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"A Câmera Viu Quem Feriu Minha Filha" Capítulo 8

正文开头

Os oito pontos se dividiram antes de alcançar a varanda.

Quatro seguiram pela lateral da garagem. Dois avançaram em direção ao quadro de energia. Os últimos contornaram o jardim e pararam sob a janela do quarto onde Maia dormia.

Davi fechou a tela do monitor.

— Protocolo três. Agora.

Tereza pegou Maia no colo sem acender a luz. Helena abriu o painel atrás da despensa, e as três entraram no cômodo seguro. A porta de aço fechou enquanto agentes federais ocupavam posições no corredor e no andar superior.

Maia despertou com a cabeça no ombro da mãe.

— É tempestade?

— Há pessoas tentando entrar — respondeu Helena. — Estamos num lugar protegido.

— O tio Davi está lá fora?

— Está com policiais treinados.

Helena não prometeu que nada aconteceria. Sentou no chão, envolveu a filha com um cobertor e contou com ela os intervalos entre os trovões.

Do outro lado da parede, um impacto atingiu a porta da cozinha. Depois veio uma sequência curta de ordens, vidro quebrado e o estampido abafado de granadas de luz usadas pela equipe policial.

Tereza apertou os lábios para não rezar alto.

No monitor interno, Helena viu dois invasores atravessarem a lavanderia. Usavam roupas escuras e capacetes sem identificação. Um trazia uma mochila rígida; o outro carregava alicates para cabos e um dispositivo de cópia de dados.

Eles não procuravam joias.

O primeiro alcançou a porta do escritório e encontrou o corredor vazio. Ao girar a maçaneta, acionou o sensor silencioso. Uma divisão tática surgiu pelas duas extremidades.

O homem largou a arma antes do primeiro comando terminar; o comparsa tentou voltar e foi imobilizado junto à lavanderia.

Na lateral da casa, os agentes cercaram o grupo que cortava a energia. Um deles correu até o muro. O barro cedeu sob a bota e ele caiu, perdendo o rádio.

A voz de Raul saiu pelo aparelho.

— Peguem a unidade principal. A mulher é secundária.

O agente recolheu o rádio com luvas e confirmou o horário para a câmera corporal.

Os dois homens junto ao quarto de Maia nunca chegaram à janela. O vidro era laminado e o jardim estava coberto por câmeras térmicas. Foram presos quando tentaram recuar para uma caminhonete sem placas.

Vinte e três minutos depois do primeiro alarme, Davi bateu três vezes na porta segura, fez uma pausa e bateu mais duas. Helena conferiu o rosto dele pela tela antes de abrir.

Os agentes mantiveram todos dentro da área protegida até que uma equipe com cães verificasse cada cômodo. A água da chuva entrava pela porta quebrada e avançava pelo piso da lavanderia. Tereza tentou buscar panos; um policial pediu que esperasse porque uma ferramenta abandonada ainda não fora fotografada.

Helena mostrou a Maia como as etiquetas amarelas marcavam os lugares que ninguém devia tocar. A menina contou oito, uma para cada invasor, e depois corrigiu a si mesma ao ver duas etiquetas junto à mochila.

正文1

— Prova não é gente — disse ela.

— Exatamente — respondeu Davi.

Quando foram liberadas, Maia escolheu não atravessar a cozinha. Helena acompanhou a filha pela saída lateral, mesmo que isso significasse caminhar sob a chuva.

Havia sangue na manga do paletó.

— Você foi atingido?

— Corte de vidro.

Maia correu para ele e parou a um passo, olhando a mancha.

Davi se ajoelhou.

— Posso abraçar você com o outro braço.

Ela concordou e encostou devagar.

A mochila rígida continha duplicadores de chave, ferramentas para extrair discos e uma lista dos equipamentos usados por Caio. Nos telefones dos invasores, a polícia encontrou mensagens de uma conta ligada a Raul Andrade.

Raul foi preso naquela tarde num hangar em Foz do Iguaçu, quando tentava embarcar num jato fretado. Trazia três passaportes, cartões criptográficos e uma cópia do acordo que Eleanor tentara impor a Helena.

Interrogado, recusou-se a falar. Seus advogados alegaram que as conversas haviam sido fabricadas pela mesma tecnologia usada nos deepfakes.

Caio estava preparado. Os áudios do rádio tinham registro simultâneo nas câmeras corporais, na central policial e no gravador do invasor. As mensagens haviam sido apreendidas nos aparelhos físicos, com chaves e horários compatíveis.

A defesa podia questionar cada elemento, mas não transformá-los todos em fumaça.

O escândalo provocou novas auditorias no grupo. Helena suspendeu fornecedores ligados ao Espinheiro e criou um canal de denúncia administrado fora da empresa. Funcionários que temiam falar sobre contratos antigos começaram a enviar documentos.

Um deles identificou a origem da credencial reativada. O acesso não fora concedido pelo técnico desaparecido. O perfil dele havia sido copiado meses antes por uma ferramenta interna de inteligência artificial criada para automatizar campanhas e atendimento.

— Alguém usou o modelo para reproduzir autorização, linguagem e rotina — disse Caio. — Não entrou pela porta. Fabricou uma chave parecida com a porta.

— Raul? — perguntou Helena.

— Os arquivos apreendidos indicam que ele alugava a infraestrutura. Não a construiu.

Davi abriu um relatório encontrado no notebook do hangar. Na primeira página, um codinome aparecia acima de todos os operadores:

ARQUITETA

.

Raul aceitou colaborar depois que a promotoria apresentou as acusações pela invasão. Disse que a Arquiteta controlava os modelos de clonagem, as rotas de tráfego e os fundos de contingência. Nunca a vira pessoalmente.

Recebia ordens por uma interface que apagava as mensagens após a leitura.

— Ela financiou Eleanor? — perguntou Helena através do vidro da sala de depoimento.

— Ela financiava quem tivesse acesso ao grupo — respondeu Raul. — Eleanor era uma porta. Eu era outra.

— Nome.

Raul sorriu sem mostrar os dentes.

— Se eu soubesse, não estaria vivo.

Por três meses, não houve novas ameaças. Maia voltou à escola com uma rotina diferente e dois agentes discretos no trajeto. Davi recuperou o movimento completo do braço.

Helena transformou parte do dinheiro recuperado em um fundo auditado de apoio a crianças vítimas de violência doméstica.

Numa terça-feira fria, ela preparava café quando a música da cozinha virou um chiado.

As portas inteligentes travaram. A parede de vidro escureceu até se tornar um espelho negro.

Uma mulher de cabelo platinado apareceu nele.

— Raul era apenas um usuário — disse a desconhecida. — Eu escrevi o sistema.

Helena reconheceu o codinome do relatório apreendido.

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