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"Oito Anos Para Deixar de Te Amar" Capítulo 9 — Seu Arrependimento Não É Meu Destino

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Capítulo 9 — Seu Arrependimento Não É Meu Destino

Não fechei a loja.

Pedi ao escrivão que registrasse minha recusa a qualquer visita sem agendamento e voltei para o bordado que deixara no bastidor.

Errei três pontos antes de conseguir trabalhar.

Na manhã seguinte, uma cliente trouxe a declaração impressa de Adrien.

Ele a fizera nos degraus da sede portuária, depois da primeira audiência. Reconhecia publicamente ter ferido a dignidade da esposa. Prometia restituir sua honra, sua segurança e tudo o que perdera.

Ao final, pedia uma oportunidade de falar comigo.

"Parece sincero", disse a cliente.

Peguei a peça que ela viera buscar e a dobrei sobre o balcão.

"O conserto ficou pronto."

Ela corou.

"Não quis me intrometer."

"Então não se intrometa."

Depois que saiu, precisei sentar.

Não gostava da dureza na minha voz. Gostava menos de perceber como depressa a tristeza de Adrien se tornara um assunto que eu deveria resolver.

Marta leu a declaração e a colocou na gaveta.

"Quer que eu a jogue fora?"

"Não. Se ele está admitindo alguma coisa, guarde."

Pensei durante dois dias antes de responder ao tribunal.

Aceitaria um encontro na sede da audiência, com a presença de um escrivão e a possibilidade de sair quando quisesse. Não haveria conversa a portas fechadas, nem visita à loja.

Gabriel soube por mim.

Ele ficou em silêncio por um momento.

"Você quer que eu espere lá fora?"

"Quero que Marta vá comigo."

"Está bem."

Olhei para ele, procurando o resto da frase.

Não veio.

No dia marcado, Adrien já estava sentado quando entrei. Levantou-se tão depressa que a cadeira bateu na parede.

Estava mais magro. As roupas continuavam impecáveis, mas havia olheiras que nenhuma gola alta escondia.

"Leonora."

Não respondi ao modo como disse meu nome.

Sentei diante dele, deixando a pasta entre nós.

O escrivão perguntou se ambos compreendiam as condições. Adrien assentiu sem tirar os olhos de mim.

"Pensei que você tivesse morrido."

"Eu quase morri."

Ele fechou os olhos por um instante.

"Eu não mandei aquele barco."

"A investigação vai apurar quem mandou."

"Você não acredita?"

"Não vim decidir um crime pela maneira como você me olha."

Adrien pousou as mãos na mesa.

"Eu mereço isso."

Esperei.

Ele baixou a voz.

"Céleste mentiu. Sobre muitas coisas. Octave também. Eu deveria ter percebido."

Abri a pasta e tirei a cópia da ordem que proibira meu pai de deixar o hospital.

"Esta é sua?"

Adrien olhou.

"É."

Pus a de transferência ao lado. A investigação me fornecera a via autenticada do registro da guarda.

"E esta?"

"Leonora, eu sei."

"Preciso que responda."

Ele engoliu em seco.

"É minha."

Por último, mostrei a autorização de confinamento. O parecer antigo de Octave vinha anexado; a assinatura de Adrien estava no lugar em que eu a vira nascer.

"Ela não segurou sua mão enquanto você assinava."

Adrien se inclinou para a frente.

"Eu não sabia que iriam obrigar você a tomar nada."

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"Você sabia que eu não podia sair. Era o que tinha mandado fazer."

O escrivão continuava escrevendo.

Durante anos, aquelas conversas haviam terminado quando Adrien se levantava ou me acusava de repetir o mesmo assunto.

Agora eu podia terminar a frase.

"Você leu minha carta inteira antes de mostrar um pedaço dela como prova. Eu disse que os homens eram carregadores do hospital. Pedi que perguntasse a Tomás. Pedi que ouvisse outra médica. Você teve essas escolhas."

Ele cobriu o rosto com uma das mãos.

Eu sentia tristeza ao vê-lo assim. Isso me surpreendeu menos do que a ausência de vontade de consolá-lo.

"Eu queria que você voltasse a me amar", disse.

"Eu amava você quando pedi que parasse."

Adrien deixou a mão cair.

Não acrescentou nada.

Lá fora, alguém arrastou uma caixa pelo corredor. O ruído comum me trouxe de volta à sala, ao escrivão, à janela aberta.

"O rei assume em poucas semanas", Adrien falou afinal. "Posso renunciar antes. Abrir mão de tudo. Nós podemos viver longe da corte."

Recolhi os documentos.

"O que você deve ao reino não é uma oferta para mim."

"E se eu mudar?"

"Mude. Mas não espere que eu me case novamente com você como recompensa."

Ele se levantou quando fiz menção de sair.

O escrivão também se levantou.

Adrien parou.

"Há outra pessoa?"

Olhei para a porta antes de responder.

"Há uma vida que eu quero conhecer. Você não faz parte dela."

Pedi que a recusa fosse registrada.

Antes de sair, solicitei também uma cópia da ata. Não queria que aquela conversa se tornasse outra declaração pública sobre uma reconciliação em andamento.

O escrivão releu o trecho final diante de nós. Adrien ouviu que eu não autorizava novas tentativas de encontro e não corrigiu nada.

Esperei o registro terminar. Só então me levantei.

Saí antes que ele procurasse outra pergunta.

Marta estava no corredor. Eu segurei o braço dela até chegarmos à rua.

Não me senti leve.

Senti fome. Dor de cabeça. Uma exaustão que parecia ter esperado oito anos para se manifestar.

Compramos pão e voltamos para casa.

Gabriel veio no fim da tarde. Trouxe apenas a si mesmo e ficou na porta até eu convidá-lo a entrar.

"Não quero falar sobre a audiência", disse.

"Então não falamos."

Indiquei a cadeira perto da mesa.

"Quero saber se você gosta mesmo do trabalho no porto ou se só herdou a obrigação."

Ele pareceu surpreso.

Depois sorriu.

Falou das embarcações, das disputas entre comerciantes, do tempo que perdia assinando o que outras pessoas faziam questão de complicar. Eu lhe contei sobre um cliente que queria seis cores e só aceitava pagar por duas.

Rimos. Quando o silêncio voltou, não trouxe medo.

"Gostaria de caminhar com você no domingo", falei. "Se tiver tempo."

"Tenho."

"Gabriel, eu não sei quando vou estar pronta para..."

Ele esperou que eu encontrasse as palavras.

"Para tudo o que talvez você queira."

"Eu quero caminhar com você no domingo. Podemos começar por aí."

Tive vontade de tocar a mão dele. Fiz isso antes de transformar a vontade numa dúvida.

Os dedos dele se fecharam devagar sobre os meus.

O aviso de Tomás chegou três dias depois, antes do nosso passeio.

Céleste solicitara licença para deixar Aurélia. Na relação de bagagens, declarara os livros de despesas da própria casa.

Um dos registros procurados pelos investigadores poderia estar entre eles: o pagamento ao intermediário que entregara a credencial usada contra a Aurora.

Ao terminar a carta, encontrei o pedido de Tomás.

Precisavam agir antes que os livros saíssem da cidade.

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