标题上

"Ele Fingiu Que Estava Falido Para Me Testar — Então Eu Fui Embora" Capítulo 4

正文开头

Rafael continuou olhando para a última mensagem de Gustavo.

"Mas isso não faz parte do nosso teste."

Pela primeira vez, aquelas palavras pareceram maiores do que a tela do celular.

Ele ligou imediatamente.

Gustavo atendeu no segundo toque.

"Estou indo para o escritório."

"Que fundo está comprando nossa dívida?"

"Ainda não sei. As posições estão pulverizadas."

"Então descubra."

"Rafael, tem mais uma coisa."

Ele apertou o telefone.

"Fala."

"Dois fornecedores pediram revisão das condições de pagamento esta manhã."

"Por causa de um boato?"

"Por causa do boato que nós mesmos criamos."

Rafael fechou os olhos.

"Resolva."

Desligou antes de ouvir a resposta.

Sobre a mesa, o anel de Mariana continuava exatamente onde ela o deixara.

Rafael o pegou.

Por um instante, teve vontade de ligar para ela.

Mariana precisava apenas de tempo.

Dois dias, talvez uma semana.

Depois entenderia que ele havia errado porque queria ter certeza antes de construir uma vida com ela.

Era uma justificativa ruim.

Mas ainda era a única que Rafael conseguia suportar.

Guardou o anel no bolso.

Primeiro resolveria o grupo.

Depois resolveria Mariana.

Ele ainda acreditava que tinha tempo para os dois.

Às nove e quinze, Rafael entrou na sede do Grupo Monteiro, na região da Faria Lima.

Antes mesmo de chegar ao elevador, percebeu que alguma coisa estava diferente.

Ninguém conversava perto da recepção.

Seu secretário, André, esperava com um tablet nas mãos.

"Temos um problema com a Bastos Logística."

"O que houve?"

"Eles suspenderam o contrato de expansão."

Rafael parou.

"Esse contrato estava fechado."

"Estava."

"Por que suspenderam?"

"Risco financeiro."

Rafael soltou uma risada seca.

"Nosso ou deles?"

"Nosso."

O elevador abriu.

Rafael entrou.

"Marque uma ligação com o presidente."

"Já tentei."

"E?"

André hesitou.

"Eles assinaram uma carta de intenção com a Ferraz & Lima Infraestrutura."

Rafael virou-se lentamente.

Um concorrente.

E não qualquer concorrente.

A Ferraz & Lima disputava havia meses exatamente os clientes que garantiam receita recorrente ao Grupo Monteiro.

"Quando?"

"Hoje, às sete e quarenta."

Rafael sentiu o primeiro golpe real daquela manhã.

"Quem contou a eles que tínhamos problema de caixa?"

"Não sabemos."

A porta do elevador se fechou.

Às dez, veio o segundo golpe.

Um dos principais fornecedores não aceitaria mais pagamento em sessenta dias.

Queria pagamento à vista.

Às dez e vinte, outro fez a mesma exigência.

Às onze, o Banco Paulista informou que faria uma revisão extraordinária das linhas de crédito do grupo.

Rafael entrou na sala de Gustavo sem bater.

"Isso já passou dos limites."

Gustavo estava ao telefone.

Fez sinal para que ele esperasse.

"Não, eu entendo. Mas não houve mudança material na capacidade de pagamento."

Silêncio.

"Sim. Enviaremos ainda hoje."

Ele desligou.

Rafael fechou a porta.

"Você disse que seria controlado."

"E era."

"Era?"

"Até gente de fora começar a agir."

Gustavo girou o notebook.

Na tela havia uma sequência de operações.

"Olha as datas."

Rafael se aproximou.

"Essas posições começaram a mudar antes de ontem."

正文1

"Antes de Mariana descobrir?"

"Sim."

Rafael franziu a testa.

"Então alguém já sabia."

"Exatamente."

"Quem?"

Gustavo passou a mão pelo rosto.

"Você, eu e quatro pessoas da equipe."

"Quatro pessoas demais."

"Sem elas, não dava para construir uma crise convincente."

A palavra convincente fez Rafael sentir náusea.

O teatro funcionara.

Talvez melhor do que deveria.

Pouco depois do meio-dia, o telefone pessoal de Rafael vibrou.

Por um segundo, seu coração acelerou.

Não era Mariana.

Era sua mãe.

"Suba para a sala do conselho."

"Agora?"

"Agora, Rafael."

Beatriz Monteiro não precisou dizer mais nada.

Aos cinquenta e oito anos, ela ocupava uma cadeira no conselho havia quase duas décadas e raramente levantava a voz.

Quando estava realmente irritada, falava ainda mais baixo.

Rafael entrou na sala vinte minutos depois.

Encontrou nove pessoas esperando.

Beatriz estava à cabeceira.

"Feche a porta."

Rafael obedeceu.

Um dos conselheiros, Álvaro Sampaio, empurrou um relatório pela mesa.

"Perdemos um cliente estratégico."

"Temporariamente."

"Três fornecedores mudaram condições de pagamento."

"Estou resolvendo."

"E dois bancos estão revendo nossa exposição."

Rafael respirou fundo.

"Existe uma explicação."

Beatriz cruzou as mãos.

"Estamos esperando."

Ele olhou para Gustavo.

O amigo permaneceu calado.

Rafael percebeu que não havia mais como esconder.

"A crise inicial não era real."

Ninguém se mexeu.

Álvaro estreitou os olhos.

"Como?"

"Parte das informações sobre minha liquidez pessoal e sobre uma possível fragilidade do grupo foi criada."

"Por quem?"

Rafael demorou um segundo.

"Por mim."

O silêncio mudou.

De preocupação para incredulidade.

Beatriz foi a primeira a falar.

"Você criou rumores sobre a saúde financeira da empresa?"

"Era para ser limitado."

"Por quê?"

Rafael não respondeu.

Sua mãe o observou.

"Rafael."

"Era uma questão pessoal."

Álvaro bateu a mão sobre a mesa.

"Você colocou uma companhia bilionária em risco por uma questão pessoal?"

"Não deveria sair de um círculo restrito."

"Mas saiu."

Outro conselheiro, Henrique Tavares, abriu o relatório.

"E o mercado fez exatamente o que o mercado faz quando sente sangue."

Rafael cerrou os dentes.

"Podemos corrigir."

Henrique ergueu os olhos.

"Ontem era mentira."

Fez uma pausa.

"Hoje não é."

A frase caiu sobre a mesa.

Rafael não conseguiu responder.

A reunião terminou quase duas horas depois.

Beatriz pediu que ele ficasse.

Quando a porta se fechou, Rafael foi até a janela.

"Pode falar."

"Você queria testar Mariana."

Ele se virou.

"Como sabe?"

"Porque conheço meu filho."

Beatriz guardou os papéis na pasta.

"E porque nenhum homem com seu currículo cria uma falsa crise financeira para descobrir se os amigos gostam dele."

Rafael soltou o ar.

"Ela foi embora."

"Fez bem."

Ele a encarou.

"Você nem gosta dela."

"Não confunda as coisas."

Beatriz se levantou.

"Eu não gosto de não saber quem Mariana realmente é. Sempre achei estranho uma mulher tão reservada sobre a própria vida."

"Então eu tinha razão em desconfiar."

"Não."

A resposta veio imediata.

"Você tinha o direito de fazer perguntas. Não de criar uma humilhação para observar como ela reagiria."

正文2

Rafael desviou o olhar.

"Ela foi embora justamente quando tudo começou a dar errado."

Beatriz ficou imóvel.

"Você está ouvindo o que está dizendo?"

"Agora o grupo está realmente em risco e ela..."

"Porque você fabricou o risco."

A voz de Beatriz permaneceu baixa.

"Você cavou um buraco para ver se Mariana pularia dentro com você. Ela pulou. Depois descobriu que você estava parado do lado de fora observando."

Rafael apertou a mandíbula.

"Ela me avisou."

"Sobre o quê?"

"Disse para parar de espalhar a crise. Falou que alguém estava esperando o grupo ter um problema real."

Beatriz perdeu a expressão por um instante.

"Quando ela disse isso?"

"Ontem."

"E você fez o quê?"

Rafael não respondeu.

Sua mãe entendeu.

"Você achou que ela estava preocupada com seu dinheiro."

Ele permaneceu em silêncio.

Beatriz pegou a bolsa.

"Talvez você tenha passado tanto tempo tentando descobrir quem Mariana era que esqueceu de olhar para o homem que estava se tornando."

Às quatro da tarde, a tesouraria confirmou o pior.

Com fornecedores exigindo antecipação e bancos reduzindo exposição, o caixa projetado para as semanas seguintes entrara em zona crítica.

Rafael passou horas ao telefone.

Ouviu desculpas educadas.

"Precisamos aguardar."

"O comitê de risco não aprovou."

"Talvez no próximo trimestre."

Às seis e dez, restava uma tentativa.

O banco que mantinha a maior linha de crédito emergencial do grupo.

Rafael ficou em pé enquanto Gustavo falava com o diretor.

A ligação durou menos de quatro minutos.

Quando terminou, Gustavo não precisou dizer nada.

"Negaram?"

"Negaram."

Rafael fechou os olhos.

A falsa falência havia durado dias.

A verdadeira podia começar naquela semana.

"Quem ainda pode fazer uma ponte?"

"Estamos procurando."

"Procure melhor."

Gustavo não reagiu.

"Rafael, não é só dinheiro. Ninguém quer ser o primeiro a entrar enquanto não souber quem está atacando."

"Então descubra quem está atacando."

Gustavo olhou para ele.

"Talvez essa pessoa já soubesse da nossa encenação antes mesmo de começarmos."

Rafael sentiu um arrepio.

Mariana tinha avisado.

Alguém estava esperando.

Já passava das nove quando André entrou na sala.

Rafael continuava diante da janela, olhando São Paulo acesa abaixo dele.

"Dr. Rafael."

"Se for outro banco dizendo não, pode deixar para amanhã."

"Não é um banco."

André colocou uma pasta sobre a mesa.

"É a única instituição que aceitou avaliar uma operação emergencial."

Rafael virou-se.

"Quanto?"

"O suficiente para estabilizar o caixa."

"Conseguimos reunião?"

"Amanhã cedo."

Rafael puxou a pasta.

Na capa não havia logotipo chamativo.

Apenas duas palavras impressas em letras discretas.

VALENÇA CAPITAL.

Ele franziu a testa.

"Quem controla isso?"

André hesitou.

"É justamente o problema."

"Que problema?"

"A estrutura societária não é pública de forma simples. O fundo opera por veículos internacionais e quase nunca recebe empresas em crise."

"Mas resolveu receber a Monteiro?"

"Sim."

Rafael abriu a pasta.

Na primeira página havia uma condição para a reunião.

Ele leu uma vez.

Depois outra.

Seu rosto endureceu.

"Isso é brincadeira?"

Gustavo se aproximou.

"O quê?"

Rafael virou o documento.

A Valença Capital não queria falar primeiro com o diretor financeiro.

Nem com Gustavo.

Nem com Beatriz.

A condição era clara:

Rafael Monteiro deveria comparecer pessoalmente. Sozinho.

O celular dele vibrou naquele instante.

Número desconhecido.

Uma única mensagem apareceu:

"Agora a crise é real."

Rafael levantou os olhos para Gustavo.

E, pela primeira vez, percebeu que talvez alguém não estivesse apenas tentando comprar a dívida dos Monteiro.

Alguém estava esperando que ele caísse.

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部