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"Escondi Minha Filha do Bilionário Até Aquele Acidente" Capítulo 5

正文开头

Mateus chegou à cama antes da enfermeira.

— Estou aqui.

Ana tentou retirar a máscara. A profissional segurou seu pulso e pediu que respirasse devagar.

— Sofia — ela murmurou.

A menina apareceu ao lado da grade com Luna.

— Estou aqui, mamãe. O homem comprou remédio e o doutor consertou você.

Ana moveu os olhos até Mateus. O monitor acelerou.

— Por que ele está aqui?

— Encontrei vocês no corredor — disse Mateus.

Ela puxou o braço quando ele se aproximou.

— Seu pai sabe?

— Sabe. Não chega perto de vocês outra vez.

Bento entrou e examinou o monitor.

— Conversa curta. A paciente precisa descansar.

Ana segurou a mão de Sofia.

— Vamos embora quando eu puder.

— Você ainda precisa ficar internada — Bento disse. — A decisão sobre visitas é sua.

Ela apontou para Mateus.

— Cinco minutos.

Sofia sentou na poltrona com a enfermeira. Mateus permaneceu do outro lado da cama.

— Ricardo interceptou suas cartas — falou. — Encontrei uma.

— Você recebeu as outras.

— Nunca.

— Respondeu que eu seria um peso e que seu casamento estava marcado.

— Eu não me casei.

Ana procurou o anel na mão dele. Não havia.

— O documento chegou com o carimbo do escritório.

Clara entregou a cópia pelo vão da porta. Mateus colocou-a na mesa, ao alcance de Ana.

— Esta foi escrita por você?

Ela reconheceu o envelope e virou o rosto.

— Escrevi depois da Luz.

— Passei a terça-feira daquela semana em Brasília. Eu teria voltado se soubesse.

— Seu pai veio à livraria. Mostrou sua resposta e disse que tiraria minha mãe do tratamento se eu insistisse.

Sofia levantou a cabeça ao ouvir "minha mãe". Ana apertou seus dedos e baixou a voz.

— Rosa estava com câncer. A clínica pertencia a um grupo ligado à fundação.

— Ele usou o tratamento dela.

— Minha mãe morreu quatro meses depois. Eu desapareci porque já tinha aprendido o preço de procurar você.

Mateus puxou uma cadeira, mas esperou.

Ana apontou para ela.

— Senta.

Ele obedeceu.

— Procurei por cinco anos depois da universidade — disse. — Ricardo me entregou declaração, passagem e um registro falso de casamento no interior. Acreditei que você escolhera outra vida.

— Eu acreditava que você tinha escolhido o nome da família.

— Escolhi você. Cheguei tarde às provas.

Ana fechou os olhos. O esforço fazia sua respiração falhar.

Bento tocou o ombro de Mateus.

— Acabou por agora.

Antes que ele saísse, Ana abriu os olhos.

— Sofia é sua filha.

Mateus ficou imóvel.

— Você tinha certeza?

— Desde a gravidez. Tentei escrever três vezes. Depois seu pai veio ao meu apartamento com um advogado e falou em incapacidade, tutela e exames comprados.

— Por que não colocou meu nome?

— Para que ele não a encontrasse.

Mateus abaixou o rosto. Sofia largou Luna na poltrona e aproximou-se.

正文1

— Você está chorando?

— Estou.

— Minha mãe também chora escondido no banheiro.

Ana abriu um sorriso fraco.

— Sofia.

— É verdade.

Mateus limpou o rosto.

— Podemos fazer um exame quando sua mãe quiser. Até lá, nada muda sem a decisão dela.

Sofia olhou para Ana.

— Ele pode ser meu pai?

— Pode.

— Hoje?

— Hoje ele pode ficar na cadeira.

Mateus voltou a sentar.

Nas horas seguintes, Ana dormiu entre avaliações. Sofia desenhou três pessoas perto de uma caixa e deixou Ricardo fora da folha.

À tarde, Camila Prado, advogada indicada pelo serviço social, explicou a Ana seus direitos. Mateus saiu do quarto durante a conversa, mesmo quando Sofia pediu que ficasse.

— Sua mãe precisa falar sem mim — disse.

Quando retornou, Ana tinha uma lista escrita pela advogada.

— Primeiro: nenhuma foto da Sofia. Segundo: meu endereço e meus documentos ficam protegidos. Terceiro: o exame será feito por laboratório escolhido por mim.

— Concordo.

— Quarto: pagar o hospital não compra decisão sobre nossa vida.

— Concordo.

— Você concorda rápido demais.

— Passei anos sem poder responder ao que você dizia. Não vou usar cinco minutos para discutir uma regra justa.

Ana tocou a carta sobre a mesa.

— Tenho uma gravação do seu pai.

— Onde?

— Luna tem um bolso interno. Minha mãe costurou. Guardei um cartão de memória ali depois da ameaça.

Sofia trouxe a boneca. Ana mostrou um ponto diferente na barra, e Mateus abriu com cuidado.

O cartão estava embrulhado em plástico.

Ana contou como gravara a ameaça. Naquele dia, carregava Luna dentro da bolsa porque acabara de trocar o tecido da boneca para lembrar Rosa.

Ricardo chegara com dois advogados e uma assistente social particular. Deixou sobre a mesa fotografias de Mateus em eventos e uma certidão falsa de casamento.

— Ele sabia que eu estava grávida — disse Ana. — Falou que seu nome numa certidão seria usado contra mim.

— Eu devia ter desconfiado do documento que me mostrou.

— Nós dois tínhamos papéis falsos e uma pessoa poderosa confirmando cada mentira.

Camila pediu detalhes do apartamento, data e nomes dos presentes. Ana lembrava o perfume da assistente e o som da bengala antes de lembrar o sobrenome de um advogado.

— Não força — Bento avisou da porta.

Ana descansou. Mateus colocou água ao alcance sem entregar em sua mão.

— Você ainda guarda o bilhete da Luz? — perguntou.

— Guardo.

— Eu achei que você tinha ido embora por arrependimento.

— Ricardo apareceu na pensão cedo. Disse que você mandara o carro e queria evitar cena. Escreveu metade do bilhete enquanto eu arrumava a bolsa.

— Qual metade?

— "Não me procure." Eu escrevi que a noite fora um erro porque ele ameaçou ligar para a clínica da minha mãe na minha frente.

Mateus levou a mão ao bolso da carta.

正文2

— Posso ler quando você quiser mostrar.

— Está numa caixa na livraria, junto com suas respostas falsas.

— Clara pode preservar sem abrir.

Ana assentiu. Cada objeto seria lacrado e entregue primeiro a Camila.

Sofia observava os dois de um banquinho.

— Vocês brigaram muito tempo?

— Ficamos sem conversar — Ana respondeu.

— Isso é pior. Na escola, a professora manda usar palavra.

Mateus puxou a cadeira para mais perto, esperando Ana indicar a distância. Ela tocou o braço dele e deixou a cadeira ficar.

Clara levou-o para cópia forense. A voz de Ricardo surgiu num arquivo antigo: "Se procurar meu filho, farei um tribunal acreditar que uma costureira instável não pode criar uma Saldanha."

Mateus fechou o computador.

— Ele responde por isso.

— Quero que responda sem usar a Sofia como espetáculo.

— Você decide o limite.

No fim do dia, o laboratório chegou. Ana colheu primeiro; Sofia abriu a boca para o cotonete e exigiu um adesivo.

Mateus colheu por último. O técnico selou as amostras e informou prazo de vinte e quatro horas.

Durante a espera, Ana pediu seu caderno de clientes. Havia encomendas incompletas e valores adiantados que ela queria devolver.

— Você quase morreu — Mateus disse. — Seus clientes podem esperar.

— Eles pagaram com dinheiro que faz falta.

Clara localizou cada pessoa. Duas aceitaram novo prazo; três pediram reembolso, feito da conta de Ana com autorização dela.

Mateus não cobriu os valores sem perguntar.

— Está aprendendo — Ana falou.

— Devagar.

Sofia desenhou outra linha no relógio do primeiro dia. Disse que marcava a hora em que uma família podia começar de novo.

Sofia colou o adesivo no paletó dele.

Na manhã seguinte, Clara entrou com o envelope lacrado. Entregou-o a Ana.

Ela leu, respirou fundo e estendeu a página para Mateus.

Probabilidade de paternidade: 99,9998%.

Mateus leu duas vezes e colocou a folha sobre a mesa, sem fotografar. Ana esperou Sofia terminar de colorir antes de chamá-la.

— O exame confirmou. Mateus é seu pai.

Sofia olhou para ele e depois para a caixa.

— Então ele pode continuar no chá?

— Pode, se você quiser.

Ela empurrou a xícara rachada para o lugar dele. A decisão prática veio antes do abraço.

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