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"Minha Pior Rival" Capítulo 4

正文开头

Parte 4

Marina leu a cláusula de novo.

Depois uma terceira vez.

As palavras não mudaram.

A proposta previa três meses de preparação antes da campanha principal, com acompanhamento de imagem, treinamento e "adequação estética ao posicionamento histórico da marca".

Marina conhecia linguagem publicitária o suficiente para entender o que aquilo queria dizer.

Emagrecer.

Não estava escrito em lugar nenhum.

Não precisava.

Na manhã seguinte, às dez, Marina entrou na sede da Vértice, na Avenida Faria Lima.

Três anos antes, aquela mesma marca tinha encerrado seu contrato em uma videochamada de onze minutos.

Agora havia café, água com gás e flores sobre a mesa.

Henrique Vasconcelos entrou sorrindo.

"Marina."

Ele abriu os braços como se fossem velhos amigos.

Ela não se levantou.

"Henrique."

O abraço morreu antes de nascer.

Ele sentou do outro lado da mesa.

"Você está ótima."

Marina quase sorriu.

Ótima.

Sempre ótima.

"Obrigada."

Henrique abriu uma apresentação no notebook.

A primeira imagem era de Marina aos vinte e quatro anos, usando leggings pretas e um top da Vértice.

A cintura estreita.

O abdômen definido.

O sorriso perfeito.

"Essa campanha foi uma das maiores da nossa história."

"Eu lembro."

"Você vendeu tudo."

"Também lembro."

Henrique passou para o próximo slide.

Gráficos.

Números.

Comentários antigos.

Fotos de consumidores usando roupas iguais às de Marina.

"O mercado está vivendo um momento muito forte de nostalgia."

Marina apoiou as costas na cadeira.

"Nostalgia de cinco anos atrás?"

"Na internet, cinco anos são uma geração."

Ele sorriu.

"Todo mundo sente falta daquela Marina."

Dessa vez, ela não conseguiu esconder a reação.

"Todo mundo?"

Henrique percebeu tarde demais.

"Você entende o que eu quero dizer."

"Entendo perfeitamente."

Ele mudou de slide.

Apareceu o valor do contrato.

Marina parou de respirar por um instante.

Era mais do que esperava.

Muito mais.

Dinheiro suficiente para quitar pendências, contratar novamente uma equipe, investir em conteúdo próprio e parar de aceitar trabalhos apenas porque precisava pagar contas.

Henrique viu que ela tinha entendido.

"É uma proposta séria."

"Com uma condição."

"Com uma estratégia."

"Chama do que quiser."

Henrique juntou as mãos.

"Três meses."

Marina não respondeu.

"Não estamos pedindo para você voltar exatamente ao que era."

"Que generoso."

"Marina."

"O contrato diz 'aproximação visual com a identidade histórica da campanha'."

Henrique respirou fundo.

"Você sabe como esse mercado funciona."

"Sei. É por isso que estou perguntando."

Ele hesitou.

"Precisamos de uma mudança visual perceptível."

"Quanto?"

"Não trabalhamos com número de balança."

"Que moderno."

"Não é sobre peso."

Marina soltou uma risada curta.

"Henrique, por favor."

Ele ficou em silêncio.

"Você quer que eu emagreça."

"Queremos recuperar uma imagem que o público ainda associa a você."

"Então vocês querem que eu emagreça."

Henrique inclinou o corpo para frente.

"Queremos contar uma história de retorno."

A palavra voltou.

Retorno.

Volta.

Marina olhou para a fotografia projetada na parede.

Aquela mulher outra vez.

Parecia estar em todos os lugares.

"Você tem uma oportunidade enorme aqui", Henrique continuou. "A repercussão dos últimos dias prova isso."

正文1

"Você quer dizer as pessoas discutindo se eu fiquei feia."

"Eu diria que existe interesse."

"Claro que diria."

Ele ignorou.

"Seu nome voltou a circular. Existe curiosidade. Existe memória afetiva."

"Existe crueldade também."

"Existe mercado."

Marina encarou Henrique.

Pelo menos aquilo era sincero.

Ele abriu o contrato impresso e empurrou na direção dela.

"Nós sempre acreditamos em você."

Marina não tocou no papel.

Por alguns segundos, apenas olhou para ele.

Depois pegou o celular.

"Desculpa", Henrique disse. "Eu preciso terminar em vinte minutos."

"Vai ser rápido."

Ela abriu o e-mail.

Pesquisou uma palavra.

Vértice.

Desceu.

Três anos.

Encontrou.

Marina abriu a mensagem e sentiu a mesma pressão no peito que sentira quando a recebera.

Na época, estava sozinha na cozinha.

Tinha lido cinco vezes.

Depois chorara no banheiro para Rafael não perceber.

Agora virou o celular sobre a mesa e empurrou na direção de Henrique.

"Você lembra disso?"

Ele olhou.

O sorriso desapareceu.

O e-mail era curto.

A marca informava que, devido a uma "mudança de alinhamento entre imagem pública e posicionamento estratégico", não renovaria o contrato de Marina.

Henrique leu até o fim.

"Isso foi outra gestão."

"Seu nome está no e-mail."

Ele não respondeu.

Marina apontou para a tela.

"Você assinou."

"Marina, o contexto era diferente."

"Claro."

"O mercado mudou muito."

"Meu corpo também. Foi por isso que vocês me mandaram embora."

"Não foi tão simples."

"Foi exatamente simples."

Henrique recostou na cadeira.

"Eu não acho produtivo transformar isso em algo pessoal."

Marina riu.

"Vocês encerraram um contrato porque eu engordei e agora querem me pagar para emagrecer. Desculpa se estou dificultando a parte em que fingimos que isso é sobre estratégia."

Henrique ficou vermelho.

"Não foi isso que eu disse."

"Não precisava."

Marina pegou o celular.

Antes de bloquear a tela, mostrou o e-mail mais uma vez.

"Isso também era acreditar em mim?"

Silêncio.

Henrique olhou para a mesa.

Pela primeira vez desde que Marina entrara, ele não tinha uma apresentação preparada para responder.

A sensação foi boa.

Boa demais.

Marina levantou.

"Obrigada pelo café."

"Você não vai pensar?"

"Já pensei."

"É muito dinheiro."

"Eu sei."

"Então leva o contrato."

"Não."

Henrique também se levantou.

"Marina, não deixa uma decisão de três anos atrás destruir uma oportunidade agora."

Ela colocou a bolsa no ombro.

"Engraçado."

"O quê?"

"Foi exatamente o que vocês fizeram comigo."

Saiu.

No elevador, as mãos começaram a tremer.

Marina olhou para o próprio reflexo nas portas metálicas.

Sentiu vontade de rir.

Tinha vencido.

Era assim que deveria parecer.

Quando chegou ao estacionamento, ligou para Camila.

"Eu disse não."

Do outro lado, houve dois segundos de silêncio.

Depois um grito.

"Você disse não?"

Marina afastou o telefone do ouvido.

"Meu tímpano agradece."

"Eu sabia!"

"Não sabia."

"Sabia, sim."

"Ontem você disse que eu provavelmente aceitaria."

"Eu estava testando seu caráter."

Marina riu.

Camila continuou falando, animada.

"Isso é enorme, Marina. Sério. Eles te descartaram e agora voltaram rastejando."

正文2

"Não estavam exatamente rastejando."

"Na minha versão estavam."

Marina chegou ao carro.

"Vou para casa."

"Passa aqui. Eu compro vinho."

"Talvez mais tarde."

"Estou orgulhosa de você."

Marina parou com a mão na maçaneta.

Alguma coisa naquela frase doeu.

"Obrigada."

Desligou.

Mas não entrou no carro.

Ficou parada.

Um minuto.

Depois cinco.

Ao lado, uma mulher guardava compras no porta-malas.

Um entregador passou de moto pela saída.

A vida continuava com uma normalidade ofensiva.

Marina abriu o Instagram.

Não deveria.

Abriu.

A primeira publicação era uma foto do evento com Lívia.

As duas estavam rindo.

Os comentários pareciam divididos.

"Lívia é a Marina da nova geração."

"Marina continua maravilhosa."

"Não tem nem comparação."

"Ela era mais bonita antes."

Marina fechou os olhos.

A frase já parecia morar dentro dela.

Ela era mais bonita antes.

Pensou no telão do evento.

Na cintura de vinte e quatro anos.

Pensou em Lívia, tão jovem, tão fina, tão facilmente fotografável.

Pensou na proposta.

Três meses.

Era só isso.

Três meses.

Marina abriu novamente o contrato no celular.

Olhou o valor.

Depois abriu a foto que Gabriel tinha feito.

Aquela em que estava rindo.

"Foi isso que você viu primeiro?"

Ela ainda não sabia a resposta.

Mas sabia o que o resto do mundo via primeiro.

Marina entrou no carro.

Ligou o motor.

Não foi embora.

Cinco minutos depois, desligou.

Saiu.

Voltou para o elevador.

Quando as portas se abriram no andar da Vértice, a recepcionista ergueu a cabeça surpresa.

"Marina?"

"Henrique ainda está aí?"

"Está."

Ela caminhou até a sala.

Henrique estava recolhendo os papéis.

Quando a viu, parou.

Nenhum dos dois falou.

Marina olhou para o contrato sobre a mesa.

"Eu não disse que mudei de ideia."

Henrique manteve a expressão neutra.

"Claro."

"Quero levar isso."

Ele olhou para o contrato.

Depois para ela.

"Para analisar?"

"Para analisar."

Henrique entregou a pasta.

Marina segurou.

O peso era ridiculamente pequeno para uma coisa capaz de mudar tanto.

"Você tem quarenta e oito horas", ele disse.

"Eu sei."

"Se quiser discutir alguma cláusula..."

"Eu ligo."

Marina saiu antes que ele sorrisse.

Dessa vez, entrou no carro.

Colocou a pasta no banco do passageiro.

O celular vibrou.

Camila.

"Já escolhi o vinho. Hoje a gente comemora a sua libertação."

Marina olhou para a pasta.

Digitou:

"Perfeito."

Não contou que tinha voltado.

Não contou que o contrato estava ao lado dela.

Não contou que, no estacionamento, uma parte sua tinha feito uma pergunta que parecia pequena e inocente.

E se eu conseguir?

À noite, Marina chegou em casa e colocou a pasta dentro de uma gaveta.

Tomou banho.

Vestiu uma camiseta larga.

Tentou assistir a uma série.

Não conseguiu.

À meia-noite, entrou no quarto.

Ficou alguns segundos parada diante da cama.

Então se ajoelhou.

Passou a mão por baixo dela.

Encontrou uma caixa coberta de poeira.

Marina puxou.

Dentro havia coisas que não tocava havia anos.

Uma fita métrica.

Um velho top esportivo.

Um caderno.

E uma balança digital.

Marina ficou olhando para ela.

Três anos.

Fazia três anos que não subia naquela balança.

Pelo menos era o que dizia a si mesma.

Colocou o aparelho no chão.

A tela permaneceu apagada.

Marina tirou as meias.

Subiu.

Os números piscaram.

Ela prendeu a respiração.

A tela parou.

Marina ficou imóvel.

Então pegou o celular.

Fotografou o número.

Por alguns segundos, sentiu vergonha.

Mesmo sozinha.

Poderia apagar.

Não apagou.

Abriu a galeria.

Criou um novo álbum.

Selecionou a opção para ocultá-lo.

O celular pediu um nome.

Marina olhou para a pasta da Vértice, visível pela porta aberta do quarto.

Depois digitou uma única palavra.

VOLTAR.

Salvou a fotografia.

A tela da balança apagou.

Mas Marina continuou em cima dela.

Como se, depois de três anos, tivesse acabado de abrir uma porta que talvez não soubesse mais fechar.

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