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"Oito Anos Para Deixar de Te Amar" Capítulo 7 — A Ordem Que Nem Ele Podia Dar

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Capítulo 7 — A Ordem Que Nem Ele Podia Dar

"...impedir o deslocamento de Leonora de Alencourt, determinar sua custódia ou interferir nos depoimentos e processos em que figure como parte. Sua passagem para Marceaux fica sob proteção da Coroa."

O guarda junto ao ferrolho olhou para Adrien.

"Abra a porta", disse o representante.

Um dos homens de uniforme real avançou. O guarda particular retirou a mão, e as duas folhas se abriram para o vestíbulo.

Adrien deu um passo na minha direção.

O segundo guarda se colocou entre nós.

"Não toque nela, Alteza."

Atravessei a porta com Marta ao meu lado.

Meus joelhos tremiam. Ainda assim, passei pelo mesmo degrau em que esperara ordens tantas vezes e continuei andando.

Atrás de mim, o representante esclareceu que a medida preservava a investigação. Não havia uma condenação naquela folha.

Havia uma saída.

Na carruagem, Marta tentou prender o fecho do meu manto. Não conseguiu na primeira vez. Só então vi que suas mãos tremiam também.

Segurei uma delas.

Nenhuma de nós falou até o palácio desaparecer da janela.

Passamos a noite numa hospedaria próxima ao tribunal. Um guarda permaneceu na entrada, mas a chave do quarto ficou comigo.

Tomás chegou antes do amanhecer.

"As caixas estão a bordo. Mandei a confirmação da partida para Marceaux pelo correio de cabotagem. Gabriel deve recebê-la antes de vocês chegarem."

Ele continuaria em Aurélia, acompanhando os pedidos de documentos. Abrimos juntos a pasta para conferir o que viajaria e o que ficaria.

Meu depoimento e as cópias de trabalho já estavam no tribunal. As vias sob a guarda de Tomás permaneceriam com ele. Levei minha certidão de dissolução e os comprovantes de que precisaria para me estabelecer.

Na última página do caderno dele, anotei as despesas da passagem que me adiantara.

"Pode acertar isso depois", disse.

"Estou acertando. Só não estou pagando ainda."

Ele sorriu pela primeira vez desde o enterro.

A embarcação se chamava Aurora. Era menor do que eu esperava, com caixas de tecido protegidas por lona e um espaço estreito para passageiros.

O capitão conferiu a autorização de viagem. O oficial da Coroa entregou uma comunicação para a autoridade portuária de Marceaux. Não havia uma escolta naval para um trajeto comercial que, até aquela manhã, ninguém tivera motivo concreto para considerar perigoso.

Eu olhei a prancha de embarque.

Havíamos planejado uma cama para meu pai ali dentro.

Marta tocou meu cotovelo, sem me puxar.

Subi quando consegui.

Nos dois primeiros dias, acompanhei a mudança das margens. As torres de Aurélia deram lugar a terrenos cultivados; depois o rio se abriu para o sal e o vento.

Comi pouco. Dormi melhor do que no palácio.

Na terceira tarde, quando já procurávamos os sinais de entrada de Marceaux, outra embarcação se aproximou pela nossa esquerda.

Um homem ergueu uma placa de trânsito com o falcão dos Varenne.

"Inspeção de carga! Ordem da casa!"

O capitão da Aurora levou a mão à testa para enxergar melhor.

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Eu me levantei.

"Essa casa não pode me deter. Tenho uma ordem da Coroa."

Ele mandou Marta ficar comigo e gritou que a inspeção deveria ser feita no porto.

A outra embarcação não diminuiu.

Dois homens apareceram perto da amurada. Um tinha uma corda nas mãos. O outro olhava diretamente para nós.

"A pasta da mulher!", gritou.

Ouvi o capitão ordenar uma mudança de direção. A vela estalou. Marta caiu de joelhos junto a uma caixa.

Segurei o mastro.

O choque veio de lado.

Por um instante, tudo se inclinou: o convés, a linha do horizonte, a mão de Marta estendida para mim.

Depois a madeira que eu segurava já não estava sob meus pés.

A água me atingiu com uma força que não deixou espaço para um grito.

Quando voltei à superfície, vi apenas a parte escura do casco. Tentei me aproximar e fui afastada por uma onda. Meu vestido pesava, e eu não conseguia ver Marta.

"Aqui!"

A palavra saiu junto com água.

Uma caixa passou perto. Alcancei sua borda com a ponta dos dedos e perdi o apoio. Tentei outra vez.

Prendi os braços na madeira.

Não havia nada bonito naquele esforço. Eu tossia, engolia água, procurava ar e chamava por alguém sem saber se seria ouvida.

Queria sair dali.

Queria um quarto, uma mesa, uma manhã que ainda não conhecia.

"Aqui! Estou aqui!"

Uma voz respondeu.

Vi um bote entre duas ondas e um homem apontando para mim. Quando chegaram, outras mãos seguraram a caixa para que eu pudesse soltá-la.

Fui puxada para dentro. Bati o joelho no banco e me deitei no fundo, tossindo até doer.

"Há mais alguém?", perguntou uma voz.

"Marta. Na Aurora."

O homem repetiu o nome para os remadores. Cobriram meus ombros enquanto o bote mudava de direção.

Uma mão permaneceu perto da minha, aberta sobre a madeira.

"Leonora. Sou Gabriel."

Olhei para ele.

O rapaz dos desenhos tinha pequenas linhas ao redor dos olhos. O cabelo estava molhado, e havia um corte no dorso da mão que ele me oferecia.

"Você veio."

"Recebi a data. Estávamos esperando a Aurora junto à entrada."

Tentei me sentar.

"Marta."

"Estão procurando. Fique comigo até conseguirmos ver."

Não prometeu que ela estava bem antes de saber.

Quando a encontramos no convés danificado, abraçada à pasta encharcada, comecei a chorar de um jeito que não conseguira no cemitério.

Ela embarcou no bote reclamando que eu precisava tirar as roupas molhadas.

Não consegui dizer o quanto precisava ouvir aquela reclamação.

No porto, uma médica nos examinou. A Aurora conseguiu ser rebocada; o capitão e os demais tripulantes sobreviveram. A embarcação que nos atingira foi interceptada pela patrulha alertada por Gabriel.

O funcionário portuário veio colher os relatos na manhã seguinte. Deixei que Marta falasse primeiro.

Ela havia ouvido o pedido pela pasta também.

"A placa foi apreendida", informou o homem. "O registro do barco menciona um intermediário da casa de Varenne. Vamos conferir quem a entregou e quem pagou."

"Foi Adrien?"

"Ainda não sabemos."

Gabriel, sentado perto da porta, não completou a resposta por ele.

Quando ficamos a sós com Marta, pedi que avisassem Beatriz de que eu estava viva.

"Mas não quero meu endereço circulando."

Gabriel assentiu.

"A confirmação seguirá reservada ao tribunal. A investigação vai precisar comunicar os fatos aos envolvidos, mas sua hospedagem não precisa constar dos avisos."

Perguntei se o livro de meu pai tinha sido encontrado.

Marta me mostrou a caixa de costura. Estava úmida por fora, mas ainda fechada. O tecido protegera parte das páginas.

Pedi que o abrisse sobre a mesa, folha por folha.

Naquela tarde, enquanto o papel secava, assinei meu depoimento sobre a tentativa de abordagem.

Minha letra saiu irregular.

Meu nome estava inteiro.

* * *

Em Aurélia, Adrien leu o primeiro aviso do acidente antes que chegasse a comunicação reservada do porto.

Aurora danificada. Passageira lançada à água. Buscas em andamento.

Mandou chamar o mensageiro de volta, como se o homem pudesse alterar o que trazia.

Sobre a mesma mesa, um oficial deixara outra notificação.

A investigação exigia os registros da transferência de Henrique de Alencourt e a justificativa da ordem assinada pelo regente.

Adrien abriu o documento. Encontrou a transcrição do pedido de Leonora para que o pai permanecesse no hospital.

Dessa vez, não havia uma mulher esperando no quarto ao lado para ouvi-lo dizer que tudo fora um mal-entendido.

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