"A Filha Tremia Diante da Madrasta" Capítulo 6
Daniel deixou as chaves caírem sobre a mesa.
— O que a vó disse sobre mim?
Lívia olhou para Cida. A vizinha recolheu os elásticos de exercício e saiu para a cozinha.
— Ela falou que você também ficou um tempo sem andar direito.
— Você viu alguma coisa?
— Uma foto.
— Onde?
— Numa caixa no apartamento dela. Você tava sentado numa cadeira azul.
Daniel puxou o celular e ligou para a mãe. A chamada foi recusada. Tentou de novo.
Margarida atendeu.
— Estou no aeroporto.
— Mostrou uma fotografia minha para a Lívia?
— Ela encontrou a caixa.
— E você pediu que ela guardasse segredo.
— Pedi que esperasse.
— Criança não deve carregar segredo médico de adulto.
— Eu sei.
— Você sabia antes da queda. Por que ficou calada depois?
O alto-falante do aeroporto anunciou um voo.
— Seu pai me fez prometer.
— Ele morreu há oito anos.
— Algumas promessas continuam mandando na gente.
— Então quebra essa antes que mande na minha filha.
Margarida chegaria no fim da noite. Daniel pediu que fosse direto para a casa dele e levasse a caixa.
Lívia assistiu à conversa.
— Você ficou bravo comigo?
— Por ter contado?
Ela assentiu.
— Eu queria que tivesse me contado antes. Só que a culpa de colocarem isso em você não é sua.
— A vó chorou quando eu achei a foto.
— Ela vai chorar de novo hoje.
Lívia cobriu um sorriso com a mão.
— Isso foi maldade.
— Foi um pouco.
Enquanto esperavam, Daniel verificou portas e câmeras. Encontrou duas gravações antigas com Clara recebendo uma mulher de costas. O rosto não aparecia. Ela era baixa, usava um casaco lilás e apoiava uma bengala dobrável no braço.
Na segunda visita, a mulher carregava uma sacola de farmácia.
Daniel salvou os arquivos.
Clara mandou uma foto de três frascos sobre a mesa do advogado. Um deles trazia rótulo impresso em casa: "Complexo natural, 12 gotas". Daniel pediu que ninguém abrisse.
Às dez e vinte, um carro parou diante do portão. Margarida desceu com uma mala pequena e uma caixa de madeira presa contra o peito.
Daniel abriu a porta. A mãe tentou abraçá-lo. Ele pegou a caixa.
— Lívia está acordada.
— Ela não devia ouvir tudo.
— Ela ouviu versões pela metade durante meses.
Na sala de jantar, Lívia esperava na cadeira. Margarida sentou diante dela.
— Eu errei com você.
— Em qual parte?
Margarida apertou a alça da bolsa.
— Em pedir segredo. Em marcar médico sem falar com seu pai.
— E na foto?
— Também.
Daniel colocou a caixa no centro.
— Abre.
A mãe tirou um envelope de exames, um brinquedo de madeira, duas pulseiras hospitalares e fotografias amarradas com fita. A primeira mostrava Daniel criança, magro, numa cadeira azul. As pernas estavam cobertas por uma manta xadrez. Ao lado dele, uma mulher jovem segurava uma bandeja.
— Quem é ela?
Margarida virou a foto depressa.
— Depois.
— Agora.
— Cecília. Irmã do seu pai.
— Célia?
A mãe ficou imóvel.
Daniel mostrou no celular a gravação da mulher de casaco lilás. Margarida levou a mão à boca.
— É ela.
— Trinta e cinco anos depois, você reconhece pelas costas?
— Pela bengala. Ela usa desde um acidente.
Lívia inclinou o corpo.
— Foi ela que veio com a Clara.
Margarida fechou os olhos.
— O que ela deu pra você?
— Umas gotas. Tinham gosto amargo. A Clara misturava no suco.
Daniel se levantou tão rápido que a cadeira bateu na parede.
— Quando foi a última vez?
— Antes de eu ficar em pé na clínica. A Clara falou que eu ficava com sono.
Ele ligou para o pediatra e para o serviço de orientação toxicológica. Recebeu instrução de levar os frascos e solicitar avaliação, sem induzir qualquer procedimento em casa. Lívia não precisava de exames, embora estivesse bem naquele momento.
— Vamos ao hospital — disse.
Margarida segurou a manga dele.
— Leva os registros.
Ao procurar os exames antigos, Daniel encontrou uma fotografia presa a outra. Nela, dois meninos estavam lado a lado. Daniel reconheceu a cadeira azul e a própria camiseta listrada.
O menino mais alto apoiava uma mão em seu ombro.
No verso, a letra de Thomas registrava uma data e duas palavras:
"Daniel e André."
Daniel colocou a foto diante da mãe.
Lívia apontou para a borda da imagem.
— Tem outra mão.
Uma mão feminina aparecia junto ao puxador da cadeira azul. O anel tinha uma pedra oval escura. Daniel ampliou uma gravação da câmera; a mulher do casaco lilás usava um anel parecido.
Margarida tentou recolher as fotografias.
— Deixa na mesa — disse Daniel.
— Lívia precisa ir ao hospital.
— E vai. Você começa a contar no caminho.
Margarida juntou as mãos no colo.
— Cecília anotava peso, comida e horário de sono. Seu pai chamava aquilo de dedicação.
— E você?
— Também, no começo.
— Quando mudou?
— Quando André melhorou na casa de Lúcia e você piorou comigo.
Daniel pegou uma pulseira hospitalar infantil. O sobrenome permanecia legível; o primeiro nome sumira.
— É de quem?
— Do André.
— Você guardou a pulseira e apagou o menino.
Margarida recebeu a frase sem levantar o rosto.
— Lúcia mandava notícias? — perguntou Daniel.
— Nos primeiros anos. André ganhou peso, voltou à escola e parou de dormir durante o dia.
— E vocês usaram a melhora para confirmar que ele devia ficar longe.
— Seu pai dizia que buscar André colocaria Cecília no caminho dele outra vez.
— Podiam proteger os dois sem fingir que um morreu.
Margarida abriu a boca e desistiu.
Lívia segurou a foto pelas pontas.
— Ele sabia do Daniel?
— Sabia que tinha um irmão menor.
— E o Daniel sabia de nada.
— Nada — confirmou Margarida.
Daniel recolheu os exames na ordem. A memória ausente não podia responder; os papéis registravam ao menos quem estivera ali.
Margarida mostrou uma agenda de Thomas com endereços de Lúcia e do médico. Algumas páginas tinham sido arrancadas. Daniel fotografou a costura e os restos de papel.
— Vai tratar tudo como prova? — perguntou a mãe.
— Até sabermos o que é lembrança e o que é registro.
Margarida entregou a agenda. Daniel colocou uma etiqueta com a data e pediu que ela assinasse o verso, confirmando de onde o objeto viera. A mãe obedeceu sem comentar.
— Quem é André?
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 9 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4