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"Só Finja Que Está Comigo" Capítulo 4

正文开头

Isabela estava fechando a Doce Aurora quando Dante entrou.

Já passava das oito da noite.

A rua estava mais silenciosa, e as cadeiras da confeitaria tinham sido viradas sobre as mesas.

Ela percebeu na mesma hora que havia alguma coisa errada.

Dante não pediu torta de damasco.

Não perguntou se ela estava bem.

Apenas colocou uma pasta sobre o balcão.

"Precisamos conversar."

Isabela soltou o pano de prato.

"Sobre a audiência?"

"Sobre o Henrique."

Ela ficou imóvel.

Dante abriu a pasta.

"Bruno encontrou a razão mais provável para ele ter aparecido de repente querendo a guarda da Lívia."

Isabela puxou uma cadeira.

Não se sentou.

"Fala."

Dante retirou um documento.

"O avô do Henrique deixou parte do patrimônio da família dentro de uma estrutura de sucessão."

"E?"

"Para Henrique controlar totalmente esse bloco, ele precisa comprovar que existe um herdeiro direto legítimo sob responsabilidade dele."

Isabela franziu a testa.

"Você está dizendo que ele precisa provar que é pai?"

"Mais do que isso."

Dante empurrou o documento para ela.

"Ele precisa demonstrar participação direta na criação e na guarda do herdeiro."

Isabela leu sem entender.

Depois encontrou o valor.

Seus olhos pararam.

"Quatrocentos e oitenta milhões?"

"De reais."

Ela levantou o rosto lentamente.

"Isso é uma piada?"

"Não."

"O Henrique está tentando levar minha filha por causa de dinheiro?"

"É o que os documentos indicam."

Isabela soltou uma risada curta.

Sem humor.

Então outra.

E, de repente, começou a chorar.

Não de tristeza.

De raiva.

"Ele não apareceu quando ela ficou internada."

Dante permaneceu em silêncio.

"Não apareceu quando eu precisei escolher entre pagar fornecedor e pagar exame."

Ela limpou o rosto com força.

"Não apareceu quando a Lívia acordava chorando de medo."

Sua voz endureceu.

"Mas quatrocentos e oitenta milhões fizeram ele lembrar que tem uma filha."

Dante apoiou as mãos no balcão.

"Isabela."

"Não."

Ela se afastou.

"Eu passei três anos tentando explicar para a Lívia por que o pai não ligava."

Respirou fundo.

"E agora descubro que ele não voltou por ela."

Os olhos dela se encheram outra vez.

"Voltou pelo que ela vale."

Dante a observou.

"Para você, ela não vale dinheiro."

Isabela riu de novo.

"Isso não melhora nada."

"Não era para melhorar."

Ela olhou para ele.

"Então por que me contou?"

"Porque você precisa saber o que está enfrentando."

Isabela fechou a pasta.

"Então agora eu sei."

No dia seguinte, Henrique apareceu sozinho.

Foi pouco depois do almoço.

Dona Teresa, que estava tomando café na mesa perto da janela, percebeu imediatamente.

"Quer que eu fique?"

Isabela olhou para Henrique.

"Não."

Teresa levantou devagar.

Antes de sair, lançou um olhar que prometia voltar em trinta segundos se ouvisse um prato quebrando.

Henrique esperou a porta fechar.

"Podemos conversar?"

"Você já está falando."

Ele colocou uma pasta sobre o balcão.

Isabela reconheceu o formato.

Outro contrato.

"Não quero ler."

"Você deveria."

"Não."

"Isabela, para de agir com emoção por cinco minutos."

正文1

Ela ergueu os olhos.

"Você acabou de usar a palavra emoção falando da nossa filha."

Henrique respirou fundo.

"Eu vim propor uma solução."

"Você quer dizer um preço."

Ele ficou em silêncio.

Isso foi resposta suficiente.

Isabela cruzou os braços.

"Quanto?"

Henrique abriu a pasta.

"Você assina um acordo de guarda provisória por seis meses."

"Não."

"Escuta."

"Não."

"Eu pago a cirurgia inteira."

Isabela congelou.

Henrique continuou.

"Pago todos os exames, internação, médicos, tudo."

Ela apertou os dedos.

"E depois?"

"Quito as dívidas da Doce Aurora."

Isabela não desviou os olhos.

"E depois?"

Henrique respirou.

"Dois milhões de reais."

O silêncio ficou pesado.

Isabela olhou para o documento.

Depois para ele.

"Dois milhões."

"Sim."

"Para eu entregar a Lívia."

"Não é entregar."

"É exatamente isso."

"É guarda temporária."

"Você está comprando minha filha."

Henrique endureceu.

"Eu estou dando uma saída."

"Para quem?"

"Para todo mundo."

Isabela se aproximou.

"Você quer quatrocentos e oitenta milhões."

A cor do rosto dele mudou.

Pouco.

Mas mudou.

Ela percebeu.

"Então é verdade."

Henrique fechou a expressão.

"Quem te contou?"

"Isso importa?"

"Foi o Montenegro?"

"Isso importa?"

"Você não sabe onde está se metendo."

"Eu sei exatamente."

Ela puxou o contrato.

Henrique pareceu relaxar.

Por apenas um segundo.

Isabela rasgou a primeira página ao meio.

Depois a segunda.

Depois a terceira.

Henrique levantou.

"Você enlouqueceu?"

Ela continuou rasgando.

Os pedaços caíram sobre o balcão.

"Não."

Sua voz saiu firme.

"Pela primeira vez, eu estou enxergando você perfeitamente."

Henrique bateu a mão na madeira.

"Você vai perder tudo."

"Eu já perdi muita coisa."

"Vai perder a confeitaria."

Isabela não recuou.

"Eu reconstruo."

"Vai perder dinheiro."

"Eu trabalho."

"Vai perder o plano."

"Eu dou um jeito."

Henrique riu com desprezo.

"E a cirurgia?"

Aquilo atingiu.

Isabela sentiu.

Henrique viu.

E usou.

"Porque orgulho é muito bonito até chegar a conta do hospital."

Ela respirou devagar.

"Vai embora."

"Você devia pensar."

"Vai embora."

Henrique pegou a pasta vazia.

Antes de sair, parou na porta.

"Então veja até onde o amor paga uma cirurgia."

A porta fechou.

Isabela ficou imóvel.

Só quando Henrique desapareceu da calçada é que suas pernas cederam.

Ela se apoiou no balcão.

Dona Teresa entrou quase imediatamente.

"Eu ouvi a porta."

Isabela não respondeu.

Teresa viu os papéis rasgados.

"Meu Deus."

Isabela fechou os olhos.

"Ele tentou comprar a guarda da Lívia."

Teresa levou a mão à boca.

"Quanto?"

"Dois milhões."

"Isabela…"

"Não."

Ela abriu os olhos.

"Não fala nada."

Naquela tarde, o celular tocou.

Era o Hospital Santa Cecília.

Isabela atendeu no primeiro toque.

"Alô?"

"Senhora Isabela?"

"Sim."

"Aqui é da central cirúrgica."

Seu coração acelerou.

"É sobre a Lívia?"

"Sim."

Isabela se endireitou.

"Confirmaram a data?"

Houve uma pausa.

"Na verdade, estamos ligando porque houve uma alteração."

Ela gelou.

"Que alteração?"

"O procedimento foi retirado da programação."

Isabela não entendeu.

"Como assim retirado?"

"A autorização complementar não foi aprovada."

"Mas estava aprovado."

"Houve revisão."

正文2

"Quem pediu revisão?"

"Eu não tenho essa informação."

Isabela apertou o telefone.

"Minha filha precisa dessa cirurgia."

"Eu entendo."

"Não, você não entende."

A funcionária ficou em silêncio.

"Quando podem remarcar?"

"Sem autorização, não temos previsão."

Isabela parou de respirar.

"Sem previsão?"

"Infelizmente."

A ligação terminou poucos minutos depois.

Isabela ficou no meio da confeitaria.

O barulho da rua desapareceu.

Lívia estava na escola.

Ainda não sabia.

Isabela sentou.

Olhou para as próprias mãos.

Henrique tinha falado da cirurgia naquela manhã.

Horas depois, a cirurgia tinha sido retirada da programação.

Ela pegou o celular.

Ligou para Dante.

Ele atendeu no segundo toque.

"Isabela?"

"Cancelaram."

Silêncio.

"O quê?"

"A cirurgia."

A voz dela quebrou.

"Disseram que a autorização foi revisada."

Dante ficou calado por dois segundos.

"Quem informou?"

"O hospital."

"Você falou com Rafael?"

"Não."

"Estou indo para lá."

"Eu não pedi."

"Eu sei."

Menos de quarenta minutos depois, Dante entrou no Hospital Santa Cecília.

Bruno vinha logo atrás.

Isabela chegou pouco depois.

Encontrou Dante diante do setor administrativo.

Ele estava diferente.

Não gritava.

Não fazia escândalo.

Mas havia alguma coisa fria no rosto dele.

"Quem cancelou o procedimento?"

A supervisora tentou manter a calma.

"Senhor, existem protocolos."

Dante colocou um documento sobre o balcão.

"Eu perguntei quem cancelou."

"Não posso fornecer dados internos."

Dante olhou para Bruno.

Bruno fez uma ligação.

Quinze minutos depois, o diretor executivo do hospital apareceu pessoalmente.

Isabela observou.

Aquilo dizia mais do que qualquer história de Dona Teresa.

"Senhor Montenegro."

Dante não cumprimentou.

"A cirurgia de Lívia Oliveira foi retirada da programação por uma autorização que já estava encaminhada."

O diretor respirou fundo.

"Estamos verificando."

"Verifique agora."

Isabela segurou o braço dele.

"Dante."

Ele olhou para ela.

"Não paga."

A expressão dele suavizou.

"Eu não vou pagar."

"Eu estou falando sério."

"Eu também."

Ela soltou o braço.

Dante voltou ao diretor.

"Não estou pedindo favor."

Sua voz continuou baixa.

"Estou pedindo que vocês respeitem o procedimento que já havia sido aprovado."

O diretor assentiu.

A auditoria interna começou.

Duas horas depois, a cirurgia de Lívia voltou para a programação provisória.

Isabela quase chorou de alívio.

"Obrigada."

Dante olhou para ela.

"Não terminou."

"Ela voltou para a lista."

"Sim."

"Então o que falta?"

"Descobrir quem tirou."

Naquela noite, Bruno recebeu os primeiros registros.

Entrou no escritório de Dante com o notebook aberto.

"Encontrei a origem."

Dante levantou os olhos.

"Fala."

"A revisão não nasceu no hospital."

Bruno girou a tela.

"Veio de uma empresa terceirizada de gestão médica."

Dante leu o nome.

"Ferraz Saúde Administrativa."

"Tem ligação com a família da Vitória."

Dante ficou imóvel.

"Quem autorizou?"

Bruno abriu o histórico do documento.

"Tem assinatura digital."

Dante leu.

Seu rosto mudou.

Bruno percebeu.

"Você conhece?"

Dante não respondeu imediatamente.

Na tela estava o nome:

Augusto Montenegro.

Bruno fechou a expressão.

"Augusto é…"

"Meu tio."

Pela primeira vez desde que Isabela o conhecia, Dante Montenegro parecia realmente abalado.

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