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"Divorciei Dele e Me Tornei Sua Tia" Capítulo 3

正文开头

O reflexo no espelho do seu escritório particular exibia uma mulher renovada, pronta para retomar o controle de sua vida profissional na sede da construtora.

Assim que pisou no andar executivo da empresa na Avenida Rio Branco, sentiu o peso dos olhares curiosos e sussurros maldosos dos funcionários.

Todos sabiam do vexame da véspera e do comportamento desprezível de Diego, esperando que ela aparecesse derrotada e pronta para pedir piedade.

Mas a expressão de Isadora era de uma frieza inabalável, enquanto ela caminhava com passos firmes em direção à sala de reuniões principais.

Lá dentro, o comitê do novo projeto imobiliário de Copacabana já estava a postos, liderado por Mateus, o diretor de projetos que sempre bajulava Diego.

Mateus levantou-se da cadeira com um sorriso irônico nos lábios, pronto para dar o golpe final na reputação profissional da herdeira rejeitada.

"Bom dia, Isadora. Sabíamos que o abalo emocional da sua vida pessoal poderia impedi-la de entregar os relatórios financeiros a tempo", disse Mateus em tom de falso pesar, cruzando os braços com superioridade.

"Se quiser que alguém competente assuma a liderança do projeto em seu lugar, basta assinar este termo de abstenção e voltar para casa para descansar."

Os demais diretores murmuraram em concordância, todos cúmplices da tentativa de empurrá-la para fora da diretoria.

Isadora sequer piscou diante da provocação barata daquele capacho de Diego, mantendo a serenidade de quem já previa cada movimento daquela corja.

Ela abriu sua pasta de couro com gestos lentos e calculados, retirando de dentro uma pilha de documentos perfeitamente organizados.

"Você deveria se preocupar menos com a minha vida pessoal, Mateus, e muito mais com os rombos absurdos que deixou nas contas do trimestre passado", disparou Isadora com uma voz cortante que fez o sorriso dele desaparecer na hora.

Com uma precisão cirúrgica, ela projetou os gráficos financeiros na tela grande, expondo detalhadamente todas as fraudes e desvios de verbas do departamento dele.

"Aqui está a auditoria completa que comprovei há menos de duas horas, provando que você tentou desviar fundos usando empresas fantasmas em Jacarepaguá."

A sala inteira mergulhou em um silêncio mortal de pânico absoluto, enquanto o rosto de Mateus empalidecia rapidamente, transformando-se em cera.

"Isso... isso é uma mentira absurda, uma calúnia!", gaguejou Mateus, suando frio e tentando arrumar os papéis desesperadamente.

"Acha que eu não conheço os métodos sujos que você e Diego usam?", continuou Isadora, avançando um passo com a autoridade de uma verdadeira dona.

"Ou você renuncia ao cargo agora mesmo e aceita uma investigação interna, ou eu faço questão de entregar este dossiê diretamente à Polícia Federal."

Mateus desabou na cadeira, completamente derrotado e sem saída, enquanto os demais diretores desviavam o olhar para evitar o fogo cruzado.

Aquela vitória esmagadora marcou o primeiro passo da independência de Isadora, provando a todos que ela não era uma boneca de porcelana quebradiça.

O resto do dia passou em uma velocidade vertiginosa de conquistas e decisões, mas a verdadeira reviravolta daquela jornada ainda estava por acontecer.

正文1

A noite caiu sobre o Rio de Janeiro acompanhada por mais uma tempestade violenta, fazendo a água da chuva castigar furiosamente as janelas da sua residência.

Isadora estava no escritório de casa conferindo alguns contratos na tela do notebook, quando o som agudo da campainha da porta principal ecoou pelo apartamento.

Franzindo a testa com estranheza devido ao horário avançado e ao aguaceiro, ela caminhou lentamente pelo corredor escuro até alcançar o hall de entrada.

Ao destrancar a porta e puxá-la para o lado, o fôlego faltou-lhe na garganta, pois ali parado, sob a luz amarela da varanda, estava Augusto Vasconcelos.

O poderoso patriarca vestia um terno de alta-costura em tom de cinza-carvão, com os ombros e os cabelos grisalhos levemente molhados pela chuva implacável.

Gotículas de água escorriam por sua mandíbula marcada e pelos traços severos, conferindo-lhe um ar perigoso, magnético e profundamente vulnerável ao mesmo tempo.

"Boa noite, Isadora. Desculpe o horário intempestivo da minha visita", disse Augusto com aquela voz grave, rouca e pausada que fazia o ar vibrar.

"Mas o assunto que me trouxe até aqui não podia esperar até amanhã."

Isadora recuou um passo por puro instinto de sobrevivência e defesa, sentindo o coração disparar contra as costelas de maneira desordenada.

"O senhor aqui a esta hora, Augusto? O que aconteceu na empresa?", perguntou ela, tentando manter a voz firme diante daquela presença avassaladora.

Sem esperar convite formal, Augusto cruzou o batente da porta e entrou, trazendo consigo o aroma marcante de chuva misturado a cedro e tabaco caro.

Ele retirou o paletó encharcado e o pendurou com cuidado no cabideiro, revelando a camisa social branca com os primeiros botões abertos no pescoço.

"Eu vim porque sei exatamente o que o meu querido sobrinho está tramando", respondeu Augusto, virando-se para encará-la com seus olhos cinzentos e profundos.

A proximidade entre eles no corredor estreito era quase sufocante, e Isadora pôde sentir o calor intenso que emanava do corpo do magnata.

"Diego não engoliu a derrota pública de ontem nem o seu avanço na empresa, e já está articulando um golpe financeiro para destruir a sua credibilidade."

Isadora sentiu um calafrio de raiva misturado com surpresa genuína, embora a revelação não fosse totalmente inesperada vindo de um homem como Diego.

"Como o senhor sabe disso tudo? Por que está se importando tanto?", questionou ela, estreitando os olhos em uma mistura de dúvida e cautela.

Augusto deu mais um passo à frente, diminuindo a distância entre os dois, e por uma fração de segundo, suas pupilas cinzentas brilharam com uma ânsia contida.

Ele escondeu rapidamente a intensidade do olhar dentro de uma rigidez calculada, levantando uma pasta de couro escuro que trazia firmemente sob o braço.

"Porque eu não suporto ver abutres tentando destruir o que é de valor", disse ele, estendendo a pasta pesada na direção das mãos dela.

"Aqui estão todas as provas das transações ilegais que Diego tentou acobardar, incluindo os extratos bancários das contas laranjas que ele abriu no exterior."

Isadora pegou a pasta com as mãos trêmulas, chocada com a profundidade dos dados, percebendo que aquilo era ouro puro para esmagar o ex-marido de vez.

"Isso é... confidencial demais. Como conseguiu isso tão rápido?", perguntou ela, olhando para o homem misterioso com uma nova onda de respeito.

"Digamos apenas que eu tenho meus métodos quando quero proteger o que importa", murmurou Augusto, permitindo que um sorriso quase imperceptível surgisse em seus lábios.

Ele deu mais um passo, ficando tão perto que Isadora podia contar seus cílios escuros, sentindo o perfume amadeirado inundar completamente os seus sentidos.

A respiração de Augusto estava ligeiramente acelerada, e a mão dele ergueu-se por um segundo em direção ao rosto dela, como se quisesse afastar uma mecha solta de cabelo de sua testa.

Mas, no último milésimo de segundo, o patriarca conteve o gesto com brutalidade, fechando o punho com força e cerrando os dentes em uma luta interna feroz.

Ele sabia que ainda não era o momento de revelar o amor guardado por dez anos, que precisava manter a compostura de tio e protetor para não assustá-la.

Augusto deu meia-volta bruscamente, pegou suas chaves sobre o aparador da entrada, e caminhou em direção à porta aberta que dava para a noite chuvosa.

"Analise esses papéis com cuidado, Isadora. A guerra está apenas começando", disse ele por cima do ombro, com a voz carregada de uma promessa sombria.

Ele lançou um último olhar demorado e devorador sobre a silhueta dela, antes de virar as costas e se fundir completamente na escuridão da tempestade.

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