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"Oito Anos Para Deixar de Te Amar" Capítulo 6 — O Baile em Que Deixei de Ser Sua

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Capítulo 6 — O Baile em Que Deixei de Ser Sua

Na noite do nosso oitavo aniversário, desci a escada sem aliança.

Marta vinha atrás de mim. Carregava meu manto e uma pasta fina. As caixas já estavam fora do palácio, e o livro de meu pai seguira dentro da caixa de costura, envolvido na camisola limpa que não chegara a usar.

Eu vestia azul-escuro.

Tirara da gola os pequenos falcões de prata e cobrira as marcas dos pontos com folhas bordadas. Precisei de três tardes para acabar. Quando minha mão tremia, parava.

Não queria carregar o brasão deles naquela noite.

Um criado abriu as portas do salão e tomou fôlego para anunciar meu título.

"Leonora de Alencourt", falei antes dele.

O homem hesitou.

Repetiu.

A conversa perto da entrada diminuiu. Vi uma dama apertar o braço do marido, um rapaz abandonar uma frase pela metade. Alguns me olhavam como se eu tivesse entrado sem roupa, não apenas sem joias.

Adrien estava junto às janelas.

Céleste segurava seu braço. O rubi em seu pescoço descansava sobre uma gola branca. Eu conhecia aquela pedra: o joalheiro a trouxera no ano anterior, e eu ficara tempo demais olhando o desenho incompleto do colar.

Adrien dissera que seria bonito em outra ocasião.

A ocasião chegara.

Ele me viu e sorriu.

Tão seguro de que me conhecia que chegou a estender a mão.

"Você veio."

"Vim."

Olhou meu vestido e a mão descoberta. O sorriso perdeu um pouco da firmeza.

"Onde está sua aliança?"

"Na relação assinada pelo tesoureiro."

Céleste ajeitou os dedos sobre a manga dele.

"Leonora, fico contente que esteja melhor. Estávamos preocupados."

"Já posso responder por mim. O tribunal confirmou."

Ela lançou um olhar rápido para Adrien.

Ele indicou uma cadeira perto da mesa principal. Não era a que eu costumava ocupar. Meu antigo lugar estava marcado pelo pequeno leque de Céleste.

Continuei em pé.

"Prefiro esperar."

Um grupo de nobres se aproximou para cumprimentar o regente. Aproveitei o movimento para procurar a porta lateral.

O oficial de Beatriz já estava ali. Fizemos um breve gesto de reconhecimento.

Naquela manhã, eu recebera a confirmação de que os requisitos estavam cumpridos e a decisão fora assinada. Meu casamento terminara naquele dia. A entrega pública não criaria o fim: impediria que Adrien continuasse fingindo que não o ouvira.

Eu sabia o que levava na pasta.

Mesmo assim, quando ele passou perto e seu perfume me alcançou, precisei segurar o encosto da cadeira.

O homem com quem eu sonhara envelhecer estava a dois passos de mim.

Eu me preparava para sair da vida dele diante de todas aquelas pessoas.

Um sino pequeno pediu silêncio.

Adrien ergueu a taça.

Falou sobre lealdade, sobre as provações enfrentadas por quem servia à corte. Céleste baixou os olhos no momento certo. O salão acompanhava cada pausa.

"Por isso, determinei que as rendas de uma propriedade da casa sejam destinadas a madame de Rosnay. Um reconhecimento de minha estima e dos serviços que tem prestado."

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Houve aplausos.

Adrien olhou para mim antes de beber.

Esperei que as mãos se aquietassem.

"Também tenho uma entrega a fazer."

Marta abriu a pasta.

Peguei a relação de joias e a levei até a pequena mesa ao lado de Adrien.

"Todos os bens da casa que estavam sob minha responsabilidade foram restituídos. O tesoureiro conferiu cada item."

Ele não tocou no papel.

"Não é necessário tratar disso agora."

Uma risada baixa veio de algum lugar atrás de mim.

"Deve haver outra lista."

Virei o rosto para o homem que falara.

"Há. A dos objetos que me pertenciam antes de casar. Também está assinada. Se tiver uma acusação, pode fazê-la com seu nome."

Ele olhou para Adrien, esperando ajuda.

Meu marido não riu com ele.

Marta colocou a segunda relação ao lado da primeira. Não entreguei minhas únicas vias; as cópias para aquela noite haviam sido preparadas antes.

Céleste se aproximou da mesa.

"Ninguém está acusando você. Só não entendemos por que precisa transformar uma homenagem numa disputa."

"Eu não pedi sua propriedade, Céleste."

Adrien pousou a taça com força suficiente para interromper a resposta dela.

Chamou o mordomo.

"Traga o documento do meu escritório. A pasta vermelha."

Enquanto esperávamos, ele falou baixo, perto de mim.

"Não se humilhe mais."

Eu o encarei.

Havia ensaiado muitas respostas para aquela noite. Nenhuma me veio. Só consegui pensar em meu pai ouvindo homens dizerem que não podia sair de um quarto cujo custo eu já pagara.

Afastei a cadeira que me impedia a passagem.

O mordomo voltou com um documento preso por uma fita nova.

Adrien o abriu para o salão ver.

"Uma renda em seu nome, Leonora. Independentemente de termos um herdeiro. Eu estava esperando que você voltasse a agir com sensatez."

Uma dama levou a mão ao peito, satisfeita com a generosidade que podia testemunhar sem pagar por ela.

O papel estava pronto antes de eu entrar.

Ele esperara uma cobrança. Providenciara uma resposta.

"Não vou aceitar."

Adrien aproximou o documento.

"Leia o valor."

"Não preciso."

"Você não vai encontrar melhor condição."

Minha voz saiu mais firme.

"Não estou escolhendo uma condição para continuar casada com você."

Atrás de mim, o oficial deu um passo à frente.

"Por determinação do Tribunal dos Pactos da Coroa, procedo à entrega da decisão relativa ao vínculo entre Adrien de Varenne e Leonora de Alencourt."

O salão ficou quieto.

Adrien não olhou para o homem. Continuou olhando para mim, como se ainda pudéssemos combinar uma versão diferente do que estava acontecendo.

"Isso já foi longe demais."

O oficial abriu a decisão.

Leu os nomes, a identificação dos instrumentos registrados oito anos antes e a comprovação da notificação. Leu que o prazo havia transcorrido e que o tribunal reconhecera minha capacidade de apresentar o pedido.

Céleste recuou da mesa.

Então veio a frase que eu esperara desde a manhã em que entrara no arquivo.

"Declara-se dissolvido, a partir desta data, o vínculo matrimonial entre as partes."

Ninguém aplaudiu.

Ouvi uma cadeira ser arrastada. O som pareceu alto demais.

Adrien pegou a decisão e procurou a última página.

"Eu não autorizei isso."

"O consentimento à cláusula consta do instrumento original", respondeu o oficial. "A decisão foi proferida pela autoridade competente."

"Eu sou o regente."

"E uma das partes."

Adrien tornou a me olhar.

"Você fez isso mesmo?"

"Eu lhe disse."

Pela primeira vez naquela noite, ele pareceu ouvir alguma coisa sem preparar uma resposta.

Guardei minha via da decisão na pasta que Marta segurava. Em seguida, peguei o manto.

Adrien atravessou o espaço entre nós.

"Nós vamos conversar. A sós."

"O que quiser contestar, encaminhe ao tribunal."

"Leonora."

Continuei andando.

A ordem dele veio antes que eu alcançasse a porta.

"Fechem as saídas. Ninguém deixa este palácio."

Um guarda baixou a mão até o ferrolho.

Parei. Marta ficou junto ao meu ombro.

O oficial protestou, mas Adrien já chamava o capitão da guarda particular. Na expressão dele, reconheci a certeza com que assinara a ordem sobre meu pai.

Olhei para a porta lateral.

O representante do Conselho da Coroa, cuja chegada o oficial me confirmara na entrada, avançou com dois guardas de uniforme real.

Tirei da pasta o envelope selado com meu depoimento final e a relação dos documentos sobre a morte de Henrique. Os registros anteriores já estavam sob análise do Conselho. Aquela era minha declaração pessoal de que mantinha o pedido de proteção.

Entreguei-a ao representante.

"Meu ex-marido acaba de impedir minha saída. Peço que a ordem seja apresentada."

Adrien viu o selo real antes de ver o rosto do homem.

"O que significa isso?"

O representante abriu a decisão recebida do Conselho naquela tarde.

"No exercício das competências reservadas à Coroa, ficam suspensos os poderes de Adrien de Varenne para..."

 

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