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"O Segredo Atrás da Parede" Capítulo 4

正文开头

Às onze da manhã, Henrique já estava na sede da Montenegro Marcenaria & Interiores, na Vila Leopoldina.

A sala de vidro no segundo andar dava para o chão de fábrica, onde máquinas cortavam painéis de madeira e funcionários circulavam como se aquele fosse apenas mais um dia comum.

Para Henrique, não era.

Clara estava sentada à esquerda da mesa de reunião.

Dra. Marina Sampaio, advogada da família e da empresa, ocupava a cadeira em frente.

Marcelo Nogueira, responsável pelo financeiro, havia chegado com dois notebooks e três pastas de documentos.

Henrique fechou a porta.

"Quero tudo."

Marcelo ergueu os olhos.

"Tudo o quê?"

"Log de acesso, câmera, catraca, impressora, servidor."

"Henrique..."

"Tudo."

Marina cruzou as mãos sobre a mesa.

"E cópias."

Henrique virou para ela.

"Cópias?"

"Você não vai mexer em nenhum registro original."

"Eu sou dono da empresa."

"E está investigando uma possível fraude dentro da própria empresa."

Ela falou sem elevar a voz.

"Se alguém usou suas credenciais, cada detalhe agora pode virar prova."

Henrique respirou fundo.

"Então faz direito."

Marcelo abriu o primeiro sistema.

"Eu consigo puxar os acessos daquela terça-feira."

Clara ficou imóvel.

Henrique percebeu que ela ainda parecia abalada desde a descoberta do endereço de rede.

Mas não perguntou se estava bem.

Aquele luxo havia acabado.

Marcelo encontrou o registro.

"Seu computador foi desbloqueado às oito e cinquenta e dois."

Henrique se inclinou.

"Com senha?"

"Sim."

"Minha senha."

"Seu usuário."

"Isso não foi o que eu perguntei."

Marcelo hesitou.

"O sistema registra a autenticação, não quem digitou."

Marina anotou o horário.

"O que aconteceu depois?"

Marcelo abriu outra tela.

"Às nove e três, o scanner da sua sala digitalizou um documento de duas páginas."

"Qual documento?"

"Não aparece no log."

"Tem como recuperar?"

"Talvez no servidor temporário."

"Faz isso."

Marcelo assentiu.

Ele continuou.

"Às nove e onze, houve acesso ao portal financeiro ligado à carteira da Lívia."

Clara fechou os olhos por um instante.

Henrique não desviou da tela.

"Depois."

"Às nove e quatorze, a transferência de R$ 290 mil foi autorizada."

"Com meu usuário."

"Sim."

"E às nove e dezenove?"

Marcelo ficou em silêncio por um segundo.

"A impressora da sua sala imprimiu duas páginas."

Marina olhou para ele.

"Confirmação?"

"Provavelmente."

"Provavelmente não serve."

Marcelo abriu outro painel.

"Espera."

Ele pesquisou o identificador do trabalho de impressão.

"É."

"É o quê?"

"Confirmação de transferência."

Henrique se recostou.

Alguém havia entrado na sala dele.

Aberto seu computador.

Escaneado um documento.

Acessado a conta da filha.

Movimentado R$ 290 mil.

E ainda imprimido a confirmação.

Não parecia impulso.

Parecia procedimento.

"Quero as câmeras."

Marcelo não respondeu imediatamente.

Henrique percebeu.

"O que foi?"

"A câmera do corredor daquele andar ficou fora do ar parte daquela manhã."

Clara levantou o rosto.

"Fora do ar?"

"Manutenção."

"Quem pediu?"

Marcelo começou a procurar.

Henrique já estava irritado.

"Marcelo."

"Estou vendo."

Alguns segundos depois, ele franziu a testa.

"A solicitação veio da administração."

正文1

"Assinada por quem?"

"Não tem nome. Só chamado interno."

Henrique riu sem humor.

"Que conveniente."

Marina ergueu a mão.

"Não conclui nada ainda."

"Alguém desligou a câmera no dia em que minha conta foi usada."

"Pode ser coincidência."

Henrique olhou para ela.

"Você acredita nisso?"

"Meu trabalho não é acreditar. É provar."

A frase o fez ficar quieto.

Marcelo então abriu o sistema de catracas.

"Talvez isso ajude."

Ele filtrou a data.

Funcionários.

Prestadores.

Visitantes.

Henrique foi lendo os nomes.

Clara.

Marcelo.

Sete funcionários do administrativo.

Dois instaladores.

Um técnico de manutenção.

Uma arquiteta de um escritório parceiro.

E então apareceu:

Vanessa Montenegro.

Henrique ficou parado.

"Que horas?"

Marcelo clicou.

"Oito e trinta e oito."

"Saída?"

"Dez e dois."

Clara virou o rosto.

"Ela disse que passou a manhã inteira no Morumbi."

Henrique sentiu a raiva voltar.

"Com a mãe."

Marina perguntou:

"Por que ela entrou?"

Marcelo procurou no registro da recepção.

"Motivo declarado..."

Ele parou.

Henrique esperou.

"Entrega para reunião."

"Que entrega?"

"Almoço."

Henrique olhou para o relógio na parede.

"Às oito e trinta e oito?"

Marcelo também percebeu.

"Está escrito almoço."

Clara soltou uma risada curta.

"Vanessa nunca trouxe almoço para ninguém nesta empresa."

Henrique continuou encarando a tela.

"A sala de reunião tinha encontro naquele dia?"

Marcelo verificou.

"Às dez e meia."

"Com quem?"

"Fornecedor de ferragens."

"E alguém pediu comida?"

Marcelo balançou a cabeça.

"Não consta."

Henrique se levantou.

"Então acabou."

Marina ergueu os olhos.

"Não."

Ele virou para ela.

"Ela entrou. A câmera caiu. Meu computador foi usado. O dinheiro saiu."

"Isso é forte."

"É suficiente."

"Não para concluir tudo."

"Você quer mais o quê?"

"Quero saber para onde o dinheiro foi."

Henrique travou.

Marina fechou o bloco.

"Não procure um culpado. Procure o dinheiro."

Clara olhou para a advogada.

Marina continuou:

"Se Vanessa fez isso, o caminho do dinheiro vai confirmar."

"Se não fez, o caminho vai mostrar outra coisa."

Henrique voltou a sentar.

"Então segue."

Marcelo abriu o relatório bancário.

A transferência de R$ 290 mil saíra da carteira de Lívia às 9h14.

O destino inicial não era uma conta pessoal.

Era a própria Montenegro Marcenaria & Interiores.

Henrique franziu a testa.

"Entrou aqui?"

Marcelo confirmou.

"Na conta de compensação."

"Por quê?"

"Não sei."

Clara se inclinou.

"Isso não faz sentido."

Henrique apontou.

"Você sabia dessa entrada?"

"Não."

Marcelo respondeu antes:

"Eu também não."

Marina olhou para os dois.

"A conta de compensação aparece em qual setor?"

"Financeiro."

"Quem acessa?"

Marcelo ficou desconfortável.

"Eu."

"Mais quem?"

"Clara."

Henrique olhou para a irmã.

Clara não reagiu.

Marcelo completou:

"E o diretor geral."

Henrique.

Marina anotou.

"Mais ninguém?"

"Alguns processos automáticos."

"Autorização humana?"

"Esses três."

Henrique apoiou os cotovelos na mesa.

"Então alguém fez parecer que o dinheiro da Lívia entrou na empresa."

Marcelo assentiu lentamente.

"Mas não ficou."

Ele abriu a movimentação seguinte.

Quatorze minutos depois, às 9h28, os R$ 290 mil haviam sido transferidos de novo.

正文2

Henrique leu o nome do beneficiário.

"Atlântica Materiais Nobres Ltda."

Marcelo congelou.

Foi mínimo.

Mas Henrique viu.

Clara também.

Marina não disse nada.

Henrique apontou para a tela.

"Que empresa é essa?"

Marcelo limpou a garganta.

"Fornecedor."

"Nosso?"

"Já apareceu em algumas compras."

"Algumas?"

"Madeira importada. Revestimento. Folheado."

Clara continuava olhando para o nome.

Henrique percebeu.

"Você conhece?"

Ela não respondeu.

"Clara."

"Eu conheço o nome."

"De onde?"

"De notas antigas."

Marcelo mexeu no mouse.

Henrique voltou os olhos para ele.

"Quem aprovou esse pagamento?"

"Não aparece como pagamento comum."

"Então aparece como o quê?"

"Antecipação de fornecedor."

"De R$ 290 mil?"

"Sim."

Henrique estreitou os olhos.

"Quero os documentos."

Marcelo procurou.

Nada.

Tentou outra pasta.

Nada.

Marina perguntou:

"Tem nota fiscal?"

"Não estou achando."

"Pedido de compra?"

"Também não."

"Contrato?"

Marcelo começou a ficar vermelho.

"Pode estar arquivado fora do sistema."

Henrique se inclinou.

"Um pagamento de R$ 290 mil saiu da minha empresa sem nota, sem pedido e sem contrato?"

"Eu não disse isso."

"Acabou de dizer."

"Eu disse que não estou encontrando agora."

Marina interveio.

"Quem é o sócio?"

Marcelo abriu a consulta cadastral.

Henrique esperou.

O nome apareceu.

Tomás Ferraz.

Clara fechou os olhos.

Henrique sentiu o corpo inteiro endurecer.

"Ferraz."

Ninguém respondeu.

Ele leu de novo.

Tomás Ferraz.

Irmão mais velho de Vanessa.

O homem que aparecia nos almoços de família, nas festas de aniversário e nos Natais.

O homem que chamava Lívia de "princesinha".

Henrique soltou uma risada vazia.

"Claro."

Marina olhou para ele.

"Você conhece?"

"É meu cunhado."

"Ou era."

Henrique não reagiu.

Clara finalmente falou:

"Tomás sempre disse que trabalhava com distribuição."

"Você sabia dessa empresa?"

"Não sabia que era dele."

Henrique virou para Marcelo.

"Você sabia?"

Marcelo levou tempo demais para responder.

"Eu sabia que a Atlântica existia."

"Não foi isso que eu perguntei."

Henrique levantou.

"Você sabia que era do irmão da Vanessa?"

Marcelo olhou para a tela.

"Henrique..."

"Olha para mim."

Marcelo ergueu os olhos.

"Você conhece essa empresa?"

"Eu não..."

A frase morreu.

Porque Clara havia se levantado.

Ela encarava o nome Atlântica Materiais Nobres como se tivesse acabado de reconhecer alguma coisa muito pior que Tomás Ferraz.

Henrique virou para a irmã.

O rosto dela estava completamente branco.

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