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"Meu Noivo Fugiu com Minha Madrinha Porque Eu Era Gorda — Então Me Casei com Seu Rival" Capítulo 4

正文开头

A porta se abriu alguns centímetros.

Dante fechou a mão sobre a fotografia e a colocou de volta na caixa num movimento rápido.

"Dante?"

Maíra apareceu no vão da porta, sonolenta, o cabelo castanho caindo solto sobre os ombros.

Ela usava uma camiseta larga que provavelmente pertencera a ele em algum momento.

Dante precisou desviar os olhos.

"Você está acordado?"

"Estava resolvendo algumas coisas."

Maíra olhou para a mesa.

A caixa já estava fechada.

"O que tem aí?"

"Papéis antigos."

Ela estreitou os olhos.

"Você guarda papéis antigos num cofre?"

"Alguns papéis valem mais do que parecem."

Maíra caminhou até ele.

Por um instante, Dante teve certeza de que ela pediria para ver.

Mas ela apenas apoiou a mão na cadeira.

"Eu só vim buscar água."

"Tem uma jarra no quarto."

"Eu não sabia."

Dante assentiu.

Maíra ficou parada mais alguns segundos.

"Boa noite, então."

"Boa noite."

Ela saiu.

Dante esperou até ouvir a porta do quarto fechar.

Só então respirou.

Na manhã seguinte, Maíra encontrou um cartão preto sobre a bancada da cozinha.

Ao lado dele havia um envelope.

Ela abriu.

O cartão estava em seu nome.

Maíra Valença Montenegro.

Dante entrou na cozinha ajustando o relógio.

Ela ergueu o cartão.

"O que é isso?"

"Um cartão."

"Eu percebi."

"Então estamos avançando."

Ela lançou um olhar para ele.

"Quanto tem de limite?"

"Não importa."

"Se não importa, então deve ser um absurdo."

Dante pegou uma xícara de café.

"Use para o que precisar."

Maíra colocou o cartão de volta no envelope.

"Não."

Ele parou.

"Não?"

"Eu não quero."

"Maíra, não estou tentando comprar você."

"Eu sei."

Ela empurrou o envelope na direção dele.

"Mas eu passei anos vivendo numa casa onde tudo vinha de Otávio. O carro estava no nome dele. O cartão era dele. As viagens eram pagas por ele."

Dante a observava em silêncio.

"Cada vez que eu queria alguma coisa, eu precisava perguntar."

Ela respirou fundo.

"E, quando ele ficava com raiva, ele me lembrava disso."

O rosto de Dante endureceu.

"Ele fazia isso?"

"Nem sempre com palavras."

Maíra desviou o olhar.

"Às vezes era só uma frase. Uma piada. Um comentário sobre como eu tinha sorte por ele me dar uma vida confortável."

Dante colocou a xícara sobre a bancada.

"Você não precisa depender de mim."

"Então não me dê dinheiro."

"O que você quer?"

A resposta saiu antes que ela pudesse ter medo.

"Trabalho."

Dante ergueu levemente as sobrancelhas.

"Trabalho?"

"Sim."

"O que você sabe fazer?"

Maíra quase se ofendeu.

Depois percebeu.

Ele não estava debochando.

Estava perguntando de verdade.

"Branding. Posicionamento de marca. Estratégia de comunicação. Análise de consumidor."

"Experiência?"

Ela hesitou.

"Muita."

"Currículo?"

"Praticamente nenhum."

Dante ficou em silêncio.

Maíra cruzou os braços.

"Otávio nunca colocou meu nome em nada."

"Explique."

Ela caminhou até a mesa.

"Nos primeiros anos da empresa dele, eu ajudava porque gostava. Fazia pesquisa, organizava apresentações, revisava propostas."

正文1

"Sem salário?"

"No começo, sim."

"Depois?"

Maíra soltou uma risada amarga.

"Depois virou normal."

Dante puxou uma cadeira.

"Sente."

Ela sentou.

Ele se acomodou à frente dela.

"Quais projetos?"

Maíra começou a citar nomes.

Empreendimentos imobiliários.

Campanhas de lançamento.

Reposicionamento de produtos.

Uma estratégia digital que havia ganhado um prêmio nacional dois anos antes.

Dante parou de mexer na xícara.

"Esse projeto foi seu?"

"Parte dele."

"Quanto?"

Maíra hesitou.

"Quase tudo."

"Otávio apresentou."

"Sim."

"E recebeu o prêmio."

"Sim."

Dante ficou imóvel.

"Por que você deixou?"

A pergunta doeu.

Maíra olhou para as próprias mãos.

"Porque ele dizia que eu era melhor nos bastidores."

A frase parecia pequena.

Mas carregava anos dentro dela.

"Você é melhor nos bastidores."

Otávio repetira aquilo tantas vezes que Maíra aprendera a tratar como elogio.

Mais organizada.

Mais analítica.

Mais útil atrás de uma tela.

Só depois ela entendeu o que ele realmente queria dizer.

Seu corpo não servia para aparecer.

Seu rosto não combinava com os clientes que ele queria impressionar.

Ela fazia o trabalho.

Ele recebia os aplausos.

"Eu montava as apresentações."

Dante não desviava os olhos.

"Ele apresentava."

"Eu analisava os dados."

"Ele assinava."

"Eu falava com os fornecedores."

"Ele recebia os elogios."

Maíra respirou fundo.

"Sim."

Dante se levantou.

Ela também.

"Não."

Maíra se assustou.

"Não o quê?"

"Você não vai trabalhar para mim."

O peito dela apertou.

"Então por que perguntou tudo isso?"

"Porque você não precisa trabalhar para mim."

Ela franziu a testa.

"Não entendi."

"Você vai passar pelo processo normal."

Dante pegou o celular.

"Vou pedir para Recursos Humanos marcar uma avaliação."

"Você não vai simplesmente me colocar numa vaga?"

"Não."

Maíra ficou em silêncio.

Dante guardou o celular.

"Se eu fizer isso, ninguém nunca vai saber se você conseguiu porque é boa ou porque dorme na minha casa."

O rosto dela esquentou.

"Nós nem dormimos..."

"Maíra."

Ela se calou.

"Você quer uma oportunidade ou quer um favor?"

A resposta veio firme.

"Uma oportunidade."

"Então é isso que vai ter."

Na segunda-feira, Maíra entrou na sede do Grupo Montenegro, na região da Faria Lima, sentindo todos os olhares sobre ela.

As fotos do casamento ainda estavam em todos os sites.

Algumas pessoas fingiam não olhar.

Outras nem tentavam.

No elevador, duas funcionárias cochicharam atrás dela.

"É ela."

"Vai trabalhar aqui agora?"

"Claro. Casou com o presidente na sexta e ganha crachá na segunda."

Maíra apertou os dedos em volta da bolsa.

A vontade de fugir apareceu.

Ela respirou.

Não.

Já tinha fugido demais da própria vida.

Quando as portas se abriram, uma mulher de cabelo curto e terno vinho esperava do lado de fora.

"Maíra Valença?"

"Sim."

"Teresa Nogueira."

O aperto de mão foi firme.

"Diretora de Estratégia de Marca."

Maíra sorriu.

"Prazer."

Teresa não sorriu.

"Dante disse que eu deveria avaliar você."

"Ele disse que eu teria uma chance."

"Chance não é vaga."

"Eu sei."

"Ótimo."

Teresa se virou.

正文2

"Me acompanhe."

A sala de reunião tinha uma parede inteira de vidro.

Sobre a mesa, havia um dossiê grosso.

Teresa o empurrou para Maíra.

"Projeto Aurora."

Maíra abriu.

Era um empreendimento residencial de alto padrão na zona oeste.

As vendas estavam abaixo do esperado.

A campanha tinha consumido milhões.

"Você tem quarenta e oito horas."

"Para quê?"

"Me dizer por que isso está fracassando."

Maíra folheou as primeiras páginas.

"Eu preciso falar com a equipe?"

"Não."

"Ver os dados completos?"

"Estão aí."

"Visitar o local?"

"Se achar necessário."

Teresa cruzou os braços.

"Quarenta e oito horas."

Maíra ergueu os olhos.

"E se eu disser que preciso de mais?"

"Então você não serve para esta vaga."

Ela respirou.

"Entendi."

Teresa caminhou até a porta.

Antes de sair, virou-se.

"Mais uma coisa."

"Sim?"

"Não me importa com quem você se casou."

Maíra sentiu o estômago apertar.

"Ótimo."

"Também não me importa o que os jornais estão dizendo sobre você."

"Melhor ainda."

"Eu só quero saber se você sabe trabalhar."

Maíra assentiu.

"Eu também."

As quarenta e oito horas seguintes foram brutais.

Maíra quase não dormiu.

Ela cruzou dados de comportamento, faixa etária, renda, taxa de visitação e conversão.

Visitou o empreendimento.

Falou com corretores.

Leu comentários de clientes.

Na madrugada do segundo dia, encontrou o erro.

A campanha vendia exclusividade para pessoas que, na prática, buscavam praticidade.

Falava de status.

Mas os compradores estavam perguntando sobre mobilidade, escolas, segurança e rotina.

A marca estava falando com um público imaginário.

Maíra refez a lógica.

Mudou o posicionamento.

Redesenhou os pilares.

Na manhã seguinte, colocou quarenta páginas sobre a mesa de Teresa.

A diretora começou a ler.

Não disse nada.

Cinco minutos.

Dez.

Quinze.

Maíra começou a se arrepender de cada palavra.

Finalmente, Teresa ergueu os olhos.

"Você fez isso sozinha?"

"Sim."

"Em quarenta e oito horas?"

"Quarenta e seis."

Teresa voltou à primeira página.

"Isso não é trabalho de alguém que nunca trabalhou."

Maíra sentiu a garganta apertar.

Ela sabia exatamente o que responder.

"Eu trabalhei."

Teresa esperou.

Maíra sustentou o olhar dela.

"Só nunca colocaram meu nome."

Pela primeira vez, Teresa ficou em silêncio de um jeito diferente.

Não como quem avaliava.

Como quem entendia.

Ela fechou o relatório.

"Você fez projetos para a Ferraz Tech?"

Maíra hesitou.

"Alguns."

"Quais?"

Ela citou três.

Teresa se recostou na cadeira.

"Esses foram os melhores projetos da empresa nos últimos quatro anos."

Maíra não respondeu.

"Otávio apresentou todos."

"Sim."

Teresa apoiou os cotovelos na mesa.

"Ele sabia que você era capaz?"

Maíra soltou uma pequena risada.

"Ele sabia melhor do que ninguém."

No fim da tarde, Maíra voltou para sua mesa temporária.

Pela primeira vez em anos, sentiu algo que não sabia nomear.

Orgulho.

Não porque alguém a achava bonita.

Não porque Dante a tinha escolhido.

Porque ela tinha feito aquilo.

Sozinha.

Uma pasta caiu sobre a mesa.

Maíra levantou a cabeça.

Teresa estava diante dela.

"Abra."

Dentro havia um convite de reunião.

Conselho Executivo.

Nove horas da manhã.

Maíra sentiu o sangue desaparecer do rosto.

"Isso é para mim?"

"É."

"Por quê?"

Teresa apontou para o relatório.

"Porque amanhã você vai apresentar."

Maíra congelou.

Apresentar.

Diante do conselho.

Diante de executivos.

Diante de pessoas que sabiam que ela era esposa de Dante.

Diante de pessoas que provavelmente esperavam que ela falhasse.

Otávio nunca permitira que ela ficasse na frente de um cliente.

Nunca.

Teresa já estava indo embora quando Maíra chamou:

"Teresa."

A mulher se virou.

"E se eles acharem que eu só estou lá por causa do Dante?"

Teresa inclinou a cabeça.

"Então dê a eles um motivo para pensar outra coisa."

Ela saiu.

Maíra olhou para o convite.

Seu celular vibrou.

Uma mensagem de número desconhecido apareceu na tela.

Ela abriu.

Era uma foto.

Otávio estava diante da sede do Grupo Montenegro.

E abaixo da imagem havia apenas uma frase.

"Precisamos conversar antes que você conte a eles de quem realmente eram aqueles projetos."

Maíra parou de respirar.

No mesmo instante, alguém bateu no vidro atrás dela.

Ela se virou.

Otávio estava do outro lado.

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