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"Meu Noivo Fugiu com Minha Madrinha Porque Eu Era Gorda — Então Me Casei com Seu Rival" Capítulo 1

正文开头

Faltavam quarenta minutos para o casamento quando Maíra Valença se olhou no espelho e puxou discretamente o tecido do vestido na altura da cintura.

O modelo era impecável. Renda francesa, corte sob medida, véu bordado à mão.

Mesmo assim, ela só conseguia enxergar o próprio corpo.

"Está marcando muito aqui?"

Lígia, sua mãe, ergueu os olhos.

"Você está linda."

Maíra percebeu a pequena hesitação antes da resposta.

"Não foi isso que eu perguntei."

"Filha, por favor. Hoje não."

Lígia ajeitou o véu.

"Tem quase duzentas pessoas esperando lá embaixo. Você precisa entrar naquele salão de cabeça erguida."

Maíra respirou fundo.

Cabeça erguida.

Barriga para dentro.

Sorriso perfeito.

Durante anos, parecera existir sempre alguma coisa nela que precisava ser corrigida antes de poder ser admirada.

Otávio dizia que era preocupação.

"Você ficaria tão mais bonita se perdesse alguns quilos."

"Não come sobremesa hoje, amor."

"Esse vestido não favorece você."

Depois vinha o beijo.

"Só quero cuidar da sua saúde."

Maíra acreditava.

Queria acreditar.

O celular vibrou sobre a penteadeira.

Seu coração acelerou.

Pensou que fosse Otávio.

Era Camila.

Sua melhor amiga.

Sua madrinha.

Havia apenas um vídeo.

Maíra apertou o play.

Camila apareceu sentada dentro de um carro. Ainda usava o vestido rosé escolhido para as madrinhas, mas seu cabelo já estava solto.

Ela não parecia estar chorando.

Nem arrependida.

Parecia calma.

Quase aliviada.

"Maíra, eu sei que você vai me odiar."

A câmera se moveu.

Otávio estava ao volante.

Maíra parou de respirar.

Ele usava a camisa branca do casamento.

O paletó estava jogado no banco de trás.

Camila voltou a câmera para si.

"Mas seria pior deixar você entrar naquela cerimônia sem saber que isso já terminou."

O vídeo acabou.

Maíra ficou imóvel.

"Filha?"

Lígia se aproximou.

"O que aconteceu?"

Outro aviso surgiu na tela.

Um áudio de Otávio.

Maíra apertou o play com os dedos tremendo.

"Maíra, eu sei que estou fazendo isso da pior forma."

Ela fechou os olhos.

"Mas eu não consigo passar o resto da minha vida fingindo que não me incomoda."

Seu estômago se contraiu.

"Incomoda o quê?", ela sussurrou.

A voz dele continuou.

"Eu tentei. Você sabe. Pedi para você se cuidar, perder peso, mudar algumas coisas... mas você sempre agiu como se eu fosse cruel."

Lígia levou a mão à boca.

Maíra não se mexeu.

"Eu cansei das piadas. Cansei das pessoas olhando para mim como se não entendessem por que eu estava com você."

As palavras atravessaram Maíra com uma precisão terrível.

"Camila nunca me fez sentir assim."

O áudio terminou.

E, naquele instante, quatro anos de relacionamento mudaram de significado.

Não era sobre saúde.

Nunca tinha sido.

Todas as dietas.

Todas as roupas que Otávio pediu que ela trocasse.

Todas as vezes em que afastou discretamente o prato de sua frente.

Ele não estava tentando cuidar dela.

Ele tinha vergonha dela.

"Esse desgraçado."

Lígia pegou o celular.

"Vou ligar para o pai dele agora."

正文1

"Não."

"Maíra..."

"Não conta para ninguém."

Lígia ficou chocada.

"O casamento começa em quarenta minutos!"

"Eu sei."

"Você não fez nada de errado."

Maíra olhou para a porta.

Lá embaixo estavam empresários, parentes, colegas, amigos dos Ferraz e dezenas de pessoas que acompanhavam aquele casamento havia meses.

Todos saberiam.

A noiva foi abandonada.

O noivo fugiu com a madrinha.

E, pior, Maíra conseguia imaginar alguns deles cochichando que talvez entendessem o motivo.

Ela sentiu falta de ar.

"Eu preciso sair daqui."

"Filha, espera."

Maíra já estava abrindo a porta.

A música da cerimônia começou enquanto ela atravessava o corredor do hotel.

Maíra ergueu a saia e entrou pela primeira porta corta-fogo que encontrou.

A escada de incêndio estava vazia.

Concreto cinza.

Luzes frias.

Nenhuma decoração.

Nenhum convidado.

Ela desceu alguns degraus e tirou os saltos.

Sentou-se.

Então chorou.

Chorou pela traição.

Por Camila.

Por Otávio.

Mas, acima de tudo, chorou porque finalmente sabia que cada insegurança que carregara nos últimos anos tinha sido alimentada pelo homem que jurava amá-la.

A música atravessava abafada a parede.

Era a canção que deveria tocar quando ela entrasse.

Maíra cobriu o rosto.

A porta abriu alguns andares acima.

Passos começaram a descer.

Ela limpou rapidamente as lágrimas, mas era tarde demais.

Um homem apareceu no patamar.

Alto.

Terno escuro.

Gravata levemente afrouxada.

Ele parou quando viu o vestido.

Depois olhou para o rosto dela.

E algo em sua expressão mudou.

Foi apenas um segundo.

Mas Maíra percebeu.

Aquele homem a reconhecera.

Ou, pelo menos, sabia quem ela era.

"Se veio fumar, pode fingir que não me viu."

"Não fumo."

"Então escolheu uma péssima hora para visitar uma escada."

Ele desceu mais dois degraus.

Maíra desviou o rosto.

"Por favor, não pergunta por que estou chorando."

O olhar dele voltou ao vestido.

"O noivo fez alguma coisa estúpida?"

Maíra soltou uma risada sem humor.

"Ele fugiu."

O homem ficou imóvel.

"Fugiu?"

"Com a minha melhor amiga."

A expressão dele endureceu.

Maíra respirou fundo.

"Otávio Ferraz."

O nome mudou tudo.

O maxilar do desconhecido travou.

Os olhos ficaram frios.

Maíra percebeu imediatamente.

"Você conhece ele?"

"Conheço o sobrenome."

"Isso não respondeu minha pergunta."

"Não."

Havia alguma coisa naquela resposta curta demais.

Mas Maíra estava cansada demais para insistir.

O homem continuou descendo até chegar ao mesmo patamar.

Manteve distância.

Não tentou abraçá-la.

Não disse que tudo ficaria bem.

Estranhamente, ela gostou disso.

"Qual é o seu nome?"

"Dante."

"Dante o quê?"

Ele hesitou por uma fração de segundo.

"Dante Montenegro."

Maíra ergueu os olhos.

Montenegro.

Ela conhecia aquele nome.

Investimentos, construção, hotéis, fundos privados.

Um dos sobrenomes mais influentes de São Paulo.

"Você é aquele Dante Montenegro?"

"Depende do que contaram sobre mim."

"Nada muito simpático."

"Então provavelmente sou eu."

Apesar de tudo, Maíra quase sorriu.

O celular começou a vibrar.

Sua mãe.

A cerimonialista.

Parentes.

Depois Camila.

Maíra recusou a ligação.

Uma mensagem apareceu.

"Por favor, não faça nenhuma loucura."

Ela ficou olhando para a tela.

Camila havia fugido com seu noivo no dia do casamento.

E ainda parecia acreditar que era Maíra quem precisava agir com cuidado.

Dante observou seu rosto.

"A mesma amiga?"

"A mesma."

Maíra bloqueou o celular.

"Daqui a pouco todo mundo vai saber."

"Provavelmente."

"Vão falar de mim durante meses."

"Também é provável."

Ela o encarou.

"Você é péssimo consolando pessoas."

"Não estou tentando consolar você."

"Então o que está fazendo?"

"Esperando você decidir o que quer."

Maíra soltou uma risada amarga.

"O que eu quero?"

"Sim."

"Ninguém quer saber o que eu quero."

A frase saiu antes que pudesse impedir.

Dante ficou em silêncio.

Maíra olhou para o vestido.

"Eu passei meses organizando esse casamento. Minha vida inteira estava do outro lado daquela porta."

"Não."

Ela ergueu os olhos.

Dante apontou discretamente para a porta corta-fogo.

"Do outro lado daquela porta tem uma festa."

A voz dele baixou.

"Sua vida está aqui."

Maíra sentiu os olhos arderem novamente.

Pela primeira vez naquele dia, porém, não sentiu vergonha de estar chorando.

A música lá fora parou.

O casamento inteiro provavelmente acabara de perceber que a noiva não apareceria.

Maíra olhou para os saltos no chão.

Depois para Dante.

Aquele estranho a observava com uma intensidade que ela não entendia.

Como se já soubesse muito mais sobre ela do que deveria.

"Agora eu faço o quê?"

Dante ficou imóvel.

Por alguns segundos, parecia travar uma batalha silenciosa consigo mesmo.

Então estendeu a mão para ela.

"Você troca o noivo."

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