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"Meu Noivo Fugiu com Minha Madrinha Porque Eu Era Gorda — Então Me Casei com Seu Rival" Capítulo 6

正文开头

A assinatura na tela parecia perfeita.

Maíra ampliou o documento com os dedos.

Seu nome estava ali.

Sua assinatura eletrônica também.

Mas ela nunca tinha visto aquele contrato.

"Maíra?"

A voz de Dante a trouxe de volta ao banco traseiro do carro.

Ela bloqueou o celular imediatamente.

"O que aconteceu?"

"Nada."

Dante arqueou uma sobrancelha.

"Você fica péssima mentindo."

Maíra quase mostrou o arquivo.

Quase.

Mas então se lembrou da mensagem de quinze anos atrás, da caixa que Dante escondia no escritório e das últimas palavras de Otávio.

"Você ainda não sabe com quem se casou."

Ela guardou o celular.

"Eu preciso entender algumas coisas primeiro."

Dante a observou por alguns segundos.

"Quando quiser me contar, eu escuto."

Sem pressão.

Sem pegar o celular da mão dela.

Sem exigir explicações.

Era estranho como pequenas coisas começavam a mostrar a Maíra tudo o que ela havia aceitado como normal durante anos.

Três dias depois, Beatriz Montenegro a levou a um almoço beneficente nos Jardins.

Era o tipo de evento em que os sobrenomes valiam mais do que os vestidos.

Empresárias, herdeiras e esposas de alguns dos homens mais influentes de São Paulo circulavam pelo salão com taças de espumante e sorrisos perfeitamente treinados.

Maíra usava um vestido verde-esmeralda de cintura marcada.

Ela mesma tinha escolhido.

Beatriz percebeu.

"A consultora separou outras opções."

"Eu sei."

"O azul-marinho seria mais discreto."

Maíra olhou para o próprio reflexo.

Antes, teria perguntado se o verde a fazia parecer maior.

Naquele dia, apenas ajeitou o cabelo.

"Eu gosto deste."

Beatriz sustentou o olhar dela.

"Então use."

Aquilo quase pareceu uma vitória.

Quase.

Até Patrícia Almeida aparecer.

"Finalmente conheci a famosa senhora Montenegro."

A mulher beijou o rosto de Maíra e a examinou dos pés à cabeça.

"Você é ainda mais... marcante pessoalmente."

Maíra reconheceu imediatamente aquela pausa.

"Obrigada."

Durante o almoço, as indiretas começaram.

Primeiro foi Pilates.

Depois, uma clínica de emagrecimento.

Então uma nutricionista "maravilhosa" que atendia várias mulheres da alta sociedade paulistana.

Ninguém dizia que Maíra era gorda.

Mulheres como aquelas raramente precisavam ser tão explícitas.

"É uma questão de saúde", disse Patrícia, sorrindo. "Ainda mais agora."

Maíra pousou o garfo.

"Agora?"

"Você representa uma família muito exposta."

Patrícia lançou um olhar discreto para Beatriz.

"O sobrenome Montenegro carrega uma imagem. Você entende."

"Entendo."

"Então talvez valha a pena conversar com uma nutricionista. Não para emagrecer necessariamente, claro."

"Claro."

"Apenas para cuidar da saúde e da imagem. Afinal, agora você representa o Grupo Montenegro."

Maíra olhou para o prato.

Durante anos, ela teria ficado em silêncio.

Talvez tivesse chegado em casa e pulado o jantar.

Talvez tivesse subido numa balança três vezes.

Talvez tivesse perguntado a Otávio se ele também sentia vergonha dela.

Mas Otávio não estava mais ali.

E aquela Maíra também não.

Ela pousou o guardanapo.

"Meu corpo não é patrimônio do Grupo Montenegro."

O silêncio foi imediato.

Patrícia piscou.

"Desculpe?"

"Meu trabalho pode representar uma empresa. Minhas decisões profissionais também."

正文1

Maíra ergueu os olhos.

"Meu corpo, não."

"Eu estava apenas preocupada com sua saúde."

"Minha médica cuida da minha saúde."

A voz de Maíra continuou calma.

"E ela é a única pessoa nesta mesa a quem dei autorização para falar sobre meu peso."

Uma mulher tentou esconder o sorriso atrás da taça.

Patrícia ficou vermelha.

Beatriz não disse nada.

Só depois, dentro do carro, ela finalmente quebrou o silêncio.

"Patrícia vai falar de você durante meses."

Maíra fechou os olhos.

"Eu sabia."

"Ela fala de todo mundo."

Maíra virou o rosto.

Beatriz olhava pela janela, mas havia algo quase divertido em sua expressão.

"Você acha que fui grosseira?"

"Acho."

Maíra suspirou.

Então Beatriz completou:

"Mas ela mereceu."

Maíra ficou tão surpresa que não conseguiu responder.

Naquela noite, encontrou Dante na varanda da cobertura.

São Paulo brilhava abaixo deles, coberta por milhares de janelas acesas.

Ele lhe entregou um copo de água com gás.

"Ouvi dizer que você declarou independência."

Maíra gemeu.

"Foi sua mãe?"

"Isabela."

"Como Isabela já sabe?"

"Minha irmã sabe de escândalos sociais antes mesmo das pessoas envolvidas."

Maíra riu.

Depois ficou séria.

"Eu quase não comi."

Dante virou o rosto para ela.

"Por causa do que disseram?"

"Por causa do que eu ouvi."

Ela abraçou os próprios braços.

"É ridículo. Uma mulher faz um comentário e, de repente, eu volto a ter dezesseis anos."

"Não é ridículo."

A resposta foi rápida.

Maíra percebeu alguma coisa diferente na voz dele.

"Você entende?"

Dante ficou em silêncio.

Então apoiou o copo no parapeito.

"Eu era gordo."

Maíra franziu a testa.

"Quando?"

"Na adolescência."

Ela o encarou.

Era difícil imaginar.

O homem diante dela tinha quase um metro e noventa, ombros largos e uma presença capaz de silenciar uma sala inteira.

"Quanto?"

"O suficiente para todo mundo achar que tinha direito a uma opinião."

O sorriso dele não tinha humor.

"Eu era o último escolhido nas aulas de educação física. Faziam piadas quando eu comia. Tiravam fotos escondidas."

Maíra sentiu o peito apertar.

"Dante..."

"Uma vez fizeram uma montagem com uma foto minha na cantina."

Ele desviou os olhos.

"Passei meses sem comer na escola."

"Você contou para alguém?"

"Não."

"Por quê?"

Dante soltou uma risada curta.

"Porque eu achava que a vergonha era minha."

Maíra não respondeu.

Ela entendia aquilo bem demais.

"Eu odiava espelhos", ele continuou.

"Às vezes eu entrava no banheiro e evitava olhar para cima."

Maíra sentiu os olhos arderem.

"Eu faço isso em provadores."

Dante olhou para ela.

"Eu sei."

"Como sabe?"

Ele demorou um segundo.

"Porque reconheço."

A resposta fez alguma coisa se mover dentro dela.

Maíra se aproximou um pouco.

"Não tinha ninguém que ajudasse você?"

Dante ficou imóvel.

"Uma pessoa."

"Quem?"

"Uma garota."

Maíra sorriu de lado.

"Ah."

"Não foi assim."

"Claro que não."

"Ela mal me conhecia."

"Mas ajudou?"

Dante olhou para as luzes da cidade.

"Três garotos me cercaram atrás da quadra. Um deles pegou minha mochila e começou a jogar minhas coisas no chão."

正文2

A voz dele ficou mais baixa.

"Ela apareceu."

Maíra parou de sorrir.

"Fez o quê?"

"Mandou os três irem embora."

"Funcionou?"

"Não."

Dante quase sorriu.

"Então ela acertou um deles com a própria mochila."

Maíra riu.

"Gostei dela."

"Eu também."

Por algum motivo, aquela história parecia familiar.

Uma quadra.

Um garoto de óculos.

Uma mochila azul no chão.

A lembrança apareceu e desapareceu rápido demais.

Maíra levou a mão à testa.

"Você está bem?"

"Sim."

Ela fechou os olhos por um instante.

Havia um nome escondido em algum lugar da memória.

Daniel?

Não.

Dani.

Maíra abriu os olhos.

"E depois?"

"Depois do quê?"

"Da garota."

Dante olhou diretamente para ela.

"Ela esqueceu de mim."

Maíra soltou uma risada.

"Então ela não tem coração."

Dante finalmente sorriu.

"Não?"

"Você foi salvo por uma garota heroica e ela simplesmente esqueceu? Falta de consideração."

"Talvez eu não fosse tão memorável."

Maíra observou o rosto dele.

Os olhos verde-avelã.

Por algum motivo, seu coração acelerou.

"Alguém chamava você de Dani?"

O sorriso de Dante desapareceu.

Completamente.

Maíra percebeu.

"Dante?"

Ele deu um passo na direção dela.

"Por que perguntou isso?"

"Não sei."

Ela tentou rir.

"Veio na minha cabeça."

Agora havia menos de um metro entre eles.

Maíra deveria ter recuado.

Não recuou.

Dante levantou a mão devagar e afastou uma mecha do rosto dela.

"Maíra."

A voz dele saiu baixa.

Ela prendeu a respiração.

"Se quiser que eu pare, diga."

O contrato atravessou sua cabeça.

Um ano.

Nenhuma obrigação íntima.

Nenhum sentimento.

Mas naquele momento, nenhuma cláusula parecia importante.

"Eu não pedi para você parar."

Os olhos de Dante desceram para a boca dela.

Ele se inclinou.

Maíra fechou os olhos.

O celular tocou.

Os dois congelaram.

Maíra soltou uma risada nervosa.

"Isso só pode ser brincadeira."

Dante respirou fundo e atendeu.

"Fala."

A voz do funcionário veio pelo aparelho.

"Senhor Montenegro, há um visitante esperando na portaria."

"Peça para marcar horário."

"Houve insistência."

Dante franziu a testa.

"Quem é?"

Uma pequena pausa.

"O senhor Aleksei Vólkov."

A mudança em Dante foi instantânea.

A mão que estava no rosto de Maíra caiu.

Toda a suavidade desapareceu.

Ela percebeu.

"Quem é Aleksei Vólkov?"

Dante não respondeu.

O telefone ainda estava em sua mão quando a voz do funcionário voltou.

"Senhor Montenegro?"

"O quê?"

"Ele pediu que eu esclarecesse uma coisa."

Dante ficou tenso.

"Qual?"

"Ele disse que não veio falar com o senhor."

Maíra franziu a testa.

Dante apertou o celular.

A resposta veio do outro lado:

"Ele veio ver a senhora Montenegro."

Maíra olhou para Dante.

Pela primeira vez desde que o conhecera, viu algo perigosamente parecido com ciúme em seus olhos.

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