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"Divorciei Dele e Me Tornei Sua Tia" Capítulo 1

正文开头

A tempestade desabava sobre o Rio de Janeiro com uma fúria desmedida, fazendo os pingos de chuva pesados chicotearem sem piedade contra os vidros duplos da cobertura de luxo na Vieira Souto.

Dentro do quarto principal, o silêncio era denso e sufocante, cortado apenas pelo zumbido abafado do ar-condicionado central e pelo som estrondoso dos trovões que retumbavam sobre o mar de Ipanema.

Isadora Ribeiro estava sentada rigidamente diante da penteadeira de laca branca, iluminada apenas pelo reflexo frio e cortante da tela do celular.

O espelho à sua frente exibia uma mulher de traços impecáveis, mas cujos olhos cor de âmbar carregavam uma exaustão profunda, fruto de meses de desilusões disfarçadas sob o verniz de um conto de fadas.

Aquela deveria ser a noite de núpcias deles, mas a imensa cama king-size com lençóis de cetim egípcio permanecia impecavelmente arrumada, fria e completamente vazia.

Diego Vasconcelos, o herdeiro que ela tanto tentara compreender e servir, escolhera passar a primeira noite oficial como homem casado longe dali, celebrando a liberdade de solteiro com os amigos no Leblon.

O aparelho sobre a madeira escura vibrou de repente, rompendo a calmaria tensa do ambiente com um som estridente e seco.

Isadora desviou o olhar com lentidão, suas pálpebras pesadas piscando diante da notificação que acababa de chegar.

Era uma mensagem direta enviada por Mariana Souza, a socialite que todos na alta sociedade apontavam como a verdadeira dona dos caprichos de Diego.

Na tela brilhante, destacava-se uma foto tirada em um camarote VIP na Barra da Tijuca: Diego aparecia com a camisa social desabotoada até o meio do peito, sorrindo de forma descontraída enquanto Mariana, envolta em um vestido de franjas prateadas, segurava a gola do paletó dele com uma intimidade provocante e deliberada.

A legenda anexada era curta e cortante como a lâmina de uma faca: "Ele precisava de um pouco de ar fresco de verdade. Afinal, certas obrigações familiares pesam demais para um homem livre, não acha, Isa?"

Se fosse há alguns meses, quando ela ainda nutria a tola ilusão de que aquele casamento arranjado pelos patriarcas poderia se transformar em afeto real, Isadora certamente teria desabado em lágrimas de desespero ou quebrado o primeiro objeto que encontrasse pela frente.

Mas, neste exato momento, os cantos de seus lábios desenharam apenas um sorriso gélido, quase cínico, que jamais alcançava os seus olhos.

Não havia gritos guardados na garganta, nem histeria, nem o menor vestígio de dor aguda. Apenas a morte silenciosa e definitiva de qualquer resquício de esperança que ainda teimava em habitar o seu peito ferido.

Ela virou o aparelho com a tela voltada para baixo, anulando o brilho irritante que insistia em perfurar a penumbra do quarto.

Em seguida, levantou-se da cadeira com movimentos pausados e calculados, alisando o tecido escuro do robe de seda preta que vestia, e caminhou em passos firmes em direção ao closet espaçoso.

O ar ali dentro cheirava a cedro e ao perfume amadeirado dele, uma fragrância que antes lhe trazia conforto e que agora apenas zombava de sua solidão.

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Precisava desesperadamente respirar longe daquele cômodo asfixiante, mas seus passos hesitaram por reflexo ao passar por um canto esquecido, onde repousava um móvel antigo de herança da família de seu pai: uma pesada cômoda de mogno com entalhes coloniais talhados à mão.

A gaveta inferior daquele móvel estava trancada com uma pequena chave de prata, um segredo bem guardado que ela mantinha havia longos anos, muito antes de aceitar o acordo matrimonial com os implacáveis Vasconcelos.

Impelida por um impulso súbito, quase magnético, Isadora abaixou-se, retirou a chave de dentro de um frasco de perfume vazio e girou a fechadura até ouvir o estalido seco do mecanismo se abrindo.

No fundo da gaveta, sob velhas cartas de faculdade e papéis burocráticos irrelevantes, repousava uma pequena caixa de veludo escuro, completamente gasta pelo tempo.

Ao abri-la com cuidado, seus dedos rolaram sobre a superfície de uma fotografia polaroid antiga, amarelada nas bordas pelo sol, mas perfeitamente preservada.

A imagem capturava um instante congelado em uma galeria de arte no Jardim Botânico, muito antes de Diego cruzar o seu caminho com insistência interesseira.

Na foto, escondido na penumbra atrás de uma pilastra de mármore branco, um homem a observava de longe, mantendo uma distância respeitosa e invisível.

Era Augusto Vasconcelos, o temido e intocável tio de Diego, o verdadeiro pilar de ferro que sustentava todo o império financeiro da família.

O olhar fixo naquelas pupilas cinzentas como o Atlântico em dia de tempestade revelava uma seriedade pétrea, sem qualquer laivo de aproximação indevida, pois naquele tempo ele já escolhera o exílio voluntário do silêncio e da distância.

Isadora jamais imaginaria que, por trás daquela fachada fria e distante de patriarca, ele guardava uma devoção silenciosa que nunca ousara externalizar, restringindo-se a vê-la apenas de longe, sem jamais perturbar a sua paz.

O calafrio que percorreu a espinha dela foi apenas de estranhamento, pois para ela, Augusto não passava de uma figura distante e intimidadora com quem mal trocara três palavras formais nos raros jantares de família.

Isadora balançou a cabeça com força, achando que o cansaço extremo estava apenas jogando peças em sua mente devido ao estresse da noite.

Ela guardou a fotografia de volta no seu devido lugar, fechou a gaveta com firmeza e girou a chave novamente, sentindo o peso gélido do metal apertado entre os seus dedos.

Voltou para o quarto principal em passos lentos, sentindo o peso daquela solidão indesejada esmagar seus ombros.

O porta-retrato prateado sobre a mesinha de cabeceira exibia o rosto sorridente de Diego, um sorriso que agora lhe parecia o retrato exato da falsidade.

Com os dedos firmes, Isadora pegou o porta-retrato de metal pesado e, sem hesitar um segundo sequer, virou-o de cara para baixo contra a madeira, fazendo a moldura bater com um baque seco e definitivo.

Em seguida, estendeu a mão, tocou na tela do celular para apagá-lo de vez e, ignorando totalmente a chuva que desabava lá fora, deu meia-volta e caminhou em passos decididos em direção à janela panorâmica, fitando a escuridão da noite carioca enquanto preparava o espírito para o que viria.

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