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"Minha Pior Rival" Capítulo 3

正文开头

Parte 3

Por alguns segundos, nenhuma das duas falou.

"Era eu", Marina disse.

Lívia desviou os olhos.

"Eu sei."

"Na sua tela."

"Eu sei."

Marina esperou uma explicação.

Ela não veio.

Uma mulher chamou Lívia do outro lado do salão.

"Lívia, o carro chegou!"

Lívia olhou na direção da voz e depois para Marina.

"Eu posso explicar."

"Não precisa."

"Precisa, sim."

"Então explica."

Lívia abriu a boca.

Parou.

"Não aqui."

Marina quase perguntou onde.

Quase perguntou por quê.

Quase perguntou desde quando aquela fotografia estava no celular dela.

Mas não queria transformar uma imagem de cinco anos atrás em mais uma coisa capaz de controlar sua noite.

"Boa noite, Lívia."

Saiu antes que a garota respondesse.

Na manhã seguinte, Marina acordou pensando na foto.

Tentou não pensar.

Fracassou antes do café.

Às dez, Camila mandou o endereço de um estúdio na Vila Leopoldina e uma mensagem em seguida.

"Não cancela."

Marina respondeu:

"Eu não ia cancelar."

"Você cancela tudo ultimamente."

"Obrigada pelo apoio."

"De nada."

O trabalho era um pequeno documentário para uma marca brasileira voltada ao público feminino.

Nada de passarela.

Nada de biquíni.

Nada de transformação física.

A proposta era entrevistar mulheres sobre momentos em que precisaram reconstruir a própria vida.

Marina aceitara porque precisava trabalhar.

Também porque, pela primeira vez em meses, o briefing não continha as palavras "retorno", "nova fase" ou "reinvenção".

Chegou ao estúdio quinze minutos antes.

O lugar era amplo, com paredes de concreto, janelas altas e cabos espalhados pelo chão.

Uma assistente a recebeu.

"Marina? O Gabriel está terminando de ajustar a luz."

Ela apontou para um homem perto do cenário.

Marina olhou.

Gabriel Montenegro parecia não pertencer ao tipo de ambiente em que todo mundo fazia questão de parecer ocupado.

Camisa preta, mangas dobradas até os antebraços, calça escura e um relógio simples.

Era alto.

Muito.

Os cabelos castanho-escuros tinham uma leve ondulação e estavam arrumados sem parecer que alguém passara quarenta minutos tentando fazê-los parecer desarrumados.

Ele conversava com o fotógrafo enquanto analisava um monitor.

Então percebeu Marina.

Veio até ela.

Marina se preparou.

Conhecia o roteiro.

"Minha namorada te seguia."

"Eu acompanhava você na época..."

"Você é bem diferente pessoalmente."

Gabriel estendeu a mão.

"Gabriel."

Só isso.

Marina apertou a mão dele.

"Marina."

"Eu sei."

Ela esperou.

Nada.

Gabriel apontou para o cenário.

"A gente vai começar com entrevista. Depois fazemos algumas imagens sem fala. Se alguma pergunta te incomodar, você não responde."

"É só isso?"

Ele franziu levemente a testa.

"Você queria mais alguma coisa?"

"Não."

"Ótimo."

Gabriel voltou para o monitor.

Marina ficou parada por um segundo.

Não sabia por que aquilo a incomodava.

Talvez porque estava tão acostumada a ser recebida por uma versão antiga de si mesma que estranhava quando alguém simplesmente conhecia a mulher que havia entrado pela porta.

A maquiagem levou quarenta minutos.

Marina recusou duas opções de roupa antes de escolher uma blusa marfim e uma calça preta.

正文1

Quando entrou no cenário, viu uma cadeira perto de uma grande janela.

Sem mesa.

Sem objetos para esconder a barriga.

Claro.

Sentou-se.

Imediatamente cruzou uma perna sobre a outra e colocou as mãos na frente do corpo.

Gabriel observou pelo monitor.

"Pode relaxar."

"Estou relaxada."

Ele olhou para as mãos dela.

Marina descruzou os dedos.

"Agora estou."

Gabriel não sorriu.

"Melhor."

A entrevista começou.

As primeiras perguntas eram simples.

Carreira.

Mudanças.

O que significava recomeçar.

Marina respondia bem.

Sabia responder bem.

Durante anos, aprendera a transformar qualquer pergunta em uma frase curta o suficiente para virar legenda.

No intervalo, uma mulher chamada Patrícia, representante da marca, aproximou-se do monitor.

Marina tomou água enquanto fingia não prestar atenção.

Patrícia falou baixo com o fotógrafo.

"Talvez um ângulo que afine um pouco."

Marina parou com o copo perto da boca.

O fotógrafo olhou para Gabriel.

Gabriel continuou analisando a imagem.

"Não."

Patrícia pareceu não entender.

"Eu só quis dizer que talvez de um pouco mais alto..."

"Eu entendi."

Ele levantou os olhos.

"Se vocês queriam outro corpo, deveriam ter contratado outra pessoa."

Não houve indignação.

Nenhuma voz elevada.

Nenhum discurso.

Gabriel disse aquilo com a mesma tranquilidade com que teria pedido para trocar uma lente.

Patrícia ficou sem graça.

"Não foi isso que eu quis dizer."

"Então estamos de acordo."

Ele voltou ao monitor.

"Vamos continuar."

Marina ainda segurava o copo.

Gabriel não olhou para ela esperando agradecimento.

Isso foi o que mais chamou sua atenção.

Ele não tinha feito aquilo por ela.

Tinha feito porque, para ele, pedir uma coisa e fotografar outra era simplesmente um trabalho malfeito.

Marina voltou para a cadeira.

Dessa vez, não colocou as mãos sobre a barriga.

A entrevista terminou perto das duas da tarde.

Depois vieram as fotografias.

E aí tudo ficou mais difícil.

"Olha para a janela", Gabriel pediu.

Marina virou o rosto.

O fotógrafo levantou a câmera.

Ela prendeu a barriga.

"Não."

Marina relaxou.

"Queixo normal."

Ela abaixou.

"Não tanto."

"Você é bem específico."

"É meu trabalho."

Nova tentativa.

Clique.

Marina virou o rosto três quartos.

"Não faz isso."

"Isso o quê?"

"Essa cara."

"Essa é a minha cara."

"Não é."

Marina colocou as mãos na cintura.

"E qual é a minha cara?"

Gabriel fez um gesto para o fotógrafo abaixar a câmera.

"A que você estava fazendo antes de ele apontar isso para você."

Marina olhou para a câmera.

"Eu trabalho com câmera desde os dezenove."

"Eu percebi."

"Então sei o que funciona."

"Esse é exatamente o problema."

Ela estreitou os olhos.

"Você sempre irrita as pessoas que contrata?"

"Normalmente só depois do almoço."

O fotógrafo disfarçou uma risada.

Marina não achou graça.

Ou decidiu que não achou.

Gabriel se aproximou.

"Quando a câmera sobe, você prende a barriga, levanta o queixo e vira o lado esquerdo."

"Meu lado esquerdo é melhor."

"Segundo quem?"

"Segundo milhões de fotos."

"Argumento difícil."

Marina cruzou os braços.

正文2

"Você quer que eu faça o quê?"

"Nada."

"Isso não existe."

"Existe."

"Não na frente de uma câmera."

Gabriel ficou alguns segundos olhando para ela.

Depois puxou uma cadeira e sentou fora do cenário.

"Então esquece a câmera."

"Ela continua ali."

"Infelizmente. Custou caro."

Marina soltou uma risada curta.

Gabriel começou a perguntar sobre São Paulo.

Restaurantes.

Trânsito.

O pior lugar para marcar reunião numa sexta-feira.

"Faria Lima", Marina respondeu.

"Resposta óbvia."

"Marginal Pinheiros às seis."

"Melhor."

"Você está me entrevistando de novo?"

"Não."

"Então por que tantas perguntas?"

"Porque você parou de posar."

Marina imediatamente endireitou as costas.

Gabriel suspirou.

"Pronto. Estraguei."

Ela riu.

"Você é péssimo nisso."

"Meu currículo diz o contrário."

"Seu currículo mente."

"Como todo currículo."

Marina riu mais alto.

Foi uma risada feia.

Aberta.

A cabeça inclinou para trás, os olhos apertaram e, por um segundo, ela esqueceu completamente da barriga.

Clique.

Marina congelou.

Virou para o fotógrafo.

"Você tirou uma foto?"

Gabriel se levantou.

"Ele está trabalhando, Marina."

"Eu não estava pronta."

"Eu sei."

Ela caminhou até o monitor.

"Deixa eu ver."

O fotógrafo abriu a imagem.

Marina ficou em silêncio.

A mulher na tela não parecia com suas fotos antigas.

O rosto estava mais cheio.

As bochechas redondas.

Havia pequenas linhas nos cantos dos olhos.

A camisa marcava parte da cintura porque ela estava inclinada para frente.

Nenhum ângulo escondia nada.

Mas ela estava rindo.

Não sorrindo para uma câmera.

Rindo.

Marina aproximou o rosto do monitor.

"Meu rosto está enorme."

Gabriel estava atrás dela.

Não disse que não.

Não disse que ela estava linda.

Não tentou convencê-la de nada.

Apenas perguntou:

"Foi isso que você viu primeiro?"

Marina virou o rosto.

Os olhos cinza-esverdeados dele estavam tranquilos.

"Como assim?"

"Na foto."

"Eu entendi."

"Então?"

Ela voltou a olhar.

Tentou procurar outra coisa.

O cabelo bagunçado perto da testa.

A mão no joelho.

Os olhos quase fechados de tanto rir.

A maneira como parecia ocupar espaço sem pedir desculpas.

Marina sentiu uma coisa desconfortável no peito.

"Eu não sei."

Gabriel assentiu.

"Tudo bem."

E saiu.

Aquilo a irritou mais do que se ele tivesse dito que ela era bonita.

No fim da tarde, Marina estava recolhendo a bolsa quando Gabriel apareceu perto da porta.

"Você recebe as fotos amanhã."

"Todas?"

"Uma seleção."

"Incluindo aquela?"

"Principalmente aquela."

Marina fez uma careta.

"Eu posso pedir para você apagar?"

"Pode."

"E você apaga?"

"Não."

Ela olhou para ele.

Gabriel finalmente sorriu.

Foi pequeno.

Um vinco apareceu no lado direito do rosto.

"Até amanhã, Marina."

"Você é insuportável."

"Já colocaram isso em avaliações."

Ele foi embora.

Marina percebeu que estava sorrindo apenas quando entrou no carro.

Parou imediatamente.

Naquela noite, às onze e dezessete, recebeu um link.

Não deveria ter aberto.

Abriu.

Passou pelas imagens devagar.

Algumas eram bonitas.

Outras, profissionais.

Em várias, Marina reconheceu imediatamente o que corrigiria.

Braço.

Queixo.

Barriga.

Postura.

Então encontrou aquela.

A risada.

Marina ampliou.

Seu primeiro impulso foi procurar defeitos.

Encontrou vários.

Seu segundo impulso foi apagar a foto do celular.

O dedo ficou sobre a tela.

Ela não apagou.

Ficou olhando.

Havia alguma coisa naquela mulher que Marina não via em uma fotografia sua havia muito tempo.

Não perfeição.

Presença.

O celular vibrou.

Uma mensagem de número desconhecido apareceu.

"Espero que tenha visto mais alguma coisa primeiro dessa vez."

Marina soube imediatamente quem era.

Gabriel.

Ela olhou para a foto.

Depois para a mensagem.

Quase respondeu.

Mas uma segunda notificação apareceu antes.

Não era dele.

Era um e-mail.

O nome da empresa fez o sorriso desaparecer de seu rosto.

A mesma marca que tinha escrito na noite anterior.

Assunto:

PROPOSTA DE RETORNO — MARINA VALENTE.

Dessa vez havia um contrato anexado.

Marina abriu.

Leu a primeira página.

Depois a segunda.

Na terceira, encontrou a cláusula.

E sentiu o estômago afundar.

A marca realmente queria Marina Valente de volta.

Mas havia uma condição.

Uma condição que não aparecia em nenhuma das mensagens.

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