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"A Mamadeira Que Salvou Uma Família" Capítulo 6

正文开头

Henrique desligou a ligação com Rafael sem conseguir disfarçar a tensão.

Helena permanecia de pé diante dele, esperando uma explicação.

"O exame original sumiu."

Ela ficou imóvel.

"Como assim, sumiu?"

"Não está mais no prontuário."

Vitória levou a mão à boca.

Helena virou para ela.

"Você disse que entregou uma cópia."

"Foi o que eu peguei."

"Então alguém mexeu no original depois."

Henrique já estava ligando para Bruno.

"Quero a cópia que Vitória entregou recuperada."

"Vou atrás."

"Não vai atrás. Você encontra."

Henrique desligou.

Helena começou a andar de um lado para o outro.

"Isso não faz sentido."

"Faz."

"Não, Henrique. Primeiro tentam envenenar nosso filho. Depois aparece uma cláusula bilionária. Agora descobrimos que roubaram o DNA dele."

Henrique a encarou.

"Justamente por isso faz sentido."

Helena parou.

"Alguém está tentando destruir tudo que prova que o Miguel ocupa essa posição na família."

Vitória baixou os olhos.

"Ou usar isso contra vocês."

Helena virou para a irmã.

"Você já ajudou o bastante."

Vitória se encolheu.

"Eu sei."

"Não, você ainda não sabe."

Henrique levantou a mão.

"Helena."

Ela respirou fundo.

"Eu não consigo olhar para ela."

Vitória começou a chorar.

"Eu sei."

Helena virou o rosto.

Ninguém disse mais nada.

Duas horas depois, Bruno voltou para a mansão com um envelope plástico transparente.

Henrique encontrou todos no escritório.

"Consegui."

Vitória ergueu a cabeça.

Henrique foi direto até ele.

"De onde?"

"Do armário de uma sala comercial usada pela empresa que fez o depósito."

"Empresa de fachada?"

"Provavelmente."

Henrique pegou o envelope.

Dentro havia uma cópia dobrada.

No topo, o nome de Miguel.

Mais abaixo, uma conclusão.

Henrique leu uma vez.

Depois outra.

Seu rosto endureceu.

Helena se aproximou.

"O que está escrito?"

Henrique entregou a folha.

Ela leu.

Os olhos se arregalaram.

"Isso diz que Henrique não é o pai."

Vitória empalideceu.

"Foi isso que eu entreguei?"

Henrique virou para ela.

"Você não leu?"

"Não."

Helena riu de incredulidade.

"Você roubou um exame de DNA do meu filho por dinheiro e nem abriu?"

Vitória abaixou a cabeça.

"Eu não queria saber."

Helena apertou a folha.

"Isso é falso."

Henrique não respondeu.

"É falso!"

"Eu sei."

"Como?"

Ele apontou para o código do laboratório.

"Porque esse laudo não segue o padrão do Hospital Santa Cecília."

Bruno confirmou.

"Também achei estranho."

Henrique ligou para Rafael.

"Preciso que você venha aqui."

"Estou indo."

Menos de quarenta minutos depois, Rafael entrou no escritório.

Henrique colocou a cópia sobre a mesa.

"Olha."

Rafael leu.

Ficou em silêncio.

Helena percebeu.

"Você já viu isso?"

Rafael respirou fundo.

"Não esse documento."

"Mas viu algum parecido."

"Sim."

Henrique deu um passo.

"Então começa a falar."

Rafael hesitou.

"Quando Miguel nasceu, foi feito um teste de paternidade."

Helena congelou.

"O quê?"

Rafael virou para ela.

"Foi solicitado de forma particular."

"Por quem?"

Ele não respondeu de imediato.

Helena entendeu.

"Teresa."

Rafael confirmou com o olhar.

Helena saiu do escritório antes que alguém tentasse impedi-la.

正文1

Encontrou Teresa na sala de estar.

"Você mandou fazer um teste de paternidade no meu filho?"

Teresa levantou devagar.

"Quem te contou?"

Helena riu sem humor.

"Então é verdade."

"Helena..."

"Você achou que eu tivesse traído o Henrique?"

"Não."

"Não mente para mim."

"Eu não estou mentindo."

"Você fez um exame escondido."

"Sim."

"Nas costas da mãe dele."

"Sim."

"E quer que eu acredite que isso não era sobre mim?"

Teresa respirou fundo.

"Eu nunca desconfiei de você."

Helena ficou muda por um segundo.

"Então por quê?"

Henrique entrou logo atrás.

Rafael e Vitória permaneceram mais distantes.

Teresa olhou para todos.

"Porque no dia em que Miguel nasceu alguém mexeu nos documentos dele."

Helena franziu a testa.

"Que documentos?"

"Ficha de identificação. Exames iniciais. Registro de coleta."

Henrique ficou rígido.

"Como você sabe?"

"Porque eu vi."

Silêncio.

Teresa continuou.

"Eu estava no corredor da maternidade quando uma enfermeira saiu do quarto de apoio com uma pasta que tinha o nome do Miguel."

"Quem era?"

"Eu não conhecia."

"Você falou com ela?"

"Ela se assustou quando me viu."

Henrique estreitou os olhos.

"E depois?"

"Perguntei para onde estava levando os documentos. Ela disse que havia uma correção no cadastro."

Helena respirou fundo.

"Você acreditou?"

"Não."

"Por quê?"

"Porque quinze minutos depois eu perguntei à supervisora e ela disse que não existia correção nenhuma."

Henrique ficou em silêncio.

"Então você pediu o DNA."

"Sim."

"Sem contar para mim."

"Sim."

Helena deu um passo.

"Você teve seis meses para me contar."

"Eu queria evitar uma guerra dentro da família."

Helena riu com amargura.

"Parabéns. Funcionou muito bem."

Teresa não respondeu.

Henrique voltou para o escritório.

Rafael abriu o tablet.

"Eu consigo acessar o registro interno da coleta original."

Henrique olhou para ele.

"Quero ver."

Rafael digitou a senha.

Procurou por alguns minutos.

Depois parou.

"Está aqui."

Helena se aproximou.

"Resultado?"

Rafael levantou os olhos.

"Miguel é filho biológico do Henrique."

Henrique ficou imóvel.

Helena fechou os olhos.

Vitória respirou aliviada.

Teresa não mudou de expressão.

Rafael continuou.

"Compatibilidade confirmada."

Helena abriu os olhos.

"Então aquele laudo é falsificado."

"Sim."

Henrique apontou para a cópia.

"Alguém criou um resultado falso."

Rafael assentiu.

"Ou tentou substituir o verdadeiro."

Teresa falou baixo.

"Foi isso que eu temi desde o nascimento."

Henrique passou a mão pelo rosto.

"Se o exame falso entrasse no prontuário..."

Rafael completou.

"Seria possível criar uma dúvida formal sobre a paternidade."

Henrique entendeu de imediato.

"E a cláusula do testamento."

Teresa assentiu.

"Sem herdeiro legítimo comprovado, a transferência das ações poderia ser contestada."

Helena abraçou o próprio corpo.

Então tudo estava ligado.

O nascimento de Miguel.

O teste.

A tentativa de falsificação.

O veneno.

As ações.

Henrique olhou para Rafael.

"O DNA verdadeiro confirma tudo."

"Sim."

"Então a cláusula está plenamente cumprida."

"Do ponto de vista biológico, sim."

Teresa completou.

"E juridicamente também."

Henrique ficou em silêncio.

Agora a pergunta era mais simples.

E mais assustadora.

Quem perdia tudo enquanto Miguel permanecesse vivo?

Henrique pegou o celular.

Havia várias mensagens.

Uma delas vinha do diretor jurídico do Grupo Montenegro.

"Precisamos falar com urgência."

Henrique ligou.

"Fala."

A resposta veio tensa.

"Encontramos movimentações estranhas em ativos do grupo."

"Que tipo de movimentações?"

"Venda de participações secundárias."

Henrique franziu a testa.

"Quem autorizou?"

Do outro lado, houve uma pausa.

"Tem assinatura digital."

"De quem?"

"Augusto Montenegro."

Henrique ficou imóvel.

Helena percebeu na hora.

"O que foi?"

Ele não respondeu.

O diretor continuou.

"Henrique, isso começou há duas semanas."

"Valores?"

"Altos."

"Quanto?"

"Já passa de cento e oitenta milhões."

Henrique apertou o telefone.

"Bloqueia tudo."

"Já estamos tentando."

"Não tenta. Bloqueia."

Ele desligou.

Teresa se aproximou.

"Augusto?"

Henrique ergueu os olhos.

"Ele está vendendo ativos da família escondido."

Helena ficou pálida.

"Agora?"

"Há semanas."

Teresa fechou os olhos.

Henrique pegou o paletó.

"Para onde você vai?"

"Faria Lima."

"Henrique..."

Ele parou na porta.

"Se Augusto achou que meu filho precisava desaparecer para manter acesso ao patrimônio, eu quero ouvir isso olhando para a cara dele."

Naquele mesmo instante, o celular de Henrique vibrou novamente.

Era uma mensagem de Bruno.

Apenas uma frase.

"Augusto acabou de sacar vinte milhões de reais e desligou o telefone."

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