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"Ela Foi Demitida por Salvar uma Vida" Capítulo 8 — O Homem Que Sobreviveu

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Capítulo 8 — O Homem Que Sobreviveu

Tomás pediu que exibissem o arquivo inteiro.

Na gravação sem cortes, sua voz descrevia a Atlântica, a Câmara Fria 18 e o temor de que Caio protegesse o grupo empresarial destruindo documentos comprometedores. Não havia ordem de assassinato. Havia o conflito entre dois irmãos sobre como enfrentar a corrupção.

"Eu estava errado sobre uma coisa", disse Tomás na chamada. "Caio entregou os contratos. Quem tentou me apagar foi quem precisava manter a Câmara Dezoito funcionando."

Álvaro desligou o próprio celular e caminhou em direção à saída.

A observadora da procuradoria bloqueou-lhe o caminho.

"Doutor Nogueira, o senhor está convidado a permanecer para esclarecimentos e preservação do aparelho."

"Convidado não significa detido."

"Ainda não."

Heitor correu até a mesa de controle. As luzes piscaram, o telão apagou e a rede sem fio do evento caiu.

Por meio segundo, o salão ficou em silêncio.

Depois, centenas de telefones começaram a receber a mesma notificação.

Lívia não precisava mais da rede do museu. O pacote programado fora liberado automaticamente quando o sistema perdeu contato. O protocolo, o log, os recibos e a declaração de Camila chegaram aos jornalistas, ao sindicato e à procuradoria.

Bruno Lessa ergueu o celular.

"A transmissão continua pela rede móvel. Quarenta e três mil pessoas assistindo."

Heitor olhou ao redor como um homem que tentava apagar um incêndio soprando as chamas.

Caio tocou discretamente o comunicador.

"Ravi identificou dois homens do Consórcio Norte usando credenciais da segurança do evento. Precisamos retirar você."

Lívia viu Camila cercada por repórteres e a tela com Tomás ainda conectado.

"Primeiro eles."

"Lívia."

"Camila vai com a procuradora. A chamada de Tomás só termina quando Helena confirmar que a equipe de segurança chegou. Depois eu saio."

Caio queria discutir, mas reconheceu a mesma voz que o fizera obedecer diante do irmão ferido.

"Dois minutos."

Um garçom derrubou uma bandeja perto da saída. O barulho pareceu acidental, mas Caio viu o fio transparente de um comunicador sob a gola do homem.

Ele puxou Lívia para o lado quando o suposto garçom tentou alcançar seu bolso.

"Credencial falsa", disse Caio, prendendo o pulso dele contra a mesa sem golpeá-lo. "Quem colocou você aqui?"

O homem sorriu e mordeu algo preso entre os dentes. Ravi arrancou-lhe uma pequena cápsula antes que pudesse quebrá-la.

Não era veneno. Era um cartão de memória.

"Eles vieram buscar dados", concluiu Lívia. "Não apenas nos silenciar."

A procuradora lacrou o cartão e chamou agentes uniformizados. A presença oficial provocou uma corrida discreta entre convidados ligados à Atlântica. Bruno filmou placas de identificação, rostos e tentativas de saída.

Heitor aproveitou a confusão para desaparecer por um corredor de serviço.

"Deixem-no ir", disse Lívia quando Ravi quis segui-lo. "Há agentes nas saídas e o telefone dele já está sob preservação judicial. Nosso objetivo agora é manter as testemunhas vivas."

Caio estudou o mapa de emergência na parede.

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"A garagem tem três acessos. Dois foram assumidos pela equipe do evento."

"Equipe infiltrada", corrigiu ela.

"Por isso vamos pelo elevador de carga."

Lívia enviou à mãe o sinal combinado de segurança e confirmou que o pacote público fora liberado. Pela primeira vez, não havia uma única prova guardada apenas com ela.

Bruno publicou também o horário em que a empresa de descarte recebera a bomba. Minutos depois, a Polícia Federal confirmou que interceptara o veículo sem participação dos Ferraz. O aparelho original foi lacrado diante do motorista e de dois peritos.

A notícia apareceu ao vivo nos telefones dos convidados, impedindo que Heitor apresentasse o desaparecimento como simples falha administrativa.

"Heitor perdeu a máquina e a versão", disse Camila.

"Ainda tem homens armados", respondeu Lívia. "Não confundam prova com segurança."

Camila foi escoltada por uma saída lateral. Tomás encerrou a transmissão após confirmar que Ravi chegara à unidade com policiais federais avisados pela procuradora.

Lívia colocou no bolso o telefone que continha a chave necessária para abrir a planilha das contas PIX. Era o único elemento que ainda não havia sido publicado, porque expunha pessoas que talvez fossem apenas funcionários usados como intermediários.

Antes de sair, ela entregou à procuradora um envelope lacrado com a senha de emergência. A mulher deveria abri-lo apenas se Lívia não chegasse ao ponto de encontro em quinze minutos.

"Você está prevendo o próprio sequestro?" perguntou Caio.

"Estou impedindo que ele valha a pena."

Ele não gostou da resposta, mas compreendeu a estratégia.

Ela e Caio seguiram para a garagem subterrânea.

"Entregue o telefone à procuradora agora", disse ele.

"Ela está no andar de cima contendo Álvaro. Farei a entrega em mãos."

"Então fique atrás de mim."

"Não transforme proteção em ordem."

Caio parou junto à porta corta-fogo.

"Não estou tentando decidir por você. Estou tentando continuar respirando enquanto você está perto de homens que atiraram no meu irmão."

A honestidade inesperada desarmou a resposta dela.

As luzes da garagem apagaram.

Passos correram entre os carros. Caio empurrou Lívia para trás de uma coluna no instante em que um disparo quebrou o vidro de um sedã.

Ravi respondeu de outro corredor. Um homem caiu; o segundo fugiu em direção à rampa.

O suposto segurança caído não estava ferido por bala. Ravi o derrubara e mantinha suas mãos visíveis até a chegada dos agentes. Caio cumpria a palavra: ninguém seria executado para facilitar o caminho.

Mas um terceiro homem surgiu atrás de uma caminhonete e apontou diretamente para o bolso de Lívia.

"No chão. O aparelho."

Caio caminhou para o lado oposto, erguendo outro telefone.

"É este que você quer."

O cano o acompanhou. A atenção do atirador deixou Lívia por um segundo, exatamente como Caio planejara.

"O telefone", gritou uma voz. "Entregue o telefone de Tomás."

Lívia apalpou o bolso. A capa era igual, mas havia uma rachadura que ela não lembrava.

Acendeu a tela.

Não havia planilha, chave ou arquivos. Apenas uma mensagem de Caio:

“O verdadeiro está com a procuradora. Este leva até quem vier buscá-lo.”

Ela ergueu os olhos.

Caio estava alguns metros adiante, atraindo os homens para longe dela com o aparelho falso na mão.

O primeiro tiro o atingiu antes que Lívia pudesse gritar seu nome.

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