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"A Mamadeira Que Salvou Uma Família" Capítulo 2

正文开头

Henrique Montenegro chegou à mansão pouco antes das nove da manhã.

O carro preto mal havia parado diante da entrada principal quando ele abriu a porta e atravessou o hall sem esperar pelo motorista.

Teresa, a mãe dele, vinha descendo a escada, mas Henrique passou por ela sem dizer nada.

"Onde está a Helena?"

Clara, a governanta, apareceu no corredor com o rosto tenso.

"No quarto do Miguel."

Henrique subiu dois degraus de cada vez.

Quando entrou no quarto, encontrou Helena em pé junto à janela, com Miguel nos braços.

Isabela não estava mais ali.

Vitória permanecia sentada na poltrona, chorando em silêncio.

Henrique parou no centro do quarto e olhou para as duas irmãs.

"O que aconteceu?"

Helena virou de imediato.

"O que aconteceu é que alguém tentou envenenar nosso filho."

Henrique ficou imóvel.

"Repete."

"A mamadeira do Miguel tinha alguma coisa."

Vitória levantou a cabeça.

"Helena, para de falar como se você soubesse que fui eu."

Helena explodiu.

"Você preparou a mamadeira!"

"Eu preparei o leite, não coloquei veneno nenhum!"

"Então explica por que ficou branca quando viu o vidro quebrado!"

"Porque você estava me olhando como se eu fosse uma assassina!"

Henrique levantou a mão.

"Chega."

As duas ficaram em silêncio.

Ele caminhou até o berço e olhou para Miguel.

O bebê estava mais quieto agora, mas parecia cansado.

Henrique tocou o rosto do filho.

"Ele bebeu alguma coisa?"

"Não."

Helena apertou Miguel contra o peito.

"Isabela arrancou a mamadeira antes."

Henrique olhou para ela.

"Isabela?"

"Ela sentiu um cheiro estranho. Pegou a mamadeira e jogou no chão."

Henrique franziu a testa.

"Ela jogou vidro do lado do berço?"

"Eu dei um tapa nela."

A frase saiu baixa.

Henrique olhou para a esposa.

Helena desviou os olhos.

"Eu achei que ela tivesse enlouquecido."

"E depois?"

Helena respirou fundo.

"O leite começou a reagir no chão."

Henrique mudou de expressão.

"Que tipo de reação?"

"Borbulhou. Danificou o verniz."

Vitória cobriu a boca com a mão.

Henrique virou para ela.

"Você preparou a mamadeira?"

Vitória chorou ainda mais.

"Sim."

"Que horas?"

"Pouco depois das sete."

"Sozinha?"

"Sim."

"Onde?"

"Na cozinha."

Henrique a encarou por alguns segundos.

"E depois?"

Vitória enxugou o rosto.

"Eu deixei a mamadeira na bancada."

Helena riu com amargura.

"Claro."

Vitória se levantou.

"É verdade!"

"Você quer que eu acredite que alguém entrou na cozinha, colocou alguma coisa no leite e saiu sem ninguém ver?"

"Eu não sei!"

"Mas você estava lá."

"Eu saí por alguns minutos."

Henrique estreitou os olhos.

"Para onde?"

Vitória hesitou.

"Fui atender uma ligação."

"Quanto tempo?"

"Talvez três minutos. Quatro."

"E a mamadeira ficou sozinha?"

Vitória assentiu.

Helena deu um passo para frente.

"Que conveniente."

"Você é minha irmã!"

"Então por que meu filho quase bebeu aquilo?"

"Eu não sei!"

Vitória gritou.

A voz ecoou pelo quarto.

Miguel se assustou e começou a resmungar.

Henrique pegou o filho dos braços de Helena.

正文1

"Acabou."

Ele olhou para Vitória.

"Você não sai da mansão."

Vitória arregalou os olhos.

"Você está me prendendo aqui?"

"Estou dizendo que ninguém sai até eu entender o que aconteceu."

"Henrique, eu não fiz nada."

"Então você não tem motivo para fugir."

Vitória ficou em silêncio.

Henrique chamou Clara.

A governanta entrou imediatamente.

"Quero todo mundo que esteve na cozinha desde seis da manhã identificado."

"Sim, senhor."

"E ninguém limpa o chão do quarto ainda."

Clara assentiu.

"Já pedi para isolarem a área."

Henrique virou para Helena.

"Cadê a Isabela?"

Helena demorou um instante para responder.

"No quarto dela."

"Por quê?"

"Eu mandei ela sair."

Henrique a encarou.

Helena fechou os olhos.

"Eu estava com raiva."

"Ela acabou de impedir nosso filho de beber aquilo."

"Eu sei."

A voz de Helena falhou.

"Eu sei agora."

Henrique entregou Miguel novamente a ela.

Depois saiu.

Encontrou Isabela sentada na pequena área dos funcionários, com uma bolsa de gelo enrolada em um pano sobre a bochecha.

Ela se levantou assim que o viu.

"Senhor Henrique."

"Senta."

Isabela hesitou.

Ele puxou uma cadeira.

"Me conta exatamente o que você percebeu."

Isabela relatou tudo.

Sem exagerar.

Sem tentar se defender.

Quando terminou, Henrique ficou alguns segundos em silêncio.

"Você conhece esse cheiro?"

"Não tenho certeza."

"Mas reconheceu alguma coisa."

"Parecia produto químico."

Henrique apoiou os braços sobre os joelhos.

"E você decidiu jogar a mamadeira no chão."

"Eu não tive tempo para pensar."

"Podia ter machucado o Miguel."

Isabela baixou os olhos.

"Eu sei."

Henrique continuou olhando para ela.

"Mas não machucou."

Isabela ergueu a cabeça.

"Senhor?"

"Você evitou que ele bebesse."

Ela não respondeu.

Henrique se levantou.

"Não vá embora."

Isabela franziu a testa.

"Eu não estava..."

"Estou falando sério. Hoje, você fica aqui."

Pouco depois, uma equipe particular recolheu amostras do leite, dos cacos da mamadeira e da área atingida no piso.

Henrique exigiu que tudo fosse enviado ao Hospital Santa Cecília.

Miguel também seria examinado.

Helena não gostou.

"Ele nem bebeu."

"Mesmo assim."

"Henrique, ele está assustado."

"Eu prefiro assustar ele agora do que descobrir depois que ignoramos alguma coisa."

Helena não discutiu.

Duas horas mais tarde, estavam todos em uma ala reservada do Hospital Santa Cecília.

Henrique havia conseguido atendimento imediato.

Dr. Rafael Nogueira chegou pouco depois.

Ele conhecia a família havia anos.

Entrou na sala com um tablet nas mãos e foi direto até Miguel.

"Como ele está?"

"Cansado."

Helena respondeu.

"Mas ele já estava assim antes."

Rafael olhou para ela.

"Antes de hoje?"

Helena assentiu.

"Tem dias."

Rafael começou o exame.

Temperatura.

Respiração.

Reflexos.

Pele.

Pupilas.

Depois perguntou sobre alimentação, sono, vômitos e evacuação.

Helena respondeu tudo.

No início, sem preocupação.

Depois começou a perceber o peso das próprias respostas.

"Ele vomitou quantas vezes essa semana?"

"Três."

"Na semana passada?"

"Talvez duas."

"E essa sonolência?"

"Começou faz umas três semanas."

Rafael parou de digitar.

Henrique percebeu.

"O que foi?"

正文2

"Nada ainda."

"Não me responde assim."

Rafael respirou fundo.

"Quero rever os exames anteriores."

Helena franziu a testa.

"Mas os exames estavam normais."

"Eu sei."

"Então por quê?"

"Porque agora existe um contexto diferente."

Nesse momento, uma enfermeira apareceu na porta.

"Dr. Rafael, saiu a análise preliminar da amostra."

Rafael recebeu o envelope.

Henrique levantou.

Helena apertou Miguel contra o peito.

Vitória, que permanecia em outra cadeira, parou até de respirar.

Rafael abriu o documento.

Leu.

Seu rosto fechou.

Henrique deu um passo.

"Fala."

Rafael continuou lendo.

"Há presença de substância tóxica."

Helena empalideceu.

Vitória levou a mão à boca.

Henrique não mudou de posição.

"Quantidade?"

"Alta o suficiente para representar risco sério para um bebê."

Helena fechou os olhos.

Miguel soltou um pequeno som.

Ela o abraçou com força.

"Se ele tivesse bebido?"

Rafael olhou para ela.

"Dependendo da quantidade ingerida, poderia ter sido muito grave."

Helena começou a chorar.

Henrique virou o rosto por um instante.

Depois olhou para Vitória.

Ela percebeu.

"Não fui eu."

Ninguém respondeu.

"Henrique, eu juro."

Ele não disse nada.

Vitória se levantou.

"Olha para mim."

Henrique continuou em silêncio.

"Eu amo o Miguel."

Helena abriu os olhos.

"Então me diz quem teve acesso àquela mamadeira."

"Eu já disse!"

"Você deixou sozinha por quatro minutos!"

"Eu não sabia que isso ia acontecer!"

Helena quase avançou sobre ela.

Henrique segurou o braço da esposa.

"Agora não."

"Agora, sim!"

"Helena."

Ela olhou para ele.

Henrique falou baixo.

"Se alguém fez isso, eu vou descobrir."

Vitória voltou a sentar.

Rafael permaneceu parado, ainda com o resultado nas mãos.

Mas sua atenção já não estava mais na discussão.

Estava no tablet.

Ele abriu o prontuário de Miguel.

Começou a percorrer registros anteriores.

Uma consulta de duas semanas atrás.

Outra de quase um mês.

Relatos de irritabilidade.

Baixo apetite.

Pequenos episódios de vômito.

Sonolência.

Rafael abriu um exame laboratorial antigo.

Depois outro.

Henrique percebeu a mudança no rosto dele.

"Rafael."

O médico não respondeu.

"Rafael."

Ele ergueu os olhos.

"Quero pedir novos exames."

"Por quê?"

Rafael olhou para Miguel.

"Porque algumas alterações que eu considerei inespecíficas agora fazem mais sentido."

Helena ficou pálida novamente.

"Que alterações?"

Rafael hesitou.

Henrique deu um passo.

"Sem rodeios."

O médico respirou fundo.

"Nos últimos exames, alguns marcadores estavam discretamente fora do padrão."

"Você disse que não era nada."

"Naquele momento, isoladamente, não parecia ser."

"E agora?"

Rafael fechou o tablet.

"Agora eu quero comparar com o que encontramos na mamadeira."

Helena começou a tremer.

"Você está dizendo que ele já teve contato com isso antes?"

"Eu estou dizendo que precisamos investigar."

"Há quanto tempo?"

"Helena..."

"Há quanto tempo?"

Rafael ficou em silêncio.

Henrique se aproximou.

"Responde."

O médico olhou para os dois.

Depois para Miguel.

A expressão dele era grave.

"Henrique... talvez não tenha começado hoje."

Helena ficou completamente imóvel.

Vitória ergueu lentamente a cabeça.

Rafael continuou.

"Se os novos exames confirmarem o que eu estou suspeitando, alguém pode estar expondo o Miguel a pequenas doses há semanas."

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