisa da cabeça funcionando amanhã."

Serena soltou uma risada pequena.

"Você é sempre tão insuportavelmente sensato?"

"Quase sempre."

Ficaram em silêncio.

A cidade parecia distante dali.

Serena olhou para o escuro.

"Daniel teria sabido o que fazer."

Dante não respondeu imediatamente.

"Ele era bom com crises."

"Era."

Serena sorriu.

"Era péssimo para escolher vinho."

Dante riu baixo.

"Isso é verdade."

Serena virou rapidamente.

"Você conhecia Daniel melhor do que eu pensava."

Dante parou de sorrir.

"Conhecia."

"Quanto?"

"Trabalhamos juntos em alguns investimentos."

"Isso eu sabia."

Dante olhou para o copo.

"Havia outras coisas."

Serena franziu a testa.

"Que coisas?"

Ele ficou em silêncio.

"Depois da morte dele, eu quase procurei você."

"Quase?"

"Não achei que tivesse o direito."

Serena ficou confusa.

"Direito de quê?"

Dante respirou fundo.

"De entrar na sua vida usando uma suspeita que eu não conseguia provar."

O coração de Serena bateu mais forte.

"Que suspeita?"

Dante levantou os olhos.

"Daniel tinha medo de Augusto."

Serena ficou imóvel.

"Não."

"Tinha."

"Ele nunca me disse."

"Talvez estivesse tentando proteger você."

Serena deu um passo para trás.

"Não esconda coisas de mim."

"Não estou escondendo."

"Então fala."

Dante ficou em silêncio por alguns segundos.

"Daniel me mandou uma mensagem pouco antes de morrer."

Serena sentiu o ar desaparecer.

"Que mensagem?"

"Não foi só uma mensagem."

Dante pegou o celular.

"Foi um e-mail criptografado."

"Você ainda tem?"

"Tenho."

"Por que nunca me mostrou?"

"Porque ele pediu que eu só abrisse se alguma coisa acontecesse."

正文3

Serena olhou para ele.

"Ele morreu."

"Eu sei."

"Então você abriu?"

Dante balançou a cabeça.

"Não."

Serena não acreditou.

"Por quê?"

"Porque durante muito tempo eu pensei que estava transformando o medo de um homem morto em uma acusação impossível de sustentar."

"Abra agora."

Dante hesitou.

"Dante."

Ele olhou para Serena.

Ela não estava pedindo.

Estava exigindo.

Dante desbloqueou o telefone.

Entrou em uma pasta antiga.

Digitou uma senha.

Nada.

Tentou outra.

Serena esperou.

"Qual era a senha dele?"

Dante perguntou.

Serena pensou.

"Estrelas."

"Como?"

"Ele chamava Sofia de estrelinha."

Dante digitou.

O arquivo abriu.

Os dois ficaram imóveis.

Havia um e-mail.

Data: onze dias antes da morte de Daniel.

Serena sentiu as pernas fraquejarem.

Dante abriu.

A primeira linha apareceu.

Serena leu em silêncio.

Depois leu de novo.

Não podia ser.

Dante ficou pálido.

No texto, Daniel escrevera apenas uma frase antes de anexar vários documentos.

"Se alguma coisa acontecer comigo, proteja Serena de Augusto."

Serena perdeu o ar.

Por alguns segundos, não ouviu nada.

Nem vento.

Nem carros.

Nem a própria respiração.

Daniel sabia.

Daniel desconfiava de Augusto antes de morrer.

E nunca tivera tempo de contar a ela.

Serena ergueu os olhos.

"Dante..."

Mas ele já estava olhando para os anexos.

Seu rosto mudou.

"Tem mais."

Serena se aproximou.

"Mais o quê?"

Dante abriu o primeiro arquivo.

Era uma planilha de pagamentos.

Empresas que Serena nunca tinha visto.

Contas em nomes desconhecidos.

Transferências feitas nas semanas anteriores à morte de Daniel.

Então Dante abriu o último anexo.

Havia uma fotografia.

Um carro destruído.

O carro de Daniel.

E, no canto inferior, uma anotação feita pelo próprio marido de Serena.

Ela sentiu o sangue gelar.

Dante leu em voz alta.

"Se eu morrer em um acidente, não acredite que foi acidente."

Serena ficou imóvel.

Até aquele momento, ela achava que estava investigando quem havia roubado sua filha.

Agora começava a perceber que talvez a história tivesse começado muito antes de Sofia desaparecer.

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