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"Oito Anos Para Deixar de Te Amar" Capítulo 3 — A Cláusula Que Ele Desprezou

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Capítulo 3 — A Cláusula Que Ele Desprezou

"Quero uma cópia."

O soldado recolheu a ordem.

"Não tenho autorização."

"Então diga seu nome à administradora. Ela vai registrar quem está impedindo a saída de um paciente."

Ele trocou um olhar com o companheiro. Nenhum dos dois esperava que eu chamasse alguém. Estavam acostumados a me ver discutir com Adrien e, depois, fazer o que ele mandava.

A administradora apareceu ao ouvir sua funcionária chamá-la. Leu o papel sem tocá-lo.

"Registrarei a ordem no livro de ocorrências", disse.

O soldado permitiu que ela copiasse o texto.

Não consegui levar meu pai. Consegui que a presença daqueles homens deixasse de ser apenas uma história contada por mim.

Entrei no quarto por alguns minutos. Meu pai fingiu interesse no livro enquanto eu ajeitava a manta sobre seus pés.

"Não tente enfrentá-los", pedi.

"Hoje, quem precisa ouvir isso é você."

Beijei sua testa e fui procurar Tomás.

Na manhã seguinte, entrei no Tribunal dos Pactos com a transcrição feita pela administradora. Beatriz me recebeu de pé, junto a uma mesa coberta de registros antigos.

"A cópia da sua carta matrimonial foi localizada."

O escrivão colocou lado a lado o documento do arquivo dos Varenne e aquele que a Coroa guardava havia oito anos. Mesmos artigos. Mesmas testemunhas. A assinatura de Adrien aparecia nas duas folhas.

Beatriz indicou a expressão qualquer dos cônjuges.

"Não há divergência. A notificação sairá hoje."

Mostrei a ordem sobre meu pai.

Ela a leu até o fim.

"Vou encaminhar um pedido de esclarecimento. Esta ordem não é uma decisão deste tribunal."

"Ele vai obedecer?"

"Não posso prometer o comportamento dele. Posso registrar o que faz e exigir que responda. Guarde seus comprovantes fora do palácio."

Pedi duas cópias autenticadas dos instrumentos matrimoniais. Uma ficaria com Tomás. A outra, comigo.

O oficial chegou ao Palácio de Varenne pouco depois do meio-dia. Eu estava no vestíbulo, esperando que Marta trouxesse meu manto.

Adrien descia a escada com um ministro quando ouviu o nome do tribunal.

"Agora estamos contratando espectadores, Leonora?"

O oficial fez uma reverência breve.

"Notificação de pedido de dissolução matrimonial, Alteza."

O ministro olhou imediatamente para mim.

Adrien não estendeu a mão.

"Deixe com o mordomo. Ele cuida das despesas da minha esposa."

"O recebimento será registrado em nome de Vossa Alteza."

"Registre o que precisar."

O mordomo assinou. O oficial conferiu o nome e a hora antes de guardar a via de retorno.

"Você ouviu o que ele disse?", perguntei a Adrien.

"Ouvi quanto teatro consegue produzir quando quer alguma coisa."

"Quero o fim do casamento."

Ele dispensou o ministro com um gesto. Esperou que o homem atravessasse a porta antes de se aproximar.

"E vai viver de quê?"

Eu já havia respondido àquela pergunta para o joalheiro, a administradora e Gabriel. Nenhum deles a fizera sorrindo.

"Isso deixou de ser uma decisão sua."

Adrien tirou o envelope da mão do mordomo.

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Por um segundo, pensei que fosse abri-lo.

Ele o devolveu.

"Arquive."

Na rua, alcancei o oficial e solicitei a comprovação da entrega assim que fosse registrada. Ele me orientou a retirá-la no tribunal naquela tarde.

Fui com Tomás.

Enquanto esperávamos, abrimos os recibos antigos sobre uma mesa da antessala. Ele havia separado o que conseguira recuperar dos arquivos dos credores de meu pai.

"Aqui está a quantia que Constantin diz ter entregue à senhora."

Procurei meu nome entre as linhas.

Havia uma casa bancária, dois fornecedores, o hospital. Nenhum recibo meu.

"Isso não prova que nunca recebi nada", falei.

"Não. Prova para onde foram estes pagamentos. O restante também precisa ser conferido."

Assenti. Era a primeira conta daquela família que alguém me permitia examinar sem me chamar de ingrata.

O escrivão trouxe a certidão de entrega. Pedi que juntasse ao processo a transcrição da ordem de vigilância. Tomás guardou as cópias da certidão e dos contratos entre suas tábuas.

Levei apenas a minha via do instrumento e os recibos das despesas recentes.

Ao regressar, ouvi choro na galeria.

Céleste estava sentada numa poltrona, com a manga rasgada e uma toalha úmida no braço. Octave Rosnay se inclinava sobre ela. Reconheci a semelhança dos dois quando ele ergueu o rosto: a mesma boca estreita, o mesmo modo de apertá-la antes de falar.

"Meu tio diz que poderia ter sido muito pior", ela soluçou.

Adrien veio na minha direção.

"Onde esteve?"

"No tribunal."

"Até agora?"

"Tomás estava comigo. O escrivão também."

Céleste ergueu os olhos.

"Não precisava estar lá para mandar dois homens me cercarem."

Fiquei imóvel.

"Onde?"

"Perto da capela do mercado. Esta tarde. Um deles disse que você queria me dar um aviso."

Adrien mostrou uma tira de papel. Reconheci as palavras, copiadas por outra mão.

Peço que os homens me aguardem junto à capela, sem chamar atenção.

Era parte da resposta a Gabriel. A frase seguinte explicava que os carregadores do hospital levariam meu pai até a embarcação depois da autorização médica.

"Mostre o restante", pedi.

Adrien manteve a tira erguida.

"Você escreveu isso?"

"Escrevi uma carta. Você está segurando uma frase."

Perto da porta, uma criada de Céleste começou a falar. Octave se virou tão depressa que ela recuou.

"Leve as roupas para lavar", ordenou.

A moça passou por mim, abraçada à manga rasgada que haviam retirado. Seus dedos tocaram minha mão.

"A bolsa", sussurrou. "Eu vi ele entregar..."

"Não temos o dia inteiro", interrompeu o médico.

Ela se afastou. Quando procurei Marta com os olhos, vi que também observara a cena.

"Pergunte o nome dela", murmurei.

Adrien segurou meu braço.

"Ainda está dando ordens?"

"Estou pedindo que alguém termine uma frase."

Octave tirou um papel da maleta.

"Alteza, insisto na recomendação de recolhimento. A duquesa sofreu perdas graves. Este comportamento exige repouso e supervisão."

"Não me examinou."

"A hostilidade é justamente uma das manifestações."

Olhei para Adrien.

"Chame Beatriz Salcedo. Falei com ela hoje."

Ele soltou meu braço para pegar a pena oferecida pelo médico.

"Agora chega, Leonora."

Assinou.

Dois criados me acompanharam até a ala leste. Marta tentou entrar comigo, mas Octave mandou que voltasse depois, com roupas limpas. Antes que fechassem a porta, ela conseguiu dizer que a criada da galeria já fora enviada para a residência de Rosnay.

O médico deixou sobre a mesa uma taça e a ordem que os guardas deveriam cumprir.

"Beba."

"Quero ler primeiro."

Ele hesitou, depois empurrou o papel na minha direção.

O parecer falava em agitação, ameaças e risco para terceiros. A assinatura de Adrien estava fresca, junto à data daquele dia.

Mas a recomendação do médico tinha outra data.

A de ontem.

Céleste dissera que fora atacada naquela tarde.

Passei o dedo pelas duas linhas, conferindo de novo. Octave puxou a folha, mas eu já a havia lido.

O médico pedira que me trancassem antes de haver qualquer ataque.

 

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