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"Expulsa de Casa, Fui Trabalhar Como Babá… Mas o Bilionário Queria Que Eu Fosse Sua Esposa" Capítulo 9

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A silhueta do senhor de sobretudo cinza desenhou-se na penumbra, trazendo no rosto marcado pelas rugas o peso de duas décadas de segredos ocultos.

Antonella sentiu a respiração prender-se na garganta, enquanto Lorenzo mantinha o braço protetor e dominante firme em sua cintura.

O homem idoso deu um passo à frente, ajustando a pasta de couro gasta debaixo do braço e fitando a jovem com olhos úmidos de reconhecimento.

"Você... você cresceu e herdou a mesma força indomável de sua mãe, minha menina", disse a voz trêmula e rouca do recém-chegado.

Doutor Alencar afastou-se discretamente, abrindo espaço para que o visitante se aproximasse da mesa de vidro iluminada.

"O senhor é... o doutor Eduardo Mendes?", perguntou Antonella, com a voz embargada ao lembrar-se do nome citado na carta da mãe.

O idoso assentiu lentamente com a cabeça, confirmando a identidade que o mundo julgava ter sido apagada por um trágico acidente europeu.

"Sim, sou eu", respondeu ele, aproximando-se da bancada e retirando um velho selo de lacre e documentos originais de dentro da pasta.

"Eu estive escondido por vinte anos, fugindo das garras e dos capangas que Victor Castro contratou para me silenciar."

O clima no escritório endureceu instantaneamente, transformando-se em uma zona de guerra pronta para o golpe final contra os inimigos.

Lorenzo estreitou os olhos azuis, cruzando os braços com uma postura fria e calculista que inspirava terror em qualquer adversário.

"Se você voltou, significa que tem provas físicas que complementam o que nossa auditoria digital acabou de desvendar", pontuou o magnata.

Eduardo abriu a pasta gasta e estendeu uma série de papéis amarelados e gravações em fita magnética original sobre a mesa.

"Mais do que provas, senhor von Strauss. Tenho a confissão assinada de que Victor Castro não apenas falsificou o testamento..."

"...mas também foi o responsável direto por adulterar os relatórios médicos do hospital na noite em que a senhora sua mãe faleceu."

As palavras do idoso atingiram Antonella como um raio, confirmando a pior e mais sombria de todas as suas suspeitas.

O monstro que a chamara de inútil e a escorraçara de casa era um assassino que eliminara a própria esposa por ganância.

Uma onda de fúria cega e calculada substituiu qualquer resquício de hesitação no coração da nova herdeira dos Strauss.

Ela olhou para a tela onde os bilhões de sua fundação reavida brilhavam, percebendo que a corda no pescoço do pai já estava laçada.

"Chegou a hora de cobrar cada centavo e cada lágrima", sussurrou Antonella, com os olhos castanhos brilhando com um fulgor perigoso.

Eduardo olhou para ela com profundo respeito, curvando a cabeça em sinal de submissão à nova rainha daquele império.

"Estou à sua inteira disposição, senhora von Strauss. Meus depoimentos e os originais estão prontos para a promotoria de Justiça."

Lorenzo abriu um sorriso sutil e predador, puxando Antonella ainda mais para perto de seu corpo largo.

"Alencar, acione imediatamente o Ministério Público e prepare a intimação para a prisão preventiva de Victor Castro", ordenou o bilionário.

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"Que o amanhecer de São Paulo veja o começo do fim para a corja da construtora Castro."

No entanto, antes que a equipe jurídica pudesse executar as ordens de prisão, o celular particular de Antonella vibrou na bancada.

Era uma notificação digital enviada por um número criptografado, exibindo um convite cínico e provocador assinado por Victoria Lima.

A ex-amiga, agora afundada em dívidas e consumida por um ódio doentio, exigia um encontro imediato em um restaurante exclusivo nos Jardins.

"Venha sozinha, se ainda tiver coragem, para conversarmos como mulheres civilizadas sobre o passado", dizia a mensagem repleta de veneno.

Antonella leu cada palavra com um sorriso de canto gélido, sabendo perfeitamente que se tratava de uma emboscada desesperada.

Aquela hiena acuada não tinha mais nada a perder e tentava a cartada final para recuperar o prestígio perdido na alta sociedade.

Sem precisar consultar Lorenzo — que já coordenava a segurança em torno do dossiê de Eduardo —, ela aceitou o desafio de frente.

Na noite marcada, o restaurante de culinária mediterrânea na Rua Oscar Freire parecia misteriosamente isolado do movimento habitual.

Apenas uma mesa reservada, envolta pela penumbra e pelo brilho fraco de velas aromáticas, ocupava o canto mais discreto do salão principal.

Victoria Lima aguardava no local, vestida com um longo modelo preto de corte austero, mas com o rosto rigidamente tomado pela tensão.

Ao seu lado, duas herdeiras falidas da Faria Lima completavam o comitê de recepção daquela verdadeira armadilha armada às escondidas.

Assim que Antonella cruzou o batente do reservado, os olhos de Victoria faiscaram com um brilho de pura loucura e rancor desmedido.

"Ora, veja só quem teve a ousadia de aparecer sozinha, sem a coleira do seu precioso bilionário", sibilou Victoria com um sorriso cínico.

"Pensei que a nova dona de São Paulo estivesse ocupada demais contando as esmolas do marido para nos dar o ar da graça."

Antonella manteve uma serenidade absoluta, caminhando com passos firmes e acomodando-se à mesa sem o menor traço de temor.

"Eu vim ver até onde vai a sua falta de escrúpulos, Victoria", respondeu Antonella com uma voz calma, cortante e elegante.

"Pelo visto, a miséria e o ostracismo não serviram para ensinar um pingo de decência a essa sua cabecinha oca."

Uma das comparsas de Victoria, uma patricinha rancorosa chamada Marcela, bateu com força na mesa de madeira escura.

"Não fale com ela nesse tom, sua oportunista! Você só está onde está porque roubou o homem das outras!"

"O castelo de cartas que você montou vai desabar muito antes do que imagina", acrescentou Marcela, rangendo os dentes.

Victoria ergueu a mão para conter o chilique da amiga, ostentando um ar de falsa superioridade e uma confiança suspeita.

Ela sabia que não dependia mais apenas de suas próprias forças ou do dinheiro minguado que restava em suas contas bloqueadas.

Nos bastidores daquela simulação de trégua, um tubarão da velha guarda da Faria Lima financiava o plano de destruição da rival.

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Tratava-se de um investidor enigmático e rival histórico dos Strauss, interessado em desestabilizar o império imobiliário da família.

Victoria havia aceitado o trabalho sujo em troca de uma fortuna em euros e passagens definitivas para longe de São Paulo.

"Nós não viemos aqui para brigar por causa de homem, Antonella", mentiu Victoria, estendendo a garrafa de vinho tinto importado.

"Queremos apenas selar a paz com uma taça de Bordeaux. É uma safra raríssima, trazida para limpar o nosso passado."

Victoria abriu a garrafa e serviu pessoalmente uma taça generosa de líquido escuro, empurrando-a lentamente para a frente da rival.

Sob a penumbra do ambiente, um reflexo químico sutil e um odor quase imperceptível denunciavam a presença de uma substância ilícita.

Tratava-se de um coquetel altamente sedativo, preparado para desacordar a vítima e garantir cenas constrangedoras perante a imprensa.

Câmeras ocultas, instaladas por capangas no teto falso do estabelecimento, já transmitiam cada segundo da cena para portais de fofoca.

Antonella fitou a taça de vinho espumante, percebendo o pó translúcido que ainda deixava um rastro químico nas bordas de cristal.

O sangue frio da nova herdeira pulsava com força, transformando o que seria uma emboscada em uma lição de xadrez implacável.

O que as criminosas ignoravam completamente é que a bolsa de grife repousada sobre a mesa continha um sistema quântico de transmissão.

Cada palavra e cada movimento já eram gravados e salvos diretamente nos servidores blindados da holding dos Strauss.

Além disso, doze agentes táticos disfarçados monitoravam cada centímetro quadrado do perímetro externo do restaurante.

"Por que você não bebe primeiro, Victoria?", perguntou Antonella com um sorriso irônico, cruzando as mãos com total tranquilidade.

"Afinal, a anfitriã da noite é você. Seria uma enorme desfeita recusar a hospitalidade da casa."

"Não seja malcriada! A taça foi servida para você como um sinal de trégua", insistiu Victoria, perdendo o tom de voz amigável.

O desespero começou a transparecer nos gestos trêmulos da ex-amiga, que empurrava o recipiente cada vez mais perto.

Antonella levantou-se lentamente da cadeira, ajustando o blazer impecável de alfaiataria sobre os ombros com distinção.

Ela estendeu a mão, tocou na haste da taça envenenada e a ergueu contra a luz fraca do abajur decorativo.

O silêncio no reservado tornou-se ensurdecedor, com as golpistas prendendo a respiração na expectativa do golpe final.

Antonella fingiu que ia levar a bebida à boca, antes de parar de repente e rir de forma aberta e debochada.

Com um movimento rápido e controlado, ela virou todo o conteúdo da taça bem em cima do carpete branco do salão.

O líquido vermelho espalhou-se rapidamente pela trama clara, tingindo o chão de maneira grotesca e chocante.

Victoria levantou-se de um salto, estapeando a madeira da mesa com o rosto totalmente distorcido pela fúria cega.

"Você estragou tudo, sua infeliz! Como ousa rejeitar o nosso presente?", berrou a falsiane, perdendo a compostura.

As duas comparsas recuaram assustadas, percebendo que a armadilha havia ruído por completo diante daquela postura blindada.

Antonella deu um passo à frente, aproximando-se do rosto pálido de Victoria com um olhar cortante como uma lâmina de barbear.

A jovem abriu a bolsa de grife, retirou um pequeno controle remoto e pressionou o botão de ativação de áudio.

Imediatamente, caixas de som miniaturizadas espalhadas pelo teto reproduziram a confissão detalhada do plano sórdido.

A voz estridente de Victoria negociando o sedativo e o conluio com o concorrente ecoou pelas paredes do reservado.

As portas do espaço abriram-se com um estrondo metálico, revelando os quatro seguranças de terno preto dos Strauss.

A patrulha particular bloqueou as saídas instantaneamente, neutralizando o cinegrafista amador escondido na cabine lateral.

Antonella ajeitou o colarinho da blusa, olhou para Victoria com um desprezo monumental e aproximou-se perigosamente.

Com a ponta dos dedos, ela empurrou o restante da garrafa de vinho na direção da ex-amiga, mantendo um sorriso gélido.

"Esta bebida está excelente, Victoria", ironizou Antonella, com a voz carregada de um veneno silencioso.

"Acho uma enorme redundância desperdiçar algo tão refinado com quem já bebeu tanto do próprio veneno."

Antonella deu as costas para o grupo derrotado, caminhando em direção à saída privada sob a escolta rígida de seus seguranças.

Antes de atravessar a porta de vidro, ela ouviu ao fundo o som de Victoria desabando em prantos de puro desespero.

A carruagem daquela farsa havia se transformado em abóbora, e a conta pelo estrago estava prestes a chegar.

No entanto, o sinal vermelho do celular de Antonella piscou novamente, indicando uma mensagem direta de Lorenzo na mansão.

O homem idoso que aguardava no escritório havia revelado o nome do verdadeiro arquiteto por trás do roubo da herança.

E o que estava escrito no dossiê secreto ameaçava abalar os alicerces mais profundos de toda a alta sociedade de São Paulo.

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