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"O Segredo Atrás da Parede" Capítulo 5

正文开头

Henrique passou o resto da tarde dentro da sala de reunião da Montenegro Marcenaria & Interiores.

Sobre a mesa, havia notas fiscais antigas, ordens de compra, relatórios de entrada de material e planilhas impressas às pressas.

Quanto mais ele olhava, menos gostava do que via.

A Atlântica Materiais Nobres não era uma empresa desconhecida.

Ela aparecia nos registros da Montenegro havia anos.

Madeira importada.

Folheados nobres.

Painéis especiais.

Acabamentos usados em projetos de alto padrão.

No papel, tudo parecia plausível.

Mas os números não.

Henrique puxou uma nota e colocou ao lado de outra.

"Isso aqui diz que recebemos quarenta metros cúbicos de nogueira."

Marcelo confirmou.

"Sim."

"Tem comprovante de entrada?"

"Deve ter."

"Deve ter não serve."

Marcelo começou a procurar.

Clara não dizia nada.

Henrique percebeu que ela continuava desconfortável desde que o nome da Atlântica aparecera.

"Clara."

Ela ergueu os olhos.

"Você disse que conhecia esse nome."

"Conhecia."

"De onde?"

"De notas antigas."

"Quão antigas?"

Clara respirou fundo.

"Alguns anos."

"Antes de Vanessa entrar na família?"

A pergunta fez Marcelo olhar para ela.

Clara demorou.

"Talvez."

Henrique fechou a pasta.

"Talvez?"

"Eu preciso conferir."

Henrique riu sem humor.

"É impressionante como todo mundo nesta família precisa conferir quando a pergunta fica difícil."

Marina, sentada ao lado, não interferiu.

Ela apenas continuou examinando as cópias.

Henrique voltou aos documentos.

Em três ocasiões, a Atlântica havia faturado mais madeira do que a Montenegro registrara como recebida.

Em outras duas, os valores pagos eram muito superiores à média de mercado.

Henrique apontou para uma das notas.

"R$ 180 mil."

Marcelo se aproximou.

"O lote era especial."

"Especial o suficiente para custar quase o dobro?"

"Pode ter sido importação urgente."

"Pode ter sido?"

Marcelo se calou.

Henrique virou para Marina.

"Isso já é fraude?"

"Isso é inconsistência."

"Qual a diferença?"

"A diferença é que inconsistência levanta suspeita."

Ela empurrou o papel de volta.

"Fraude exige prova."

Henrique respirou fundo.

O celular vibrou sobre a mesa.

Ele olhou para a tela.

Vanessa.

Ninguém falou.

Henrique deixou tocar.

Parou.

Alguns segundos depois, tocou de novo.

Marina olhou para ele.

"Atende."

Henrique pegou o telefone.

Colocou no viva-voz.

"Fala."

Do outro lado, Vanessa demorou alguns segundos.

"Você encontrou a Atlântica."

Henrique olhou para Clara.

Ela ficou rígida.

"Encontrei."

Vanessa soltou o ar.

"Então já sabe do Tomás."

"Sei que R$ 290 mil saíram da conta da minha filha, passaram pela minha empresa e foram parar numa empresa do seu irmão."

"Não foi para ele."

Henrique apertou o maxilar.

"O dinheiro entrou na conta dele."

"Na conta da empresa."

"Que diferença faz?"

"Faz."

"Então explica."

Vanessa ficou em silêncio.

Henrique perdeu a paciência.

"Vanessa."

"Tomás me deixou usar a conta."

Clara ergueu o rosto.

Marcelo parou de mexer nos papéis.

Henrique perguntou:

"Usar para quê?"

"Para receber e repassar."

"Repassar para quem?"

"Para a clínica da minha mãe."

Henrique fechou os olhos.

De novo Heloísa.

De novo a mesma justificativa.

正文1

"Você está dizendo que roubou da Lívia, fez o dinheiro passar pela minha empresa e depois pela empresa do seu irmão para pagar o tratamento da sua mãe?"

"Eu não roubei daquele jeito."

Henrique riu.

"Existe um jeito aceitável de roubar?"

"Eu ia devolver."

"Você já disse isso."

"E é verdade."

"Verdade seria ter me contado."

Vanessa respirou fundo.

"Eu não conseguia."

"Não conseguia ou não queria?"

"Os dois."

Henrique se levantou e foi até a janela.

Lá embaixo, os funcionários continuavam trabalhando.

"Por que envolver Tomás?"

"Porque eu não podia receber direto."

"Por quê?"

"Meu banco travou uma movimentação anterior."

Henrique virou.

"Anterior?"

Vanessa percebeu que tinha falado demais.

"Que movimentação?"

"Não importa."

"Agora importa tudo."

Vanessa ficou quieta.

Marina fez um gesto para Henrique continuar sem interromper.

Ele baixou a voz.

"Você usou a Atlântica mais de uma vez?"

Vanessa respondeu depois de alguns segundos.

"Sim."

Clara fechou os olhos.

Henrique sentiu uma nova onda de raiva.

"Quantas?"

"Algumas."

"Quantas?"

"Eu não lembro."

"Para de mentir."

"Eu não estou mentindo."

"Você lembra quanto custava cada mês da clínica da sua mãe, mas não lembra quantas vezes movimentou centenas de milhares de reais?"

Vanessa começou a chorar.

"Eu estava desesperada."

Henrique fechou a mão.

"Você roubou de uma menina de seis anos."

Silêncio.

Então Vanessa mudou.

A voz dela ficou mais dura.

"Então pergunta para sua irmã quem me ensinou."

Henrique virou imediatamente para Clara.

O rosto dela perdeu a cor.

"Do que ela está falando?"

Clara não respondeu.

Vanessa continuou:

"Pergunta para ela."

"Vanessa."

"Pergunta quem me mostrou o portal."

Henrique encarou a irmã.

Clara falou baixo.

"Eu já contei."

"Contou metade."

Vanessa soltou uma risada amarga.

Henrique sentiu o estômago apertar.

"Metade de quê?"

Clara se levantou.

"Ela está tentando jogar tudo em cima de mim."

"Eu não estou jogando nada."

Vanessa parecia mais segura agora.

"Você me mostrou."

Clara apertou os dedos contra a mesa.

"Eu mostrei uma vez."

"E explicou como funcionava."

"Porque você perguntou."

"E falou quando o relatório aparecia."

Henrique virou para Clara.

"Você falou isso?"

Clara ficou em silêncio.

"Clara."

"Eu expliquei como funcionava o fechamento."

Henrique passou a mão pelo rosto.

"Por quê?"

"Ela estava vendo os documentos."

"Isso não é resposta."

Clara elevou a voz.

"Porque eu achei que ela estava tentando entender uma movimentação que eu mesma tinha feito."

Henrique bateu na mesa.

"Você contou para Vanessa quanto tempo uma retirada podia ficar sem aparecer para mim?"

"Não foi assim."

Vanessa interrompeu.

"Foi exatamente assim."

Clara virou para o celular.

"Você estava chorando no meu carro!"

"E daí?"

"Você disse que sua mãe podia perder a vaga."

"Podia."

"Eu tentei te acalmar."

"Você fez mais do que isso."

Clara ficou imóvel.

Henrique ouviu a respiração de Vanessa do outro lado.

"Fala."

Vanessa continuou.

"Ela me disse que, se existisse uma emergência de verdade, dava para movimentar o dinheiro e repor antes do fechamento trimestral."

正文2

Henrique encarou a irmã.

"Você disse isso?"

Clara abriu a boca.

Nenhuma palavra saiu.

"Clara."

"Eu não disse para ela pegar."

"Não foi isso que eu perguntei."

Ela respirou fundo.

"Eu disse que, tecnicamente, uma movimentação podia ser corrigida antes do relatório consolidado."

Henrique ficou olhando para ela.

Marina parou de escrever.

Marcelo desviou os olhos.

Henrique falou devagar.

"Você ensinou minha esposa a retirar dinheiro da conta da minha filha sem eu perceber de imediato."

Clara balançou a cabeça.

"Não."

"Foi exatamente isso."

"Eu mostrei como eu tinha feito."

"Isso é pior."

"Eu nunca imaginei que ela fosse copiar."

Vanessa riu do outro lado.

"Você sabia exatamente por que eu estava perguntando."

"Não sabia."

"Sabia."

"Eu não sabia que você ia tirar dinheiro."

"Você sabia que minha mãe estava prestes a ser transferida."

"E eu achei que você ia falar com Henrique."

"Eu falei que não conseguia."

"E eu disse que você tinha que falar."

Vanessa aumentou a voz.

"Depois de me mostrar tudo."

Henrique sentiu que estava cercado por versões.

Cada uma com uma parte da verdade.

Nenhuma completa.

Ele olhou para Clara.

A irmã tinha escondido o problema da empresa.

Usado o dinheiro de Lívia.

Mostrado o sistema a Vanessa.

Vanessa tinha aproveitado a brecha.

Movimentado valores.

Usado o irmão.

Escondido tudo.

Henrique respirou fundo.

"Eu confiei em vocês duas."

Ninguém respondeu.

"Você era minha irmã."

Ele olhou para Clara.

"Você era minha esposa."

Olhou para o celular.

"Enquanto eu trabalhava para sustentar essa família, vocês decidiam entre vocês o que eu podia ou não saber."

Vanessa respondeu:

"Não coloca tudo no mesmo nível."

Henrique riu.

"É exatamente o que todo mundo diz quando é descoberto."

Clara se sentou.

"Eu errei."

"Errou?"

"Sim."

"Você não esqueceu uma conta."

Henrique apontou para os papéis.

"Você criou o caminho."

Clara apertou os olhos.

"Eu também fui a pessoa que descobriu."

"E ficou presa numa parede por isso."

"Exato."

Vanessa perdeu o controle.

"Não usa isso para se fazer de santa!"

Clara virou para o telefone.

"Você me trancou lá dentro."

"Porque você entrou naquele quarto para pegar documentos!"

"Documentos que provavam o que você fez!"

"Documentos que provavam o que você fez também!"

Henrique ergueu a mão.

"Chega."

Silêncio.

Marina falou pela primeira vez em vários minutos.

"Vanessa, os R$ 290 mil foram usados integralmente para a clínica?"

Vanessa demorou.

"Quase."

Henrique fechou os olhos.

"Quase?"

"Uma parte voltou para cobrir outra coisa."

"Que coisa?"

"Eu não lembro agora."

"Claro que não."

Marina continuou:

"Você tem comprovantes?"

"Tenho alguns."

"Envie."

"Eu vou enviar."

"Hoje."

"Sim."

Henrique pegou o celular.

"Mais alguma coisa?"

Vanessa respirou fundo.

"Tem."

Clara levantou os olhos.

Henrique percebeu imediatamente.

"Fala."

Vanessa ficou em silêncio por alguns segundos.

Então perguntou:

"Você acha que Clara só tirou duzentos e dez mil?"

Henrique sentiu o corpo travar.

Virou lentamente para a irmã.

Clara não se mexeu.

"Clara?"

Ela olhou para a mesa.

Henrique sentiu a raiva voltar.

"Olha para mim."

Clara continuou em silêncio.

Do viva-voz, Vanessa soltou uma última frase:

"Pergunta sobre a outra folha de pagamento."

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