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"A Mamadeira Que Salvou Uma Família" Capítulo 9

正文开头

Henrique atendeu a ligação de Rafael ainda dentro do antigo escritório de Antônio.

"Fala."

Do outro lado, o médico parecia inquieto.

"Consegui localizar os registros antigos do seu pai."

Henrique fechou a porta.

"O que encontrou?"

"Quero mostrar pessoalmente."

"Não."

A resposta saiu seca.

"Você vai me dizer agora."

Rafael ficou em silêncio por alguns segundos.

"Os sintomas do Antônio antes de morrer foram registrados como episódios isolados."

"Quais sintomas?"

"Náusea, fraqueza, sonolência, alterações cardíacas leves e períodos de confusão."

Henrique apertou o celular.

"E daí?"

"Daí que eu comparei com os exames recentes do Miguel."

Isabela e Clara observavam o rosto dele.

Henrique percebeu o peso da frase antes mesmo de Rafael concluir.

"São parecidos?"

"Mais do que eu gostaria."

O silêncio ficou pesado.

Henrique respirou fundo.

"Você está dizendo que meu pai foi exposto à mesma coisa?"

"Eu ainda não posso afirmar isso."

"Mas?"

"Mas o padrão é compatível com exposição repetida a pequenas quantidades de uma substância que, em exames comuns, pode passar despercebida."

Henrique ficou imóvel.

Rafael continuou.

"Especialmente se ninguém estiver procurando especificamente por ela."

Henrique desligou alguns minutos depois.

Não contou tudo de imediato.

Saiu do escritório, atravessou o corredor e encontrou Helena no quarto de Miguel.

Ela estava sentada ao lado do berço.

"Você falou com Rafael?"

"Sim."

Helena se levantou.

"E?"

Henrique olhou para o filho dormindo.

"Meu pai apresentava sintomas parecidos."

Helena ficou pálida.

"Não."

"Rafael ainda está comparando os registros."

"Henrique, isso significa..."

"Significa que alguém pode ter feito com meu pai o que está fazendo com Miguel."

Helena levou a mão à boca.

"Há quantos anos?"

"Sete."

Ela olhou para a porta.

De repente, a mansão pareceu ainda mais perigosa.

"Então essa pessoa pode estar aqui desde aquela época."

Henrique não respondeu.

Porque era exatamente isso que ele também estava pensando.

No corredor, Isabela permanecia encostada à parede.

A conversa com Clara não saía de sua cabeça.

O frasco.

A reação da governanta.

A história de Antônio.

A chave do escritório.

A frase sobre proteger Henrique.

Tudo parecia fazer sentido.

E, ao mesmo tempo, podia ser uma história cuidadosamente construída.

Isabela olhou para Clara atravessando o hall.

A mulher trabalhava naquela casa havia mais de vinte anos.

Conhecia os horários.

As portas.

As senhas antigas.

Os hábitos de todos.

Estivera perto de Antônio.

Agora estava perto de Miguel.

Isabela sentiu culpa só de pensar.

Mas depois de tudo, confiança já não bastava.

Ela foi atrás de Henrique.

Encontrou-o no escritório principal.

"Preciso falar uma coisa."

Henrique levantou os olhos.

"Fala."

Isabela hesitou.

"É sobre Clara."

Ele ficou imóvel.

"O que tem ela?"

"Ela sabia mais sobre seu pai do que contou no começo."

"Isso eu já sei."

"Mas também tinha acesso ao escritório."

Henrique franziu a testa.

"Você está desconfiando dela?"

Isabela respirou fundo.

"Eu não quero."

"Não foi o que perguntei."

"Sim."

Henrique se recostou na cadeira.

"Por quê?"

正文1

"Porque ela viu o frasco e reconheceu."

"Ela explicou."

"Explicou depois."

Henrique ficou em silêncio.

Isabela continuou.

"Ela estava aqui quando seu pai morreu. Está aqui agora. Conhece a rotina do Miguel e sabe exatamente quem entra e sai."

Henrique não gostou de ouvir.

Mas não descartou.

"Mais alguma coisa?"

"Ela disse que seu pai tinha medo de alguém que a segurança deixaria entrar."

Henrique assentiu.

"Isso pode incluir metade das pessoas que conhecemos."

"Pode."

Isabela baixou a voz.

"Inclusive alguém da própria casa."

Henrique ficou alguns segundos olhando para ela.

Depois chamou Bruno.

"Vamos fazer uma coisa."

Naquela tarde, a mansão inteira recebeu a mesma informação.

Miguel seria levado no dia seguinte para uma casa da família em Atibaia.

Oficialmente, Helena precisava descansar longe da tensão.

Na prática, Henrique espalhou outro detalhe.

Os documentos encontrados no escritório de Antônio, incluindo o caderno e os registros médicos, seriam levados junto.

Clara ouviu.

Teresa ouviu.

Vitória ouviu.

Os funcionários também.

Henrique queria descobrir quem reagiria.

Bruno posicionou dois homens fora da mansão.

As câmeras do corredor foram reativadas, mas de forma discreta.

Henrique manteve apenas Isabela informada sobre o plano.

"Se alguém está procurando as provas, vai agir hoje."

Isabela olhou para ele.

"E se ninguém agir?"

"Então continuamos sem resposta."

"E se agir?"

Henrique não respondeu.

Não precisava.

Naquela noite, Helena insistiu em ficar com Miguel.

Henrique recusou.

"Você vai dormir no nosso quarto."

"Não."

"Helena."

"Eu não vou deixar ele sozinho."

"Ele não vai ficar sozinho."

Helena olhou para Isabela.

Henrique continuou.

"Isabela fica no quarto de apoio. Eu vou estar no corredor."

Helena respirou fundo.

"Eu odeio isso."

"Eu também."

Pouco depois da meia-noite, a mansão mergulhou em silêncio.

Isabela estava acordada.

Sentada na cama, escutava cada ruído.

O relógio marcava uma e quinze.

Depois uma e vinte.

Uma e vinte e sete.

Nada.

Ela quase começou a acreditar que o plano falharia.

Então ouviu um clique.

Muito baixo.

A porta do quarto de Miguel.

Isabela se levantou imediatamente.

Henrique estava no corredor escuro.

Os dois se olharam.

Nenhuma palavra.

Henrique fez sinal para esperar.

Passos leves.

Alguém havia entrado.

Isabela sentiu o coração bater no pescoço.

Henrique contou mentalmente.

Um.

Dois.

Três.

Então abriu a porta de uma vez.

A luz do corredor invadiu o quarto.

Uma silhueta estava ao lado do berço.

"Não se mexe."

A pessoa virou.

Isabela ficou sem ar.

"Meu Deus."

Henrique congelou.

"Mãe?"

Teresa Montenegro estava parada diante de Miguel.

Usava um robe escuro.

Uma mão segurava o corrimão do berço.

A outra escondia alguma coisa junto ao corpo.

Henrique deu um passo.

"O que você está fazendo aqui?"

Teresa não respondeu.

"Mostra sua mão."

Ela apertou os dedos.

Henrique elevou a voz.

"Agora."

Teresa finalmente levantou a mão.

Isabela sentiu o estômago revirar.

Entre os dedos dela havia um pequeno frasco de vidro escuro.

Quase idêntico ao que Isabela encontrara no lixo da cozinha.

Henrique ficou branco.

"Mãe..."

Teresa começou a tremer.

Ele avançou.

"Você estava fazendo o quê com isso perto do meu filho?"

"Henrique, escuta..."

"Me dá."

Teresa recuou.

"Não."

Henrique parou.

"Não?"

"Você não entende."

"Então explica."

Ela olhou para Miguel.

Depois para Isabela.

Por fim, encarou o filho.

Os olhos estavam cheios de lágrimas.

"Eu não vim machucar o Miguel."

Henrique apontou para o frasco.

"Então por que está com isso?"

Teresa apertou o objeto contra a palma.

"Porque esse frasco não é novo."

Henrique franziu a testa.

"O que você quer dizer?"

A voz dela saiu baixa.

"Eu guardei isso durante sete anos."

Isabela sentiu um arrepio.

Teresa abriu lentamente a mão.

"Era do seu pai."

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