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"Minha Avó Disse Que Meu Pai Estava Morto" Capítulo 5

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Saldanha não acusou Nora na frente de Sophie.

Pediu que fosse à delegacia para esclarecer uma ordem da oficina. Clara ficou com a menina. Roman acompanhou Nora e Inês.

O mecânico observou uma fotografia.

— Era parecida. Mais nova.

Nos arquivos, a ordem de revisão trazia as iniciais N.A. Nora Álvares. A assinatura parecia verdadeira.

Nora não protestou.

— Estive na oficina. Lúcia sentia uma vibração no carro. Pedi uma revisão e paguei em dinheiro porque o sistema deles estava fora do ar.

— Por que omitiu isso? — perguntou Saldanha.

— Disseram que o carro estava bem. Depois do acidente, Estevão falou que mencionar a revisão faria parecer que eu conhecia o defeito e deixei Lúcia dirigir.

Roman apoiou as mãos na mesa.

— Nunca pensou em me contar?

— Quando você saiu da prisão, Helena disse que você me culpava. Depois recebi cartas afirmando que tinha ido embora e não queria contato.

Saldanha colocou duas folhas lado a lado. O formulário original autorizava diagnóstico de suspensão e rodas. Uma segunda página, anexada depois, permitia o uso de uma mistura corrosiva no sistema de freio.

Saldanha levou Nora até a sala de arquivos da oficina. O papel apresentava marcas de grampo em posições diferentes. A segunda folha fora presa ao original depois que a tinta da assinatura já secara.

— Juliano precisava de uma alternativa — disse o perito. — Se o áudio aparecesse, apontaria para você.

Nora pediu para telefonar a Sophie. Clara colocou no viva-voz.

— Encontraram meu nome num documento — explicou Nora. — A primeira assinatura é minha. A parte sobre os freios foi acrescentada.

— Você esqueceu ou escondeu? — perguntou a menina.

Nora fechou os olhos.

— Escondi que levei o carro à oficina. Tive medo de parecer culpada.

— Então você também mentiu.

— Sim.

— Vai voltar?

— Assim que o delegado liberar.

Sophie desligou depois de ouvir o horário provável. A pergunta não trouxe conforto; trouxe um dado que poderia conferir.

Na preparação, Roman repetiu a rota diante de um mapa. Saldanha interrompeu quando ele sugeriu avançar após a entrega.

— Você não prende ninguém. Não recupera documento. Mantém Juliano falando e sai quando eu mandar.

— Se ele tentar queimar tudo?

— A equipe cuida.

Roman recebeu um ponto eletrônico, colete e chave de carro sem rastreador aparente. Nora verificou a fotografia aérea e mostrou a saída do túnel.

— Juliano brincava ali com Beatriz quando eram adolescentes. Ele conhece o terreno melhor que os agentes.

Saldanha deslocou uma segunda equipe. A informação alterou o plano antes que se transformasse em desastre.

Roman gravou um vídeo curto para Sophie.

— Estou indo com a polícia. Se atrasar, Clara conta por quê. Não precisa esperar acordada.

Assistiu antes de enviar. Não prometia voltar ileso. Prometia não sumir em silêncio.

— A primeira assinatura é sua. A segunda página foi impressa meses depois — disse o delegado. — Usaram seus dados para preparar uma culpada alternativa.

正文1

Nora passou o dedo perto da própria cicatriz.

— Juliano sabia que eu tinha isso. Trabalhamos juntos nas primeiras obras da fundação.

Roman não ofereceu perdão imediato.

— Você teve medo. Também deixou o medo escolher.

— Eu sei.

A conversa terminou ali. Havia uma operação a preparar.

Antes da saída, Nora entregou uma caixa de e-mails. Um fora enviado por Estevão após a revisão: "Obrigado por resolver o assunto da oficina." Uma cópia oculta seguira para Juliano.

— Li como agradecimento — disse. — Agora parece uma confirmação preparada.

— Cada documento verdadeiro recebeu uma mentira ao lado — falou Saldanha.

Nora ligou para Sophie.

— Encontraram meu nome numa ordem. A primeira assinatura é minha. A parte dos freios foi acrescentada.

— Você esqueceu ou escondeu? — perguntou a menina.

— Escondi a revisão. Tive medo de parecer culpada.

— Então você também mentiu.

— Sim.

— Vai voltar?

— Assim que o delegado liberar.

A pergunta produziu um horário verificável, não conforto. Nora assinou o depoimento e corrigiu duas datas antes de sair.

Roman esperava no corredor.

— Não vou dizer que está tudo bem.

— Não está.

— Volte e responda quando Sophie perguntar.

Nenhum dos dois tentou resolver a culpa do outro.

Roman levaria uma cópia do caderno com transmissor. A polícia controlaria os acessos da fazenda e desligaria qualquer circuito de ignição encontrado. Nora ficaria no posto de comando para reconhecer pessoas e rotas.

Sophie ouviu a explicação completa.

— Eu queria que você ficasse sem saber — disse Roman. — Seria mais fácil para mim. A sua avó fez isso durante anos. Então vou dizer: existe risco, haverá policiais e eu vou obedecer ao delegado.

— E se mudar alguma coisa?

— Clara conta na mesma hora.

— Volta antes de eu dormir.

— Vou tentar. Não prometo horário que não controlo.

Helena pediu para depor formalmente. Entregou senhas de três contas, reconheceu a falsificação da renúncia de Nora, da ordem de afastamento e dos certificados da Argentina.

Também informou uma frase usada por Juliano.

— "As magnólias florescem no inverno." Se ele repetir na ordem inversa, percebeu vigilância.

+Sophie assistiu ao vídeo antes do envio. Pediu que ele mostrasse também Saldanha no enquadramento.

— Assim eu sei que você não está inventando a polícia.

O delegado apareceu ao fundo e confirmou o plano. Roman não se ofendeu. A desconfiança vinha de documentos falsos; só repetição confiável poderia enfraquecê-la.

Ao anoitecer, Roman vestiu o colete sob a camisa e recebeu o falso caderno. Antes de sair, Sophie lhe entregou um adesivo de Saturno.

— Coloca por dentro. Para eu saber que é você quando devolver.

Roman colou no forro da capa.

— Eu devolvo.

A estufa era uma armação de vidro quebrado no fundo da fazenda. A luz do fim da tarde entrava cor de cobre pelas placas rachadas.

Roman caminhou pela trilha com o caderno debaixo do braço.

Nos fones escondidos, ouviu a respiração de Saldanha.

Juliano apareceu atrás de vasos secos. Segurava um detonador.

— Deixe no chão.

Roman parou a seis metros.

— Primeiro os originais.

Juliano apontou para um tonel metálico cheio de pastas e latas de combustível.

— A verdade está ali. Seu problema é sobreviver a ela.

Roman abaixou o caderno sem soltá-lo.

— Estevão mandou sabotar o carro?

— Mandou intimidar Lúcia.

— E você escolheu os freios.

Juliano sorriu.

— Descobri que uma tragédia bem administrada rende mais do que uma fraude comum.

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