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"A Menina Que Mandou Mensagem Para o Homem Errado" Capítulo 5 — Você Está Segura Agora

正文开头

Capítulo 5 — Você Está Segura Agora

Emma desceu um degrau de cada vez.

Matteo guardou a arma de Diego dentro do paletó e sinalizou para Vicente manter o agressor longe da escada. Não queria que a menina visse o rosto dele, muito menos qualquer violência.

“Olhe para mim”, pediu.

Emma obedeceu.

No sexto degrau, as pernas dela vacilaram. Matteo subiu rapidamente e se ajoelhou dois degraus abaixo, sem tocá-la.

“Posso pegar você?”

Ela hesitou. Depois assentiu.

Matteo passou um braço por suas costas e outro sob seus joelhos. Emma era leve. Leve demais para o peso do medo que carregava. Ao ser erguida, apertou a mão no colarinho dele, mas não gritou.

“Meu braço dói.”

“A médica vai examiná-lo também.”

“Primeiro a mamãe.”

“Primeiro sua mãe.”

Quando chegaram à sala, Emma viu o cabelo de Sara espalhado sobre o tapete.

“Mamãe!”

Ela tentou descer dos braços de Matteo. Ele a colocou no chão longe dos cacos e se agachou a seu lado.

“Não toque no ferimento. Segure a mão dela.”

Emma se ajoelhou e envolveu os dedos da mãe com as duas mãos.

“Eu trouxe ajuda”, sussurrou. “Você mandou eu correr e eu corri. Depois mandei mensagem para o Matt. Foi para o número errado, mas ele veio.”

Matteo desviou o rosto.

Atrás deles, Diego soltou uma risada curta e amarga.

“Está vendo? É isso que ela faz. Transforma tudo num drama.”

Emma encolheu os ombros.

Matteo se levantou devagar.

“Vicente, leve-o para a cozinha.”

“Espere”, disse Diego. “Você vai acreditar numa criança? Ela é problemática. Desde que o pai morreu, desafia todo mundo. Sara me pediu para colocar ordem naquela casa.”

Emma apertou a mão da mãe e manteve os olhos baixos.

“Eu não pedi”, murmurou.

Matteo virou-se para ela.

“O que você disse?”

“Eu não pedi para ele ser meu pai. Falei que meu pai já existia, mesmo morto.”

Diego tentou se erguer, mas Vicente puxou os lacres.

“Ela me provocou a noite inteira!”

“Uma criança disse não”, respondeu Matteo. “Você escolheu responder com uma arma.”

“Eu nunca apontei aquela arma para ela.”

“Ainda.”

A palavra silenciou a sala.

Matteo apontou para a cozinha.

“Tire-o daqui.”

Vicente arrastou Diego para longe. Quando o homem passou, Emma fechou os olhos. Matteo deu um passo e bloqueou completamente sua visão.

Diego percebeu o gesto.

“Quem pensa que é?”, rosnou. “Um herói?”

Matteo não respondeu.

Heróis chegavam antes do sangue. Heróis cumpriam promessas sem esperar vinte e cinco anos.

Ele era apenas o homem que atendera.

A porta da cozinha se fechou.

Emma abriu os olhos outra vez.

“Ele foi embora?”

“Está em outro cômodo. Não consegue chegar perto de você.”

“Mas depois ele volta.”

Não era uma pergunta. Era a certeza aprendida nas outras noites em que Diego pedira desculpas, prometera mudar e voltara ainda mais furioso.

Matteo se ajoelhou diante dela.

“Olhe para mim, Emma.”

Os olhos da menina estavam vermelhos, mas atentos.

正文1

“Ele não volta.”

“Como você sabe?”

“Porque vou explicar isso a ele de uma forma que não deixará dúvidas.”

Ela estudou seu rosto por alguns segundos.

“Você vai matar ele?”

Vicente, do outro lado da porta, ficou imóvel.

Matteo poderia ter mentido novamente. Em vez disso, escolheu as palavras com cuidado.

“Vou impedir que ele machuque vocês de novo.”

“Não quero que ninguém morra.”

“Nem eu quero que você veja mais ninguém se machucar esta noite.”

Emma pareceu aceitar a diferença entre as duas respostas, mesmo sem compreendê-la por inteiro.

Faróis atravessaram as cortinas.

Um carro escuro parou diante da casa. Elisa Chen entrou carregando duas bolsas médicas e acompanhada por um enfermeiro. Não fez perguntas ao ver Vicente na porta da cozinha. Foi diretamente até Sara.

“Quanto tempo ela está inconsciente?”

“Não sabemos”, respondeu Matteo. “Emma enviou a primeira mensagem às 23h07.”

Elisa colocou luvas, verificou as pupilas de Sara, sua respiração e pressão. O enfermeiro estabilizou o pescoço dela e preparou oxigênio.

“A lesão na cabeça é séria”, disse a médica. “Preciso levá-la para fazer uma tomografia imediatamente.”

Emma ficou branca.

“Ela vai acordar?”

Elisa se aproximou sem interromper o trabalho.

“Estamos fazendo tudo para isso. Você ajudou muito chamando alguém rápido.”

“Meu braço não importa. Cuida dela.”

“Vou cuidar das duas.”

A médica examinou o braço de Emma em poucos movimentos. Havia inchaço e uma escoriação, mas nenhuma deformidade evidente.

“Talvez seja apenas uma contusão. No hospital faremos uma radiografia.”

“Eu posso ir com a mamãe?”

“Pode”, respondeu Matteo antes que o medo criasse outra pergunta.

Elisa o olhou.

“Precisamos de transporte seguro. Sem sacudir.”

“Já está vindo.”

Matteo escreveu para Vicente, mesmo sabendo que ele estava a poucos metros: ambulância particular pela entrada da frente; equipe fora de vista; rota livre até o hospital indicado por Elisa.

Enquanto o enfermeiro preparava Sara, Emma continuou falando com a mãe.

“Acorda, por favor. A gente ia tomar sorvete amanhã. Eu não vou escolher chocolate, porque você diz que sempre escolho a mesma coisa. Posso escolher morango. Ou aquele azul que você acha horrível.”

A voz tremia, mas ela não soltava a mão de Sara.

Matteo sentiu a memória de Isabela se aproximar outra vez. Não como o corpo imóvel no hospital, mas como a menina que acreditava em dragões assustados e princesas que salvavam a todos.

Emma ergueu o rosto para ele.

“Obrigada por ter vindo.”

Cinco palavras.

Elas atravessaram as defesas que tiros, ameaças e perdas não conseguiram romper.

Matteo se agachou e respondeu com a única verdade que possuía:

“Você não deveria ter precisado chamar um estranho.”

“Mas eu chamei.”

“E eu vim.”

Quando a maca chegou, Matteo ficou ao lado de Emma enquanto Sara era imobilizada e retirada da casa. A menina tentou acompanhá-la, mas ele segurou suavemente seu ombro.

“Vá com a doutora Elisa. Eu encontro vocês no hospital.”

“Você promete?”

“Prometo.”

Emma entrou na ambulância sem soltar a mão da mãe.

Assim que as portas se fecharam, Matteo esperou o veículo virar a esquina. Só então seu rosto perdeu qualquer vestígio de suavidade.

Ele voltou para dentro.

Vicente estava diante da cozinha.

“O que faço com ele?”

Matteo abriu a porta.

Diego estava sentado no chão, com os pulsos e tornozelos presos. A arrogância havia desaparecido. Restava um homem tentando calcular o preço de permanecer vivo.

Matteo entrou e fechou a porta atrás de si.

“Você tem trinta segundos”, disse. “Explique tudo o que aconteceu aqui esta noite.”

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