"A Câmera Viu Quem Feriu Minha Filha" Capítulo 9
A mulher ocupava toda a parede de vidro.
Atrás dela havia um escritório branco, sem janelas, e um painel de cotações. O rosto parecia real, mas Helena esperou que Caio confirmasse pelo canal de emergência.
O celular não tinha sinal.
— Meu nome é Vera Kessler — continuou a mulher. — Sua empresa reteve ativos construídos com minha propriedade intelectual. Ao meio-dia, você entregará as chaves administrativas da fundação.
Helena tentou abrir a porta da cozinha. O painel recusou sua impressão digital.
— Invadiu uma casa com uma criança para discutir propriedade intelectual?
— Entrei num sistema que me pertence.
— Então deixou provas.
Vera sorriu.
— Deixei uma demonstração.
A tela apagou. Ao mesmo tempo, pequenos pontos escuros cruzaram o céu acima do jardim. Drones pairaram sobre o telhado, bloqueando celular, rádio e internet doméstica.
Maia surgiu no corredor com a mochila escolar.
— A porta não abre.
Helena desligou o disjuntor da automação. As fechaduras eletromagnéticas liberaram com um estalo, e Tereza conduziu a menina para a sala interna. Desde a invasão, todas sabiam o caminho sem precisar de ordem.
No porão, Caio reiniciou a rede forense isolada. Ela não dependia dos sistemas inteligentes nem da conexão comercial. Uma antena física, guardada numa caixa metálica, estabeleceu um enlace curto com um satélite contratado para contingências.
Davi chegou pelo túnel de serviço usado pela equipe de proteção.
— A polícia monitora o perímetro. Os drones não estão armados, mas carregam bloqueadores.
— Ela quer que eu conecte a chave — disse Helena.
Natália entrou na conferência segura.
— Não conecte nada. Se houver reivindicação legítima, que apresente em tribunal.
Vera não apresentou.
Às oito e vinte, bolsas e bancos receberam um pacote anônimo acusando a fundação de manipular provas no caso APT. Às oito e quarenta, um vídeo mostrava Helena ordenando a destruição de prontuários. Às nove, outro exibia Davi recebendo dinheiro de Raul num estacionamento.
Os falsos traziam o mesmo tipo de iluminação e movimento que Caio já identificara, mas a assinatura de produção havia mudado.
— Ela aprendeu com a armadilha anterior — disse ele. — Removeu a marca e alterou os parâmetros.
Helena assistiu ao falso Davi fechar uma maleta.
— O que permaneceu igual?
Caio comparou os caminhos de distribuição. Centenas de perfis levavam o público por domínios diferentes, porém todos solicitavam um pequeno arquivo de medição antes de abrir o vídeo.
— O rastreador — respondeu. — Ela precisa contar visualizações para vender o pânico. O domínio muda; o protocolo de retorno é o mesmo.
O nome interno era Slink. Cada clique enviava horário, região, dispositivo e reação para um painel de Vera. Com esses dados, o sistema decidia qual mentira entregar em seguida.
Davi obteve autorização para que os investigadores respondessem ao mecanismo com tráfego sintético identificado. Caio preparou milhares de acessos controlados, cada um contendo uma combinação ligeiramente diferente de dados públicos.
— Se ela reagir, revela como classifica os alvos — explicou. — Não entraremos no sistema. Vamos observar o que ele devolve.
As respostas chegaram em ondas. Para investidores, Vera enviava acusações financeiras. Para mães, vídeos sobre crianças ameaçadas.
Para funcionários, supostas demissões. Cada grupo recebia um endereço de retorno.
Um dos endereços pertencia a um centro de dados em Genebra.
A polícia suíça recebeu o pedido de cooperação. Enquanto aguardavam, Caio inseriu nos documentos públicos da fundação uma planilha-isca, claramente marcada para uso investigativo e acessível apenas por um link monitorado. Ela mencionava chaves administrativas inexistentes.
Natália registrou em ata quem criara a planilha, quem revisara seu conteúdo e quem podia consultar os acessos. Um observador externo acompanhou a operação. Helena não recebeu a senha do painel.
— Minha exclusão precisa constar — disse ela. — Vera vai alegar que eu fabriquei o resultado.
Caio incluiu a decisão na ata. A própria Helena passou a depender dos relatórios assinados por terceiros. O desconforto de não controlar a tela servia como parte da proteção jurídica.
Enquanto esperavam, Maia enviou um áudio do cômodo seguro. Perguntou se poderia levar os lápis para a escola no dia seguinte. Helena ouviu duas vezes antes de responder.
A voz da filha lembrava que cada minuto diante daqueles monitores precisava terminar em vida comum.
Às dez e onze, alguém baixou a planilha de dentro do centro de dados.
Às dez e quatorze, o perfil interno copiado do antigo técnico tentou abrir um cofre digital falso.
Às dez e dezesseis, o sistema registrou o certificado de Vera.
— Temos identidade técnica e local — disse Caio.
— Ainda precisamos ligá-la às ordens — respondeu Davi.
Helena pediu uma chamada com Vera. Quando a imagem voltou, o meio-dia se aproximava.
— Trouxe as chaves? — perguntou a mulher.
— Quero garantia de que retirará os vídeos.
— Entregue o arquivo e eu encerro a campanha.
— Inclusive a campanha que usa o Slink para separar mães, investidores e empregados?
Vera ficou imóvel por um instante.
— Raul falava demais.
— Raul nunca mencionou o nome do protocolo.
O sorriso desapareceu.
Na central suíça, agentes registravam a admissão em tempo real.
Vera inclinou-se para a câmera.
— Você acha que uma gravação vai me alcançar em outro continente?
— Acho que o seu certificado já alcançou a polícia.
A conexão terminou.
Os drones sobre a casa subiram de repente e seguiram para o mar. A equipe de proteção conseguiu derrubar um deles com um bloqueador direcional. O aparelho caiu na areia sem ferir ninguém.
No cartão de memória havia rotas, imagens da casa e uma última instrução transmitida segundos antes.
EQUIPE B: RECUPERAR SERVIDOR. ELIMINAR TESTEMUNHAS SE NECESSÁRIO.
No monitor térmico, três veículos deixaram a estrada e avançaram pela entrada de serviço.
As cancelas externas desceram tarde demais para detê-los.
Helena contou os faróis antes que as câmeras externas perdessem sinal. Não tocou no servidor nem procurou uma arma. Apertou o botão de emergência e voltou para junto da filha, enquanto o plano aprovado pela polícia começava a funcionar.
Tereza já fechava as cortinas do cômodo seguro. Maia estendeu o coelho de pano para a mãe segurar e abriu espaço no banco ao seu lado. Do corredor veio o primeiro impacto contra a porta.
Helena sentou, segurou o brinquedo entre as duas e esperou o sinal combinado de Davi.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 9 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4