localização atual: Novela Mágica A Taça Que Ele Preparou Para Mim PARTE 3 — TUDO O QUE A CÂMERA GUARDOU
标题上

"A Taça Que Ele Preparou Para Mim" PARTE 3 — TUDO O QUE A CÂMERA GUARDOU

正文开头

PARTE 3 — TUDO O QUE A CÂMERA GUARDOU

A sala se encheu de vozes, luvas e ordens curtas.

Dois socorristas se ajoelharam ao lado de Caio. Uma terceira profissional me afastou da mesa e perguntou o que ele tinha ingerido.

"Não sei qual é a substância", respondi. "O frasco está no bolso interno daquele paletó. Eu não toquei nele."

Caio tentou negar.

As palavras saíram arrastadas.

O frasco foi retirado com cuidado e separado. Mostrei qual taça estivera originalmente em meu lugar e pedi que ninguém limpasse o líquido derramado.

Eu me ouvia falar com uma precisão que não sentia.

Por dentro, ainda estava sentada diante do homem que brindara à minha nova vida enquanto esperava minha morte.

A Polícia Militar chegou primeiro. A Polícia Civil seria acionada em seguida diante da suspeita apresentada. Repeti minha história, mostrei o vídeo sem entregar o único aparelho que continha uma cópia e informei que os arquivos também estavam preservados com minha advogada.

Não fiz isso porque desconfiava dos agentes.

Fiz porque, nas últimas semanas, aprendera que uma prova sem cópia podia desaparecer junto com uma vida.

Quando colocaram Caio na maca, ele procurou meu rosto.

Não havia pedido de perdão em seus olhos.

Havia cálculo.

Ainda tentava descobrir quanto eu sabia.

Fui orientada a seguir para o hospital. Eu também precisava ser examinada por causa dos sintomas anteriores.

Antes de sair, telefonei para Renata.

"Aconteceu."

Ela ficou em silêncio por meio segundo.

"Você está segura?"

Olhei para a mesa, as duas taças e o vinho espalhado como uma mancha escura.

"Estou viva."

"Não é a mesma coisa."

"Hoje vai ter que ser."

Pedi que ativasse o protocolo preparado: suspender acessos administrativos de Caio, exigir dupla autorização para movimentações extraordinárias e preservar todos os registros relacionados a Trancoso.

"O conselho vai perguntar por quê", Renata avisou.

"Diga que existe uma emergência médica e uma suspeita de fraude. Nada além disso."

"E Lívia?"

Olhei para o telefone de Caio, agora separado como possível evidência.

"Ela ainda não sabe que eu sei."

No Hospital das Clínicas, colheram meu sangue, meu cabelo e detalhes demais sobre as últimas oito semanas.

Uma médica chamada Paula Mendonça sentou-se diante de mim com um tablet.

"Quando os sintomas começaram?"

"No fim de janeiro."

"Eles eram constantes?"

"Quase."

"Houve períodos de melhora?"

Pensei nas viagens.

Paraty. Ilhabela. Trancoso.

"Sim."

"Onde a senhora estava nesses períodos?"

"Fora de casa."

A médica levantou os olhos.

"E quanto tempo depois de voltar os sintomas reapareciam?"

Meu corpo esfriou.

"No mesmo dia. Às vezes na manhã seguinte."

Mais uma linha se fechava.

Caio não esperara apenas a noite do aniversário. Ele construíra meu adoecimento aos poucos, usando minha agenda como álibi. Quando eu caísse, todos diriam que Helena Duarte finalmente pagara o preço de trabalhar demais.

Eu mesma havia repetido essa explicação.

Meu celular vibrou.

Lívia.

Cinco chamadas perdidas.

As mensagens começaram como perguntas.

正文1

Onde está o Caio?

Por que ele não responde?

Você está em casa?

Depois perderam a máscara.

O que aconteceu no jantar?

Me liga agora.

E, enquanto eu lia, surgiu uma nova mensagem.

Por favor, diga que você bebeu.

Mostrei a tela à delegada Camila Nogueira, que havia acabado de entrar na sala acompanhada de um investigador.

Ela leu sem tocar no aparelho.

"Não responda ainda."

"Meu marido está vivo?"

"Está sendo tratado. O quadro exige cuidado, mas ele chegou consciente."

Senti alívio.

Depois senti raiva de mim mesma por sentir alívio.

Camila puxou uma cadeira.

"Preciso que a senhora me conte desde o início. Sem interpretar. Primeiro, apenas o que viu, ouviu e encontrou."

Contei.

Falei do reflexo na porta de vidro, do frasco, da troca das taças e da frase de Caio. Mostrei a gravação da sala. Expliquei as pesquisas, a autorização que eu não assinara e a cópia entregue a Renata.

Quando o vídeo exibiu Lívia com a pasta da Aurora no colo, minha voz falhou pela primeira vez.

Camila pausou a imagem.

"Quer continuar depois?"

"Não."

Eu respirava com dificuldade, mas a resposta era firme.

"Passei semanas deixando que eles escolhessem quando isso terminaria. Agora continuo."

Mostrei outros trechos preservados pelas câmeras.

Caio preparando meu suco numa manhã em que eu quase desmaiei durante uma reunião.

Caio retirando algo do bolso antes de me entregar chá.

Caio e Lívia comparando duas versões de um documento.

Nenhum vídeo, sozinho, contava toda a história.

Juntos, eles desenhavam uma rotina.

Um método.

Uma espera.

Meu telefone vibrou outra vez. Era Renata.

"Os acessos de Caio foram suspensos", informou. "Também bloqueamos qualquer operação fora do fluxo normal. Mas alguém tentou entrar na pasta de Trancoso há quatro minutos."

"De qual dispositivo?"

"Ainda estamos verificando."

Olhei para a mensagem de Lívia.

"Preserve o registro e não alerte ninguém."

"Helena, o conselho vai se reunir pela manhã."

"Até lá, eles recebem apenas fatos confirmados."

Quando desliguei, Camila me observava.

"A senhora consegue conversar com sua irmã se ela aparecer?"

"Ela vem."

"Como sabe?"

"Porque Caio não está respondendo. E porque Lívia nunca suportou perder o controle de uma história."

Quarenta minutos depois, um investigador bateu à porta.

"Doutora, a irmã dela está na recepção. Disse que veio procurar o cunhado."

Camila voltou-se para mim.

"A decisão é sua. Já temos material para prosseguir. A senhora não precisa falar com ela."

Eu não queria vê-la.

Queria voltar no tempo até um Natal qualquer, antes de saber que o abraço de minha irmã podia esconder uma contagem regressiva.

Mas Lívia acreditava que eu havia bebido.

Por isso escrevera aquela mensagem.

"Eu falo", respondi. "Mas a gravação fica com vocês, e ela não entra com celular."

Lívia foi levada a uma pequena sala de atendimento. Eu a observei primeiro através do vidro.

Ela usava um casaco bege sobre um vestido preto. Andava de um lado para o outro, apertando os próprios dedos.

Por um instante, vi a menina que corria para minha cama quando tinha medo de trovões.

Então abri a porta.

Lívia se virou.

O rosto dela mudou.

Não foi alívio ao me ver viva.

Foi choque.

"Helena."

Ela examinou meu rosto, meus braços, a forma como eu permanecia em pé.

"Onde está Caio?"

"No atendimento de emergência."

Lívia empalideceu.

"O que aconteceu?"

"Ele passou mal durante o jantar."

"Como?"

"Achei que você soubesse."

"Por que eu saberia?"

"Você perguntou se eu tinha bebido."

Os olhos dela se moveram rápido demais.

"Porque Caio disse que faria um drinque especial para você."

"Ele contou isso quando?"

"Hoje."

"Que drinque?"

Lívia abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu.

Eu dei um passo na direção dela.

"Havia duas taças sobre a mesa."

"Helena, você está doente. Está cansada. Talvez tenha entendido alguma coisa errada."

As mesmas palavras de Caio.

O mesmo tom treinado.

"Ele colocou uma substância na minha."

Lívia levou a mão à boca.

"Meu Deus."

"Eu vi."

"Você precisa descansar."

"Eu troquei as taças."

A mão dela caiu.

O medo em seu rosto deixou de ser fingimento.

"Você fez o quê?"

"Caio bebeu o que havia preparado para mim."

Lívia recuou até bater na cadeira.

Então, antes que pudesse se impedir, perguntou:

"Por que você fez isso?"

 

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部