localização atual: Novela Mágica A Loba Que o Rei Não Pode Domar Capítulo 6 — Eu Recuso a Sua Marca
标题上

"A Loba Que o Rei Não Pode Domar" Capítulo 6 — Eu Recuso a Sua Marca

正文开头

Capítulo 6 — Eu Recuso a Sua Marca

Tirei a mão de perto da de Tomás.

"Quero ler agora."

Bruna pediu ao escrivão do abrigo uma cópia do pacto. Enquanto ele a buscava, Tomás permaneceu ao meu lado, sem tentar diminuir a importância da pergunta.

O volume veio com as bordas gastas e anotações de processos antigos.

Encontrei primeiro as palavras proteção da Casa Real.

Depois, representação exclusiva.

A companheira que aceitasse a marca passaria à tutela judicial do soberano. Não poderia apresentar, em nome próprio, uma demanda contra um ato da Coroa. Sua causa seria tratada dentro da casa à qual pertencia.

Li o parágrafo em voz alta.

"E se o ato tiver sido cometido pelo homem que passa a me representar?"

O escrivão não respondeu imediatamente.

Isso já era uma resposta.

Tomás colocou a mão na mesa.

"A proteção impediria que os senhores das alcateias a detivessem."

"E impediria que eu cobrasse de você o que aconteceu."

Ele olhou para o trecho.

"Eu não recusaria ouvir você."

"Hoje. O texto precisa servir também no dia em que você não quiser."

Lá fora, alguém carregava baldes para lavar os pés feridos dos trabalhadores. Caio tinha atravessado dezoito meses porque nenhum dos homens que assinavam documentos precisara olhar seu rosto.

Eu não entregaria minha voz na primeira sala em que finalmente me deixavam falar.

"Não vou aceitar uma marca enquanto isso existir."

Tomás afastou a cadeira e ficou de pé. Esperei uma discussão.

"Não haverá marca sem a sua vontade."

Assenti, mas mantive o dedo sobre o parágrafo.

"Preciso que consiga ouvir isso diante dos outros também."

Antes de voltar à fortaleza, deixamos cópias conferidas das contas apreendidas sob a guarda do escrivão local. Bruna levou os originais lacrados. Os depoimentos dos trabalhadores ficaram em duas vias, com os nomes de quem os ouvira.

Caio quis ir comigo.

"Você mal ficou em pé hoje."

"Eu fiquei em pé lá dentro todos os dias. Agora quero escolher onde."

Não encontrei uma resposta que não parecesse uma das minhas próprias prisões.

Viajou numa carroça, com Dalva e dois companheiros dispostos a testemunhar. Os demais permaneceram protegidos.

Na fortaleza, o dia seguinte foi consumido por conferências. O escrivão comparou as listas de serviço, registrou a apreensão do livro de despesas e solicitou os índices das contas militares para identificar as referências abreviadas.

Entreguei o pedido em duas partes.

Primeiro, o fim do serviço compulsório imposto aos sobreviventes.

Depois, a investigação dos pagamentos encontrados.

Se tentassem arrastar tudo para a mesma dúvida, os trabalhadores continuariam presos a uma acusação que nem sequer tinham ouvido individualmente.

Na manhã dos juramentos, vesti a roupa escura que Dalva ajustara para mim. Não havia joias. Minha autorização de trânsito estava no bolso, dobrada junto à cópia do pedido.

Bruna me encontrou na entrada do salão.

"O livro está com o escrivão. Lacre intacto."

Toquei o braço dela, agradecendo.

正文1

Do outro lado das portas, ouvi Gaspar pedir ao rei que esclarecesse a questão de sua companheira antes da renovação dos votos das alcateias.

Entrei sem esperar o anúncio do meu nome.

Os sete assentos do conselho estavam ocupados. Tomás permanecia diante do trono, a manga direita mais larga para acomodar a faixa. Na mesa cerimonial havia uma corrente de prata, símbolo da união das casas.

Não olhei para ela por muito tempo.

"Há uma audiência de reparação marcada", falei. "As testemunhas estão aqui."

Gaspar se virou.

"A ordem da cerimônia—"

"Foi publicada ontem", interrompeu uma representante do conselho. "A requerente será ouvida antes dos juramentos."

Eu não conhecia aquela mulher. Naquele momento, teria reconhecido sua voz em qualquer lugar.

Subi ao espaço reservado às petições.

Caio veio depois, caminhando devagar. Pousou na mesa a lista de transferência.

"Qual foi a sua condenação individual?", perguntou o escrivão.

"Ninguém me disse. Mandaram trabalhar porque eu estava no portão."

Os outros dois confirmaram que não tinham recebido acusação própria. Um deles sequer estivera junto à corrente; fora preso dias depois, ao procurar a mulher no posto.

Dalva apresentou os canhotos de farinha. Bruna descreveu como os recolhera, a tentativa de incêndio e a cópia feita antes do ataque.

Mostrei o registro dos barcos que haviam transportado refugiados depois da data oficial de retirada.

"Não estou pedindo que decidam hoje quem armou a emboscada", falei. "Estou pedindo que parem de punir todas essas pessoas como se já soubessem."

Gaspar argumentou que a sanção mantinha a ordem nas terras recuperadas.

Caio puxou a manga até o cotovelo. A pele estava marcada pelas correias usadas no trabalho.

"Que ordem eu ameaço dormindo na minha casa?"

Tomás fechou a mão esquerda.

Não respondeu por ele.

Quando o conselho pediu a posição da Coroa, o rei apoiou o encerramento da medida coletiva. Não ofereceu perdão. Eu tinha pedido expressamente que não chamassem inocência ainda não julgada de favor concedido.

Os votos foram tomados um a um.

Cinco pela revogação.

O escrivão registrou a extinção do serviço compulsório fundado naquela sanção, com ordens de soltura para os detidos sem outro fundamento individual.

Pedi que lesse a última parte novamente.

Ele leu.

Caio soltou o ar num som que eu nunca tinha ouvido. Apertei a mão dele debaixo da borda da mesa.

Dessa vez, ninguém poderia mudar o destino dele apenas trocando o nome de uma pedreira.

Gaspar esperou a primeira onda de vozes diminuir.

"Resolvida a questão dos trabalhadores, precisamos resolver a da requerente."

Ele apontou para a mesa de prata.

"O rei reconhece ou não o laço?"

Tomás olhou para mim.

Eu não baixei os olhos.

"Reconheço", respondeu.

O salão mudou. Pessoas que tinham evitado me encarar passaram a olhar meu pescoço.

Senti o calor conhecido sob a pele. Dessa vez veio acompanhado do medo de ser transformada, diante de todos, em outra coisa que eu não escolhera.

正文2

"Então a união deve ser formalizada", disse Gaspar. "Sob a tutela real, seus interesses estarão protegidos. O restante do pedido pode ser tratado nos termos da Casa."

"Eu recuso a sua marca."

Falei para Tomás, alto o bastante para alcançar o fundo do salão.

Um conselheiro se levantou. Alguém deixou cair uma taça.

O rei ficou pálido sob a luz das janelas.

Eu sabia que ele estava preparado para ouvir minha decisão. Talvez nenhum de nós estivesse preparado para ouvi-la naquele silêncio.

"Enquanto aceitar essa marca significar perder o direito de cobrar uma resposta da Coroa, não vou aceitá-la."

Gaspar avançou um passo.

"Ela rejeita o soberano diante das sete alcateias."

"Eu rejeito a tutela."

"O vínculo real não pode ser dividido conforme a conveniência de uma acusada."

Olhei para a corrente de prata.

"Então mudem o que fazem com ele."

Tomás deu um passo para longe da mesa cerimonial.

"Ninguém será marcado contra a própria vontade."

Gaspar se voltou imediatamente para o conselho.

"Um rei que submete a estabilidade do pacto a esse impasse não pode conduzir sozinho a crise. Proponho a abertura de uma discussão de regência até que a autoridade da Coroa seja restabelecida."

Dois representantes manifestaram apoio à discussão.

O rosto dele permaneceu sereno. Atrás da serenidade, havia a pressa de alguém que acabara de encontrar a porta que procurava.

Um guarda junto à minha passagem olhou para o chefe da intendência, esperando instruções.

Vi Tomás perceber o mesmo movimento.

Poderia ter ido até ele. Poderia ter deixado que aquela sala inteira se ocupasse do nosso laço enquanto o resto voltava para uma gaveta.

Em vez disso, retirei do bolso a segunda parte do pedido.

"Antes de discutirem quem deve proteger a Coroa, há despesas da campanha que precisam ser explicadas."

O escrivão levantou os olhos.

"A conferência dos índices foi concluída?", perguntei.

Ele confirmou.

"Então peço a leitura do lançamento de mensageiro e dos recibos vinculados. Com a conta de origem, a data e o destino."

Gaspar perdeu o sorriso.

"Essas contas são matéria militar reservada."

"Foram apreendidas numa inspeção autorizada", disse Bruna. "O conselho tem competência para examiná-las."

Subi novamente ao lugar das petições.

Dessa vez, Tomás não estava entre mim e o homem que eu precisava enfrentar.

O escrivão trouxe o volume lacrado, conferiu a assinatura da capitã e cortou a cera.

Gaspar apoiou as duas mãos na mesa.

"Majestade, interrompa essa leitura."

Mantive os olhos no escrivão.

Ele abriu o primeiro recibo.

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部