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"Minha Pior Rival" Capítulo 5

正文开头

Parte 5

Na manhã seguinte, Marina subiu na balança antes mesmo de escovar os dentes.

O número era praticamente o mesmo.

Ainda assim, ela fotografou.

Salvou no álbum VOLTAR.

No terceiro dia, o número diminuiu.

Pouco.

Marina sorriu.

Era uma sensação que conhecia.

Controle.

Durante as semanas seguintes, sua vida começou a caber em números outra vez.

Horário de treino.

Litros de água.

Quilos na balança.

Medidas na fita.

Dias restantes até a campanha.

Marina acordava cedo, treinava com um personal em uma academia discreta no Itaim e voltava para casa antes das nove.

No começo, sentia-se excelente.

Dormia melhor.

Tinha mais disposição.

Gostava da sensação de terminar um treino difícil e pensar que tinha feito alguma coisa por si mesma.

Era isso que dizia.

Por mim.

Não pela Vértice.

Não pelos comentários.

Não pela mulher de vinte e quatro anos.

Por mim.

Quando Henrique ligou para confirmar que ela assinaria o contrato, Marina impôs condições.

"Nada de pesagem pública."

"Claro."

"Nenhum número na campanha."

"Concordo."

"E ninguém vai usar foto de antes e depois."

Henrique demorou um segundo.

"Podemos trabalhar com evolução."

"Não."

"Entendido."

Marina assinou.

Não contou a Camila naquele dia.

Nem no seguinte.

Esperou até a primeira prova de roupa, quando percebeu que uma calça que apertava sua cintura havia ficado folgada.

Naquela noite, tirou uma foto diante do espelho.

Não publicou.

Comparou com uma de três semanas antes.

Depois com outra.

Depois com uma fotografia de cinco anos atrás.

Faltava muito.

Mas estava funcionando.

No mês seguinte, as pessoas perceberam.

Marina publicou uma foto simples saindo de um estúdio na Vila Madalena.

Jeans.

Camisa branca.

Cabelos soltos.

Em menos de dez minutos, os comentários começaram.

"ELA ESTÁ VOLTANDO!"

"Meu Deus, olha o rosto dela."

"A rainha acordou."

"Sabia que ela ia conseguir."

"Cada dia mais parecida com a Marina antiga."

Marina leu todos.

Sabia que não deveria.

Leu mesmo assim.

A foto ultrapassou duzentas mil curtidas antes do jantar.

Sua maior marca em quase dois anos.

No dia seguinte, recebeu três propostas comerciais.

Na sexta, cinco.

Na outra semana, uma marca de joias que havia parado de responder às mensagens de sua equipe pediu uma reunião.

Depois veio uma empresa de cosméticos.

Depois uma campanha de cabelo.

Depois convites para dois eventos.

Camila colocou o celular sobre a mesa do café e encarou Marina.

"Isso está me dando vontade de cometer um crime."

"O quê?"

"Há seis meses eu mandei quinze e-mails para essa marca."

Marina olhou para a tela.

Era uma grife brasileira que, no ano anterior, havia se recusado a emprestar um vestido para uma premiação.

Agora oferecia três.

"Talvez tenham coleção nova."

Camila soltou uma gargalhada.

"Claro. E talvez eu tenha nascido ontem."

Naquela tarde, três caixas chegaram ao apartamento.

Marina abriu a primeira.

Vestido vinho.

A segunda.

Vestido verde-escuro.

A terceira.

Preto, longo, perfeitamente cortado.

Havia um cartão.

"Seria uma honra vestir Marina Valente nesta nova fase."

正文1

Marina releu.

Uma honra.

No ano anterior, nem responderam.

Ela deveria estar com raiva.

Em vez disso, levou o vestido vinho até o espelho.

Experimentou.

Fechou o zíper.

Serviu.

Marina ficou parada.

A cintura estava de volta.

Não como antes.

Mas estava aparecendo.

O rosto parecia mais fino.

As maçãs mais definidas.

Ela soltou os cabelos.

Virou de lado.

Depois para o outro.

O coração bateu mais rápido.

Talvez fosse isso.

Talvez tivesse complicado uma coisa simples durante anos.

As marcas queriam aquela Marina.

Os seguidores queriam aquela Marina.

Rafael tinha querido aquela Marina.

Até ela preferia aquela Marina.

Marina encarou o reflexo.

Talvez eles estivessem certos.

O pensamento veio tão fácil que ela não percebeu o perigo.

O aniversário de Camila caiu numa sexta-feira.

Ela reservou uma mesa para dez pessoas em um restaurante nos Jardins e ameaçou bloquear qualquer convidado que falasse de trabalho.

"Hoje ninguém é influenciador, diretor criativo, publicitário ou empresária", anunciou, levantando a taça. "Hoje vocês são pessoas que vieram pagar meu jantar."

"Você que convidou", Marina disse.

"Detalhe jurídico."

Gabriel estava sentado duas cadeiras à esquerda de Marina.

Camila o convidara depois de trabalhar com ele em outro projeto.

Pelo menos foi a explicação oficial.

Marina suspeitava de interferência criminosa.

"Você está me evitando", Gabriel disse quando Camila saiu para cumprimentar alguém.

Marina virou para ele.

"Você se considera importante assim?"

"Não. Por isso fiquei curioso."

Ela sorriu.

"Tenho trabalhado."

"Eu vi."

Marina esperou.

Gabriel tomou um gole de água.

Só isso.

"Você não vai falar?"

"Sobre?"

Ela quase disse seu corpo.

Engoliu.

"Nada."

"Então funcionou."

Antes que Marina pudesse responder, as luzes diminuíram.

O restaurante começou a cantar parabéns.

Um garçom surgiu carregando um bolo de chocolate.

Camila bateu palmas como uma criança.

"Finalmente a parte importante."

O cheiro chegou até Marina antes do prato.

Chocolate.

Ganache.

Morango.

Ela sentiu fome imediatamente.

O garçom colocou uma fatia diante dela.

Marina olhou.

Naquela manhã, a balança tinha baixado novamente.

Ela havia fotografado o número.

Faltavam quatro semanas para a campanha.

"Não, obrigada."

O garçom parou.

"Não quer?"

"Estou sem fome."

Camila ouviu.

"Você não comeu quase nada no jantar."

"Comi, sim."

"Marina."

"Camila."

As duas se encararam.

Camila empurrou o prato alguns centímetros na direção dela.

"É meu aniversário, Marina. Não é uma campanha."

O sorriso de Marina ficou rígido.

"Eu realmente não quero."

Mentira.

Queria tanto que conseguia imaginar a textura antes de provar.

Gabriel olhou para ela.

Depois para o bolo.

Marina percebeu.

Esperou que ele dissesse alguma coisa.

"Come um pedaço."

"Não vai mudar nada."

"Você merece."

Qualquer uma dessas frases.

Gabriel não disse nenhuma.

Simplesmente voltou a conversar com o homem ao lado.

Marina não sabia por que aquilo a irritou.

Talvez porque queria que ele a autorizasse.

Ou porque queria alguém para culpar se comesse.

Camila pegou o prato de volta.

"Tá."

Uma única palavra.

Pior que uma discussão.

正文2

Marina passou o resto da noite sentindo o cheiro do chocolate.

Quando chegou em casa, ainda estava com fome.

Abriu a geladeira.

Havia queijo.

Frutas.

Restos de massa.

Um pedaço de chocolate numa prateleira.

Marina pegou a água.

Fechou a porta.

"Não estou com fome", disse em voz alta.

O apartamento não respondeu.

Foi para o quarto.

Tirou o vestido.

Subiu na balança.

O número estava ligeiramente maior do que pela manhã.

Marina sentiu o peito apertar.

Era normal.

Ela sabia.

Água.

Horário.

Jantar.

Sabia tudo isso.

Mesmo assim, subiu outra vez.

Mesmo número.

Na terceira, tirou o aparelho do lugar e colocou sobre outro piso.

Subiu.

Quase igual.

Marina fotografou.

Apagou.

Aquela não contava.

A de amanhã contaria.

Vestiu uma camisa branca e uma calça de cintura alta.

Soltou os cabelos.

A maquiagem ainda estava bonita.

Pegou o celular.

Tirou uma foto.

Não gostou.

Outra.

Apagou.

Mais uma.

Nessa, o rosto estava fino.

A cintura aparecia.

Marina editou a luz.

Parou antes de mexer no corpo.

Publicou.

Em segundos, o celular começou a vibrar.

Curtidas.

Comentários.

Compartilhamentos.

Mil.

Cinco mil.

Dez mil.

"É ELA."

"A Marina voltou de verdade."

"Que mulher."

"Precisamos falar sobre esse comeback."

Marina sentou na cama.

Sorriu.

A fome pareceu menor.

Então apareceu uma notificação.

Um nome que ela não via havia muito tempo.

Rafael Bastos curtiu sua foto.

O sorriso desapareceu.

Marina ficou olhando para a tela.

Não significava nada.

Uma curtida.

Só isso.

Rafael podia ter visto a foto por acaso.

Podia ter apertado sem pensar.

Podia nem lembrar que ela receberia a notificação.

O celular vibrou novamente.

Dessa vez, mensagem privada.

Marina não abriu imediatamente.

Seu coração, porém, já tinha reconhecido o nome antes dela.

Rafael Bastos.

Ela tocou na conversa.

A última mensagem entre os dois tinha quase dois anos.

Marina não subiu para ler.

Não queria lembrar.

Havia uma mensagem nova.

"Agora sim."

Outra apareceu.

Marina sentiu o estômago contrair.

"Você está parecida com você de novo."

Ela leu duas vezes.

Depois três.

Sentiu raiva.

De Rafael.

Da frase.

De todos que haviam dito exatamente a mesma coisa usando palavras diferentes.

Mas havia outra sensação por baixo.

Pequena.

Vergonhosa.

Satisfação.

Rafael tinha percebido.

Ele tinha olhado.

Ele tinha voltado.

O indicador apareceu na tela.

Rafael estava digitando.

Marina ficou imóvel.

Então chegou a terceira mensagem.

"Posso te ver?"

Marina encarou aquelas três palavras.

E, antes que pudesse decidir se responderia, Rafael enviou mais uma.

"Tem uma coisa sobre nós dois que eu nunca te contei."

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