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"Expulsa de Casa, Fui Trabalhar Como Babá… Mas o Bilionário Queria Que Eu Fosse Sua Esposa" Capítulo 1

正文开头

O som da pesada porta de carvalho batendo contra a parede ainda ecoava nos ouvidos de Antonella.

A mala de couro sintético estava ali, jogada na calçada empoeirada da Avenida Rebouças, bem em frente ao casarão onde ela crescera.

A voz de Sophia, sua madrasta, tinia com um veneno gelado e triunfante através do interfone dourado.

"Não venha nos procurar quando a fome bater, Antonella! Você é gorda, inútil e a casa agora é da Beatriz!"

O vento forte de São Paulo carregava a poeira cinzenta da tarde, colando as mechas de seu cabelo castanho-escuro contra o rosto úmido de suor e lágrimas contidas.

Ao seu lado, a silhueta imponente da metrópole parecia zombar de sua ruína repentina.

Seu pai, Victor Castro, sequer havia dado as caras na varanda para se despedir da própria filha.

Afinal, para ele, a morte de sua mãe biológica havia fechado o cofre da família, e Antonella era apenas um estorvo gordinho e sem utilidade.

As horas seguintes se resumiriam ao desespero silencioso de quem não tinha para onde ir.

O aluguel da kitnet na Consolação estava atrasado, a conta bancária zerada e o estômago roncando.

Foi então que o anúncio no jornal local brilhou como um farol no meio do caos urbano.

"Precisa-se de babá com urgência. Salário acima da média do mercado. Endereço: Mansão dos Strauss, Morumbi."

O sobrenome Strauss pesava como chumbo na economia de São Paulo e nos corredores do poder.

Dizia-se que o patriarca da família, Lorenzo von Strauss, movia os pauzinhos da política e do submundo com a ponta dos dedos.

Ninguém durava mais do que uma semana naquele cargo exigente e perigoso.

Quando Antonella desceu do ônibus na ladeira arborizada do Morumbi, a imponência dos muros de pedra preta e câmeras de segurança quase a fez desistir.

Mas a fome e a revolta contra a injustiça familiar falaram muito mais alto.

Ao atravessar os portões de ferro batido, ela encontrou um verdadeiro desfile de futilidade no salão de entrada.

Onze mulheres aguardavam a chamada para a entrevista de emprego mais disputada da cidade.

Todas vestidas com tailleurs caríssimos, sapatos de grife importados e sorrisos falsos de quem vivia à base de procedimentos estéticos.

Entre elas, cochichos venenosos zombavam da simplicidade de Antonella.

"Olha para essa aí, veio direto de um brechó de periferia", murmurou uma loira platinada, ajustando o colar de pérolas falsas.

"E com essa silhueta farta e desleixada? Aposto que não aguenta correr atrás de uma criança nem por cinco minutos", retrucou outra, rindo com dentes artificialmente brancos.

Antonella manteve o queixo erguido, ignorando a onda de superioridade barata que as cercava.

Ela não precisava de roupas de marca para saber quem era; sua dignidade não estava à venda.

O mordomo-chefe, um senhor de terno impecável e olhar severo chamado Raimundo, pigarreou na escadaria de mármore.

"Atenção. O senhor Enzo não descerá. A candidata que conseguir fazê-lo sair do quarto de brinquedos no terceiro andar receberá a vaga. As demais podem se retirar."

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Uma por uma, as onze mulheres subiram as escadas confiantes.

E, uma por uma, desceram correndo em menos de dois minutos.

Algumas choramingando, outras pálidas como fantasmas diante da situação.

"Aquele garoto é um monstro! Ele jogou um vaso pesado na minha cabeça!" gritou uma delas, ajeitando os cabelos desgrenhados.

"Ele morde! É um selvagem descontrolado!"

Quando chegou a vez de Antonella, o estômago deu um nó apertado, mas sua coluna permaneceu rija.

Ela subiu os degraus acarpetados até a pesada porta de mogno no final do corredor escuro.

A porta estava entreaberta, revelando o caos lá dentro.

Lá dentro, a desordem reinava absoluta e assustadora.

Livros rasgados, abajures caídos e estilhaços de vidro cobriam o piso persa.

Encolhido no canto mais escuro, debaixo de uma mesa de mogno maciço, estava o pequeno Enzo.

O garoto de sete anos tinha os mesmos traços aristocráticos e frios do pai, mas agora parecia um animalzinho ferido e acuado.

Os olhos de um azul gelado faiscavam de puro ódio e pânico quando encararam Antonella.

"Saia daqui! Vai embora, sua intrusa! Eu vou te matar se der mais um passo!"

A voz do menino era estridente, rasgada pelo choro contido e pela solidão de quem nunca conheceu um pingo de afeto real.

Qualquer outra pessoa teria recuado, apavorada com a aura de destruição que cercava a criança.

Mas Antonella sentiu uma pontada dilacerante no peito.

Aquela hostilidade toda despertou nela uma profunda empatia, pois sua própria infância havia sido marcada pela mesma falta de amor, rejeição e abandono.

Encarando o menino de igual para igual, ela percebeu que precisava de muita paciência e delicadeza para desarmá-lo.

Com uma calma impressionante, Antonella sentou-se diretamente no chão, mostrando-se inofensiva e humana, sem impor nenhuma autoridade falsa.

Usando uma voz mansa e adotando uma postura acolhedora, ela olhou para a imensidão daquele cômodo e começou a quebrar o gelo com cumplicidade.

"Sabe? Eu também odeio essa casa imensa e silenciosa... Parece até uma prisão de luxo, não acha?"

Enzo sobressaltou-se levemente, os olhos azuis arregalados de surpresa por ouvir alguém falar o que ele próprio pensava.

Continuando a falar com o garoto como se fossem velhos amigos dividindo a mesma dor, ela validou os sentimentos dele sem julgamentos.

"Tudo bem ficar com raiva e querer trancar tudo. Eu também já tive vontade de quebrar o mundo inteiro quando as coisas apertavam para o meu lado."

A sua compleição levemente curvilínea e o jeito suave transmitiam uma sensação de conforto e um calor genuíno, algo que o pequeno nunca encontrara naqueles corredores frios.

A o ouvir aquilo, o cenho franzido do menino tencionou-se um pouco menos, dando espaço a uma ponta de curiosidade.

Aproveitando o momento de trégua, ela resolveu falar das chatices do dia a dia para arrancar dele alguma distração.

"E aquela sopa sem tempero que os cozinheiros trazem? Juro que se eu pudesse, pedia uma pizza gigante com borda recheada agora mesmo."

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Um soluço abafado escapou da garganta de Enzo, seguido por um muxoxo incrédulo.

Aos poucos, através de muita insistência doce e olhares compreensivos, o choro estridente de Enzo foi diminuindo de intensidade.

O corpinho tenso do menino relaxou um pouco diante daquela onda de aconchego inesperada.

Lentamente, milímetro por milímetro, Enzo empurrou a mãozinha trêmula para fora da escuridão e tocou de leve a ponta dos dedos dela.

Lá embaixo, na sala de monitoramento blindada, Lorenzo von Strauss observava cada detalhe da cena através de telas de alta resolução.

O magnata estreitou os olhos escuros, surpreso ao ver que o filho, que nunca tolerara aproximação alguma, estava cedendo àquela tática paciente.

Enquanto observava Antonella, Lorenzo notou as curvas suaves e acolhedoras de seu corpo, uma silhueta farta e calorosa que trazia um contraste humano à rigidez da mansão.

Uma nesga de calor indesejado e uma sensação de estranha calmaria remexeram no fundo do peito de Lorenzo ao ver o filho se acalmar daquela maneira.

"Senhor Strauss", chamou o assistente pessoal, hesitante.

"O que fazemos com as outras candidatas?"

Lorenzo levantou-se lentamente da poltrona, mantendo os olhos fixos na tela onde o filho parecia finalmente seguro perto dela.

"Demitam todas as agências. E tragam essa aí para o meu escritório", ordenou com voz grave.

Enquanto isso, no terceiro andar, Antonella respirava aliviada, achando que sua missão de babá estava recém-começando.

Ela recolheu a última peça de brinquedo e deu meia-volta, pegando sua mala na entrada do quarto, achando que seria dispensada ou que receberia instruções formais.

Porém, ao dar o primeiro passo para fora do aposento, um som metálico assustador ecoou pela mansão inteira.

As portas de ferro do saguão principal bateram com força, trancando-se automaticamente e bloqueando qualquer saída.

Das sombras do corredor lateral, um silêncio sufocante despencou sobre o ambiente.

De repente, Lorenzo von Strauss emergiu da penumbra, vestindo um terno preto de alta-costura perfeitamente alinhado.

O magnata caminhou com passos firmes em direção a ela, exalando uma aura de perigo e poder absoluto.

Ele fitou-a de cima a baixo com um olhar calculista, avaliando cada detalhe de sua presença antes de abrir uma pasta de couro refinado.

"Você conseguiu em minutos o que dezenas de especialistas falharam em anos, senhorita Castro", a voz de Lorenzo soou grave e magnética, cortando o ar.

Antes que Antonella pudesse balbuciar uma única palavra de protesto ou dúvida, o bilionário estendeu uma caneta de ouro e um documento com timbre de ouro sobre a mesa de apoio.

Com um sorriso sutil e implacável nos lábios, o patriarca dos Strauss empurrou o contrato em direção aos dedos dela, pronto para dar o xeque-mate.

"Meu filho aceitou você, mas o que ele precisa de verdade é de uma mãe", disparou o magnata, fixando os olhos azuis nos dela sem aceitar recusa.

"Assine este contrato de matrimônio e estabilidade agora mesmo, e eu garanto que todos os seus problemas sumirão para sempre, ou tente sair desta mansão e enfrente o mundo sozinha."

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