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"Meu Noivo Fugiu com Minha Madrinha Porque Eu Era Gorda — Então Me Casei com Seu Rival" Capítulo 3

正文开头

"Você realmente não vai me dizer o que tinha naquela mensagem?"

Maíra estava ao lado de Dante no elevador privativo do hotel, ainda usando o vestido de noiva. O salto continuava em uma das mãos, e o cansaço começava a pesar mais do que a adrenalina.

Dante guardou o celular no bolso interno do paletó.

"Um assunto antigo."

"Antigo de quinze anos?"

Ele virou o rosto para ela.

Maíra percebeu.

A pergunta tinha acertado alguma coisa.

"Eu vi a data."

As portas do elevador se abriram antes que Dante respondesse.

Do lado de fora, flashes explodiram.

Maíra recuou instintivamente.

"Senhora Montenegro! Aqui!"

"Maíra, é verdade que Otávio Ferraz fugiu com a madrinha?"

"O casamento com Dante Montenegro foi planejado?"

"Você já tinha um relacionamento com ele?"

Senhora Montenegro.

Duas horas atrás, ninguém sabia como ela explicaria ter sido abandonada no altar.

Agora, seu novo sobrenome estava em todos os celulares de São Paulo.

Dante colocou a mão na parte baixa das costas dela.

Não a puxou.

Apenas a manteve ali, firme o suficiente para que Maíra soubesse que não precisava atravessar aquela multidão sozinha.

"Não responda se não quiser."

"Se eu correr agora, vão fotografar."

"Vão."

"Se eu chorar, também."

"Provavelmente."

Maíra respirou fundo.

"Então vamos."

Os dois atravessaram o saguão.

Na manhã seguinte, o casamento já estava em portais de celebridades, colunas sociais e perfis de fofoca.

Uma foto em especial viralizou: Dante segurando a mão de Maíra enquanto Otávio aparecia desfocado ao fundo.

A legenda dizia que a noiva abandonada tinha se casado com um dos empresários mais cobiçados de São Paulo.

Os comentários eram menos elegantes.

Maíra cometeu o erro de ler alguns no banco traseiro do carro.

"Ela deve ter alguma coisa que ninguém sabe."

"Montenegro podia ter qualquer mulher."

"Isso só pode ser vingança contra Ferraz."

E então veio aquele.

"Bonita de rosto, mas precisava perder uns bons quilos."

Maíra apagou a tela.

Dante percebeu.

"Não leia comentários."

"Fácil falar quando ninguém está discutindo o tamanho da sua cintura."

A mandíbula dele se contraiu.

"Você ficaria surpresa."

Ela olhou para ele, mas o carro já diminuía a velocidade diante de um portão alto no Jardim Europa.

A residência dos Montenegro não parecia uma casa.

Parecia uma declaração de patrimônio.

Linhas modernas, pedra clara, jardins perfeitamente aparados e janelas enormes escondidas atrás de árvores antigas.

"Minha mãe está esperando", Dante avisou.

"Isso deveria me tranquilizar?"

"Não."

Maíra soltou uma risada nervosa.

"Finalmente uma resposta honesta."

Beatriz Montenegro os esperava na sala.

Tinha cinquenta e nove anos, cabelos castanho-escuros em um corte impecável na altura do queixo e uma postura que fazia o ambiente inteiro parecer desarrumado em comparação.

Ela beijou o rosto do filho.

Depois olhou para Maíra.

Não para os olhos.

Primeiro para o vestido.

Depois para a cintura.

Só então para o rosto.

"Você é... diferente do que imaginei."

A frase veio acompanhada de um sorriso educado.

正文1

Maíra também sorriu.

"Imagino que ontem tenha sido um dia cheio de surpresas para todos."

Os olhos de Beatriz se estreitaram quase imperceptivelmente.

Dante disfarçou algo parecido com satisfação.

"Minha mãe, Beatriz. Minha esposa, Maíra."

Minha esposa.

Maíra sentiu um arrepio estranho.

Beatriz indicou o sofá.

"Precisamos conversar sobre a repercussão."

Não houve abraço.

Nem parabéns.

Durante o almoço, Beatriz falou sobre fotógrafos, eventos beneficentes, conselheiros do grupo e o impacto da imagem de Dante sobre investidores.

Tudo com extrema educação.

Era exatamente isso que tornava cada comentário pior.

"Você precisará de alguém para ajudá-la com as aparições públicas."

Maíra pousou o garfo.

"Alguém?"

"Uma consultora de imagem. Nada ofensivo."

"Claro."

"Certos cortes favorecem determinados tipos de corpo. As câmeras podem ser cruéis."

Maíra sentiu o estômago apertar.

Conhecia aquela linguagem.

Otávio nunca dizia que ela estava gorda quando queria parecer gentil.

Dizia que uma roupa não a favorecia.

Que determinado ângulo era ruim.

Que talvez ela devesse pensar na própria saúde.

Beatriz tomou um gole de água.

"Há excelentes profissionais em São Paulo. Podemos marcar algo antes do jantar da fundação."

"Não", Dante disse.

A mãe virou o rosto.

"Eu estava falando com Maíra."

"Exatamente."

Maíra tocou o braço dele por baixo da mesa.

Não queria uma guerra no primeiro almoço.

"Eu sei me vestir, Beatriz."

A mulher sorriu.

"Tenho certeza. Só estou pensando na dimensão da exposição que você terá agora."

Maíra devolveu o sorriso.

"Quando eu precisar de ajuda, eu peço."

O silêncio durou dois segundos.

Dois segundos longos.

Então Beatriz mudou de assunto.

Mas Maíra mal sentiu o gosto do restante da comida.

Horas depois, já no apartamento de Dante, ela entrou no banheiro e fechou a porta.

A cobertura nos Jardins era grande demais para duas pessoas que mal sabiam conversar sem tropeçar em segredos.

Maíra abriu a mala que sua mãe mandara.

No fundo, encontrou a balança digital que carregava havia meses.

Ela nem lembrava de tê-la colocado ali.

Tirou os sapatos.

Subiu.

O número apareceu.

Maíra prendeu a respiração.

Mais alto do que na semana anterior.

Impossível.

Ela subiu novamente.

"Vai mudar se você tentar uma terceira vez?"

Maíra quase caiu.

Dante estava encostado na porta.

"Você não sabe bater?"

"Você deixou a porta aberta."

Ela desceu da balança imediatamente.

"Não é da sua conta."

"Não disse que era."

"Então não olha."

Dante entrou no banheiro.

Maíra cruzou os braços sobre a barriga sem perceber.

Ele percebeu.

Os olhos dele desceram para o gesto.

Depois voltaram ao rosto dela.

"Esse número muda alguma coisa sobre quem você é?"

Maíra soltou uma risada amarga.

"Você é homem. Rico. Alto. Bonito. Não finja que entende."

O rosto dele ficou imóvel.

"Não estou fingindo."

"Você nunca entrou numa sala pensando se todo mundo estava olhando para o seu corpo."

"Tem certeza?"

Ela abriu a boca.

Dante pegou a balança.

"Ei!"

"Vou guardar."

"É minha."

"Então pode pedir de volta amanhã."

正文2

"Dante!"

Ele saiu do banheiro carregando a balança como se fosse uma pasta de documentos.

Apesar de tudo, Maíra riu.

Foi a primeira risada verdadeira do dia.

Mais tarde, descobriu um problema ainda maior.

Havia apenas uma cama preparada.

Maíra ficou parada na porta do quarto principal.

"Não."

Dante afrouxou a gravata.

"Não o quê?"

"Não vou dormir aqui."

"Por quê?"

Ela apontou para a cama.

"Porque existe uma cama."

"Normalmente é uma característica útil em quartos."

Maíra lançou um olhar mortal.

"Você sabe o que quero dizer."

"Não, mas estou gostando de ver você tentar explicar."

Ela sentiu o rosto esquentar.

"O contrato diz que não existe obrigação de... de..."

"Sexo?"

"Dante!"

"Foi você quem começou."

"Eu só quero deixar claro que isso não faz parte do acordo."

Ele tirou o relógio e colocou sobre a cômoda.

"Maíra, você pode dormir. Eu sei ler contratos."

Ela apertou os lábios.

"Você fica daquele lado."

"Combinado."

"E não encosta em mim."

"Combinado."

"E não ronca."

Dante ergueu uma sobrancelha.

"Essa cláusula não estava no contrato."

Maíra pegou um travesseiro e jogou nele.

Dante segurou no ar.

Por um instante, os dois ficaram se olhando.

Ela começou a rir.

Ele também.

E aquilo era perigoso.

Muito mais perigoso do que dividir uma cama.

Porque por alguns segundos Maíra esqueceu que aquela relação tinha prazo de validade.

Uma hora depois, ela dormia profundamente.

Dante não.

Ele esperou a respiração dela ficar regular.

Então saiu do quarto.

Caminhou pelo corredor escuro até o escritório e trancou a porta.

Abriu uma gaveta.

Tirou uma pequena chave.

O cofre estava escondido atrás de um painel de madeira.

Dante digitou o código e abriu.

Não havia dinheiro.

Nem contratos.

Nem joias.

Havia uma caixa velha.

Ele a retirou com cuidado.

Dentro dela, uma pulseira azul desbotada, vários envelopes e uma fotografia escolar.

Dante pegou a foto.

Uma garota de dezesseis anos estava no centro, com cabelos castanhos volumosos e um sorriso enorme.

Maíra.

Ao lado dela havia um garoto muito acima do peso, usando óculos de armação grossa e uniforme escolar.

O menino evitava a câmera.

Mas os olhos eram inconfundíveis.

Verde-avelã.

Os mesmos olhos de Dante.

Ele passou o polegar pelo rosto de Maíra na fotografia.

Quinze anos.

Ela tinha esquecido aquele dia.

Esquecido o garoto.

Esquecido a promessa.

Dante fechou os olhos por um instante.

"Você realmente não se lembra de mim."

Um ruído veio do corredor.

Ele levantou a cabeça.

A maçaneta do escritório se moveu.

"Dante?"

Era Maíra.

Ele olhou para a fotografia em sua mão.

E então a porta começou a se abrir.

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