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"Escondi Minha Filha do Bilionário Até Aquele Acidente" Capítulo 4

正文开头

Mateus entregou Sofia à enfermeira e saiu para o corredor.

— Mantenha-a longe dele — disse a Clara.

Ricardo parou diante do filho. Aos setenta e dois anos, conservava a postura reta, os cabelos totalmente brancos e o anel de sinete no dedo mínimo.

— Você congelou minhas contas durante o jantar da fundação.

— Fale baixo.

— Fez o banco me telefonar na frente do governador.

Mateus fechou a porta da UTI atrás de si.

— Há uma criança dormindo.

Ricardo olhou pelo vidro e viu Ana na cama. A ponta da bengala parou no ar.

— Ela?

— Você lembra.

— A filha da governanta. Depois de tantos anos, ainda encontra um jeito de causar problema.

Mateus avançou até impedir que o pai apontasse a bengala para o quarto.

— O problema carrega seu sobrenome.

— Eu protegi o sobrenome.

— Interceptou cartas.

Ricardo examinou Clara, que segurava uma cópia dentro do envelope transparente.

— Correspondência corporativa pertence à empresa.

— Uma carta pessoal dirigida a mim pertence a quem escreveu e a quem receberia.

— Você era jovem. Estava disposto a abandonar sua posição por uma costureira.

— Ana estudava arquitetura quando você tirou a bolsa dela.

— A bolsa vinha da nossa fundação.

— Ameaçou Rosa com demissão, fabricou uma proposta de casamento na Europa e enviou a Ana cartas falsas em meu nome.

Ricardo apoiou as duas mãos na bengala.

— Eu ofereci uma saída limpa. Ela aceitou dinheiro.

— Mostre o recibo.

— Foi há doze anos.

— Mostre.

Ricardo desviou os olhos pela primeira vez.

Mateus abriu a porta. Sofia estava acordada na cama auxiliar, abraçada à caixa.

— Venha olhar o resultado da sua proteção.

— Não envolva criança em assunto de adulto.

— Você envolveu antes de ela nascer.

Sofia desceu e caminhou até Mateus. Usava o tênis novo num pé e a meia cinza no outro.

— Ele é seu pai? — perguntou.

— É.

— Ele sabe chá?

— Nunca aprendeu.

Ricardo franziu a testa.

— Quem é essa menina?

Mateus pousou a mão aberta nas costas de Sofia sem empurrá-la.

— Filha de Ana. Nasceu nove meses depois da noite em que nos reencontramos.

Ricardo calculou. O rosto endureceu antes que conseguisse escondê-lo.

— Uma alegação conveniente.

— Ainda faremos exame com autorização da mãe. Os registros mostram que você desviou três tentativas de contato.

— Podemos resolver discretamente. Um fundo para a criança, um apartamento para a mulher e confidencialidade.

Sofia apertou a caixa.

— Ele quer comprar a mamãe?

Mateus se abaixou.

— Não vai.

Levantou e encarou Ricardo.

— Sua distribuição do fundo está suspensa. Amanhã o conselho recebe os registros de correspondência e as auditorias dos contratos assinados durante sua presidência.

— Você destruiria a empresa por isso?

— A empresa sobreviverá à verdade. Seu cargo honorário, talvez não.

Ricardo ergueu a bengala até o peito do filho.

正文1

— Eu construí tudo que você tem.

Mateus afastou o objeto com dois dedos.

— Construiu paredes. Eu passei quinze anos abrindo portas nelas.

Um dos seguranças de Ricardo deu meio passo. Clara mostrou o telefone.

— A segurança do hospital já está a caminho. Toda esta área tem áudio e vídeo.

Ricardo olhou para a câmera no teto.

— Você vai se arrepender quando os jornais chamarem essa mulher de oportunista.

— Se usar o nome dela, publicarei as cartas falsificadas.

— Ela arruinará você.

— Saia.

— Mateus...

— Não se aproxime de Ana nem de Sofia. Não mande advogado, presente ou recado. Saia do hospital.

Os seguranças do Santa Aurora chegaram. Ricardo percebeu que os próprios homens não poderiam atravessar uma ordem formal.

Recuou, e a bengala bateu fora do ritmo.

Mateus entrou no quarto e fechou a porta. Encostou a testa na madeira, mantendo a mão na maçaneta.

Clara recebeu a confirmação do conselho enquanto Ricardo ainda esperava o elevador. As distribuições estavam suspensas, e os arquivos da presidência passariam por auditoria externa.

— Ele tentará convocar votação de emergência — disse.

— Envie a carta, os protocolos e a ordem de descarte. Sem dados médicos de Ana ou Sofia.

Um dos seguranças de Ricardo voltou até a porta. Retirou do bolso um envelope e o colocou no balcão.

— O senhor Ricardo mandou entregar.

Mateus não tocou.

Clara abriu com luvas. Dentro havia uma minuta de acordo: apartamento quitado, pensão vitalícia, cinco milhões de reais e renúncia a qualquer reconhecimento público de paternidade.

Sofia reconheceu o próprio nome no cabeçalho.

— É papel de escola?

— É papel que ninguém vai assinar — Mateus respondeu.

Ele pediu que Clara fotografasse e anexasse à auditoria. O documento demonstrava que Ricardo calculara um preço antes de perguntar se Ana sobreviveria.

— Rasga — Sofia pediu.

— Vamos guardar como prova.

— Prova de quê?

Mateus escolheu as palavras.

— De que alguém tentou decidir sua vida sem perguntar.

Sofia levou a caixa para perto da cama da mãe.

— A gente pergunta.

— A gente pergunta.

O segurança do pai permaneceu parado. Antes de sair, retirou o distintivo privado da lapela.

— Trabalhei para sua família vinte anos — disse. — Eu levava cartas ao escritório do doutor Ricardo. Se houver investigação, presto depoimento.

Clara recebeu seu contato. Ricardo perdera mais que uma votação; os corredores começavam a falar.

O ex-segurança chamava-se Osvaldo. Em vinte minutos, registrou que recebera ordens para levar correspondências pessoais ao endereço de Ricardo.

Também reconheceu Ana numa fotografia. Cinco anos antes, acompanhara Ricardo a um prédio no Brás e ficara no carro durante a ameaça gravada.

— Eu sabia que ela estava grávida — contou. — O doutor Ricardo mandou preparar um relatório para questionar a saúde mental dela.

Clara perguntou onde estava o relatório.

— Arquivo azul da casa de campo. Ele guarda o que pode usar contra gente da família.

正文2

Mateus solicitou ordem judicial em vez de mandar seus homens. Osvaldo entregou mensagens, datas e o nome do advogado presente.

Dentro da UTI, Sofia pediu Valente de volta. Mateus colocou a boneca junto à caixa.

— Ajudou? — ela perguntou.

— Ajudou a lembrar que alguém continua de pé mesmo faltando uma parte.

— Ele foi embora? — Sofia perguntou.

— Foi.

— Você vai também?

— Não.

Um som rouco veio da cama.

Mateus se virou.

Ana tinha os olhos entreabertos. Seus lábios se moveram sob a máscara de oxigênio.

— Mateus?

Bento verificou a pupila de Ana e chamou a equipe. Mateus recuou, deixando espaço ao redor da cama.

Ricardo ouviu o nome e tentou voltar. A segurança fechou a passagem; Clara apresentou a restrição assinada pela administração.

— Meu filho está lá dentro.

— A paciente não autorizou sua entrada — respondeu Clara.

Mateus observou pelo vidro enquanto Bento ajustava o oxigênio. Ana chamou Sofia uma vez e repetiu o nome dele.

Quando entrou, ela segurava o desenho do relógio sob os dedos.

— Você recebeu? — perguntou.

Mateus entendeu que falava das cartas.

— Uma. Hoje. Doze anos atrasada.

O monitor manteve o ritmo, e a pergunta ficou aberta entre os dois.

Bento limitou a visita a poucos minutos. Mateus voltou ao corredor e encontrou Ricardo ainda discutindo com a segurança.

— Ela acordou? — o pai perguntou.

— Isso pertence a Ana.

— Sou parte desta família.

— Você abriu mão quando transformou pessoas em risco administrativo.

Ricardo ofereceu uma conversa privada. Mateus pediu que qualquer comunicação viesse por advogado e permaneceu diante da porta até o elevador fechar.

Osvaldo entregou o crachá que ainda abria a casa de campo.

Clara lacrou o objeto e chamou a polícia. Mateus recusou usar o acesso por conta própria; queria cada arquivo no processo com origem registrada.

Ricardo viu o antigo funcionário colaborar antes de as portas do elevador fecharem.

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