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"Meu Noivo Fugiu com Minha Madrinha Porque Eu Era Gorda — Então Me Casei com Seu Rival" Capítulo 5

正文开头

Por um instante, Maíra teve a sensação de que o prédio inteiro tinha desaparecido.

Só restava ele.

O homem que, durante sete anos, tinha sido capaz de mudar o humor dela apenas entrando em uma sala.

Otávio levantou o celular.

A mensagem ainda brilhava na tela de Maíra.

"Precisamos conversar."

Ela não respondeu.

Ele bateu no vidro outra vez.

Mais forte.

Algumas pessoas do escritório começaram a olhar.

Maíra respirou fundo.

Guardou o celular.

Então abriu a porta.

"O que você está fazendo aqui?"

Otávio entrou sem esperar convite.

"Eu tentei ligar."

"Eu bloqueei você."

"Eu percebi."

Ele olhou ao redor.

O crachá temporário de Maíra estava sobre a mesa.

O nome Montenegro aparecia no prédio, nas paredes, nas pastas.

O maxilar dele se contraiu.

"Então é isso."

Maíra cruzou os braços.

"Isso o quê?"

"Você realmente veio trabalhar para ele."

"Eu vim trabalhar."

"Para o meu maior concorrente."

"Você não é o centro de todas as minhas decisões."

Otávio soltou uma risada seca.

"Não seja ingênua. Dante Montenegro não colocou você aqui por acaso."

"Ele não me colocou aqui."

"Claro."

"Eu passei por uma avaliação."

"Uma avaliação feita por funcionários dele."

Maíra sentiu a antiga irritação subir.

Mas, desta vez, não veio acompanhada de medo.

"Você veio até a Faria Lima só para me dizer que eu sou incapaz de conseguir um emprego sem ajuda de homem?"

Otávio se aproximou.

"Eu vim porque dois clientes ligaram hoje de manhã."

Maíra ficou em silêncio.

"Queriam saber se você ainda estava envolvida nos projetos da Ferraz Tech."

Ela percebeu.

Aquilo não era ciúme.

Era pânico.

Otávio continuou:

"Um deles pediu para suspender a campanha."

"Por quê?"

"Porque disse que o novo direcionamento não parecia com o que apresentamos nos últimos anos."

Maíra quase sorriu.

"Interessante."

"Não ache graça."

"Você recebeu crédito por anos. Agora está preocupado porque alguém percebeu a diferença?"

Ele apertou a mandíbula.

"Você está falando com clientes meus?"

"Não."

"Está passando informações para Dante?"

"Não."

"Está levando projeto para o Grupo Montenegro?"

"Não."

Otávio se aproximou ainda mais.

"Então como eles sabem?"

Maíra sustentou o olhar.

"Talvez porque eu parei de fazer o seu trabalho."

A expressão dele mudou.

A frase atingiu exatamente onde ela queria.

"Você sempre gostou de exagerar a sua importância."

Ali estava.

A voz.

O tom.

A mesma técnica de sempre.

Diminuí-la até ela começar a duvidar de si.

Mas naquele momento Maíra percebeu uma coisa desconfortável.

Aquilo já não funcionava.

Ela olhou para ele e sentiu quase pena.

"Tenho reunião amanhã."

"Com quem?"

"Conselho Executivo."

Otávio riu.

"Você?"

"Sim."

"Vai apresentar?"

"Vou."

A risada dele desapareceu.

"Maíra, você nunca apresentou nem para cliente pequeno."

Ela sentiu o golpe.

Por um segundo, o coração acelerou.

Então lembrou por quê.

"Porque você não deixava."

Otávio desviou o olhar.

"Eu sabia onde cada pessoa funcionava melhor."

"Não."

A voz dela saiu firme.

"Você sabia onde eu era mais conveniente para você."

正文1

Ele abriu a boca.

Uma voz surgiu atrás deles.

"Senhor Ferraz."

Teresa estava parada no corredor.

Otávio endireitou a postura.

"Teresa."

"Esta área não recebe visitantes sem autorização."

"Eu só precisava conversar com Maíra."

"Já conversou."

O tom da diretora não deixava espaço para discussão.

Otávio olhou novamente para Maíra.

"Amanhã, quando aquela sala descobrir quem realmente fez seus projetos, você vai entender por que estou tentando evitar isso."

Maíra sentiu o estômago apertar.

"Evitar o quê?"

Ele deu um passo para trás.

"Que você se humilhe."

Então saiu.

Teresa observou as portas do elevador se fecharem.

Depois olhou para Maíra.

"Ele faz isso com frequência?"

"Faz o quê?"

"Entra numa sala e faz você duvidar de si mesma."

Maíra não respondeu.

Teresa entregou uma pasta.

"Então amanhã faça exatamente o contrário."

Às nove da manhã, Maíra estava diante de doze executivos.

A sala do conselho ficava no vigésimo oitavo andar.

A cidade de São Paulo se espalhava atrás do vidro em um horizonte cinza de prédios e avenidas.

Dante estava sentado na ponta da mesa.

Não ao lado dela.

Não perto.

Distante o bastante para deixar claro que aquela apresentação era dela.

Maíra conectou o notebook.

As mãos tremiam.

Ela respirou.

Primeiro slide.

Segundo.

Terceiro.

Nos primeiros minutos, ninguém a interrompeu.

Depois veio a primeira pergunta.

"Por que abandonar uma campanha que já consumiu milhões?"

Maíra respondeu.

"Porque continuar gastando em uma mensagem errada não transforma o erro em estratégia."

Alguns rostos se levantaram.

Ela continuou.

Mostrou os dados.

Comparou intenção de compra com comunicação.

Explicou como o público real estava sendo ignorado.

A voz começou a firmar.

Então um dos conselheiros, Augusto Salles, recostou-se na cadeira.

"Senhora Montenegro."

Maíra parou.

"Sim?"

"Uma pergunta objetiva."

"Claro."

Augusto cruzou as mãos sobre a mesa.

"Nós estamos ouvindo a responsável pelo projeto ou a esposa do presidente?"

O silêncio caiu.

Maíra sentiu o rosto esquentar.

Instintivamente, olhou para Dante.

Ele não disse nada.

Nem sequer mudou de posição.

Por um segundo, ela se sentiu abandonada.

Então entendeu.

Ele estava fazendo exatamente o que prometera.

Não resolveria por ela.

Maíra voltou os olhos para Augusto.

"Meu nome é Maíra Valença."

O homem arqueou uma sobrancelha.

Ela continuou:

"Meu casamento não está nesta apresentação."

Passou para o próximo slide.

"A pesquisa, os dados e a proposta estão. Se o senhor encontrar um erro neles, eu respondo."

Ninguém falou.

"Se a única objeção é com quem eu me casei, então isso não é uma pergunta sobre o projeto."

Teresa baixou os olhos para esconder um sorriso.

Dante continuou imóvel.

Mas Maíra viu.

O polegar dele parou de tocar a caneta.

Era o único sinal de que estava satisfeito.

Ela continuou a apresentação.

Vinte minutos depois, terminou.

O conselho pediu que ela esperasse do lado de fora.

Maíra saiu com as pernas fracas.

Teresa apareceu alguns minutos depois.

"Respira."

"Eu estraguei tudo?"

"Você chamou um dos homens mais antigos do conselho de irrelevante na frente de todo mundo."

正文2

"Eu não falei irrelevante."

"Foi pior. Você explicou por que ele era."

Maíra levou a mão ao rosto.

"Meu Deus."

A porta se abriu.

Dante saiu.

A expressão dele não revelava nada.

Maíra se levantou imediatamente.

"E então?"

Ele caminhou até ela.

"Projeto aprovado."

Ela ficou parada.

"Como?"

"Por nove votos a três."

Maíra piscou.

"Foi aprovado?"

"Foi."

Ela soltou o ar.

Uma risada escapou.

Depois outra.

Os olhos começaram a arder.

Dante observou.

"Você conseguiu."

Maíra olhou para ele.

"Você não falou nada."

"Você precisava que eu falasse?"

Ela pensou.

"Não."

"Então por que eu falaria?"

Aquela resposta valeu mais do que qualquer elogio.

No começo da tarde, Teresa colocou sobre a mesa dela um cartão de acesso definitivo.

"Bem-vinda ao time."

Maíra passou o dedo pelo próprio nome.

Maíra Valença.

Sem Montenegro.

Ela sorriu.

"Obrigada."

"Não agradeça ainda. Agora você trabalha de verdade."

"Estou pronta."

Teresa pegou outra pasta.

"Veremos."

Horas depois, ao sair do prédio, Maíra encontrou Otávio esperando na calçada.

Ele estava encostado no carro.

Não parecia arrogante.

Parecia cansado.

"Você ainda não foi embora?"

"Precisamos terminar a conversa."

"Eu já terminei."

"Perdi mais um cliente hoje."

Maíra parou.

Otávio soltou o ar.

"Martins & Braga."

Ela conhecia a conta.

Era uma das maiores.

"Disseram que queriam você na reunião."

Maíra sentiu algo estranho.

Não satisfação.

Mais parecido com confirmação.

"Não posso ajudar."

Otávio passou a mão pelo cabelo.

"Você está fazendo isso de propósito?"

"Fazendo o quê?"

"Levando tudo para Montenegro."

"Eu não levei ninguém."

"Então por que os clientes estão saindo?"

Maíra o observou.

Finalmente.

Depois de tantos anos, Otávio estava diante dela sem saber o que fazer.

E ela sabia.

"Você sente falta de mim ou sente falta do trabalho que eu fazia por você?"

Ele congelou.

A boca se abriu.

Nenhuma resposta veio.

Maíra sentiu uma calma quase dolorosa.

"Foi o que pensei."

Ela deu um passo.

Otávio segurou o braço dela.

"Não vai embora assim."

Maíra puxou o braço.

"Solta."

Ele hesitou.

"Otávio."

Uma voz masculina veio atrás deles.

Dante.

Ele estava alguns metros distante.

Os olhos dele foram para a mão de Otávio.

Depois para Maíra.

Mas não avançou.

"Quer que eu interfira?"

Otávio riu.

"Você vai pedir permissão?"

Dante nem olhou para ele.

A pergunta continuava sendo para Maíra.

Ela encarou Dante.

Depois olhou para Otávio.

"Não."

Dante assentiu.

Maíra voltou-se para o ex.

"Solta meu braço."

Desta vez, Otávio obedeceu.

"Você queria que eu dependesse de você", ela disse.

"Isso não é verdade."

"É."

"Eu amava você."

"Talvez."

Maíra respirou fundo.

"Mas você gostava mais da versão de mim que acreditava que precisava de você."

Otávio empalideceu.

"Você acha que Dante é diferente?"

Maíra não respondeu.

"Você acha que ele se casou com você porque se apaixonou em dois minutos numa escada?"

A pergunta bateu mais forte do que deveria.

Otávio percebeu.

E sorriu.

"Pergunta para ele por que você."

正文3

Dante ficou imóvel.

Maíra olhou para os dois.

Alguma coisa passou pelo rosto de Dante.

Rápida.

Quase invisível.

Mas estava ali.

Ela lembrou da mensagem com a data de quinze anos atrás.

Da caixa no cofre.

Dos papéis antigos.

Otávio entrou no carro.

Antes de fechar a porta, olhou para Maíra.

"Você ainda não sabe com quem se casou."

O carro arrancou.

Maíra ficou parada na calçada.

Dante se aproximou.

"Você está bem?"

Ela deveria perguntar naquele momento.

Sobre a mensagem.

Sobre a data.

Sobre o que ele escondia.

Mas o dia inteiro voltou de uma vez.

A apresentação.

O conselho.

O projeto aprovado.

O cartão com o próprio nome.

As palavras de Otávio.

Tudo.

Dante abriu a porta do carro para ela.

Maíra entrou.

Ele se sentou ao lado.

Durante alguns minutos, nenhum dos dois falou.

Então ela olhou para as próprias mãos.

"Hoje foi a primeira vez que eu entrei numa sala e ninguém falou por mim."

Dante virou o rosto.

"Como se sentiu?"

"Assustador."

Ela sorriu.

"E bom."

"Você foi muito bem."

"Você achou?"

"Eu tive vontade de demitir Augusto no terceiro minuto."

Maíra riu.

"Mas não fez."

"Você estava cuidando dele."

Ela olhou para Dante.

A garganta apertou.

Sem pensar demais, inclinou-se.

E o abraçou.

Dante congelou.

Os braços ficaram ao lado do corpo.

Maíra percebeu tarde demais o que tinha feito.

Mas, antes que pudesse se afastar, ele respirou fundo.

Devagar, uma das mãos dele subiu.

Parou nas costas dela.

Sem apertar.

Sem puxar.

Só ficando ali.

Maíra fechou os olhos.

Pela primeira vez desde o casamento, ela não estava encostando nele por causa de fotógrafos.

Nem convidados.

Nem contrato.

Ela simplesmente queria.

Dante baixou o rosto.

Os lábios quase tocaram o cabelo dela.

Então o celular de Maíra vibrou.

Ela se afastou.

Na tela havia uma mensagem de Teresa.

"Seu nome apareceu em três arquivos antigos da Ferraz Tech."

A segunda mensagem chegou imediatamente.

"Maíra, acho que você precisa ver isso antes que Otávio descubra que eu encontrei."

O sorriso desapareceu do rosto dela.

Dante percebeu.

"O que aconteceu?"

Maíra abriu o arquivo anexado.

Leu a primeira página.

Depois a segunda.

E sentiu o sangue gelar.

No canto inferior havia sua assinatura digital.

Mas ela nunca tinha assinado aquele documento.

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