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"Roubaram Minha Filha, Colocaram Outra em Seu Lugar e Acharam Que Eu Nunca Descobriria" Capítulo 5

正文开头

O carro deixou São Paulo antes do amanhecer.

Serena passou quase toda a viagem olhando para a fotografia de Sofia.

A menina estava viva.

Essa certeza deveria ter trazido alívio.

Mas trouxe medo.

Medo de chegar tarde demais.

Medo de o endereço estar vazio.

Medo de alguém ter descoberto que ela estava indo.

Dante dirigia em silêncio.

Thiago seguia em outro carro, alguns quilômetros atrás, para não chamar atenção.

Serena apertava a fotografia com tanta força que quase amassava as bordas.

"Você precisa descansar um pouco", disse Dante.

"Não consigo."

"Você não dorme há quantos dias?"

"Não importa."

"Importa se você desmaiar quando encontrar sua filha."

Serena virou o rosto.

"Quando eu encontrar minha filha, eu não vou desmaiar."

Dante lançou um olhar rápido para ela.

"Você tem certeza?"

"Não."

Foi a resposta mais honesta que ela dera em dias.

O endereço ficava em uma região simples na periferia do Rio de Janeiro, longe das áreas luxuosas que Serena conhecia.

Ruas estreitas.

Casas coladas umas às outras.

Portões baixos.

Crianças brincando na calçada.

Nada ali combinava com o nome Alencastro.

E talvez fosse exatamente por isso que tivessem escolhido aquele lugar.

Thiago chegou poucos minutos depois.

"Confirmei o número."

Serena saiu do carro.

A casa era pequena, pintada de amarelo antigo.

As janelas tinham cortinas brancas.

Havia uma bicicleta infantil encostada no muro.

Serena sentiu as pernas fraquejarem.

"É aqui."

Dante ficou ao lado dela.

"Vamos com calma."

"Eu esperei três meses."

"Eu sei."

"Não, você não sabe."

Ela percebeu o tom agressivo e fechou os olhos.

"Desculpa."

"Não precisa."

Serena caminhou até o portão.

Bateu palmas.

Nada.

Tentou outra vez.

"Tem alguém em casa?"

Silêncio.

Seu coração afundou.

Thiago aproximou-se.

"Talvez tenham saído."

Serena olhou para a janela.

A cortina se mexeu.

"Tem alguém."

Dante viu também.

Serena bateu novamente.

"Por favor. Eu só quero conversar."

Passos surgiram dentro da casa.

A porta abriu alguns centímetros.

Uma mulher de cabelos grisalhos apareceu.

Tinha o rosto cansado e olhos desconfiados.

"Quem são vocês?"

Serena respirou fundo.

"Meu nome é Serena."

A mulher ficou imóvel.

Foi sutil.

Mas claro.

Ela conhecia o nome.

Serena percebeu.

"Você sabe quem eu sou."

"Não."

"Sabe, sim."

A mulher tentou fechar a porta.

Dante colocou a mão no portão.

Sem violência.

Só o suficiente para impedir que Serena fosse deixada do lado de fora.

"Senhora, ninguém veio machucar ninguém."

"Eu não conheço vocês."

Serena tirou o celular.

Mostrou uma foto de Sofia.

"Eu estou procurando essa menina."

A mulher olhou.

E desviou rápido demais.

Serena sentiu o peito apertar.

"Ela esteve aqui."

"Não."

"Por favor."

A voz de Serena falhou.

"Eu sou mãe dela."

A mulher olhou de novo.

Dessa vez, o medo apareceu em seu rosto.

"Disseram que a mãe tinha problemas."

Serena congelou.

"Quem disse?"

"Eu não posso falar."

"Disseram que eu fazia o quê?"

A mulher hesitou.

"Que usava drogas. Que era perigosa. Que não podia ficar perto da criança."

正文1

Serena sentiu uma raiva tão forte que quase ficou tonta.

Dante tocou seu braço.

"Respira."

Serena se soltou.

"Minha filha foi sequestrada."

A mulher empalideceu.

"Não."

"Foi."

"Disseram que era uma situação de família."

"Eles mentiram."

Silêncio.

Por fim, a mulher abriu um pouco mais a porta.

"Meu nome é Célia."

Serena deu um passo à frente.

"Dona Célia, onde está Sofia?"

A mulher apertou os lábios.

"Ela ficou comigo."

O mundo parou.

Serena sentiu os olhos encherem.

"Ficou?"

"Sim."

"Por quanto tempo?"

"Quase dois meses."

Serena levou a mão à boca.

"Dois meses?"

Célia assentiu.

"Ela chorava muito no começo."

Serena quase caiu.

Dante segurou seu cotovelo.

"Ela está aqui agora?"

Célia olhou para dentro da casa.

"Eu..."

Um som veio do corredor.

Passos pequenos.

Serena virou.

Uma menina apareceu no fundo da sala.

Cabelos castanho-escuros.

Mais magra.

Uma camiseta amarela larga demais.

E aqueles olhos.

Cinza-esverdeados.

Os mesmos de Serena.

Os mesmos que ela via no espelho desde criança.

Serena parou de respirar.

A menina também.

Nenhuma das duas se moveu.

Serena queria correr.

Queria gritar.

Queria abraçar.

Mas o medo era maior.

E se Sofia fugisse?

E se não lembrasse?

E se aquilo também fosse uma mentira?

A menina deu um passo.

Depois outro.

Serena sentiu as lágrimas caírem.

Não falou o nome.

Não conseguia.

A menina olhou para ela por longos segundos.

Depois seus lábios tremeram.

"Mamãe?"

Serena caiu de joelhos.

"Sofia."

A menina correu.

Serena abriu os braços.

O impacto quase a derrubou.

Sofia se agarrou ao pescoço da mãe com força.

Serena começou a chorar.

Não conseguiu se controlar.

Beijava os cabelos.

O rosto.

As mãos.

"Meu amor. Meu Deus. Meu amor."

Sofia chorava também.

"Você veio."

"Eu vim."

"Eu sabia que você vinha."

"Eu procurei você todos os dias."

A menina se afastou um pouco.

Então pegou a mão esquerda de Serena.

E segurou seu dedo mínimo.

Como sempre fazia.

Serena perdeu o ar.

Aquilo bastou.

Tudo bastou.

Era ela.

Era Sofia.

Sua filha.

Dante virou o rosto.

Deu alguns passos para trás.

Thiago também se afastou.

Nenhum dos dois interrompeu.

Sofia colocou a mão dentro do bolso da camiseta.

Tirou uma pequena pulseira.

Prateada.

Com uma estrelinha azul.

Serena reconheceu imediatamente.

"Você guardou."

"Eu escondi."

"De quem?"

Sofia olhou para Célia.

Depois para a mãe.

"De todo mundo."

Serena apertou a pulseira na mão.

"Meu amor..."

Sofia tocou o rosto dela.

"Você está diferente."

Serena riu chorando.

"Você também."

"Está mais magra."

"Você também."

A menina fez uma careta.

Por um instante, parecia a Sofia de antes.

Aquela que reclamava de tudo e inventava histórias absurdas.

Serena encostou a testa na dela.

"Quando o mar ficar escuro..."

Sofia nem esperou.

"A gente acende as estrelas."

Serena fechou os olhos.

A dor virou alívio.

O alívio virou culpa.

A culpa veio inteira.

"Me perdoa."

Sofia franziu a testa.

"Por quê?"

"Porque eu demorei."

正文2

A menina ficou em silêncio.

Depois perguntou:

"Mamãe, por que você demorou tanto?"

A pergunta destruiu Serena.

Ela puxou a filha para o peito.

"Porque esconderam você de mim."

"Eu achei que você não sabia onde eu estava."

"Eu não sabia."

"Eles disseram que você não vinha."

Serena endureceu.

"Quem disse?"

Sofia abaixou os olhos.

Célia interveio.

"Ela tinha pesadelos."

Serena olhou para a mulher.

"Quem trouxe minha filha para cá?"

Célia respirou fundo.

"Uma mulher."

"Qual mulher?"

"Disse que se chamava Marta."

Serena fechou os olhos por um segundo.

Claro.

Marta.

"Ela veio sozinha?"

Célia hesitou.

"Na primeira vez, sim."

"Na primeira vez?"

"Depois veio um homem."

Serena sentiu o corpo esfriar.

"Quem?"

"Eu nunca soube o nome."

Sofia apertou a mão da mãe.

"Eu sei."

Serena olhou para ela.

"Você lembra?"

Sofia assentiu.

Dante voltou a se aproximar, devagar.

Serena não tirou os olhos da filha.

"Quem era, meu amor?"

Sofia engoliu em seco.

"Ele falou que eu precisava ficar quieta."

Serena sentiu raiva.

"Ele encostou em você?"

"Não."

"Machucou você?"

"Não."

"Então o que ele fez?"

"Disse que se eu contasse alguma coisa, você ficaria triste."

Serena apertou os dentes.

"Você não precisa proteger ninguém."

Sofia olhou para ela.

"Ele era da família."

O coração de Serena parou.

Dante ficou imóvel.

"Da família?"

Sofia assentiu.

Serena segurou o rosto da filha com cuidado.

"Você lembra quem?"

A menina demorou alguns segundos.

Depois respondeu.

"Lembro."

Serena mal respirava.

"Quem era?"

Sofia olhou diretamente para ela.

"Era o tio Augusto."

O mundo pareceu inclinar.

Serena não respondeu.

Não conseguiu.

Dante ficou sério.

Thiago parou de mexer no celular.

Célia levou a mão à boca.

Sofia segurou mais forte o dedo mínimo da mãe.

E então acrescentou:

"Mas ele não era o único."

Serena sentiu o sangue gelar.

"Como assim?"

Sofia olhou para a porta.

Como se ainda tivesse medo de que alguém pudesse aparecer.

"Havia outra pessoa."

Serena se aproximou.

"Quem?"

Sofia balançou a cabeça.

"Eu não sei o nome."

"Você já tinha visto antes?"

"Sim."

"Onde?"

A menina levantou os olhos.

"Na nossa casa."

Serena ficou imóvel.

Augusto não estava sozinho.

E alguém que conhecia a mansão Alencastro ainda estava livre.

Talvez observando.

Talvez esperando.

Talvez já soubesse que Sofia tinha sido encontrada.

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