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"Ele Fingiu Que Estava Falido Para Me Testar — Então Eu Fui Embora" Capítulo 6

正文开头

Rafael terminou de ler a primeira condição e sentiu o maxilar endurecer.

Afastamento temporário do cargo de CEO.

Leu a segunda.

Uma cadeira no conselho para a Valença Capital, com poder de veto sobre decisões financeiras extraordinárias durante a reestruturação.

A terceira era ainda pior.

Auditoria independente completa.

Rafael levantou os olhos.

"Você quer que eu deixe minha própria empresa."

Mariana permaneceu sentada.

"Temporariamente."

"Quanto tempo?"

"Até que a liquidez esteja estabilizada e o conselho aprove um plano de governança."

"Governança."

Rafael soltou uma risada seca.

"Você está falando comigo como se eu tivesse desviado dinheiro."

"Não. Estou falando com o CEO que ajudou a criar uma crise de confiança dentro da própria empresa."

O diretor financeiro dos Monteiro permaneceu imóvel.

Alexei também.

Rafael empurrou o documento.

"Isso não é um resgate. É uma tomada de controle."

Mariana não tocou nos papéis.

"Então recuse."

A resposta o surpreendeu.

"O quê?"

"Você ouviu."

Ela se recostou na cadeira.

"Não estou obrigando você a aceitar meu dinheiro."

"Você sabe que eu não tenho alternativa."

"Isso não transforma uma proposta em obrigação."

Rafael olhou para Alexei.

"Foi ideia sua?"

Alexei fechou a caneta que tinha nas mãos.

"Não."

"Você espera que eu acredite?"

"Não me interessa no que você acredita."

Mariana lançou um olhar curto para ele.

Alexei não acrescentou nada.

Aquilo irritou Rafael de uma maneira diferente.

Alexei não parecia interessado em defendê-la.

Parecia saber que Mariana não precisava ser defendida.

"Você realmente vai ficar sentado enquanto ela tenta tirar a empresa da minha família?"

Alexei sustentou o olhar dele.

"A decisão é dela."

Só isso.

Rafael voltou-se para Mariana.

"Você quer me punir."

"Se eu quisesse punir você, Rafael, teria recusado esta reunião."

A sala ficou em silêncio.

Mariana deslizou uma folha pela mesa.

"Quer saber por que estou exigindo seu afastamento?"

Ele não respondeu.

"Seu caixa operacional disponível cobre menos de duas semanas no cenário atual."

"Isso é uma projeção."

"É."

"Pode estar errada."

"Não está."

Ela abriu outra planilha.

"Dois fornecedores estratégicos passaram a exigir pagamento antecipado. Um banco reduziu limite ontem. Outro inicia revisão de crédito amanhã."

O diretor financeiro de Rafael empalideceu.

"Como você sabe da revisão?"

"Porque bancos conversam com investidores quando querem medir risco."

Mariana continuou.

"Três clientes estão preparando contingência para transferir contratos. Se um deles sair, os outros provavelmente seguem."

Rafael olhou para o diretor financeiro.

"Você sabia?"

"Sobre dois deles."

"Dois?"

"Recebemos a informação esta manhã."

Mariana virou a tela.

"Sem uma injeção de capital e uma instituição disposta a colocar o próprio nome ao lado da Monteiro, vocês têm entre oito e dez dias."

Rafael sentiu o estômago afundar.

"Dez dias para quê?"

"Para deixar de controlar a crise."

A voz dela permaneceu baixa.

"Depois disso, vocês não estarão negociando condições. Estarão vendendo ativos para sobreviver."

Rafael passou a mão pelo rosto.

Tudo começara como teatro.

Agora havia pessoas de verdade retirando dinheiro, contratos e confiança.

正文1

"Quanto?"

"Quatrocentos milhões na primeira etapa."

Ele ergueu os olhos.

"E você consegue colocar isso?"

"Consigo."

A resposta veio sem hesitação.

Rafael olhou para a mulher que, semanas antes, ele acreditara precisar provar que não estava interessada em sua fortuna.

Quatrocentos milhões.

Ela disse o número como quem informava o horário de uma reunião.

A vergonha foi pior do que a surpresa.

"Então era verdade."

Mariana franziu a testa.

"O quê?"

"Você nunca precisou de mim."

Por um instante, a expressão dela amoleceu.

"Eu nunca disse que precisava."

Rafael ficou imóvel.

"Eu escolhi você."

A frase doeu mais.

Mariana respirou fundo.

"São coisas diferentes."

Rafael desviou os olhos.

Naquele momento, entendeu pela primeira vez a dimensão do que havia feito.

Ele passara três anos sendo escolhido por uma mulher que poderia ter construído uma vida confortável sem ele.

E, mesmo assim, exigira uma prova.

"Preciso levar isso ao conselho."

"Claro."

Mariana recolheu os documentos.

"Mas a proposta vence amanhã às seis."

Rafael voltou a encará-la.

"Vinte e quatro horas?"

"Seu problema não vai esperar uma semana porque você precisa proteger o orgulho."

"Meu orgulho?"

"Se preferir, chame de controle."

Rafael se levantou.

"Você está aproveitando minha vulnerabilidade."

Mariana também se levantou.

A cadeira deslizou para trás.

"Não confunda consequência com vingança."

"Você quer uma cadeira no conselho. Quer uma auditoria dentro da empresa. Quer me tirar da presidência."

"Porque foi sob a sua presidência que uma mentira pessoal virou risco corporativo."

"Você quer tirar minha empresa de mim."

Mariana finalmente perdeu parte da frieza.

"Não."

Ela apoiou as mãos na mesa.

"Estou impedindo que você termine de destruí-la."

Rafael ficou sem resposta.

Nem Alexei tentou preencher o silêncio.

Na manhã seguinte, o conselho do Grupo Monteiro se reuniu em caráter extraordinário.

Beatriz estava sentada na cabeceira quando Rafael entrou.

Sua mãe não perguntou como ele estava.

"Você trouxe a proposta?"

Rafael colocou a pasta sobre a mesa.

"Trouxe."

Duas horas depois, ninguém estava mais discutindo se as condições eram duras.

Discutiam se existia alguma alternativa.

Não existia.

Um conselheiro fechou a projeção financeira.

"Sem a Valença, não chegamos ao fim do mês."

Rafael apertou os dentes.

"Podemos vender ativos."

"Com o mercado sabendo que estamos desesperados?"

Beatriz perguntou.

"Vamos receber metade do valor."

"Então você quer que eu entregue meu cargo."

"Não."

Beatriz o encarou.

"Quero que você entenda que seu cargo não é mais importante do que a empresa."

"Mãe..."

"Você colocou o sobrenome de todos nós dentro de uma experiência sentimental."

A voz dela permaneceu controlada.

"Não vou deixar milhares de funcionários pagarem pela sua insegurança."

Rafael sentiu a humilhação atravessá-lo.

"Eu sei que errei."

"Não. Você está começando a descobrir o tamanho do erro."

Ninguém o defendeu.

Às cinco e vinte da tarde, Rafael assinou.

Mariana recebeu a confirmação no escritório.

Alexei estava diante da janela quando ela deixou a caneta sobre a mesa.

"Ele aceitou."

"Era a decisão racional."

正文2

"Para você tudo parece simples."

Alexei se virou.

"Não parece."

Mariana o observou.

"Você não tentou me convencer nenhuma vez."

"Porque a empresa é sua."

"Você tem dinheiro investido nela."

"Investi em você."

Mariana ficou em silêncio.

Alexei percebeu imediatamente o peso da frase.

"Na sua capacidade profissional."

Ela quase sorriu.

"Claro."

Ele voltou os olhos para a cidade.

"Você queria que eu interferisse?"

"Não."

"Então fiz certo."

"Fez."

Mariana fechou a pasta.

"Obrigada."

Alexei apenas assentiu.

Não perguntou como ela se sentia por salvar o homem que a havia destruído emocionalmente.

Não perguntou se ainda o amava.

E, principalmente, não tentou transformar a fragilidade dela em uma oportunidade.

A entrada do dinheiro da Valença Capital estabilizou as operações mais urgentes em quarenta e oito horas.

Os fornecedores críticos receberam garantias.

Os bancos suspenderam medidas imediatas.

O mercado não se acalmou completamente, mas parou de sangrar.

Rafael deixou oficialmente a presidência executiva durante a reestruturação.

Na sexta-feira, entregou o crachá de acesso irrestrito ao gabinete que ocupara por seis anos.

A ironia não lhe escapou.

Ele havia fingido perder tudo para descobrir se Mariana ficaria.

Ela ficara.

Agora ele estava perdendo de verdade justamente porque não acreditara nela.

Mas havia uma condição que Rafael ainda considerava exagerada.

A auditoria.

Até conhecer Thiago Mendes.

O especialista chegou à sede do Grupo Monteiro numa segunda-feira, às sete e dez da manhã.

Quarenta e dois anos, terno escuro, óculos discretos e nenhuma paciência para conversa social.

Mariana fez as apresentações.

"Thiago vai liderar a auditoria forense."

Rafael estendeu a mão.

"Espero que encontre o que está procurando."

Thiago apertou sua mão.

"Eu não procuro nada."

Rafael arqueou uma sobrancelha.

"Não?"

"Eu sigo documentos."

Foi tudo o que disse.

Durante quatro dias, a equipe de Thiago analisou acessos internos, contratos, comunicações, movimentos incomuns de clientes e alterações em limites bancários.

Na quinta-feira à noite, Mariana ainda estava no prédio.

Rafael também.

Os dois quase não tinham falado sobre qualquer coisa que não fosse trabalho desde a assinatura.

Thiago entrou na sala de reuniões com um notebook e duas pastas.

"Temos um problema."

Mariana fechou o documento que lia.

"Qual?"

"A sequência temporal."

Rafael se aproximou.

"Que sequência?"

Thiago conectou o computador à tela.

Uma linha do tempo apareceu.

"Vocês partiram da hipótese de que o mercado reagiu aos rumores sobre a crise."

"Foi o que aconteceu", disse Rafael.

"Não exatamente."

Thiago apontou para uma data.

"Os primeiros rumores públicos surgiram aqui."

Depois apontou para outra.

"Mas um cliente estratégico começou a preparar transferência de contratos nove dias antes."

Mariana ficou imóvel.

Thiago abriu outro arquivo.

"Também identificamos consultas incomuns sobre garantias, posições financeiras e exposição da Monteiro antes de qualquer sinal público de dificuldade."

Rafael franziu a testa.

"Isso é impossível."

"Os registros dizem o contrário."

"Quem tinha acesso?"

"Poucas pessoas."

Thiago abriu uma nova pasta.

"Alguém sabia que vocês estavam preparando uma crise antes de ela existir."

Mariana levantou-se lentamente.

"Então não aproveitaram o nosso erro."

Thiago a encarou.

"Não."

"Estavam esperando por ele."

"É o que os dados sugerem."

Rafael sentiu um frio percorrer as costas.

"Gustavo sabia."

Mariana virou o rosto para ele.

"Sobre o quê?"

"Sobre o teste. Desde o começo."

O silêncio mudou.

Thiago puxou uma folha da pasta.

"Isso talvez seja relevante."

Ele entregou o documento a Mariana.

Era um registro interno de permissões.

Mariana leu uma vez.

Depois outra.

Seu rosto perdeu qualquer traço de emoção.

Rafael se aproximou.

"O que foi?"

Ela não respondeu.

Ele olhou por cima do ombro dela.

Havia uma autorização para acesso extraordinário a dados estratégicos do grupo, concedida semanas antes da falsa crise.

Abaixo, o responsável pela solicitação.

Rafael leu o nome.

Gustavo Ferraz.

E, pela primeira vez, ocorreu-lhe uma pergunta que deveria ter feito desde o início.

E se Gustavo nunca tivesse tentado proteger Rafael de Mariana?

E se tivesse tentado afastar Mariana dele?

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