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"Só Finja Que Está Comigo" Capítulo 2

正文开头

Isabela desceu as escadas correndo.

Abriu a porta da Doce Aurora e saiu para a calçada ainda de chinelos, sem casaco, com o celular apertado na mão.

O carro preto já tinha partido.

Ela olhou para os dois lados da rua.

Nada.

Só o movimento normal da Vila Madalena, um entregador de bicicleta, um ônibus dobrando a esquina e o barulho distante de uma moto.

Isabela ficou parada por alguns segundos.

O coração batia tão forte que doía.

Alguém tinha fotografado a janela do apartamento onde Lívia dormia.

Aquilo não era acaso.

Naquela noite, ela não conseguiu dormir.

Toda vez que um carro reduzia a velocidade diante da confeitaria, Isabela se levantava e ia até a janela.

Às quatro da manhã, desistiu de tentar descansar.

Às seis, já estava na cozinha preparando a massa.

Às 7h41, o sino da porta tocou.

Isabela ergueu a cabeça.

Dante Montenegro entrou.

Como se nada tivesse acontecido.

Terno escuro.

Passos tranquilos.

Expressão indecifrável.

Ele se aproximou do balcão.

"A torta de damasco."

Isabela não se mexeu.

Dante esperou.

Ela cruzou os braços.

"Ontem tinha um carro preto parado em frente à minha casa."

"Imagino que existam muitos carros pretos em São Paulo."

"Um homem estava me fotografando."

Dante não respondeu.

Isabela estreitou os olhos.

"Aquele carro era seu?"

Dante olhou para ela durante alguns segundos.

"Se fossem meus homens, você não teria visto."

O frio percorreu as costas de Isabela.

Ele não falou em tom de ameaça.

Era isso que tornava a frase pior.

Falou como quem dizia uma verdade simples.

Isabela colocou a caixa com a torta sobre o balcão.

"Isso era para me tranquilizar?"

"Não."

"Funcionou ao contrário."

"Eu percebi."

Ela empurrou a caixa na direção dele.

"Você sabe quem estava no carro?"

Dante tirou uma nota do bolso.

"Estou descobrindo."

Isabela ficou imóvel.

"Você já sabia?"

"Sabia que alguém estava observando você."

"Desde quando?"

"Desde ontem à noite."

A indignação subiu imediatamente.

"E você não achou importante me avisar?"

"Eu achei mais importante descobrir quem era antes de assustar você."

"Você está falando sério?"

Dante ergueu uma sobrancelha.

"Você parece bastante assustada sem a minha ajuda."

Isabela soltou uma risada sem humor.

"É impressionante como você consegue ser insuportável antes das oito da manhã."

Dante deixou o dinheiro sobre o balcão.

"Também me disseram isso depois das oito."

Ele se virou.

Isabela bateu a mão no balcão.

"Espera."

Dante parou.

"Se você sabe de alguma coisa que envolva a minha filha, eu quero saber."

A expressão dele mudou.

Muito pouco.

Mas mudou.

"Se envolver a Lívia, você vai saber."

"Não decide isso por mim."

"Não estou decidindo."

"Então me conta agora."

Dante olhou para ela por alguns segundos.

"Eu ainda não tenho uma resposta."

"Mas tem gente investigando."

"Tenho."

"Quem?"

"Bruno."

"Quem é Bruno?"

"Alguém em quem confio."

"Isso explica quase nada."

"Por enquanto, é o suficiente."

Isabela abriu a boca para protestar.

正文1

Mas Dante já caminhava até a porta.

Antes de sair, ele se virou.

"Não feche a confeitaria sozinha hoje."

Ela franziu a testa.

"Isso foi uma ordem?"

"Foi um conselho."

"E se eu ignorar?"

Dante segurou a maçaneta.

"Eu vou descobrir."

A porta se fechou.

Isabela ficou olhando para ele atravessar a calçada.

O sedã preto abriu a porta traseira.

Dante entrou.

Só então ela percebeu o detalhe que mais a incomodou.

Ele não parecia preocupado.

Parecia preparado.

Duas horas depois, Dante estava no último andar de um prédio comercial na Avenida Faria Lima.

Bruno Siqueira entrou no escritório segurando uma pasta fina.

Tinha quarenta anos, ombros largos e a expressão de quem raramente trazia boas notícias.

Dante não levantou os olhos do computador.

"Encontrou?"

"Sim."

"Fala."

Bruno colocou três fotografias sobre a mesa.

"O carro está registrado no nome de uma locadora empresarial."

Dante olhou para uma das imagens.

"Continua."

"A locadora repassou o veículo para uma empresa chamada Prisma Investigações."

"Investigação particular?"

"Discreta, cara e muito usada em divórcios, disputas empresariais e brigas de família."

Dante fechou o notebook.

"Quem contratou?"

Bruno empurrou uma folha para ele.

"Não foi Henrique Vasconcelos."

Dante ergueu os olhos.

"Quem?"

"Vitória Ferraz."

O silêncio ficou pesado.

Bruno continuou.

"Atual esposa dele."

Dante encostou as costas na cadeira.

"Há quanto tempo?"

"Três meses."

"Três meses?"

"Ela não começou a investigar a Isabela ontem."

Bruno abriu a pasta.

"Tem relatório de renda."

Outra folha.

"Aluguel da confeitaria."

Outra.

"Financiamento bancário."

Outra.

"Débitos."

Outra.

"Contas do Hospital Santa Cecília."

Dante ficou mais sério.

Bruno continuou.

"Horário em que Isabela abre e fecha a Doce Aurora."

"Rotina da menina?"

Bruno assentiu.

"Consulta médica. Exame. Fisioterapia. Dias em que Lívia fica com uma vizinha. Horários de escola."

Dante ficou em silêncio por alguns segundos.

"Isso não é só um processo de guarda."

"Também achei."

"Quero saber por que Vitória Ferraz está tão interessada numa menina de sete anos."

Bruno recolheu parte dos documentos.

"E tem outra coisa."

"O quê?"

"Ela pediu estimativas sobre o valor da cirurgia."

Dante ergueu o rosto devagar.

"Para quê?"

"Não sei ainda."

"Descobre."

Bruno se virou para sair.

"Bruno."

Ele parou.

"Não aproxima ninguém da Isabela sem eu saber."

"Entendido."

"Nem da menina."

Bruno assentiu.

Quando a porta se fechou, Dante permaneceu sozinho.

Olhou para a fotografia de Isabela saindo da confeitaria com Lívia pela mão.

A menina sorria.

Isabela carregava uma mochila infantil em um ombro e uma sacola de pães no outro.

Dante dobrou a foto.

Guardou dentro da pasta.

Naquela tarde, ele voltou à Doce Aurora.

Isabela estava sozinha atrás do caixa.

"Você já voltou."

"Tenho uma informação."

Ela largou a calculadora.

"Sobre o carro?"

"Sim."

Dante colocou uma folha sobre o balcão.

Isabela leu o nome.

Vitória Ferraz.

Seu rosto mudou.

"Vitória?"

"Você conhece?"

"Ela é a esposa do Henrique."

"Ela contratou a empresa que estava observando você."

正文2

Isabela releu a folha.

"Henrique deve ter mandado."

"Talvez."

"Não existe talvez."

"Existe."

Isabela levantou os olhos.

"Ele quer tirar a Lívia de mim."

Dante não respondeu.

Ela continuou.

"Agora eu entendo. Eles estão juntando tudo."

"Quase tudo."

Dante abriu a pasta.

Mostrou os relatórios.

Isabela começou a ler.

Sua renda mensal.

As dívidas.

Os atrasos.

Os gastos com medicamentos.

As parcelas da confeitaria.

Seu horário de trabalho.

As consultas de Lívia.

A cor desapareceu do rosto dela.

"Eles sabem tudo."

"Quase tudo", Dante repetiu.

Isabela empurrou as folhas.

"Isso é doentio."

"É calculado."

"Eles querem provar que eu não tenho condição de cuidar dela."

"É uma possibilidade."

"Não. É isso."

A voz de Isabela começou a falhar.

Ela respirou fundo.

"Henrique nunca se importou quando eu precisava de ajuda. Nunca apareceu quando a Lívia passou três noites internada. Nunca perguntou quanto custava um exame."

Dante ouviu em silêncio.

"Agora ele aparece com advogado, esposa perfeita e dinheiro."

Ela bateu os dedos no balcão.

"E de repente eu sou a mãe irresponsável."

Dante falou baixo.

"Você precisa de um advogado melhor."

Isabela riu com amargura.

"Com qual dinheiro?"

"Eu posso indicar alguém."

"Não."

"Isabela."

"Eu disse não."

"Você nem ouviu o nome."

"Não importa."

Ela ficou de pé.

"Eu não quero seu dinheiro."

"Eu não ofereci dinheiro."

"Você sabe o que eu quis dizer."

"Sei."

"Eu não aceito caridade."

Dante sustentou o olhar dela.

"Não estou oferecendo caridade."

Isabela ficou em silêncio.

"Então o que você quer?"

Pela primeira vez, Dante não respondeu imediatamente.

Olhou para ela.

Depois para a escada que levava ao apartamento.

Depois para o desenho infantil preso com ímã na geladeira atrás do balcão.

Isabela percebeu.

"O que você quer, Dante?"

Ele voltou os olhos para ela.

"Nada que eu vá explicar hoje."

"Isso não é resposta."

"É a única que você vai ter."

Isabela fechou a cara.

"Você é impossível."

"Já me disseram."

"Provavelmente muitas vezes."

"Mais do que você imagina."

Mesmo irritada, Isabela quase sorriu.

Quase.

Do outro lado da cidade, Henrique Vasconcelos entrou no escritório de Dr. Marcelo Ferraz.

"Você sumiu desde ontem."

Marcelo fechou a porta.

"Eu estava pensando."

"Pensando em quê?"

"Em retirar o pedido."

Henrique parou.

"Você enlouqueceu?"

"Não."

"Então por que está falando em desistir?"

Marcelo afrouxou a gravata.

"Porque Dante Montenegro estava segurando a mão da sua ex-mulher."

Henrique soltou uma risada.

"E daí?"

Marcelo não riu.

"Você realmente não sabe com quem está lidando."

"Ele é empresário."

"Sim."

"Rico."

"Sim."

"Então?"

Marcelo se aproximou.

"Se Dante Montenegro estiver realmente do lado de Isabela, eu recomendo que você encerre isso."

Henrique fechou o rosto.

"Eu não vou abrir mão da guarda da minha filha porque um homem rico come torta na confeitaria da minha ex."

A porta se abriu.

Vitória entrou.

Vestido claro.

Salto fino.

Expressão calma.

"O Marcelo tem razão sobre uma coisa."

Henrique olhou para ela.

"Qual?"

Vitória pegou a pasta do processo.

"Isso ficou mais complicado."

"Então paramos."

Ela ergueu os olhos.

"Não."

"Você acabou de ouvir o advogado."

Vitória fechou a pasta com firmeza.

"Agora não podemos parar."

Marcelo ficou em silêncio.

Henrique franziu a testa.

"Por quê?"

Vitória demorou um segundo a responder.

"Porque já fomos longe demais."

No mesmo momento, no escritório de Dante, o celular de Bruno vibrou.

Ele abriu uma nova sequência de registros bancários.

Leu uma vez.

Depois outra.

Seu rosto endureceu.

Bruno entrou no escritório sem bater.

Dante levantou os olhos.

"O que foi?"

"Encontrei outro pagamento ligado à Prisma Investigações."

"De Vitória?"

"Não exatamente."

Bruno colocou o celular diante dele.

"A empresa fez um repasse para um intermediário."

Dante leu o nome.

"Quem recebeu?"

Bruno respirou fundo.

"Alguém de dentro do Hospital Santa Cecília."

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