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"O Segredo Atrás da Parede" Capítulo 1

正文开头

"Pai! Abre essa parede!"

O grito de Lívia atravessou o corredor da mansão em Jardim Europa e fez Henrique Montenegro abandonar o celular sobre a mesa do escritório.

Ele reconheceria aquela voz em qualquer lugar.

Mas nunca tinha ouvido a filha gritar daquele jeito.

Henrique correu pelo corredor, passou pela escada de mármore e chegou à porta do depósito no fundo da casa.

O que viu fez seu sangue ferver.

Vanessa estava com um braço apertado em torno da cintura de Lívia.

Com a outra mão, cobria a boca da menina.

Lívia se debatia, tentando escapar.

"Vanessa!"

Ela se virou num susto.

Por um segundo, o rosto da esposa perdeu completamente a cor.

"Henrique, eu posso explicar."

Ele não perguntou nada.

Atravessou o cômodo, segurou o braço de Vanessa e afastou sua mão do rosto da filha.

"Solta ela."

"Ela está fazendo uma birra."

"Eu mandei soltar."

Vanessa afrouxou o braço.

Lívia correu imediatamente para o pai e se escondeu atrás dele, agarrando a camisa dele com as duas mãos.

Henrique sentiu os dedos pequenos tremendo contra suas costas.

Aquilo bastou.

Ele encarou Vanessa.

"Nunca mais põe a mão na boca da minha filha."

"Você não sabe o que aconteceu."

"Então me explica."

Vanessa abriu a boca.

Nenhuma palavra saiu.

Lívia puxou a camisa do pai.

"Pai."

Henrique se virou um pouco.

A menina apontava para o fundo do depósito.

"É atrás dali."

Ele acompanhou o dedo dela.

Um enorme armário de madeira escura ocupava quase toda a parede.

Era uma peça antiga, pesada, cheia de entalhes, que Vanessa havia mandado restaurar quando reformaram aquela parte da mansão.

Henrique franziu a testa.

"Atrás do armário?"

Lívia assentiu depressa.

"Eu ouvi."

Vanessa deu um passo à frente.

"Ela não ouviu nada."

Henrique olhou para a esposa.

"Eu não perguntei para você."

"Henrique, ela tem seis anos."

"E?"

"Crianças imaginam coisas."

Lívia apareceu ao lado do pai, os olhos brilhando de medo.

"Eu não imaginei."

Vanessa apertou os lábios.

"Lívia, chega."

A menina recuou.

Henrique percebeu.

Foi um movimento pequeno.

Mas automático.

Como se Lívia já soubesse exatamente qual tom de voz significava que Vanessa estava prestes a perder a paciência.

Ele se colocou de novo entre as duas.

"O que você ouviu?"

Lívia olhou para o armário.

"Alguém batendo."

O silêncio caiu no depósito.

Henrique esperou Vanessa rir.

Esperou que ela dissesse que era um cano, madeira dilatando, qualquer coisa.

Mas Vanessa não fez nada.

Apenas ficou imóvel.

Henrique virou o rosto devagar.

"Por que você está com essa cara?"

"Que cara?"

"A de quem está com medo."

"Eu não estou com medo."

Ele caminhou até o armário.

Vanessa avançou imediatamente.

"Não mexe nisso."

Henrique parou.

Agora não havia dúvida.

"Por quê?"

"Porque ele é pesado."

"Eu sei."

"Pode cair."

"Eu sei."

"Henrique, para."

Ele virou completamente para ela.

"Desde quando você se importa tanto com um armário?"

Vanessa respirou fundo.

正文1

"Eu só não quero que você destrua uma peça que custou uma fortuna porque Lívia disse que ouviu um barulho."

Lívia segurou a mão do pai.

"Eu ouvi três vezes."

Henrique baixou os olhos.

"Três?"

"Assim."

A menina fechou a mão pequena e bateu devagar na lateral de uma caixa.

Toc.

Toc.

Toc.

Vanessa ficou ainda mais pálida.

Henrique viu.

E naquele instante alguma coisa dentro dele mudou.

Ele soltou a mão da filha.

"Lívia, fica perto da porta."

"Henrique."

Ele ignorou Vanessa.

Apoiou as duas mãos na lateral do armário e empurrou.

A peça mal se moveu.

Vanessa segurou seu braço.

"Para com isso!"

Henrique baixou os olhos para a mão dela.

"Me solta."

"Você está assustando sua filha."

"Não."

Ele retirou a mão dela do próprio braço.

"Quem está assustando a minha filha é você."

Vanessa recuou.

Henrique tornou a empurrar.

Dessa vez usou todo o peso do corpo.

O armário arrastou alguns centímetros pelo piso.

Um som áspero de madeira contra mármore encheu o cômodo.

Lívia observava sem piscar.

Vanessa começou a respirar mais rápido.

"Henrique, não faz isso."

Ele empurrou outra vez.

O armário se inclinou.

"Henrique!"

A enorme peça tombou para o lado com um estrondo.

Caixas caíram.

Uma luminária antiga se espatifou no chão.

Lívia levou as mãos aos ouvidos.

Henrique nem se mexeu.

Porque agora conseguia ver a parede.

E havia alguma coisa errada nela.

O reboco atrás do armário tinha uma tonalidade diferente.

Mais clara.

Mais nova.

O rodapé também não era contínuo.

Parava antes de um trecho de aproximadamente um metro de largura e recomeçava do outro lado.

Henrique passou os dedos pela superfície.

A textura não combinava com o restante da parede.

"Quando isso foi feito?"

Vanessa ficou em silêncio.

Ele olhou para ela.

"Eu perguntei quando essa parede foi fechada."

"Eu não sei."

"Você coordenou essa reforma."

"Eu cuidei da decoração."

"Você escolheu até as maçanetas."

"Henrique..."

"Você mandou esse armário ficar exatamente aqui."

Vanessa engoliu em seco.

"Porque ele cabia aqui."

Henrique soltou uma risada curta, sem humor.

Então viu uma bancada no canto.

Ainda havia ferramentas deixadas pela equipe de manutenção.

Entre elas, um martelo pesado.

Vanessa percebeu para onde ele estava olhando.

"Não."

Henrique caminhou até a bancada.

"Henrique, por favor."

Ele pegou o martelo.

Vanessa foi atrás dele.

"Você enlouqueceu?"

"Talvez."

"Vai destruir a parede da própria casa por causa de uma criança assustada?"

Henrique se virou.

"É justamente porque ela está assustada."

Vanessa tentou tomar o martelo.

Henrique afastou o braço.

"Não encosta."

"Você vai se arrepender."

A frase saiu rápido demais.

Henrique ficou imóvel.

"O que você disse?"

Vanessa fechou os olhos por um segundo.

"Eu disse que você vai se arrepender de fazer uma cena."

Henrique encarou a esposa por mais alguns segundos.

Depois levantou o martelo.

A primeira pancada abriu uma rachadura larga no reboco.

Lívia deu um pequeno grito.

Vanessa levou as mãos à cabeça.

正文2

"Henrique!"

A segunda pancada arrancou um pedaço inteiro da parede.

Poeira branca cobriu a camisa dele.

Algo escuro apareceu por baixo.

Não era tijolo.

Henrique respirou fundo e golpeou pela terceira vez.

O reboco cedeu.

Uma placa caiu no chão.

Atrás dela havia metal.

Henrique largou o martelo.

Com as próprias mãos, começou a puxar as partes quebradas.

O buraco aumentou.

Pouco a pouco, revelou uma porta estreita de aço pintada de preto.

Lívia se aproximou alguns passos.

"Eu falei."

Henrique não respondeu.

Havia uma maçaneta embutida.

Uma trava mecânica.

E marcas recentes perto da fechadura.

Ele olhou para Vanessa.

Ela já não tentava parecer irritada.

Estava apavorada.

"O que tem aí dentro?"

"Nada."

"Uma porta escondida atrás de uma parede não leva a lugar nenhum?"

"Era parte da estrutura antiga da casa."

"Então por que você mandou fechar?"

"Eu não mandei."

"Vanessa."

"Eu não mandei!"

Henrique segurou a maçaneta.

Vanessa correu até ele.

"Não abre!"

Ele congelou.

O grito dela ecoou no cômodo.

Lívia se escondeu atrás de uma pilha de caixas.

Henrique não tirou os olhos da esposa.

"Por quê?"

Vanessa parecia procurar uma resposta.

Não encontrou.

Então aconteceu.

TUM.

Henrique virou a cabeça para a porta.

Vanessa ficou imóvel.

TUM.

Lívia agarrou a lateral de uma caixa.

"Pai..."

Henrique sentiu o coração bater contra o peito.

TUM.

Três pancadas.

Vindas do outro lado.

Ele puxou a trava.

Vanessa segurou seu ombro.

"Henrique, não!"

Ele a afastou.

"Fica longe de mim."

Girou a maçaneta.

A porta abriu apenas alguns centímetros.

Alguma coisa pesada bloqueava a passagem.

Henrique empurrou com o ombro.

A abertura aumentou.

E um corpo caiu para fora.

Ele conseguiu segurar a mulher antes que sua cabeça atingisse o chão.

O cabelo estava grudado ao rosto pelo suor.

As mãos estavam vermelhas.

Os pulsos tinham marcas profundas.

Henrique parou de respirar.

"Clara?"

A irmã abriu os olhos com dificuldade.

"Henrique..."

Ele se ajoelhou.

"Meu Deus. O que aconteceu com você?"

Clara tentou se sentar.

Não conseguiu.

Lívia correu até ela.

"Tia Clara!"

"Água."

Henrique pegou uma garrafa sobre a bancada e levou até os lábios da irmã.

Clara bebeu pouco.

Tossiu.

Respirou.

Então seus olhos se moveram.

Passaram por Henrique.

E encontraram Vanessa.

Vanessa já estava perto da porta do depósito.

Clara se ergueu de repente.

"Não."

Vanessa parou.

Henrique acompanhou o olhar da irmã.

Clara apontou para Vanessa.

"Não deixa ela sair."

Henrique se levantou lentamente.

"Vanessa."

"Ela está confusa."

"Fica onde está."

"Henrique, você não pode acreditar em qualquer coisa que ela disser."

Clara soltou uma risada fraca.

"Sete horas."

Henrique voltou o rosto para a irmã.

"O quê?"

"Eu fiquei sete horas lá dentro."

O rosto dele endureceu.

"Quem fez isso?"

Clara continuou olhando para Vanessa.

Henrique não precisou ouvir a resposta.

"Você trancou minha irmã atrás de uma parede?"

Vanessa balançou a cabeça.

"Não foi assim."

"Então como foi?"

"Ela entrou lá sozinha."

Clara arregalou os olhos.

"Sozinha?"

"Vocês estavam discutindo."

"Você me empurrou!"

Lívia se assustou.

Henrique ergueu uma mão.

"Chega."

As duas ficaram em silêncio.

Ele olhou para Clara.

"Por que vocês estavam discutindo?"

Clara respirou fundo.

Vanessa respondeu primeiro.

"Isso não tem nada a ver com Lívia."

Clara virou o rosto devagar.

"Tem tudo a ver com ela."

Henrique sentiu um arrepio subir pela nuca.

"Clara."

A irmã fechou os olhos por um instante.

Quando tornou a abri-los, havia raiva e medo ao mesmo tempo.

"Antes de deixar Vanessa sair desta casa, pergunta onde foi parar o dinheiro da Lívia."

Henrique franziu a testa.

"Que dinheiro?"

Vanessa baixou a cabeça.

E naquele segundo Henrique soube que a resposta seria pior do que qualquer coisa que tivesse encontrado atrás daquela parede.

Clara olhou diretamente para o irmão.

"O dinheiro que Mariana deixou para sua filha."

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