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"A Menininha que Destruiu o Bolo de Aniversário do Don" Capítulo 2

正文开头

Ao amanhecer, dois seguranças carregaram as malas de Lívia para o terceiro andar.

Malu caminhou atrás deles segurando o vestido amarelo dentro de um saco transparente. O creme seco ainda marcava a barra.

A parte privada da mansão não tinha mármore branco nem obras cercadas por alarmes. Fotografias ocupavam as paredes, brinquedos se escondiam sob poltronas e riscos de lápis mediam o crescimento de Enzo no batente da biblioteca.

Uma placa de argila descansava ao lado do escritório. A mão de um bebê ficara gravada no centro, acima das palavras tortas: PAPAI + ENZO.

Três homens armados cruzaram o corredor.

— Por que eles usam casaco dentro de casa? — perguntou Malu.

— Estão com frio — respondeu Lívia.

Enzo apareceu depois do café, vestido com pijama de dinossauros. Parou na porta e abriu os braços.

Malu correu até ele.

— Você está vivo.

— Você também.

Ela o abraçou. Enzo ficou rígido por meio segundo e retribuiu.

— Você quebrou meu bolo.

— Era ruim.

— Eu sei.

— Agora você me deve outro.

Enzo riu até sentar no tapete. Dante chegou enquanto os dois discutiam se o próximo bolo deveria ter dinossauros ou foguetes.

Ele permaneceu na entrada, ainda de camisa preta. O cansaço sombreava os olhos.

Marco apareceu atrás dele.

— Precisamos conversar.

Dante apontou para Lívia.

— Você vem.

No escritório, fotografias de todos os convidados cobriam a mesa. Marco abriu um mapa dos acessos digitais.

— Todos os rostos registrados têm identidade confirmada. A falha da câmera foi provocada por um terminal administrativo da própria casa.

— Quem possui credencial? — perguntou Lívia.

— Dante, eu e três supervisores.

Marco parou.

— E Vítor Moretti.

Dante se virou para a janela.

— Meu tio ajudou a instalar o primeiro sistema. Ele não trabalha com segurança há anos.

— A credencial dele entrou às cinco e quarenta e dois — disse Marco.

Enzo ouviu o nome do corredor.

— Tio Vítor estava na festa.

Dante abriu a porta.

— Volte para a biblioteca.

O menino olhou para o pai, depois segurou a mão de Malu.

— Sim, pai.

Marco mostrou o registro do portão. A saída de Vítor constava às sete e trinta e seis, minutos antes do envenenamento ser descoberto.

— Ele ainda estava no salão nesse horário — disse Dante.

— Alguém alterou o registro.

— Traga-o.

— A equipe já foi buscar.

Os investigadores esvaziaram a câmara fria. Não encontraram a caixa de prata, digitais ou pó.

Perto do almoço, Lívia perguntou a Malu se lembrava da roupa do homem. A menina pegou um lápis azul.

— Tinha passarinho aqui.

Ela desenhou no próprio pulso.

Marco filtrou centenas de imagens. Às duas da tarde, parou diante de uma fotografia feita junto à fonte de espumante.

Um homem de quarenta anos segurava uma taça com a mão esquerda. Acima do punho da camisa havia uma pequena andorinha azul.

正文1

Malu entrou no escritório com Enzo. Viu a tela e se escondeu atrás de Lívia.

— É ele.

Dante não se mexeu.

— Tem certeza?

— Homem do bolo.

Marco ampliou o rosto.

— Júlio Vescari — disse Dante.

Lívia esperou uma explicação.

— Ele morreu seis anos atrás — acrescentou Marco.

Júlio crescera ao lado de Dante. Estudaram juntos, trabalharam no mesmo grupo e receberam do pai de Dante a promessa de dividir responsabilidades.

Milhões desapareceram de um fundo de construção. Os documentos apontaram para Júlio; antes do confronto, o carro dele caiu de uma ponte durante uma tempestade.

— Houve corpo? — perguntou Lívia.

— Houve identificação odontológica — respondeu Dante.

— Registros podem ser comprados.

Dante olhou para ela. O silêncio confirmou que conhecia muito bem essa possibilidade.

Marco colocou outra foto sobre a mesa. Vítor conversava com Júlio no terraço lateral seis dias antes da festa.

— Seu tio sabia — disse Lívia.

— Ou estava sendo usado.

Vítor chegou no início da noite. Tinha os cabelos prateados impecáveis, mas a gravata estava torta.

— Onde está Enzo?

— Seguro — respondeu Dante. — Sente.

A fotografia caiu diante dele. Vítor perdeu a cor.

— Ele me procurou há três meses.

— E você guardou isso.

— Júlio tinha fotos da Margarida. Consultas, viagens, a entrada do apartamento dela em Santos.

— Você entregou sua senha?

— Nunca.

— Minha casa foi invadida com a sua credencial.

Vítor passou a mão pelo rosto.

— Eu tentei descobrir o que ele queria.

— Meu filho quase morreu enquanto você tentava.

Malu entrou sem bater. Lívia foi buscá-la, mas a menina apontou para a mão do visitante.

— É o anel dele.

Vítor usava uma peça grande de prata com o brasão dos Moretti.

— Este anel? — perguntou ele.

— O homem do bolo tinha igual.

Dante retirou o anel do tio.

— Quantos existem?

— Cinco. O seu, o meu, o de Marco, o do seu pai e o de Júlio.

— Meu pai deu um a ele?

— Vinte e dois anos atrás. Tratava Júlio como filho.

Dante encarou a fotografia. O assassino exibira duas marcas capazes de identificá-lo.

— Ele queria ser reconhecido — disse Lívia.

Marco concordou.

— Então o bolo foi um anúncio.

Um veículo buzinou no portão. Nenhuma câmera registrou a placa; quando a equipe chegou, encontrou apenas uma caixa preta no asfalto.

Dante abriu o pacote sobre a mesa. Dentro havia um recipiente prateado vazio e um bilhete.

Malu ficou no colo de Lívia enquanto ele lia.

Vítor pediu para examinar o recipiente prateado. Na tampa havia um arranhão em forma de meia-lua, igual ao de uma caixa usada anos antes no escritório de Augusto Moretti.

— Meu irmão guardava selos corporativos nisso — disse. — Júlio conhecia o armário.

Dante fotografou a marca.

— Então ele não trouxe somente veneno. Trouxe uma lembrança do meu pai.

正文2

— Ele quer que você associe tudo ao passado — disse Lívia.

Malu tocou o papel, mas retirou a mão quando Dante o dobrou. Ele percebeu e colocou o bilhete dentro de um saco transparente.

— Você não precisa olhar de novo — falou com ela.

— O passarinho vai entrar aqui?

— Não.

— Como sabe?

Dante olhou para Marco, para as janelas e para os homens que guardavam a porta. A resposta fácil seria prometer uma fortaleza perfeita.

— Eu não sei tudo — disse. — Sei que vamos escutar você.

Malu pareceu considerar aquilo mais confiável que uma certeza. Encostou a cabeça no ombro da mãe.

Vítor observou o sobrinho com os olhos úmidos. Pela primeira vez desde que chegara, tirou o relógio e entregou a Marco.

— Júlio me deu isto no nosso último encontro. Disse que era presente para Margarida.

O fundo do relógio escondia um transmissor. Marco o colocou numa caixa blindada.

O dispositivo armazenava as últimas seis horas de som. Entre ruídos do salão, surgiu a voz de Júlio pedindo que Vítor repetisse o código do portão; o homem mais velho desviava o assunto e mencionava Margarida.

— Agora sabemos que ele tentou e não conseguiu — disse Lívia.

Marco isolou o áudio para a perícia. Vítor ouviu a própria hesitação e baixou a cabeça.

— Era assim que ele copiava suas conversas e esperava captar uma senha — concluiu.

Vítor afundou na cadeira.

— Eu o trouxe para dentro sem abrir uma porta.

Dante não o absolveu. Também não mandou que saísse.

— A partir de agora, você conta tudo.

Vítor concordou. Do corredor, Enzo chamou Malu para terminar o castelo, e o som devolveu aos adultos a urgência que nenhuma fotografia conseguia medir.

A MENINA LEMBRA DEMAIS.

Dante dobrou o papel uma vez.

— Leve Vítor para um quarto seguro — ordenou.

— Eu não sou prisioneiro — reagiu o tio.

— Hoje todos somos.

Ele olhou para Lívia.

— Júlio acabou de escolher o próximo alvo.

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