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"Expulsa de Casa, Fui Trabalhar Como Babá… Mas o Bilionário Queria Que Eu Fosse Sua Esposa" Capítulo 2

正文开头

Antonella olhava fixamente para o documento de bordas douradas repousado sobre a mesa de mogno maciço.

As letras impressas em tipografia clássica pareciam dançar diante de seus olhos, desafiando toda a lógica de sua vida pregressa.

Casamento.

A palavra ecoava em sua mente como um eco estrondoso, contrastando violentamente com a humilhação sofrida horas antes na Avenida Rebouças.

Ela, uma jovem dispensada pelo próprio pai e escorraçada por uma madrasta cruel, estava diante de um ultimato implacável.

"Você tem exatamente trinta segundos para decidir se quer continuar sendo o felpado capacho de sua família ou a mulher mais temida de São Paulo", ironizou Lorenzo.

O magnata mantinha-se de pé, projetando uma sombra imponente sobre a jovem, com os braços cruzados na altura do peito largo.

O terno preto italiano moldava perfeitamente seus ombros de predador, exalando um perigoso perfume de sândalo e charuto.

Antonella ergueu o queixo, sentindo o sangue ferver em suas veias enquanto a indignação superava momentaneamente o medo.

"O senhor acha que pode comprar a minha vida inteira com um contrato de conveniência?", disparou ela, com a voz firme.

"Eu não compro vidas, senhorita Castro; eu as resgato e estabeleço novas regras", retrucou Lorenzo, sem piscar os olhos de gelo.

"Meu filho aceitou a sua presença em minutos, algo que nenhum psiquiatra de renome internacional conseguiu em anos de terapia."

"E o preço para isso é me transformar em um fantoche sob o seu teto luxuoso?", questionou ela, desafiadora.

"Não em um fantoche, mas na senhora de uma das maiores fortunas da América Latina", respondeu o bilionário com frieza calculista.

"Pense bem: com o meu sobrenome ao seu lado, o seu querido pai e aquela corja da sua madrasta vão tremer."

"Eles vão implorar pelo seu perdão quando descobrirem que você agora tem o poder de destruir o império deles com uma única assinatura."

As palavras de Lorenzo atingiram em cheio o ponto mais vulnerável e sedutor da mente de Antonella.

A ânsia por justiça, o desejo de vingança contra a frieza de Victor Castro e a necessidade de recuperar a herança da mãe falaram mais alto.

Ela sabia perfeitamente que, sem um tostão no bolso e com o aluguel da kitnet atrasado, o mundo exterior não passava de uma cova fria.

"E quais são as minhas obrigações reais nessa farsa?", perguntou ela, estreitando os olhos castanhos em uma tentativa de decifrar o predador.

"Ser a mãe pública do pequeno Enzo, comparecer aos eventos da alta sociedade paulistana e manter a compostura na minha mansão", respondeu ele seco.

"Em troca, você terá acesso ilimitado a contas bancárias, imunidade total contra qualquer investida de seus parentes e proteção absoluta."

Um relance de movimento no pulso esquerdo de Lorenzo chamou a atenção de Antonella por uma fração de segundo.

Sob a manga da camisa social escura, uma antiga e reluzente pulseira de ouro com uma valiosa coroa entalhada escondia o tique-taque de um relógio de bolso antigo.

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Aquele relógio de colecionador parecia guardar cicatrizes de um passado doloroso, revelando que o "monstro" do Morumbi também carregava fantasmas.

Nos olhos azuis de Lorenzo, por um microssegundo, passou uma nesga de dor abafada antes de dar lugar à muralha de gelo de sempre.

"Aceito os termos", murmurou Antonella, com a voz carregada de uma determinação feroz que surpreendeu até a si mesma.

"Mas deixe uma coisa bem clara: eu não sou sua prisioneira, sou sua parceira de negócios nesta farsa familiar."

Um sorriso irônico e sombrio repuxou o canto dos lábios perfeitos de Lorenzo diante da ousadia daquela mulher.

"Gosto de mulheres com brio, senhorita Castro... ou melhor, futura senhora von Strauss", murmurou ele, empurrando a caneta dourada para mais perto.

Antonella respirou fundo, fechou os olhos por um breve instante para afastar o medo e segurou a caneta com firmeza.

Sua mão não tremia mais; cada traço da assinatura no papel oficial parecia cravar uma estaca definitiva em seu passado miserável.

Assim que a ponta da caneta riscou o ponto final do seu nome no documento de matrimônio, o ambiente inteiro pareceu mudar de atmosfera.

Antes que ela pudesse soltar o objeto, uma mão grande, quente e calejada fechou-se com firmeza ao redor de seu pulso esquerdo.

A pegada de Lorenzo era firme, dominante, impossível de ser ignorada, transmitindo um calor magnético que queimava sua pele.

O magnata inclinou o torso para frente, colando praticamente seu rosto ao de Antonella, com os olhos de gelo fixos nos lábios dela.

O hálito quente dele misturado ao aroma amadeirado envolveu a jovem em uma bolha de eletricidade pura e sufocante.

"Lembre-se do que eu vou te dizer agora, Antonella", sussurrou o patriarca dos Strauss, com uma gravidade que fez o estômago dela despencar.

"A partir de hoje, sob a minha proteção e com este anel que será colocado em seu dedo, nenhum verme de São Paulo voltará a encostar em você."

"Se alguém ousar erguer a voz para a minha esposa, eu mesma cuidarei para que essa pessoa desapareça dos mapas da América do Sul."

A intensidade daquela promessa territorial fez o coração de Antonella disparar em um ritmo frenético e desgovernado.

Ela sentiu o corpo inteiro formigar sob o toque possessivo daquele homem que comandava o submundo e os arranha-céus da Avenida Paulista.

A porta do escritório abriu-se de supetão com um rangido sutil, revelando o mordomo Raimundo carregando uma caixa de veludo preto.

Dentro da caixa repousava um solitário de diamante bruto, reluzindo com uma claridade quase dolorosa sob a luz difusa do abajur.

Lorenzo soltou o pulso de Antonella lentamente, como se estivesse apenas guardando a presa para o momento certo do abate.

"Raimundo, comunique à imprensa que a nossa cerimônia civil será realizada em caráter de urgência nas próximas quarenta e oito horas", ordenou o magnata.

"Sim, senhor von Strauss. Farei os preparativos imediatos para a recepção na ala nobre", respondeu o mordomo com uma reverência impecável.

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Antonella encarou o anel de brilhantes na caixa de veludo, percebendo que a porta de saída havia se fechado para sempre.

Ela já não era a garota abandonada na calçada da Rebouças; agora, ela pertencia à elite intocável do clã Strauss.

O som de passos apressados ecoou pelo corredor logo atrás de Raimundo, quebrando momentaneamente o transe pesado do escritório.

Uma figura esguia e vestida com um uniforme de limpeza desbotado parou boquiaberta na soleira da porta, segurando um espanador trêmulo.

Era Marta, uma das empregadas mais antigas da mansão, que trazia um recado urgente diretamente do terceiro andar da ala infantil.

"Senhor Strauss... perdoe-me a ousadia de interromper o senhor neste momento tão solene", gaguejou a mulher, pálida e com as mãos juntas.

"Mas o pequeno... o pequeno Enzo acabou de recusar o jantar e está chamando pela nova patroa sem parar!"

O cenho de Lorenzo franziu-se instantaneamente, transformando a feição fria em uma máscara de pura inquietação e severidade.

Em menos de vinte e quatro horas, aquela mulher desconhecida havia conquistado o herdeiro de uma forma que desafiava todas as leis da lógica.

"Diga a ele que a senhora von Strauss já está subindo para colocar ordem naquele quarto", respondeu Lorenzo com uma autoridade gélida.

Marta recuou de imediato, desaparecendo pelo corredor escuro como se temesse a ira contida do chefe da família.

Antonella virou-se para encarar o bilionário, sentindo o peso daquela nova responsabilidade esmagar seus ombros de maneira avassaladora.

"Parece que o seu enteado de sete anos já está exigindo a presença da nova mamãe", provocou Lorenzo, com um meio sorriso cínico nos lábios.

"Ele não é apenas uma criança birrenta, Lorenzo; ele é um reflexo de tudo o que você esconde atrás dessa fachada de gelo", retrucou Antonella sem medo.

A ousadia daquela resposta fez o sorriso do magnata sumir, dando lugar a um olhar de pura e incontrolável perversidade territorial.

Ele deu um passo à frente, acuando-a contra a estante de livros antigos até que as costas dela batessem suavemente na madeira.

"Cuidado com as palavras, minha querida esposa", murmurou o bilionário, roçando de leve os dedos na bochecha corada dela.

"Você acabou de assinar um contrato com o diabo, e na minha cama ou na minha mesa, as regras quem dita sou eu."

Antes que Antonella pudesse revidar aquela provocação absurda, o som de passos miúdos parou bem na entrada do escritório.

Uma cabecinha de cabelos castanhos despistou-se pela fresta da porta, espiando o casal com uma curiosidade genuína e silenciosa.

Era Enzo, segurando um ursinho de pelúcia rasgado na mão direita e fitando a cena com olhos arregalados.

"Antonella...", chamou a voz infantil, frágil e sem nenhum resquício da frieza de antes, ecoando pelo cômodo abafado.

"Você... você prometeu que ia me contar uma história de piratas antes de eu dormir."

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