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"As Rosas Que Não Chegaram ao Altar" Capítulo 5 — A Acusação Perfeita

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Capítulo 5 — A Acusação Perfeita

Isadora tentou uma sexta combinação.

O cofre bloqueou o teclado por quinze minutos.

Na tela do meu celular, ela chutou a porta de aço, respirou fundo e começou a revistar as gavetas da escrivaninha.

“Ela sabe que alguma coisa saiu do controle”, Marina disse.

“Ainda não sabe o quê.”

“Você vai voltar para casa?”

“Vou.”

Eduardo ergueu os olhos do computador.

“Se confrontá-la agora, ela pode apagar dispositivos, movimentar dinheiro ou combinar versões com Bruno.”

“Não vou confrontar.”

Cheguei ao Joá pouco depois das três da manhã. Isadora estava deitada, com o celular carregando sobre o criado-mudo. Seu vestido para o ensaio pendia do lado de fora do armário.

Tirei os sapatos e me deitei ao lado dela.

“Trabalhou até agora?” perguntou, sem abrir os olhos.

“Um cliente descobriu um desvio.”

“Que horror.”

“É.”

Ela se virou para mim.

“Conseguiu recuperar o dinheiro?”

“Ainda não.”

“Então talvez não recupere.”

Sua mão pousou sobre meu peito. Eu contei mentalmente os segundos até sua respiração ficar lenta.

Na manhã seguinte, alterei as credenciais dos sistemas corporativos que não precisavam permanecer disponíveis no tablet da casa. Não bloqueei as contas domésticas. Uma mudança brusca demais confirmaria suas suspeitas.

Às oito e quarenta, ouvi um grito vindo da cozinha.

Isadora estava diante dos armários dos funcionários com uma caixa de veludo aberta na mão.

Lúcia permanecia junto à porta, pálida.

Bruno filmava tudo com o celular.

“Eu sabia”, Isadora disse. “Eu sabia que alguma coisa estava errada.”

Dentro da caixa havia um bracelete de esmeraldas que pertencera à avó dela.

“Onde encontrou isso?” perguntei.

“No armário da Lúcia. Embaixo dos panos de limpeza.”

Bruno apontou a câmera para o rosto dela.

“Não me filme”, Lúcia disse.

“Quem não deve não teme.”

“Desligue”, ordenei.

Ele riu.

“Vai defender ladra agora?”

Tirei o celular de sua linha de visão sem tocá-lo.

“Desligue ou saia da minha casa.”

Bruno baixou o aparelho.

Isadora ergueu a caixa diante de mim.

“Esse bracelete estava desaparecido. Ela entrou no meu quarto quando eu estava viajando.”

“Quem abriu o armário?”

“Eu.”

“Quem tocou na caixa?”

“Henrique, isso não é uma auditoria.”

“Quem mais tocou?”

“Eu não sei.”

“Então ninguém encosta em mais nada.”

Isadora tirou o próprio celular do bolso.

“Se você não vai fazer o que precisa, eu mesma ligo para a polícia.”

Lúcia deu um passo à frente. Sua voz tremeu, mas não desapareceu.

“Pode ligar. Mas eu quero minha advogada aqui antes de responder qualquer pergunta.”

Isadora a encarou como se um móvel tivesse acabado de exigir direitos.

“Sua advogada?”

“A doutora que eu escolhi ontem.”

Bruno olhou rapidamente para a irmã.

Foi menos de um segundo, mas bastou. Eles não sabiam quanto Lúcia contara, nem a quem.

Segurei o olhar de Isadora.

“Ninguém será interrogado dentro desta casa sem orientação própria. Se você fizer uma acusação, também terá de explicar como encontrou o objeto e quem teve acesso ao armário.”

正文1

Ela guardou o telefone.

Ela piscou.

“Você vai chamar a polícia.”

“Vou preservar o que aconteceu.”

“É a mesma coisa.”

“Não. Não é.”

Lúcia apertava as mãos contra o avental.

“Eu nunca entrei no quarto dela sozinha, seu Henrique.”

“Eu sei o que você está dizendo.”

Evitei prometer que tudo ficaria bem. Naquela cozinha, promessas sem prova já haviam causado dano suficiente.

Pedi a Janaína que acompanhasse Lúcia até a sala e liguei para Marina. Em seguida, acessei o registro eletrônico da porta de serviço.

Bruno entrara na casa às seis e doze da manhã.

Isadora afirmara que ele chegara às oito.

A câmera do corredor não gravava áudio, mas mostrava Bruno carregando uma sacola pequena até a área dos armários. Ele permanecera ali por quarenta e três segundos. Às seis e dezesseis, saíra sem a sacola.

Às sete e cinquenta, Lúcia chegara para trabalhar.

Marina assistiu à gravação no meu telefone.

“Preserve o original. Não mostre a eles.”

“Há mais.”

Eu me lembrara de uma mensagem da seguradora recebida duas semanas antes. Abri o aplicativo e encontrei o protocolo.

Isadora havia declarado o bracelete desaparecido quinze dias antes e solicitado indenização.

O formulário dizia que ela o vira pela última vez num hotel em Búzios.

Agora o mesmo bracelete aparecia num armário que Bruno visitara antes da chegada de Lúcia.

O número gravado no fecho correspondia ao da apólice. Não era uma peça semelhante nem uma réplica. Isadora pedira indenização pelo mesmo objeto que agora usava para acusar Lúcia.

Com orientação de Marina, telefonei para a seguradora apenas para solicitar a preservação do protocolo, das mensagens e dos anexos enviados por Isadora. Não revelei nossa investigação.

O atendente confirmou a comunicação inicial: quinze dias antes, às vinte e três e quarenta e oito.

Naquela noite, Isadora estava em casa.

Uma acusação perfeita exigia que ninguém conferisse as datas.

Infelizmente para eles, datas eram a primeira coisa que eu conferia.

Voltei à cozinha. Isadora andava de um lado para o outro.

“E então?”

“Vou tratar disso depois do casamento.”

“Depois?”

“Temos fornecedores chegando a Petrópolis hoje. Não vou permitir uma cena sem entender tudo.”

“Você viu a joia no armário dela.”

“Vi onde você disse que a encontrou.”

Bruno se aproximou.

“Se você não demitir essa mulher agora, está admitindo que não consegue controlar a própria casa.”

Olhei para ele.

“A partir de hoje, ninguém toca nos objetos dos funcionários sem minha presença. Isso inclui você.”

Seu rosto endureceu.

Isadora segurou meu braço.

“Amor, não precisa ficar contra mim. Só quero que você me proteja.”

“E eu quero saber a verdade.”

Ela soltou meu braço como se eu tivesse escolhido palavras ofensivas.

Levei Lúcia até a sala onde Janaína a esperava.

“A senhora está dispensada com pagamento integral até depois do fim de semana”, falei.

“Se eu for embora agora, ela vai dizer que fugi.”

“Pode ficar, ir para casa ou esperar no escritório de Marina. Nenhuma opção muda seu salário.”

Lúcia respirou fundo.

“Vou com a doutora. E quero deixar registrado hoje que o bracelete não estava no meu armário quando guardei os panos ontem.”

Não fui eu quem decidiu seu próximo passo.

Foi ela.

Uma hora depois, Marina reuniu-se com a equipe que cuidaria das medidas cíveis, trabalhistas e criminais. Cada frente teria seus próprios documentos. Nenhuma denúncia dependeria apenas da minha versão.

Os funcionários teriam advogados separados. Os registros de jornada seriam comparados aos dados oficiais. A polícia receberia os elementos da fraude e da falsificação. No pedido cível, Marina buscaria impedir que a Aurora Prime esvaziasse as contas antes que o dinheiro pudesse ser rastreado.

“Não existe garantia de que o juiz decida hoje”, ela advertiu.

“Quanto tempo temos?”

Meu telefone tocou antes que ela respondesse.

Era o gerente responsável pelo acompanhamento das contas empresariais vinculadas aos pagamentos da casa. Uma operação fora do padrão aguardava a janela bancária seguinte.

R$ 1.100.000 seriam enviados pela Aurora Prime a uma prestadora de serviços em Montevidéu.

“Quando?” perguntei.

“Amanhã cedo.”

Marina já abria o computador.

“Então é esse o nosso prazo.”

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