localização atual: Novela Mágica Minha Pior Rival Capítulo 6
标题上

"Minha Pior Rival" Capítulo 6

正文开头

Parte 6

Marina não respondeu naquela noite.

Mas, na manhã seguinte, respondeu.

"O que você nunca me contou?"

Rafael visualizou em menos de um minuto.

"Prefiro falar pessoalmente."

Ela deveria ter encerrado ali.

Em vez disso, aceitou encontrá-lo.

Disse a si mesma que era curiosidade.

Só curiosidade.

Dois dias depois, Rafael Bastos entrou no restaurante exatamente como Marina lembrava.

Bonito demais para parecer acidental.

Camisa de linho clara, mangas dobradas na medida certa, calça bege, relógio caro e o bronzeado de alguém que parecia voltar de férias mesmo quando estava trabalhando.

Aos trinta e dois, continuava sabendo onde estava cada câmera.

Na entrada, uma mulher levantou o celular discretamente.

Rafael percebeu antes de Marina.

Não olhou diretamente.

Apenas virou o corpo alguns graus, deixando o melhor perfil visível enquanto caminhava até a mesa.

Marina quase riu.

Algumas coisas realmente não mudavam.

"Oi."

Rafael parou diante dela.

Por um instante, os dois apenas se olharam.

Era estranho ver tão perto alguém que durante anos existira apenas em fotografias antigas.

"Oi", Marina respondeu.

Rafael sorriu.

Aquele sorriso ainda era perfeito.

"Você está linda de novo."

Marina sentiu a frase antes de entendê-la.

De novo.

Não linda.

Linda de novo.

Como se houvesse existido um intervalo em que ela deixara de ser.

Ela ouviu.

Fingiu que não.

"Você também está igual."

Rafael riu.

"Isso foi elogio?"

"Ainda estou decidindo."

Ele puxou a cadeira.

"Eu senti falta disso."

"Do quê?"

"De você me atacando nos primeiros cinco minutos."

Marina sorriu.

Por alguns segundos, foi fácil.

Assustadoramente fácil.

O restaurante também não ajudava.

Era o mesmo onde tinham comemorado campanhas, aniversários e o primeiro milhão de seguidores de Marina.

O garçom trouxe o cardápio.

Rafael nem abriu o dele.

"Ela vai querer a salada com frango grelhado."

Marina levantou os olhos.

Rafael continuou:

"Sem croutons, sem queijo e sem molho."

Então sorriu para ela.

"Como você gosta."

O garçom esperou.

Marina olhou para o cardápio.

Depois para Rafael.

Então para o prato de uma mulher na mesa ao lado.

Massa.

Molho de tomate.

Parmesão.

Ela sentiu fome.

A salada veio à memória com uma clareza absurda.

Folhas secas.

Frango sem graça.

Limão espremido por cima.

Durante anos, pedira aquilo naquele restaurante.

Marina sempre dissera que adorava.

Mas não adorava.

Nunca tinha adorado.

Ela só sabia exatamente quantas calorias havia naquele prato.

"Espera", disse.

O garçom parou.

"Pode cancelar a salada."

Rafael franziu a testa.

"Você não quer?"

"Não."

Marina abriu o cardápio.

"Vou querer o nhoque de mandioquinha."

O garçom anotou.

"Perfeito."

"E pode trazer o pão."

Rafael ficou olhando para ela.

"O quê?", Marina perguntou.

"Nada."

"Está fazendo essa cara."

"Que cara?"

"A de quem acabou de descobrir que eu entrei para uma seita."

Ele riu.

"Você nunca pedia massa."

"É nhoque."

"Você entendeu."

Marina fechou o cardápio.

"Talvez eu nunca tenha gostado daquela salada."

"Você comia sempre."

"Isso não significa que eu gostava."

正文1

Rafael pareceu realmente surpreso.

Marina também estava.

Quantas coisas havia repetido durante anos até transformá-las em personalidade?

Eu adoro treinar em jejum.

Não gosto muito de doce.

Prefiro comida leve.

Disciplina é liberdade.

Talvez algumas fossem verdade.

Outras, Marina já não sabia.

O pão chegou.

Ela pegou um pedaço.

Rafael acompanhou o movimento.

Marina percebeu.

Comeu mesmo assim.

"Então", disse. "O que você nunca me contou?"

Rafael apoiou os braços na mesa.

"Que eu me arrependi."

Marina parou.

"De quê?"

"De como a gente terminou."

Ela esperou.

"Eu estava confuso. Você também estava passando por muita coisa."

"Eu engordei."

"Não estou falando disso."

"Mas aconteceu na mesma época."

Rafael suspirou.

"Marina, a gente estava péssimo."

"Eu estava péssima."

"Eu também."

Ela quase perguntou em quê.

Não perguntou.

Rafael tinha o talento de transformar lembranças desagradáveis em cenas bonitas.

Talvez fosse por isso que sempre funcionara tão bem na internet.

O nhoque chegou.

Marina provou.

Era muito melhor que a salada.

Sentiu vontade de rir da obviedade.

Rafael continuou falando sobre o passado.

Viagens.

Campanhas.

Festas.

O apartamento onde moraram por oito meses.

Marina se pegou sorrindo algumas vezes.

Havia uma versão da vida deles que tinha sido boa.

Isso também era verdade.

"Todo mundo amava a gente", Rafael disse.

Marina apoiou o garfo.

"Todo mundo nem conhecia a gente."

"Você sabe o que eu quero dizer."

Sabia.

As fotos dos dois tinham sido compartilhadas milhares de vezes.

O casal perfeito.

Bonitos.

Magros.

Bem vestidos.

Sempre viajando.

Sempre felizes.

Até as brigas rendiam fotos bonitas no dia seguinte.

Rafael pegou o celular.

"Olha isso."

Abriu uma pasta.

Marina viu imagens antigas dos dois.

Praia.

Academia.

Aeroporto.

Hotel.

"Por que você ainda tem isso?"

"Porque é nossa história."

Ele passou para a próxima imagem.

Não era antiga.

Era uma apresentação.

Marina ficou em silêncio.

Na primeira página havia uma foto dos dois e uma frase:

E SE O CASAL MAIS ICÔNICO DA INTERNET SE ENCONTRASSE DE NOVO?

Ela levantou os olhos.

"Rafael."

"Calma. Só olha."

Ele deslizou.

Reação a fotos antigas.

Treino juntos.

Uma viagem para Trancoso.

Um vídeo respondendo perguntas sobre o relacionamento.

Posts deixando no ar se estavam ou não juntos.

"Você fez uma apresentação?"

"Minha equipe fez."

"Sobre nós?"

"Sobre uma possibilidade."

Marina devolveu o celular.

"Não."

"Você nem viu tudo."

"Vi o suficiente."

Rafael baixou a voz.

"Isso seria enorme."

"Para quem?"

"Para nós dois."

"Você me chamou aqui para propor conteúdo?"

"Eu te chamei porque queria te ver."

"E por acaso trouxe uma estratégia de campanha."

"Marina, não transforma tudo em ofensa."

Ela riu sem humor.

A frase era familiar.

Sempre que alguém queria alguma coisa dela, o problema parecia ser a maneira como Marina reagia ao descobrir.

Rafael guardou o celular.

"Você sabe que funciona."

"Funcionava."

"Pode funcionar melhor agora."

"Por quê?"

Ele hesitou.

Foi rápido.

Mas Marina viu.

"Fala."

"Porque as pessoas estão falando de você de novo."

正文2

Ali estava.

Simples.

Limpo.

Cruel justamente porque Rafael não parecia perceber crueldade alguma.

Marina encostou na cadeira.

"Então é isso."

"Isso o quê?"

"Você voltou quando todo mundo voltou."

"Não é justo."

"Você curtiu minha foto depois de quase dois anos."

"Eu já acompanhava você."

"Em silêncio?"

"Você me bloqueou por seis meses."

"Depois desbloqueei."

"Eu não sabia o que você queria."

"E agora sabe?"

Rafael olhou para ela.

"Agora você parece você de novo."

Marina sentiu o estômago apertar.

A fome desapareceu.

Não por causa da comida.

Por causa dele.

Rafael continuou, como se estivesse oferecendo conforto.

"Você recuperou aquela energia."

"Qual?"

"Confiança. Disciplina. Ambição."

Marina olhou para o prato.

"Engraçado."

"O quê?"

"Todas essas coisas apareceram exatamente quando meu rosto afinou."

"Não foi isso que eu quis dizer."

"Todo mundo diz isso."

Rafael passou a mão pelos cabelos.

"Você sempre foi muito dura consigo mesma."

Marina levantou os olhos.

"Você lembra de 'disciplina não tem desculpas'?"

Ele sorriu.

"Claro. Era uma das suas melhores frases."

"Minha?"

O sorriso dele diminuiu.

"Você falava."

"Eu perguntei se era minha."

Rafael ficou alguns segundos em silêncio.

"Marina, aquilo era conteúdo."

Ela esperou.

"Você sabe como funcionava. A equipe fazia reunião, a gente testava frases, formatos..."

"A gente?"

"Eu, você, o pessoal da agência. Todo mundo."

Marina sentiu alguma coisa fria atravessar o peito.

"Então aquela frase não era minha."

"Não sei quem falou primeiro."

"E eu repetia como se fosse."

"Porque funcionava."

"Eu dizia para meninas de dezesseis anos que fome era falta de disciplina."

"Você está olhando para isso com a cabeça de hoje."

Marina pensou em Lívia.

Na tela de bloqueio.

No chocolate devolvido à bandeja.

"Talvez."

Rafael estendeu a mão sobre a mesa.

"Não precisa transformar nosso passado numa coisa horrível."

Marina olhou para a mão dele.

Não tocou.

Rafael a recolheu.

"Eu sempre soube que você ia voltar."

A frase pousou entre os dois.

Dessa vez, Marina não fingiu que não ouviu.

"Voltar para onde?"

"Para você."

"Você não sabe quem eu sou."

"Marina."

"Você sabe quem eu era quando as pessoas queriam fotografar a gente."

"Isso é injusto."

"Talvez."

Ela pegou a bolsa.

"Mas é verdade."

Rafael também se levantou.

"Você vai embora?"

"Vou."

"Por causa de uma ideia?"

"Não."

Marina colocou a bolsa no ombro.

"Por causa do que você acha que essa ideia significa."

"Eu não entendi."

Ela olhou para ele.

Rafael continuava lindo.

Talvez até mais do que cinco anos atrás.

Mas pela primeira vez Marina percebeu uma coisa que as fotos nunca mostravam.

Ele precisava que tudo tivesse enquadramento.

Até as pessoas.

"Eu sempre soube que você ia voltar", ele repetiu, mais baixo.

Marina assentiu.

"Eu voltei para mim."

Fez uma pausa.

"Não para você."

Saiu.

Do lado de fora, o ar da noite estava frio.

Marina respirou fundo.

"Foi tão ruim assim?"

Ela virou.

Gabriel estava perto da entrada com uma pasta debaixo do braço.

正文3

Camisa branca, calça escura, expressão tranquila.

Marina franziu a testa.

"O que você está fazendo aqui?"

"Buscando material de um projeto."

Ele ergueu a pasta.

"Resposta decepcionante, eu sei."

Marina olhou para a porta atrás de si.

Depois para Gabriel.

Ele não perguntou com quem ela estava.

Não perguntou se era um encontro.

Não perguntou se Rafael ainda significava alguma coisa.

Marina falou mesmo assim.

"Foi péssimo."

Gabriel assentiu.

"Ótimo."

Ela piscou.

"Ótimo?"

"Você saiu."

Marina soltou uma risada.

"Você é muito estranho."

"Também aparece nas avaliações."

Ela lembrou do estúdio.

Riu outra vez.

Gabriel abriu a porta do carro estacionado ao lado.

"Boa noite, Marina."

"Gabriel."

Ele olhou.

"Obrigada."

"Por quê?"

Marina pensou.

Não encontrou uma resposta que não parecesse grande demais.

"Esquece."

"Faço isso muito bem."

Ele entrou no carro.

Marina ficou olhando por um segundo.

Então foi embora.

Em casa, abriu o armário.

No fundo, dentro de uma capa protetora, estava um vestido preto tamanho XS.

Rafael adorava aquele vestido.

Marina lembrava porque ele sempre dizia a mesma coisa quando ela usava:

"Esse é o seu melhor corpo."

Na época, ela achava que era elogio.

Tirou o vestido da capa.

Segurou contra o corpo.

Não servia.

Talvez voltasse a servir em algumas semanas.

A ideia surgiu automaticamente.

Marina ficou olhando para ele.

Depois pegou uma sacola grande.

Colocou o vestido dentro.

Sapatos que não usava.

Duas saias.

Uma calça que guardava havia anos porque prometera a si mesma que voltaria a caber nela.

Fechou a sacola.

DOAÇÃO.

Escreveu numa etiqueta.

Marina sentiu uma satisfação inesperada.

Como se estivesse, finalmente, escolhendo o que não queria recuperar.

Foi até o banheiro.

A balança estava perto do armário.

Ela parou.

Olhou para ela.

Por um instante, pensou em colocá-la dentro da sacola também.

Não colocou.

Na manhã seguinte, antes mesmo de tomar café, Marina subiu nela.

O número tinha diminuído.

E, apesar de tudo o que tinha entendido na noite anterior, ela sorriu.

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部