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"A Mamadeira Que Salvou Uma Família" Capítulo 3

正文开头

Quando Henrique voltou à mansão Montenegro naquela tarde, já não havia qualquer aparência de normalidade na casa.

Dois seguranças permaneciam diante da entrada principal, outro vigiava a garagem e ninguém podia circular entre os cômodos sem ser identificado.

A ordem tinha partido dele ainda do hospital.

"Ninguém sai e ninguém entra sem autorização."

Clara recebeu a instrução em silêncio.

Sabia que Henrique não costumava repetir ordens.

Naquela tarde, ele não precisou.

A cozinha foi isolada primeiro.

Depois, o quarto de Miguel.

Em seguida, a área dos empregados.

Henrique pediu a lista completa de todos que haviam trabalhado na mansão naquela manhã.

Cozinheiras.

Faxineiras.

Motoristas.

Seguranças.

Jardineiros.

Até o rapaz que havia entregue flores para Teresa entrou na relação.

Helena assistia a tudo com Miguel nos braços.

Desde que saíra do hospital, não deixara ninguém segurar o filho.

Nem mesmo Isabela.

A culpa pelo tapa ainda a corroía, mas o medo era maior.

Ela olhava para cada pessoa que passava pelo corredor como se tentasse descobrir um assassino pelo rosto.

Henrique entrou no escritório com Bruno, chefe da segurança.

"Quero as gravações desde cinco da manhã."

Bruno colocou o notebook sobre a mesa.

"Já separei."

Henrique abriu o primeiro arquivo.

Cozinha.

Entrada de serviço.

Corredor lateral.

Escada principal.

Por alguns minutos, tudo parecia normal.

Uma funcionária passava com uma bandeja.

Clara aparecia conversando com uma cozinheira.

Vitória entrava na cozinha.

Henrique aproximou o rosto da tela.

"Para."

Bruno congelou a imagem.

Vitória estava diante da bancada.

Henrique observou o horário.

Sete e doze.

"Continua."

A imagem voltou a correr.

Vitória mexeu na mamadeira, deixou-a sobre a bancada e saiu pelo corredor.

Henrique apertou os lábios.

"Agora eu quero ver quem entrou depois."

Bruno avançou alguns segundos.

A imagem tremeu.

Depois ficou preta.

Henrique não piscou.

"Volta."

Bruno voltou.

Sete e quinze.

Imagem normal.

Sete e dezesseis.

Falha.

Tela preta.

Sete e vinte e três.

A câmera retornava.

Henrique lentamente levantou os olhos.

"Sete minutos."

Bruno assentiu.

"Sim."

"Justamente quando a mamadeira ficou sozinha."

"Sim."

Henrique se recostou na cadeira.

"Foi defeito?"

Bruno hesitou.

"Não parece."

"Então o que parece?"

"Parece interrupção manual."

Henrique ficou em silêncio.

Bruno abriu outra câmera.

O corredor lateral também apresentava falha.

Depois a câmera da entrada da cozinha.

Mesma coisa.

Sete minutos apagados.

Todas ao mesmo tempo.

Henrique fechou o notebook.

"Quem tem acesso ao sistema?"

"Eu. Dois homens da equipe. Clara conhece a senha antiga, mas ela foi trocada."

"Mais alguém?"

Bruno pensou.

"Augusto já teve acesso porque coordenou a instalação do sistema novo."

Henrique ergueu os olhos.

Seu primo.

"Quando foi isso?"

"Três meses atrás."

Henrique ficou em silêncio.

Na sala de estar, Helena já não suportava mais esperar.

Vitória estava sentada no sofá, com os olhos inchados de tanto chorar.

Helena caminhava de um lado para outro.

"Você deixou a mamadeira sozinha."

Vitória não respondeu.

"Você foi a última pessoa que tocou nela antes de tudo acontecer."

正文1

"Eu já expliquei."

"Não explicou nada."

Vitória levantou a cabeça.

"Eu saí para atender uma ligação."

"De quem?"

Vitória desviou o olhar.

Helena percebeu.

"De quem, Vitória?"

"Não importa."

Helena soltou uma risada curta.

"Meu filho quase morreu e você ainda acha que alguma coisa não importa?"

"Eu não fiz isso!"

"Então para de esconder coisas!"

Vitória se levantou.

"E você para de me olhar como se eu fosse um monstro!"

"Eu não sei mais o que você é!"

A frase atingiu Vitória como um golpe.

Ela ficou imóvel.

Helena percebeu que havia ido longe, mas não voltou atrás.

"Você quer saber o que eu vejo quando olho para você agora?"

Vitória respirou com dificuldade.

"Não."

"Eu vejo a mulher que preparou a mamadeira."

"Eu sou sua irmã."

"Por isso dói mais."

Vitória começou a chorar novamente.

"Eu jamais machucaria o Miguel."

"Então me diz a verdade."

Vitória fechou os olhos.

"Eu já disse."

"Não. Você disse uma parte."

Silêncio.

Helena se aproximou.

"Você anda estranha há semanas."

Vitória abriu os olhos.

"Não começa."

"Você apareceu aqui mais vezes do que o normal."

"Porque você acabou de ter um filho."

"Entrou no quarto do Miguel quando eu não estava."

Vitória empalideceu.

Helena viu.

"Eu sabia."

Vitória recuou um passo.

"Quem te falou?"

"Então é verdade?"

Vitória respirou fundo.

"Helena..."

"Você entrou escondida no quarto do meu filho?"

"Sim."

Helena avançou.

"Por quê?"

"Não foi para fazer mal a ele."

"Você acha que eu vou acreditar?"

"Eu estava procurando uma coisa."

"O quê?"

Vitória olhou ao redor.

Como se ainda estivesse decidindo se devia contar.

Helena perdeu a paciência.

"Fala!"

Vitória apertou os dedos.

"Os documentos médicos do Miguel."

Helena ficou muda.

"Você mexeu nos exames do meu filho?"

"Não."

"Você acabou de dizer que procurou os documentos!"

"Porque alguém já tinha mexido neles."

Helena franziu a testa.

Vitória limpou as lágrimas.

"Há umas duas semanas, eu entrei no quarto para deixar um presente."

"Que presente?"

"Um macacão."

"Continua."

Vitória respirou fundo.

"Quando eu entrei, a gaveta onde você guarda os documentos estava aberta."

Helena ficou imóvel.

"Eu nunca deixo aquela gaveta aberta."

"Eu sei."

"Como você sabe?"

Vitória desviou o olhar.

"Porque eu já tinha visto você guardar os exames lá."

Helena cruzou os braços.

"E o que você fez?"

"Eu fechei."

"É só isso?"

"Não."

Vitória baixou a voz.

"Um dos envelopes estava no chão."

Helena sentiu um frio na barriga.

"Qual envelope?"

"O do hospital."

"Qual deles?"

"Eu não sei. Não abri."

"Você acabou de dizer que procurou os documentos depois."

"Porque aconteceu de novo."

Helena parou.

"De novo?"

Vitória assentiu.

"Três dias depois, eu vi alguém saindo do corredor do quarto do Miguel."

"Quem?"

"Não consegui ver o rosto."

"Homem ou mulher?"

"Não sei. Foi rápido."

Helena deu um passo.

"Você está me dizendo isso agora?"

Vitória chorou.

"Eu achei que podia descobrir sozinha."

"Descobrir o quê?"

正文2

"Quem estava mexendo nas coisas dele."

Helena ficou com os olhos cheios de raiva.

"E em vez de me contar, você começou a entrar escondida no quarto?"

"Eu não queria te assustar sem ter certeza."

"Você decidiu por mim."

"Eu estava tentando ajudar."

"Do mesmo jeito que ajudou preparando a mamadeira?"

Vitória fechou os olhos.

"Você realmente acha que eu faria isso?"

Helena não respondeu.

Isso foi pior.

Vitória virou o rosto.

Henrique entrou na sala nesse instante.

"Chega."

As duas olharam para ele.

"Encontramos uma falha nas câmeras."

Helena ficou rígida.

"Falha?"

"Sete minutos apagados."

Vitória arregalou os olhos.

"Quando?"

"Logo depois que você saiu da cozinha."

Helena olhou para a irmã.

Vitória balançou a cabeça.

"Eu não sabia disso."

Henrique se aproximou.

"Você ainda está omitindo alguma coisa?"

Vitória hesitou.

Helena respondeu por ela.

"Ela entrou escondida no quarto do Miguel nas últimas semanas."

Henrique virou o rosto.

"Vitória."

"Eu expliquei."

"Para mim, não."

Henrique ouviu tudo.

Do início ao fim.

Não interrompeu uma única vez.

Quando Vitória terminou, ele ficou em silêncio.

"Você viu alguém sair do corredor."

"Sim."

"E não contou."

"Não."

Henrique ficou alguns segundos olhando para ela.

"Você tem noção do que fez?"

Vitória abaixou a cabeça.

"Tenho agora."

Henrique virou para Bruno.

"Quero todas as entradas desse corredor verificadas nas últimas três semanas."

"Vou fazer."

"Funcionários, visitas, entregas. Tudo."

Bruno saiu.

Isabela acompanhava a movimentação de longe.

Desde o hospital, ninguém mais a tratava como uma mulher que havia perdido a cabeça.

Alguns empregados evitavam seus olhos.

Outros olhavam para ela com respeito.

Ela não gostava de nenhum dos dois.

Na cozinha, começou a ajudar Clara a separar utensílios que precisavam permanecer isolados.

Ninguém deveria jogar nada fora.

Henrique havia sido claro.

Isabela colocou um par de luvas.

Abriu o compartimento de lixo que ficava abaixo da bancada.

Havia embalagens de alimentos, guardanapos, sachês e restos da manhã.

Ela começou a separar com cuidado.

Foi então que viu algo pequeno preso atrás de uma caixa de leite vazia.

Isabela puxou.

Era um frasco.

Pequeno.

De vidro escuro.

Sem rótulo.

Ou melhor, quase sem rótulo.

Restavam apenas pedaços de papel rasgado grudados na lateral.

Isabela franziu a testa.

"Clara."

A governanta virou.

"O que foi?"

Isabela levantou o frasco.

"Isso estava aqui."

Clara não respondeu.

Seu rosto mudou imediatamente.

A cor desapareceu.

Isabela percebeu.

"Você conhece?"

Clara se aproximou devagar.

"Deixa eu ver."

Isabela não entregou de imediato.

"Clara?"

A governanta ficou olhando para o frasco.

As mãos começaram a tremer.

"Meu Deus."

"Você conhece isso."

Clara ergueu os olhos.

"Não toca mais."

"Por quê?"

"Coloca na bancada."

Isabela obedeceu.

Clara continuou parada.

A expressão dela já não era apenas de medo.

Era reconhecimento.

"Eu vou chamar o senhor Henrique."

Clara segurou o braço de Isabela.

"Espera."

Isabela franziu a testa.

"Por quê?"

Clara olhou para a porta da cozinha.

Depois voltou a olhar para o frasco.

"Porque se for o que eu estou pensando..."

Ela não terminou.

Isabela se aproximou.

"O que você está pensando?"

Clara respirou fundo.

"Eu já vi um frasco assim nesta casa."

Isabela ficou imóvel.

"Quando?"

Clara demorou a responder.

"Há muitos anos."

"De quem era?"

Os olhos de Clara se encheram de um medo antigo.

"Do senhor Antônio Montenegro."

Isabela sentiu um arrepio.

"O pai do senhor Henrique?"

Clara assentiu lentamente.

"E pouco tempo depois daquele frasco aparecer..."

Ela parou.

Isabela quase sussurrou.

"O que aconteceu?"

Clara olhou para ela.

"O senhor Antônio morreu."

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