"Expulsa de Casa, Fui Trabalhar Como Babá… Mas o Bilionário Queria Que Eu Fosse Sua Esposa" Capítulo 7
O eco daquele aviso urgente ainda ressoava nos arredores do salão principal, mas a atenção de Antonella foi bruscamente desviada.
Enquanto as luzes da Sala São Paulo cintilavam ao fundo, duas figuras esfarrapadas e de rostos pálidos emergiram das sombras.
Eram Victor Castro e sua atual esposa, Sophia, cujos trajes caros pareciam ridículos diante do desespero que estampavam.
A construtora da família havia perdido o último fio de sustentação financeira após a manobra implacável dos Strauss.
Sem contratos, sem crédito na praça e com dívidas acumuladas na Faria Lima, o império de fachada desmoronara.
Victor não hesitou em romper o cordão de isolamento dos seguranças, arrastando-se literalmente pelo piso de mármore polido.
O homem que antes a expulsara de casa com desprezo agora rastejava como uma sombra patética em direção aos seus sapatos.
"Antonella! Minha filha, por favor, olhe para mim!", implorou Victor, com a voz embargada por soluços exagerados.
Sophia vinha logo atrás, desprovida de qualquer pose de grande dama, com a maquiagem borrada pelas lágrimas de crocodilo.
"Nós sempre te amamos do nosso jeito, querida! A família precisa de você agora, não nos deixe na miséria!"
Os convidados ao redor pararam para assistir à patética cena, apontando discretamente e cochichando entre si.
Antonella manteve-se intocável, olhando para o próprio pai com a mesma frieza glacial que ele um dia lhe reservara.
Não havia um pingo de compaixão em seu peito, apenas o eco vazio de anos de rejeição e abusos psicológicos.
"Família?", questionou Antonella, deixando escapar um riso curto, seco e carregado de desdén.
"Vocês se lembram da palavra 'família' apenas quando o dinheiro acaba e a ruína bate à porta de casa?"
"Quando me jogaram na calçada da Rebouças com uma mala barata, a palavra de vocês era outra, se bem me lembro."
Sophia desatou a chorar de forma histericamente teatral, tentando agarrar a barra do vestido bordeaux de veludo da enteada.
"Não seja cruel, Antonella! O seu pai está velho e doente, ele vai perder tudo o que construiu na vida!"
"Deixe que perca", retrucou Antonella com uma serenidade cortante que paralisou a tentativa de aproximação da madrasta.
"Tudo o que ele construiu foi sobre o túmulo da minha mãe biológica e sobre a minha exaustão de anos de humilhação."
Victor levantou o rosto sulcado pelo desespero, percebendo que a fachada de bom samaritano não surtiria efeito.
A máscara de pai amoroso desabou instantaneamente, revelando a fúria cega do homem tirânico de antes.
"Sua ingrata! Sem o meu sobrenome e sem a minha criação, você não seria absolutamente nada nesta cidade!"
"Você acha que esse casamento com o bilionário vai durar? Ele só está usando você como um capricho!"
Antonella cruzou os braços com elegância, sem se abalar minimamente com o surto de raiva do patriarca falido.
"O meu lugar ao lado de Lorenzo foi conquistado com a minha inteligência, algo que nunca existiu nesta sua cabeça mesquinha."
O desespero de Victor atingiu o ápice quando ele percebeu que os seguranças da mansão já se aproximavam.
Perdendo o controle absoluto da razão, o empresário falido soltou um grito histérico que ecoou pelo salão.
"Você acha que sabe de tudo, garota idiota? Acorde para a realidade!"
"Os papéis que a sua mãe deixou não passam de uma mentira! Os segredos daquela herança são muito mais sombrios!"
"Você acha que ela morreu por acaso? Aquele dinheiro tem sangue, e se eu afundar, levo você junto para o inferno!"
As palavras de Victor pairaram no ar como um veneno pesado, deixando Antonella com o cenho franzido por uma fração de segundo.
Antes que ela pudesse exigir explicações sobre aquela confissão enigmática, os seguranças intervieram com força total.
Dois homens corpulentos imobilizaram os braços de Victor, afastando-o bruscamente da presença da nova senhora von Strauss.
Sophia foi contida logo em seguida, esperneando e proferindo ofensas baratas enquanto eram escoltados para a saída.
O silêncio voltou a imperar no ambiente de gala, embora o clima estivesse completamente eletrificado pela tensão.
Antonella respirou fundo, tentando afastar a ponta de inquietação que a revelação do pai acabara de plantar em sua mente.
Ela sabia que a morte de sua mãe, tratada por anos como um mal súbito, podia esconder uma verdade muito mais cruel.
Decidida a não demonstrar fraqueza diante daquela plateia famosa, ela ergueu o queixo com altivez.
Com um gesto gracioso, Antonella pegou uma taça de cristal cheia de champanhe de uma bandeja que passava ao seu lado.
Ela deu um passo em direção ao local exato onde Victor estivera rastejando segundos antes.
Olhando fixamente para as poças de sujeira deixadas no chão, ela inclinou levemente a taça de vidro.
O líquido dourado e efervescente escorreu, espalhando-se sobre a poeira e molhando o piso reluzente do salão.
"Deem o recado a eles", disse Antonella em um tom de voz audível apenas para os assessores mais próximos.
"Desde o dia em que me tiraram debaixo do próprio teto, o sobrenome Castro não tem mais qualquer ligação comigo."
A jovem virou-se de costas para a saída, deixando para trás o eco de sua sentença irrevogável e definitiva.
As portas laterais do salão abriram-se novamente com rapidez, revelando o assistente pessoal de Lorenzo correndo em sua direção.
O homem trazia nas mãos um novo relatório criptografado, exibindo um selo de urgência máxima emitido pela central.
"Senhora von Strauss, interceptamos uma mensagem direta destinada ao seu pai minutos antes dele invadir este recinto."
Antonella parou imediatamente, franzindo o cenho enquanto pegava o envelope lacrado com as iniciais da offshore da família.
"O que diz a mensagem?", perguntou ela, sentindo um frio súbito na espinha diante da gravidade da situação.
"Não se trata apenas de falência financeira, senhora", respondeu o assistente com a voz tensa e pausada.
"Os arquivos provam que a conta bancária secreta da sua falecida mãe foi esvaziada no mesmo dia do óbito."
"E o único beneficiário daquela transferência internacional de cem milhões de dólares... foi um sócio oculto da construtora de seu pai."
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