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"Oito Anos Para Deixar de Te Amar" Capítulo 1 — Apostei na Minha Partida

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Capítulo 1 — Apostei na Minha Partida

Na manhã em que Aurélia apostou quanto eu cobraria pela morte da minha filha, mandei colocar meu nome no livro de apostas.

Não na coluna das joias.

Na da partida.

Marta voltou do café com o comprovante escondido dentro da luva. Pousou-o ao lado da bandeja do desjejum, evitando olhar para o berço que ninguém tivera coragem de retirar.

"O homem perguntou se a senhora tinha entendido as condições."

"E você?"

"Disse que escrevesse exatamente o que a senhora mandou."

Abri o papel.

Leonora de Varenne deixará o marido antes de aceitar nova compensação.

Abaixo, duas pequenas moedas de prata. O pagamento por um lenço que eu bordara durante as noites em que ainda sentia minha filha se mexer.

Passei o polegar sobre a tinta.

"Alencourt", murmurei. "Na próxima vez, peça que escrevam Alencourt."

Fazia cinco semanas que minha filha nascera sem respirar. Eu estava no oitavo mês quando caí na escadaria da galeria sul. Lembrava da mão de Céleste no meu braço, do puxão, da pedra vindo depressa demais.

Adrien chamara de acidente.

Depois mandara retirar a passagem sobre o puxão do relato que o secretário preparou.

"Você estava nervosa", dissera. "Não transforme outra desgraça numa cena de ciúme."

Eu não discutira. Estava ocupada escolhendo o tecido em que envolveriam minha filha.

Naquela manhã, consegui prender o vestido sozinha pela primeira vez. Precisei sentar antes do último botão.

Marta se aproximou.

"Posso chamar a carruagem?"

"A pequena. Vamos ao arquivo da casa."

Ela olhou para o comprovante.

"Hoje?"

Faltavam vinte e um dias para o oitavo aniversário do meu casamento.

"Já esperei bastante."

O arquivo ficava na residência antiga, onde Constantin ainda administrava as propriedades que reservara ao entregar o ducado ao filho. O tesoureiro abriu duas portas antes de nos deixar entrar.

À direita estavam as caixas de joias. À esquerda, os armários dos contratos.

Ele se dirigiu às joias.

"Sua Graça determinou que nada lhe fosse negado esta manhã."

"Quero meus documentos matrimoniais. Os dois instrumentos."

O homem parou com a chave erguida.

"Os contratos?"

"E uma cópia da relação dos bens que trouxe ao me casar."

Enquanto procurava, ouvi passos no corredor. Adrien entrou ainda com as luvas de montar. O cabelo escuro estava úmido nas têmporas, e aquele rosto, que eu aprendera a procurar em qualquer salão, pareceu absurdamente familiar.

Meu corpo se preparou para sorrir antes que eu conseguisse impedi-lo.

Adrien olhou as caixas abertas.

"Então era isso. Cinco semanas de silêncio para chegar a um preço."

Marta enrijeceu atrás de mim.

"Estou conferindo o que é meu", respondi.

"Uma novidade. Geralmente você prefere conferir com quem estou."

Ele tirou uma luva, dedo por dedo. Eu reconhecia aquele gesto: fazia os outros esperarem enquanto escolhia a maneira de ferir.

"Céleste ficou muito abalada com o acidente. Esperava alguma consideração sua."

"Minha filha morreu, Adrien."

O tesoureiro baixou os olhos.

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Por um instante, meu marido deixou de puxar a luva.

"Nossa filha."

Esperei. Uma pergunta sobre minha saúde. Sobre o nome que eu escolhera. Qualquer coisa que ele ainda não tivesse perguntado.

Ele tornou a olhar para as joias.

"Escolha o que quiser. Mas depois encerre esse assunto."

Passou por mim e saiu.

Mantive a mão na borda da mesa até o tremor diminuir. Então indiquei o armário.

"Os documentos, por favor."

Recebi uma pasta estreita, amarrada com fita desbotada. Na primeira folha, reconheci minha assinatura aos dezenove anos. As letras eram maiores; eu ainda tinha pressa de ocupar espaço.

Constantin pagaria parte das dívidas de meu pai e custearia sua permanência em Santa Brígida. Em troca, eu entraria para a casa de Varenne. O nascimento de um herdeiro legítimo me garantiria uma renda vitalícia.

Eu amava Adrien quando assinei.

Também precisava manter meu pai vivo.

Durante o primeiro ano, acreditei que essas duas verdades podiam existir juntas. Adrien discordou quando encontrou a cláusula financeira. Naquela noite, me empurrou ao afastar minhas mãos. Perdi nossa primeira criança dias depois.

Desde então, cada conta paga era uma acusação. Cada mulher que ele levava aos salões, uma oportunidade de me fazer pedir que voltasse.

Abri a segunda folha.

O título era simples: Disposições de Dissolução.

Na ausência de descendente legítimo vivo ao fim de oito anos, qualquer um dos cônjuges poderia requerer o término do vínculo, nos termos da carta de privilégio registrada pela Coroa.

Qualquer um.

Adrien assinara logo abaixo. Lembrava dele rindo quando Constantin explicara a cláusula.

"Ela nunca vai querer sair."

Fechei a pasta.

"Anote que levei apenas os papéis."

O tesoureiro ergueu a cabeça.

"É necessário?"

"Quero sua assinatura."

No Tribunal dos Pactos da Coroa, uma funcionária me ofereceu chá. Eu segurava a xícara quando a juíza Beatriz Salcedo entrou e pediu que todos saíssem.

"Sua acompanhante pode esperar na sala ao lado. Preciso ouvir a senhora sozinha."

Assenti. Gostei que ela explicasse antes de mandar.

Beatriz examinou as folhas, depois meu rosto.

"Deseja uma negociação de renda ou a dissolução?"

"A dissolução."

"Ao perder o título, perderá também a expectativa da renda prevista aqui."

"Eu entendi."

"Seus bens pessoais permanecem seus. Os pagamentos já realizados não se transformam em dívida. Mas a continuidade de outras obrigações poderá exigir discussão separada."

Pensei na cama de meu pai junto à janela do hospital.

"Quanto tempo?"

"Posso receber o pedido preparatório hoje. Precisamos confrontar estes instrumentos com o registro e notificar seu marido. Há dez dias de espera após a entrega válida. O vínculo só poderá terminar quando os oito anos estiverem completos."

"E se ele disser não?"

Ela girou a folha, apontando a assinatura de Adrien.

"Ele já concordou com esta possibilidade. Pode contestar os requisitos. Não pode inventar uma nova exigência de consentimento."

Deixei a xícara no pires. Pela primeira vez naquela manhã, não derramei nada.

"Então registre."

Beatriz guardou os originais no processo e me entregou um recibo. Quando assinei o requerimento, usei o sobrenome de meu pai.

Voltei ao palácio ao anoitecer.

Um criado me esperava na escada com uma carta. Reconheci o selo de Santa Brígida, mas havia outro documento preso atrás, marcado com o falcão dos Varenne.

Abri os dois ainda de luvas.

Os pagamentos referentes à assistência de Henrique de Alencourt estavam suspensos por ordem do patrono. O hospital solicitava a indicação de outro responsável pelas despesas antes do fim da semana.

Abaixo, a assinatura de Adrien.

Marta pegou meu cotovelo quando o degrau pareceu se mover.

"Madame?"

Li a ordem novamente. Ele a assinara antes de saber do tribunal.

Não precisava descobrir minha tentativa de sair para me lembrar por que eu ficava.

Dobrei a carta e a guardei junto ao recibo.

"Amanhã cedo", disse a Marta, "vamos vender meu broche."

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