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"Oito Anos Para Deixar de Te Amar" Capítulo 8 — Meu Nome na Porta

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Capítulo 8 — Meu Nome na Porta

A primeira coisa que devolvi a Gabriel foi uma almofada.

Ele a trouxera da residência onde trabalhava, depois de me ver dobrar um cobertor atrás das costas na casa de dona Amália.

Era de veludo verde, bordada com um pequeno brasão.

Fiquei olhando para ela por tempo demais.

"Não gostou?", perguntou.

"É bonita."

"Mas não quer."

Concordei, envergonhada com o tamanho que um objeto tão pequeno adquirira dentro de mim.

Gabriel pegou a almofada.

"Posso pedir uma sem brasão."

"Não precisa me trazer nada."

Ele parou junto à porta.

"Está bem."

Esperei pela mudança de humor. Pela pergunta sobre minha ingratidão.

Gabriel apenas se despediu.

Na manhã seguinte, dona Amália me emprestou uma almofada de linho que já estava na casa. Aceitei. Ninguém transformou isso numa comparação.

Ainda precisava descansar durante o dia. O susto na água passara; a tosse demorou mais. Algumas noites eu despertava chamando por Marta. Em outras, sonhava que meu pai me esperava e que eu não conseguia encontrar seus sapatos.

Marta ocupava um quarto pequeno no mesmo corredor. Insisti em saber o custo dos dois.

Escrevi a dona Amália uma proposta de pagamentos semanais assim que recebesse os primeiros trabalhos. Ela leu e mudou apenas o dia de vencimento.

"O mercado paga na sexta. Venha no sábado."

Foi assim que começamos.

Minha primeira encomenda era uma manga rasgada.

A oficina de brasões indicada por Gabriel não precisava de mim imediatamente. O mestre aceitou examinar meus desenhos quando eu estivesse melhor; enquanto isso, dona Amália perguntou na vizinhança quem tinha roupa para consertar.

A dona da manga era uma peixeira. Queria um remendo firme, não folhas decorativas.

Demorei a manhã inteira.

Quando terminei, o tecido franzia perto do punho. Fiquei olhando o defeito, cansada e com os olhos ardendo.

Marta se ofereceu para entregar assim mesmo.

"Não", respondi. "Ela vai trabalhar com isso. Precisa poder dobrar o braço."

Desmanchei os pontos.

Na segunda tentativa, apoiei os cotovelos na mesa e fiz pausas. A peixeira provou a manga antes de pagar.

"Agora aguenta", disse.

Levei as moedas a dona Amália naquela mesma tarde.

Depois escrevi a Tomás. Ainda não podia devolver o empréstimo, mas queria que soubesse que já tinha começado a ganhar.

Ele respondeu com notícias do processo e uma pequena quantia: o café finalmente honrara a aposta, depois de conferir a certidão de dissolução. O ganho cobria uma parte modesta da passagem. Pedi que abatesse tudo da dívida.

A piada que Aurélia fizera comigo terminou numa linha de crédito no caderno de Tomás.

Não precisei saber quem perdera mais.

Nas semanas seguintes, aceitei toalhas, golas e uma bandeira que o sal havia desfeito nas bordas. O mestre da oficina finalmente me encomendou três desenhos para apresentar a um cliente.

Quis apenas dois.

Em vez de fingir que a recusa não importava, perguntei por quê. As linhas do terceiro desenho eram delicadas demais para o tecido escolhido.

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Refiz. Cobrei pela alteração que ele aprovou.

Gabriel aparecia às vezes no fim da tarde. Perguntava se podia entrar antes de atravessar a soleira.

Num desses dias, encontrei-o examinando minhas contas, abertas sobre a mesa.

Meu corpo endureceu.

Ele percebeu antes que eu dissesse alguma coisa.

"Desculpe. Eu estava olhando o desenho na página ao lado."

Fechou o caderno e se afastou.

Não precisei esconder o dinheiro depois que ele saiu.

No segundo mês, decidimos alugar a sala da frente de uma casa próxima. Marta cuidaria das entregas e do atendimento. Eu faria os trabalhos e os desenhos.

Gabriel ofereceu um empréstimo pequeno para a mesa e o adiantamento do aluguel.

Pedi prazo, valor e forma de pagamento por escrito.

Ele trouxe os termos no dia seguinte. Li todas as linhas, alterei duas e mandei registrar que a dívida não lhe dava participação no negócio.

"Agora posso assinar", falei.

"Agora eu também."

Pela primeira vez, o ato de assinar algo com um homem não me pareceu uma entrega de mim mesma.

Marta escolheu a tinta da placa.

Ateliê Alencourt.

Quando a penduramos, já haviam passado quase três meses desde a minha chegada. A oficina tinha uma mesa usada, duas cadeiras diferentes e pedidos suficientes para a semana seguinte.

Marta recebeu seu primeiro pagamento combinado na sexta-feira.

"Não precisa me agradecer", disse, guardando as moedas. "Precisa parar de aceitar prazo impossível."

Rimos. Foi um som tão inesperado que me virei para ela.

Ela riu mais.

Naquele dia, chegaram também os documentos da investigação sobre meu pai.

O depoimento de Inês fora confrontado com o livro do hospital. O guarda da entrada confirmara que Henrique chegara consciente. Outro homem admitira que recebera instruções para aguardar Octave antes de chamar qualquer médico.

A advertência original ainda não aparecera. Mas Octave já não podia sustentar que meu pai morrera antes de entrar no palácio.

Li a conclusão provisória devagar: a transferência havia sido imposta apesar da piora registrada, e o atendimento fora retardado.

O papel ficou molhado antes que eu percebesse as lágrimas.

Fechei a loja por uma hora.

Depois voltei para terminar uma encomenda. Fazer as duas coisas no mesmo dia ainda era difícil. Não era mais impossível.

* * *

Em Aurélia, Adrien já sabia, pela comunicação do tribunal, que Leonora sobrevivera. Enviara um pedido de encontro assim que recebera a confirmação.

A resposta continuava sobre a mesa.

Não autorizo visita privada. Qualquer comunicação necessária deverá passar pelo tribunal.

Agora havia, ao lado, as contas que ele exigira da própria família. Pagamentos a credores. Custos de internação. Nenhuma fortuna entregue à mulher que acusara de vendê-lo por dinheiro.

O tesoureiro explicava os valores. Adrien parou de ouvi-lo quando reconheceu a assinatura de Marta na relação de joias devolvidas.

Até o anel.

Mandou suspender as novas concessões a Céleste enquanto fossem examinadas. Não foi até ela. Ficou sentado, com a relação aberta, tentando lembrar a última vez em que fizera uma pergunta a Leonora e aceitara a resposta.

* * *

Recebi a notícia da viagem de Adrien numa terça-feira.

O escrivão do porto trouxe o aviso pessoalmente. Meu ex-marido fora chamado a responder perante os investigadores locais sobre a credencial usada na abordagem da Aurora.

"A audiência será aqui", explicou. "Isso não altera a proibição de procurá-la sem autorização."

Peguei o aviso.

"Ele já chegou?"

"Nesta manhã."

A porta da loja estava aberta. Lá fora, as pessoas continuavam passando com cestas e embrulhos.

Eu olhei para a chave pendurada ao lado do balcão.

Dessa vez, era minha decisão girá-la.

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