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"A Mamadeira Que Salvou Uma Família" Capítulo 7

正文开头

Henrique chegou à sede do Grupo Montenegro pouco depois das oito da noite.

O prédio de vidro na Faria Lima ainda estava iluminado, mas o andar da diretoria parecia vazio demais.

Bruno vinha logo atrás.

"Augusto está aqui?"

"Entrou pela garagem há vinte minutos."

Henrique apertou o botão do elevador.

"Então ele não foi longe."

Quando as portas se abriram no último andar, Augusto já os esperava.

Estava de pé diante da própria sala, sem paletó, com a gravata solta e o rosto fechado.

"Você podia ter me ligado."

Henrique continuou andando.

"Eu liguei."

"Meu telefone descarregou."

"Conveniente."

Augusto deu uma risada curta.

"Você veio aqui para me acusar ou para perguntar?"

Henrique parou a poucos passos dele.

"Meu filho foi envenenado."

Augusto perdeu a expressão.

"Eu soube."

"Você sabia da cláusula do testamento."

"Sabia."

A resposta foi rápida demais.

Henrique estreitou os olhos.

"Então mentiu para mim ontem."

"Eu disse que não sabia de qual cláusula você estava falando."

"Não brinca comigo."

"Eu não estou brincando."

Henrique entrou na sala sem pedir licença.

Augusto o seguiu.

Bruno fechou a porta.

"Você sabia que, com o nascimento do Miguel, sua família perdia acesso às ações."

Augusto pegou uma garrafa de água.

"Sabia."

"Há quanto tempo?"

"Anos."

Henrique ficou imóvel.

"E nunca falou?"

"Por que eu falaria?"

"Porque é quase um bilhão de reais."

Augusto bebeu um gole.

"Exatamente por isso."

Henrique avançou.

"Você acha que isso ajuda?"

"Ajuda se você parar de agir como se eu tivesse descoberto a cláusula ontem e decidido matar uma criança hoje."

A palavra fez Henrique perder o controle.

Ele agarrou Augusto pela camisa.

"Não fala do meu filho desse jeito."

Augusto não recuou.

"Então tira a mão de mim e escuta."

Bruno deu um passo, mas Henrique soltou o primo antes que precisasse interferir.

Augusto ajeitou a camisa.

"Sim, eu tenho problemas financeiros."

Henrique riu sem humor.

"Problemas?"

"Sim."

"Você está vendendo ativos da empresa escondido."

"Eu estava cobrindo exposição."

"Com cento e oitenta milhões?"

"Você quer a verdade?"

"É para isso que eu vim."

Augusto abriu uma gaveta e jogou uma pasta sobre a mesa.

"Eu fiz investimentos ruins."

Henrique olhou para ele.

"Que tipo?"

"Fundos privados. Operações alavancadas. Uma participação em logística que desabou."

"Com dinheiro de quem?"

"Meu."

"Não mente."

Augusto fechou os olhos.

"Parte meu. Parte de uma holding ligada à família."

Henrique bateu a mão na mesa.

"Você desviou recursos."

"Eu ia repor."

"Isso é o que todo mundo diz depois que perde."

Augusto respirou fundo.

"Eu errei."

"Você roubou."

"Eu não matei ninguém."

O silêncio ficou pesado.

Henrique abriu a pasta.

Havia extratos, autorizações e relatórios.

"Os vinte milhões?"

"Transferência para uma conta de garantia."

"Por quê?"

"Porque um dos credores ameaçou executar uma dívida."

"Você desligou o telefone."

"Porque eu sabia que você ia me ligar."

Henrique levantou os olhos.

"Péssima hora para parecer culpado."

"Eu sei."

正文1

Augusto sentou.

"Mas eu não toquei no Miguel."

Henrique permaneceu em pé.

"Vitória recebeu cento e cinquenta mil."

Augusto franziu a testa.

"E eu com isso?"

"O dinheiro passou por uma empresa ligada a você."

Augusto parou.

"Qual empresa?"

Henrique disse o nome.

O rosto de Augusto mudou.

"Isso não existe."

"Existe."

"Não é minha."

"Está registrada em nome de uma subsidiária que você controla."

Augusto se levantou rapidamente.

"Me mostra."

Bruno colocou o relatório sobre a mesa.

Augusto leu.

Depois puxou o notebook.

Digitou por alguns minutos.

Henrique observava cada movimento.

Por fim, Augusto girou a tela.

"Olha isso."

Era uma sequência de autorizações bancárias.

"Essa é a minha assinatura digital verdadeira."

Henrique aproximou o rosto.

Augusto abriu outro arquivo.

"E essa foi usada na transferência para a empresa que mandou dinheiro para a Vitória."

Os códigos pareciam semelhantes.

Mas não iguais.

Bruno se aproximou.

"Tem divergência."

Augusto assentiu.

"Na autenticação secundária."

Henrique ficou em silêncio.

"Você está dizendo que falsificaram."

"Estou dizendo que quem fez isso conhecia nosso sistema."

"Ou você está tentando ganhar tempo."

Augusto abriu o histórico.

"Então olha o horário."

Henrique viu.

A autorização falsa havia sido registrada às 3h17 da madrugada.

"Eu estava em Brasília."

"Isso não prova nada."

"Não sozinho."

Augusto puxou o celular.

Abriu fotos.

Uma reunião.

Um jantar.

Um registro do hotel.

Depois mostrou um acesso autenticado ao sistema corporativo, feito por ele naquela mesma noite de outro terminal.

Bruno analisou.

"Os horários se sobrepõem."

Henrique apertou a mandíbula.

Augusto apontou para a tela.

"Alguém entrou com uma credencial copiada."

Henrique não respondeu.

"Agora você entende?"

"Entendo que alguém quis usar seu nome."

"Exatamente."

Augusto respirou fundo.

"E não foi por acaso."

Henrique fechou a pasta.

"Por quê?"

"Porque eu sou o suspeito perfeito."

Silêncio.

"Tenho dívida."

Augusto levantou um dedo.

"Sabia da cláusula."

Outro.

"Perdi uma possível herança."

Outro.

"Tenho acesso ao grupo."

Ele baixou a mão.

"Se o Miguel morre e aparece dinheiro indo para a irmã da Helena por uma empresa ligada a mim, quem você acha que a polícia vai prender primeiro?"

Henrique permaneceu imóvel.

A lógica era terrível.

E perfeita.

"Vitória seria a executora."

"Eu seria o mandante."

"Os dois carregariam a culpa."

Augusto assentiu.

"Enquanto quem fez tudo assistiria de fora."

Henrique olhou para Bruno.

"Quero perícia completa nas assinaturas."

"Já vou pedir."

Augusto se recostou na cadeira.

Henrique o encarou.

"Isso não limpa seus crimes financeiros."

"Eu sei."

"Quando isso acabar, a gente vai conversar sobre cada centavo."

"Eu sei."

Henrique caminhou até a porta.

Augusto chamou.

"Henrique."

Ele parou.

"Se eu quisesse o Miguel fora do caminho, você acha mesmo que eu faria tudo usando uma empresa ligada ao meu nome?"

Henrique não respondeu.

Augusto continuou.

"Quem montou isso queria que você chegasse até mim."

Henrique saiu.

Na mansão, Isabela estava sentada no quarto de apoio ao lado do berço.

Miguel dormia.

Helena havia finalmente aceitado descansar por alguns minutos no quarto ao lado.

正文2

Isabela segurava um caderno.

Desde o bilhete, ela sentia que precisava organizar tudo.

Escreveu os horários.

Vitória preparou a mamadeira.

As câmeras falharam.

O frasco apareceu no lixo.

O frasco sumiu.

O bilhete foi deixado em seu quarto.

O DNA foi mexido.

As primeiras alterações na saúde de Miguel tinham surgido semanas antes.

Isabela parou.

Semanas.

Leu novamente.

Um pensamento começou a incomodá-la.

Quem quer que estivesse fazendo aquilo não dependia de uma única oportunidade.

Não tinha sido uma visita inesperada.

Não tinha sido uma ação isolada.

Miguel apresentava sintomas havia semanas.

Isso significava contato repetido.

Frequente.

Discreto.

Isabela fechou o caderno.

Olhou para o bebê.

Quem conseguia chegar perto dele sem despertar suspeita?

Helena.

Henrique.

Vitória, às vezes.

Teresa.

Clara.

Funcionários da casa.

E quem acompanhava a rotina dele de forma constante.

Ela se levantou.

Caminhou até a porta.

No corredor, encontrou Clara carregando uma bandeja.

"Ele dormiu?"

"Sim."

Clara sorriu.

"Que bom."

Isabela olhou para a bandeja.

Água.

Frutas.

Um pequeno frasco de suplemento infantil.

Seu olhar parou ali.

"Isso é para quem?"

"Para dona Helena."

"Esse frasco também?"

Clara olhou.

"Não. Esse é do Miguel."

Isabela sentiu o corpo gelar.

"Quem pediu?"

"Dr. Rafael recomendou faz semanas."

Isabela ficou imóvel.

"Semanas?"

"Sim."

Clara percebeu a expressão dela.

"O que foi?"

Isabela não respondeu de imediato.

Em sua cabeça, uma pergunta se formou.

Não sobre quem poderia entrar escondido na mansão.

Mas sobre quem nunca precisou se esconder.

Ela voltou a olhar para o quarto de Miguel.

O coração começou a bater mais rápido.

Quem estivesse envenenando aquela criança precisava estar perto dela com frequência.

Precisava conhecer horários.

Exames.

Alimentação.

Medicamentos.

E, acima de tudo, precisava parecer alguém em quem todos confiavam.

Isabela virou para Clara.

"Quem costuma dar esse suplemento para o Miguel?"

Clara franziu a testa.

"Qualquer um de nós, quando a dona Helena pede."

Isabela sentiu um arrepio.

Então não era alguém tentando entrar na casa.

Era alguém que já fazia parte dela.

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