"A Menininha que Destruiu o Bolo de Aniversário do Don" Capítulo 1
O garfo parou a dois centímetros da boca de Enzo.
Malu atravessou o salão correndo e bateu com as duas mãos na bandeja. O prato voou, o bolo caiu no mármore e uma rosa de glacê cor-de-rosa ficou presa no sapato de Dante Moretti.
— Não come!
Lívia largou a jarra que segurava. A água se espalhou pela toalha, mas ninguém olhou para ela.
Cento e vinte convidados tinham vindo à mansão de Alphaville para o aniversário de oito anos de Enzo. Deputados, empresários, jogadores e homens cujos nomes não apareciam em lista nenhuma viraram o rosto para a menina de vestido amarelo.
O quarteto de cordas interrompeu a música. Um garçom ficou com a bandeja de espumante suspensa no ar.
Malu encarou o pedaço de bolo esmagado. Não chorava.
Dois seguranças avançaram. Lívia chegou primeiro, caiu de joelhos e puxou a filha contra o peito.
— Senhor Moretti, por favor. Ela só tem três anos.
Dante se levantou da cabeceira. O paletó preto acompanhou o movimento como uma sombra, e a sala abriu espaço antes que ele desse o primeiro passo.
Lívia trabalhava naquela casa havia seis anos. Conhecia o som dos sapatos dele no corredor, o silêncio que vinha depois de uma ordem e o cuidado de todos para nunca deixarem um problema chegar à sua porta.
Naquela noite, o problema usava laço amarelo e meias brancas.
Dante ergueu uma mão. Os seguranças pararam.
Ele passou pelo prato quebrado e se ajoelhou diante de Malu. A filha de Lívia apertou o tecido da saia com os dedos.
— Por que você fez isso? — perguntou ele.
— O bolo estava sujo.
— Malu, peça desculpa — sussurrou Lívia.
A menina balançou a cabeça.
— Eu vi o homem.
Dante se inclinou um pouco.
— Que homem?
— O do passarinho.
Enzo deixou o garfo cair. O metal bateu no piso e girou perto do pé do pai.
— Conta desde o começo — pediu Dante.
Malu olhou para Lívia. Ela alisou os cabelos da filha, tentando impedir que a própria mão tremesse.
— Pode contar.
— Mamãe subiu. Eu fiquei desenhando. Aí o homem entrou no lugar frio.
— Na câmara da cozinha? — perguntou Lívia.
Malu assentiu.
— Ele abriu uma caixinha de prata. Tinha pó branco. Pôs no dedo e passou na flor do Enzo.
Dante se levantou tão depressa que Lívia recuou. Ele agarrou o filho pelos ombros e o afastou da mesa.
— Raul!
O médico da família atravessou os convidados com a maleta preta. Ajoelhou junto aos restos do bolo, calçou luvas e raspou o creme para uma tira de teste.
— O que está procurando? — perguntou alguém.
Dante não respondeu. Enzo tinha alergia grave a castanha-de-caju; até os funcionários da lavanderia conheciam os protocolos.
Fornecedores eram conferidos duas vezes. Utensílios ficavam separados. Alimentos trazidos de fora não atravessavam a porta de serviço.
Raul olhou para a faixa. Repetiu o teste com outra amostra.
— Positivo — disse.
Dante apertou o ombro do filho.
— Concentração?
— Alta. Proteína de castanha-de-caju.
— Se ele tivesse comido?
O médico tirou os óculos, limpou uma lente e tornou a colocá-los.
— Os sintomas começariam em segundos. Eu estava aqui e havia adrenalina disponível, mas o histórico dele é severo.
Enzo ergueu o rosto para o pai.
— Eu ia morrer?
Dante puxou o menino para o peito. A mão grande cobriu a nuca dele.
— Você está aqui.
— Mas eu ia?
— Você está aqui — repetiu Dante, agora mais baixo.
Malu tocou o braço de Enzo.
— Eu derrubei.
O menino segurou os dedos dela. Lívia virou o rosto por um instante e respirou pela boca.
Dante soltou o filho e chamou Marco. O chefe da segurança apareceu ao lado dele, já com a mão no fone transparente.
— Feche os portões. Recolha os celulares de quem entrou na cozinha. Ninguém do quadro funcional deixa a propriedade.
Um senador protestou perto da escada.
— Moretti, você pretende prender seus convidados?
Dante olhou para ele.
— A festa acabou. Os convidados serão acompanhados até os carros depois de identificados.
— Isso é um absurdo.
— Meu filho quase foi assassinado na minha mesa.
O senador guardou a resposta.
Uma mulher de vestido dourado tentou alcançar a saída lateral. Marco cruzou o caminho e pediu o documento dela; ao redor, convidados começaram a falar ao mesmo tempo, cada um citando um cargo, um sobrenome ou alguém que poderia telefonar.
Dante subiu num degrau da escada.
— Uma criança foi alvo de tentativa de homicídio. Quem dificultar a identificação será entregue à polícia junto com as imagens desta sala.
Os protestos diminuíram. Lívia viu homens acostumados a negociar exceções formarem uma fila, entregando convites e documentos aos agentes.
Na cozinha, Raul mandou lacrar todas as bandejas. O confeiteiro chorava junto ao forno e repetia que abrira cada pacote diante de duas testemunhas.
— A contaminação foi na fatia — explicou o médico. — O bolo inteiro pode estar limpo.
Lívia observou a rosa esmagada. Malu não derrubara um doce qualquer; escolhera o prato que já estava na mão de Enzo.
— Ela viu qual flor ele tocou — disse.
Raul guardou a amostra num recipiente.
— Sua filha prestou mais atenção que todos nós.
Marco distribuiu ordens. Portas internas se fecharam, seguranças ocuparam as saídas e a música deu lugar ao som seco de rádios.
Lívia tentou levar Malu para o corredor de serviço. A menina se soltou e voltou até Enzo.
— Quero ficar com ele.
— Ele precisa descansar.
— Amanhã eu vejo ele?
Dante acompanhava Raul examinar o filho quando ouviu. Virou-se para a criança.
— Amanhã.
Malu levantou o dedo mínimo.
— Promessa de mindinho.
Marco baixou os olhos para esconder uma reação. Dante encarou o dedo por um segundo e prendeu o próprio mindinho ao dela.
— Promessa.
Lívia carregou a filha até o pequeno apartamento da ala dos funcionários. Fechou a porta, deu banho nela e encontrou uma mancha de creme na barra do vestido.
Malu dormiu abraçada ao travesseiro. Lívia ficou sentada ao lado, ouvindo passos atravessarem o corredor durante horas.
Às duas e treze, a menina se mexeu.
— Mamãe?
— Estou aqui.
— O homem do bolo ficou bravo.
Lívia acendeu o abajur.
— Ele falou com você?
Malu esfregou um olho.
— Ele me viu no lugar frio.
— Chegou perto?
— Não. Sorriu.
— O que ele disse?
A criança puxou a coberta até o queixo.
— Que menina pequena tem que esquecer.
Lívia pegou o celular. Três batidas suaves soaram na porta antes que ela desbloqueasse a tela.
— Quem é?
— Dante.
Ele estava sem paletó, com as mangas da camisa preta dobradas. O rosto parecia mais velho sob a luz estreita do corredor.
— Perdemos onze minutos da câmera da câmara fria — disse. — Alguém acessou o sistema por dentro.
Lívia contou o que Malu acabara de revelar. Dante não interrompeu.
Quando ela repetiu a ameaça, ele entrou um passo e olhou para a cama. A menina já tinha fechado os olhos outra vez.
— Ele sabe que ela pode reconhecê-lo — disse Lívia.
— Sabe.
— Esta ala tem uma porta externa.
— Vocês não ficam mais aqui.
Ela apertou o celular.
— Para onde vamos?
— Para o terceiro andar. Na residência da minha família.
— Senhor Moretti, eu trabalho para o senhor. Não pertenço à sua família.
Dante manteve os olhos na criança.
— Sua filha salvou a vida do meu filho. Até encontrarmos aquele homem, quem quiser chegar até Malu terá de passar por mim.
No corredor, quatro fechaduras eletrônicas foram acionadas ao mesmo tempo.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 9 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4